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O futuro virou o presente que lembra o passado do jornalismo


(ilustração retirada de um dos artigos da Economist)

Desde que eu voltei do mestrado, uma das minhas preocupações tem sido como dar aos jornalistas da empresa para a qual trabalho, ferramentas que permitam a eles praticar bom jornalismo sob a ótica dos novos tempos. Para isso, sempre é importante olhar pro passado. Entender a essência do que fazemos, porque fazemos isso ou aquilo e decidir o que queremos fazem em seguida.

Vai daí que você lê de tudo, de muitas fontes, com muitos pontoes de vista. Há propostas tanto de mudança no modus operandi do jornalismo quanto para os modelos de negócio básicos dessa indústria. A coisa está sendo reinventada em todos os níveis.

Mas poucos documentos sobre o assunto foram tão claros quanto o especial da Economist que saiu na semana retrasada e que só ontem eu terminei de ler. EM essência, fala de como a internet tornou a indústria mais participatória, com mais diversidade e capaz de tomar partido abertamente, num retorno às origens pré-mídia de massa.

Discute-se os modelos de negócio dessa indústria, falando dos resultados variados de experiências como as pay-walls de alguns sites e do rigor variado de algumas delas. Ou de sistemas como o patrocínio estatal, as doações de leitores, etc.

No campo do reporting per se, a revista reúne num só lugar conceitos que deveriam ir para a parede de jornais e revistas do mundo todo. Acredite. A discussão dentro das empresas de comunicação é na maior parte das vezes defensiva. Entenda que, fora das empresas, a mudança já aconteceu, o barco já partiu. O mundo mudou, queiram ou não. São as empresas que, limitadas pelos modelos de negócio que garantiram sua sobrevivência por décadas, enfrentam dilemas duríssimos.

A Economist coloca em pratos limpos que precisamos de transparência absoluta como uma nova versão do mote da objetividade. O rei está nú. É necessário e desejável que usemos as ferramentas para intensificar a participação de nossos leitores, espectadores. Nem o termo audiência faz mais tanto sentido num canal de mão dupla.

Enfim, leia, leia. Imprensa é parte de nossas vidas. Quando saudável, forte, convicta de sua missão é primordial para uma democracia. Mas até para tudo isso é preciso entender o que ela é. É importante lembrar que a imprensa não é só e sempre institucionalizada. O conceito é mais amplo. A gente se acostumou à idéias das empresas de comunicação que prosperaram no século 20 e esqueceu que qualquer um tem o direito de ter voz. O que tem que ser e o que pode ser. Por isso a capa da Economist é genial: Back to the coffee house. A imprensa deu uma volta completa e voltou a uma versão turbinada de suas origens. Ela agora é mais social e fragmentada do que nunca. Uma versão anabolizada de seus dias seminais.

* * *

O especial é de duas semanas atrás. Nem é grande. Se eu tivesse conseguido parar com calma uma horinha num café, teria matado tudo e relido algumas partes. Até por isso, recomendo duplamente a leitura. Não é longo demais, mas traz uma boa síntese das questões que assaltam a indústria feita por um dos mais emblemáticos produtos do jornalismo tradiocionalista.

Vale a pena comprar a revista, vale baixar a app, pagar os US$ 110 dolares por ano para ler tudo, tudo que sai toda semana. Ou só uma coisa aqui e ali. Mas se você pagar os 110 dolares pelo ano (ou 30 por quadrimestre) e ler só esse special report, já vai ter recuperado seu suado dinheirinho facilmente.