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Seleção Brasileira e a falácia do volume de jogo

E ontem sofremos mais uma daquelas decepções doídas. Entramos em campo contra o Paraguai, mandamos nossos onze craques pra cima deles na esperança de que alguém, em algum momento, ia fazer algo que garantiria a vitória.

Essa tem sido a rotina do Brasil. Junta um bando de jogadores, alguns deles estrelas, dá um verniz de organização e manda eles pra cima do adversário. Ontem, nosso adversário tinha um plano e o executou com perfeição. Eles sabiam seus limites e jogaram em cima disso. Quando acelerávamos, eles seguravam a bola, tocavam, esperavam, esfriavam.

Não existe coisa mais irritante do que ver que os jogadores, dentro de campo, não percebem coisas óbvias. Não havia espaço no campo. A bola tinha que seguir perto dos jogadores, os passes tinham que ser curtinhos ou bem longos. O meio termo esbarrava nas eficientes pernas paraguaias. Ainda assim, você via bolas mal dominadas, passes na escala errada e desarmes, muitos desarmes.

Ou caímos no vício do excesso de frieza ou nesse oba oba da correria na direção do gol. Com Parreira, é a frieza e o tédio absolutos. Com Felipão, em 2002, juntamos as duas coisas: talento e senso estratégico. Ganhamos a Copa. Não soubemos fazer nada parecido com isso em 2010, com aquele cabeça de bagre master no comando do time. Dunga queria ser Parreira, porque é a única coisa que ele poderia almejar: ser a versão anódina do técnico mais tedioso que já produzimos. Perdemos, claro.

Mas eu me desviei. Voltamos a ontem. O Paraguai ocupou o campo e mandou às favas o volume de jogo dos brasileiros. Levou o jogo para onde queria: os pênaltis. Ali, encurtou a diferença. Mas nem em seus sonhos mais alucinados eles imaginariam que o Brasil daria aquele vexame. Bom pra eles. O Paraguai mereceu a vitória. Nós merecemos a derrota.

No fim das contas, a seleção brasileira não tem nada a ver comigo. É o time da CBF, do Ricardo Teixeira. Quando se conecta com meus anseios, ótimo. Quando não, eu sempre posso trocar de canal, ir ver um filme, ler um livro, viajar, sei lá.

Ontem me irritei profundamente com o time, com o técnico e pedi a saída de Mano Menezes. Diferente de outros tempos, transformei o twitter, pelo menos durante jogos de futebol, num espaço de torcedor mesmo. Não odeio o Robinho (embora, a julgar pelas bobagens que eu postei, pareça que não suporto o jogador), nem acho que uma derrota defina o destino de um técnico. Mano Menezes tem que seguir seu caminho e descascar esse abacaxi. Até a hora que o Ricardo Teixeira cansar dele e for tentar, de novo, atrair o Muricy.