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“Minha” Londres e a “deles”

Olhei para o mapa montando no Google Maps pelo Guardian e imediatamente me ocorreu ir dar uma olhada num outro que eu costumo fazer em todas as cidades que eu visito e que eu chamo de “Minha >ponha cidade aqui<". Minha Nova York, Minha Amsterdam, Minha Roma, Minha... Londres. De todas elas, pelo que eu vivi lá, eu sentia Londres como a mais minha de todas. Foi um ano intenso vivido por lá e que me deixou com saudades das pessoas e dos lugares. Aí resolvi sobrepor a minha Londres a dos vândalos...

Destaquei um pedaço do mapa. Os lugares do centro que eu freqüentava, são as marcas azuladas. As alaranjadas, são os ataques. Até hoje, mesmo sabendo que eu moro na parte mais alta daqui de SP, sempre que chove, minha mãe me liga perguntando se eu não estou no meio da confusão. Pois ao que tudo indica. Se eu estivesse em Londres, ela teria tido bons motivos pra ligar preocupada…

Dito isso, fiquei impressionado com uma coisa nessa cobertura da parte do Guardian e da BBC, minhas fontes primárias de notícias sobre a Inglaterra. Falta de contexto. Os sites te enchem de fotos, vídeos, dos eventos e não conseguem te explicar direito quem está fazendo isso e por quê. Na cobertura do Guardian e da BBC os eventos não têm face, nêm motivo aparente. Estão acontecendo.

Só no Telegraph fui encontrar algum comentário, análise. Pro melhor e pro pior. É ali que vai ser discutido se a polícia não conseguiu conter os saques porque ficou com medo de soar racista ou que surgem as vozes afirmando que dado o desemprego e o descaso do governo, isso ia acontecer a qualquer momento. Ainda são análises óbvias, pouco profundas. Mas são uma tentativa importante. No Telegraph, estão ao lado dos mapas interativos, vídeos e fotos. Uma tenativa de iluminar faz bem.

Vírus e anti-vírus

Nos últimos anos, pra mim, viral era vídeo, idéia, meme. Ontem caiu a ficha pra mim de que num mundo globalizado viral continua sendo o que sempre foi: vírus que se espalha como… como uma gripe… suína.

Uma pessoa com a suspeita da gripe está aqui no hospital do lado do campus em que eu estou morando. Logo ali. Eu vejo o hospital sempre que saio do apartamento.

Alguns meses atrás, foi lançada aqui uma série chamada Survivors. Era baseada num seriado dos anos 70 e mostrava o que aconteceria se 90% da população mundial fosse aniquilada por uma variante mortal da gripe. A Inglaterra entra em colapso e, nos seis episódios, um grupo de pessoas tenta se estabelecer nesse ambiente desolado.

Voltemos ao mundo real, onde coisas terríveis como pandemia de gripe e aviões derrubando torres em grandes cidades são eventos que não acontecem (?). Como a Inglaterra é uma ilha, as autoridades ficam muito atentas a qualquer movimento desse tipo. Uma doença que se espalhe muito rápido num país com sistemas de transporte eficientes tem mesmo potencial para quase dizimar um país com essas características. As regras para, por exemplo, trazer um animal para a Inglaterra são extremamente rígidas. Seis meses de quarentena, atestados e tudo mais. Por conta disso, nem pude pensar em trazer o Darwin comigo. Acredite, eu teria dado conta dele e teria sido sensacional com esses parques que eu tenho aqui perto.

Os medos não são infundados. Basta andar no metrô, basta circular pelas insuportavelmente lotadas Oxford street, Regent street, Picadilly Circus, Leicester Square. Ali, todo mundo é de fora. Milhares de pessoas vindas de todos os cantos do mundo. Num lugar como esse, espalhar uma doença intensamente contagiosa como uma gripe é brincadeira de criança. Contra isso, todas as câmeras, todos os policiais e regras não valem nada. Mais um motivo pro típico morador das grandes cidades ter medo, muito medo.

Mas, e tem sempre um mas. Voltando ao início deste texto, estamos na era em que os virais são mais do que virus biológicos. São idéias, informação. Então, é hora de pormos isso a nosso favor. Todos têm internet, celulares, TV. Como eu disse, câmeras e guardinhas não adiantam muito. Mas, de novo, a multidão, tão propícia a pegar vírus e se aniquilada, pode ser a solução. A informação sobre como se proteger ou a identificação rápida de focos possíveis de contaminação podem evitar uma tragédia. A informação, o compartilhamento, podem ser o anti-vírus que a gente precisa contra um vírus letal. E ler esse post (que eu descobri com a ajuda do @doni, no Twitter) também ajuda muito.

Minha Londres

Cheguei aqui faz pouco mais de uma semana. Ainda não atualizei meu mapa com tudo o que eu ando vendo por aqui. Mas planejo fazer isso nos próximos dias. É divertido e me ajuda a encontrar de novo os lugares pelos quais passei. A casa desse mapa, daqui em diante, vai ser numa página só dele chamada Minha Londres.


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Uma coisa engraçada. Eu comprei um Moleskine de NY algum tempo atrás. Fiz algumas anotações e parei. Nunca mais toquei no bichinho. Fiquei cheio de culpa. Quando estava vindo pra cá, pensei em comprar um Moleskine de Londres. Peguei, fui até o caixa da livraria. Na última hora, desisti. Sinto muito, Moleskine querido. Adoro produtos físicos. Adoro livros e papel. Sou low tech nessas coisas, até. Mas nesse esquema, posso compartilhar tudo com meus amigos. É mais gostoso.