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“Tongue & Lash” é híbrida, diz autor, 05/06/2000

Jean-Marc é um dos criadores da história de detetives ambientada numa América dominada pelos maias

ALEXANDRE MARON
DA SUCURSAL DO RIO
Um detetive, uma mulher fatal, pessoas de caráter duvidoso e mistério são componentes clássicos de uma história noir. O lançamento da editora Via Lettera, a história em quadrinhos “Tongue & Lash”, coloca tudo isso em um cenário bizarro: uma América dominada pela civilização maia.

A história é uma criação dos escritores Jean-Marc e Randy Lofficier, com desenhos de Dave Taylor, muito erotismo e uma dupla de detetives que investiga casos de adultério, roubo e assassinato em um mundo alternativo no qual os maias nunca foram dizimados por colonizadores europeus.

Em meio às investigações, Tongue e Lash têm uma relação aberta. “Eles foram amantes, mas estão em um nível especial de relacionamento. O sexo tem um sentido diferente na sociedade maia, então a relação deles não é definida pelo sentimento de que foram amantes, mas por ligações ainda mais fortes”, diz Jean-Marc, à Folha, por e-mail.

Segundo ele, a idéia surgiu em 1987, quando lia uma novela de mistério chamada “Skinwalkers”, de Tony Hillerman, cujo herói é detetive índio americano que trabalha em uma reserva e lida com elementos da mágica dos nativos.

“Naquela época, eu trabalhava com Moebius no projeto da sequência de ‘Garagem Hermética’, e o conceito de um mundo paralelo no qual os maias eram a civilização dominante surgiu ali”.

Para Jean-Marc, a melhor parte do trabalho sempre é a criação de todo o sistema social e a tecnologia que serão vistos na história. “Nossa HQ é um produto híbrido. Não é européia nem norte-americana. A influência vem de ‘Modesty Blaise’, dos filmes noir, claro, e da série de TV ‘Os Vingadores’. Mas o estilo artístico e as cores (a edição nacional é em preto e branco) são européias, pelo menos, francesas”, analisa.

Os irmãos Lofficier trabalham com o mestre francês das HQs Moebius e não negam a influência dele em seus trabalhos. Mas o desenhista Dave Taylor copia o traço do criador de obras como “Sargento Blueberry”. Segundo Jean-Marc, Taylor foi influenciado por Moebius, mas, no caso de “Tongue e Lash” a cópia foi proposital.

“Quando Taylor nos procurou, pensava em fazer uma história no universo de ‘Garagem Hermética’ e acabamos nesse álbum. Ele achou que o melhor estilo seria mesmo o de Moebius”, afirma.

Em meio à crise do mercado editorial americano, os roteiristas procuram uma editora para lançar o próximo capítulo de “Tongue e Lash”. “Nós planejamos uma história chamada ‘Tongue e Lash Férias’, na qual eles viriam para o nosso mundo. Daria para mostrar um pouco mais de seu universo”, conclui Jean-Marc.

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