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‘Quinteto’ chega ao episódio 100, 06/12/98

Fãs confundem atores com os seus personagens no seriado e reclamam de suas atitudes

ALEXANDRE MARON, enviado especial a Los Angeles

O canal Sony deve exibir amanhã, às 23h, o centésimo episódio do seriado “O Quinteto” (“Party of Five”), que relata o cotidiano de cinco órfãos.
Neste centésimo episódio, o irmão mais novo da família Salinger, Owen, sente ciúmes da sobrinha, Diana, e desaparece. Ela é a filha recém-nascida do irmão mais velho, Charlie (Matthew Fox), seu pai adotivo.
No primeiro capítulo do seriado, Charlie assumiu a guarda dos quatro irmãos menores quando os pais morreram num acidente de automóvel.

Entre as novidades desta temporada, Charlie voltará para Kirsten (Paula Devicq). Sarah (Jennifer Love Hewitt), por sua vez, vai separar-se de Bailey (Scott Wolf), devendo protagonizar uma nova série no ano que vem.

Embora seja um sucesso de crítica, tendo recebido o Globo de Ouro de melhor série dramática em 96, a audiência de “O Quinteto” é considerada baixa. Os executivos do canal Fox, que exibe seriado nos EUA, afirmam que “O Quinteto” é mantido porque se tornou uma marca de qualidade.

Claudia (Lacey Chabert), Bailey (Scott Wolf) e Kirsten (Paula Devicq), parte do elenco fixo do seriado, receberam a Folha para esta entrevista no cenário do restaurante Salinger’s, que pertence aos protagonistas do seriado. Leia a seguir alguns trechos:
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Folha – O que você acha de estar num seriado em que o sucesso de crítica não se traduz em altos níveis de audiência?
Scott Wolf – Acho que estamos dentro das falhas dessas pesquisas de audiência. Diversas vezes crianças e adolescentes chegaram para mim e disseram que se juntavam em grupos para assistir ao programa todas as semanas. São milhares de pessoas que não aparecem nesses índices de audiência. A rede Fox sabe disso.
Folha – Neve Campbell (Julia) e Jennifer Love Hewitt, participaram de filmes de terror. Você tem algum projeto parecido?
Lacey Chabert – Não. Odeio filmes de terror. Adoro a Neve e a Jennifer, mas assisti aos filmes aterrorizada o tempo todo, mesmo sabendo que é tudo de mentirinha.
Folha – Astros adolescentes têm dificuldades para seguir carreira quando chegam à idade adulta. Como você se prepara?
Lacey – Algumas pessoas não têm uma família por perto para dar suporte. Além disso, há outras coisas importantes em minha vida, como a faculdade.
Folha – Qual é a reação das pessoas nas ruas às ações de seus personagens?
Lacey – Algumas pessoas me disseram que odiavam Claudia nas três primeiras temporadas, achavam ela uma adolescente difícil. No dia do episódio em que eu termino o namoro com Jamie, fui ao shopping e as pessoas reclamavam comigo. Eles acreditam que somos esses personagens.
Paula Devicq – Durante a fase de depressão da personagem, fui a Nova York rever uma velha amiga. A primeira coisa que ela fez foi perguntar se eu estava bem. E insistiu mesmo quando eu respondi que estava ótima.
Wolf – Recebi olhares irritados quando Bailey traiu Sarah.
Folha – O que torna “O Quinteto” popular no resto do mundo?
Paula – Os jovens se identificam com personagens que cometem erros, crescem e se desenvolvem.
Wolf – Não obtivemos grandes índices, mas todos estamos orgulhosos de ter uma audiência mais fiel do que qualquer outra.
Folha – O que você gosta em “O Quinteto”?
Wolf – O fato de a série levar os jovens a sério. Os outros shows não fazem isso e tornam-se superficiais. Lidar com os assuntos honestamente é a força de “O Quinteto” e, provavelmente por isso, a audiência é tão fiel.
Paula – Gosto do fato de que eles não têm medo de lidar com questões polêmicas. Todas as situações podem ser abordadas.

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