Quem quer virar um vampiro?


Não é fácil manter esses corpinhos por toda a eternindade (e sim, eu sei que a Sookie não é vampira*)

Por duas semanas, todo nosso tempo livre foi dedicado a ver as três temporadas de True Blood. No meio dessa correria, tirei um daqueles cochilos delirantes e…

Você sabe, né? Vampiros ficam para sempre na forma que tinham quando foram transformados. Vai daí que, seu eu fosse avisado de que iria virar um vampiro, ia pedir um tempinho e correria alucinadamente para a academia. Iria lutar pra perder uns bons dez quilos, cortaria os cabelos direito, faria a barba. Poxa, todos os vampiros passam a eternidade sendo os gostosões, porque seria eu o vampiro gordinho e desgrenhado da turma?

Aí, pensei eu, isso dava um formato, digamos, matador, de reality show.

Imagine 10 pessoas em uma casa com as janelas sempre fechadas disputando a chance de virar vampiros. Elas passariam por diverrsas provas e deveriam perder peso, ficar mais bonitas e bem cuidadas para ser escolhidas por um vampirão. Isso mesmo, a cada semana, um monte de provas de resistência, inteligência, tomadas de peso tipo de Biggest Loser, aquele reality show para gordinhos.

Mas o momento mais esperado seria aquela hora em que o vampirão sedutor (e meio afeminado) ou a vampirona gostosa (e meio vagaba) escolheria a pessoa que iria ser desclassificada. Fiquei pensando em como resolver esse momento. No Aprendiz, o apresentador diz “Você está demitido!”, no americano, a frase é “you are fired!”.

Pois no nosso reality show (que se chamaria “Quer Ser um Vampiro?”), a vampirona faria aquele veredicto sacana: “Fulano, você não emagreceu o suficiente, vomitou quando bebeu sangue de galinha e não agüentou dormir uma noite em um caixão porque tem claustrofobia. Não pode ser um vampiro!”, e terminaria com um trocadilho safadinho em inglês: “You suck!”. A pessoa sairia dali com sua malinha e as portas se abririam para um belo dia ensolarado e luminoso.

Aí, naquelas traduções dos canais a cabo, rolaria aquela dublagem tosca e sem sincronia. Colocariam o vampiro olhando nos olhos do pobre desclassificado e dizendo: “Chuupaaa!”.

Pois é. Isso é que dá ver True Blood demais em pouco tempo. Pirei.

(*Nota importante do autor: a personagem da Anna Paquin em X-Men, Rogue, foi chamada de Vampira nas revistas brasileiras…)

O “jornal do futuro” não se parece com um jornal

A Folha se relançou como o “jornal do futuro”. Eu tenho aquele carinho meio cego pelo jornal. Ela tem um papel especial na virada que eu dei na minha vida lá no início dos anos 90. Então é com dor no coração que vejo minha velha casa meio perdidona nos novos tempos.

EU nunca consegui me conectar emocionalmente com o Estadão. Acho o jornal bem feito, tem várias coisas que eu gosto. Mas em SP sou folheiro de carteirinha. Mesmo nos momentos estranhos do jornal, como nos últimos anos. Cresci com O Globo no Rio (meu pai era um leitor assíduo e eu herdei o hábito. Hoje sinto falta se não leio o Globo regularmente) e passei a ler a Folha no início dos anos 90, quando começou a ficar mais fácil achá-la nas bancas cariocas do centro. Mas como trabalhei na Folha, fui trainee lá, tenho um carinho enorme.

Acho que foi por isso que a campanha do Jornal do Futuro me soou tão… triste. Porque não havia nada de realmente novo no jornal. Umas mudancinhas cosméticas muito tímidas aqui e ali e um slogan que prometia e não entregava.

Aí surge o Diário de São Paulo e me traz um negócio realmente surpreendente. Não tem um décimo do prestígio de Folha ou Estadão. Mas oferece uma experiência de leitura inesperada para um jornal diário no Brasil.

Vamos admitir que é muito mais fácil mudar um jornal que estava encurralado em sua irrelevância e não tinha muito a perder. Mas o fato é que grandes jornais são um emaranhado de cadernos. Não seria um enorme absurdo implementar mudanças mais radicais em um caderno e ir experimentando e preparando seus leitores para a mutação. Se você acha que isso é impossível e já começou a dizer “não dá”, “não é tão simples assim” e outras manobras defensivas, precisa urgentemente se reciclar. Não é que o século 21 começou ontem. Já se vai uma década. Não há mais desculpa para ficar repetindo o velho indefinidamente.

O jornal do futuro pra mim é o de amanhã. E para que ele chegue, a gente precisa fazer um bom jornal hoje. Ou em vez do seu jornal, vai ter um concorrente embrulhando peixe… amanhã.

Fringe não me dá alternativa. Tem que ver!





No afã de tirar o atraso das séries, esse ano eu vi um monte de coisas sensacionais. Uma delas foi Fringe. Eu devorei as duas primeiras temporadas em poucos dias e fiquei na expectativa alucinada da volta do programa.

As duas fotos acima (com pistas escondidas) dão o tom da expectativa. Como nossos heróis vão enfrentar Walternate e Bolivia?

Stargate Universe, de novo: fim de temporada

Eu devorei a primeira temporada de Stargate Universe em poucos dias. Sei lá, eu adoro seriados com naves espaciais. Adoro mais ainda essa premissa da nave perdida. Mas eu curto mesmo o tom realista. Sim, existem aqueles bafos da mitologia do Stargate, como as pedras “mágicas” que permitem conexão direta em tempo real mesmo a bilhões de anos luz. Mas o que é muito bom é a forma como eles estabelecem premissas absurdar e sabem muito bem usá-las para contar boas histórias.

Junte a isso um time de escritores que soube criar personagens tridimensionais, complexos, cheios de falhas de caráter. Parecem até gente de carne e osso.

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Stargate Universe

Eu vi o filme original de Stargate. Achei trash, mas a idéia era legal. Depois, vi o piloto e episódios pulados do seriado Stargate SG1. Era legal, mas nunca me fez grudar na fente da TV. Atlantis idem. Tudo legal, mas nada me prendeu de verdade.

Agora, fissurei em Stargate Universe. A premissa tem vários momentos deja vu de outras séries. Em Voyager, a primeira capitã de uma nave da federação consegue se perder no universo e lidera sua trupe na dura viagem de volta. Em Battlestar Galactica, nossos heróis passam vários episódios, após fugir dos cylons, tentando garantir comida, ar e água. Em Lost, nossos heróis caem numa ilha deserta e vão tentar desbravar o local e descobrir o que está por trás de seus mistérios.

Junte tudo isso e você tem pela frente Stargate Universe. Os personagens estão num planeta no qual foi descoberto um stargate diferente e um cientista tenta descobrir pra onde diabos aponta aquele portal que tem símbolos novos. A história começa quando Eli, um aluno do MIT que precisou abandonar a escola por falta de dinheiro, resolve um problema matemático complexo implantado pelos militares em um jogo de computador ao estilo World of Warcraft. Ele é convocado pelo governo para ajudar no esforço de decodificar o tal novo portal.

Eis que, durante os testes, o planeta distante no qual fica o portal sofre um ataque alienígena e o grupo de pessoas lotado ali, uma mistureba de civis, cientistas e militares, faz uma evacuação de emergência para o portal, para onde quer que ele esteja apontando. É quando caem numa nave milenar, toda arrebentada, perdida a bilhões de anos luz do planeta Terra.

A partir daí, eles precisam entender como a nave funciona e ao mesmo tempo achar uma forma de sobreviver aos cataclismas que vão caindo sobre suas cabeças: falta ar, comida, água, energia. Falta também a confiança interna do grupo e vinda dos líderes da missão, na Terra.

Sete episódios sem uma única cena de ação. Nada de tiroteios. Só os humanos interagindo e enfrentando diversos revezes. E tem funcionado muito bem. Oh, boy. Essa série promete.

Um mentecapto que virou um falso herói

Derren Brown é um mágico britânico que ficou famoso ao produzir programas de TV que giram em torno de técnicas centenárias e mentalismo com os twists das novas tecnologias e buzzwords da ciência.

Ele continua sendo um mágico, um mentiroso profissional. Mas faz isso com uma habilidade admirável. NO entanto, alguém que trabalha primordialmente com a surpresa, com a idéia de pegar sua platéia despreparada, vai tendo mais e mais problemas para se superar a cada especial de TV. NO início, ele capturou a imaginação dos ingleses ao mostrar pessoas sendo dominadas por supostas técnicas de hipnotismo e programação neurolinguística.

Usando a bandeira do ceticismo, ele fez alguns especiais memoráveis sobre poderes extra-sensoriais (o fantástico Messiah) e sobre o mito da sorte (The System). Algumas idéias eram exageradas demais e o resultado ficava aquém do esperado, como quando ele resolve fazer uma séance ou a da roleta russa.

No ano passado, ele fez quatro especiais com resultados também irregulares. No primeiro, prometia acertar os números da loteria. No último, acertar o resultado de uma roleta em um cassino de verdade. “Acertou” os números, mas falhou feio na roleta.

Esta semana, resolveu sair do terreno do ceticismo, deixar de lado a mágica e brincar com algo muito caro a uma nação em profunda crise econômica e de autoestima, como a Inglaterra. O que faz de uma pessoa comum um herói? Talvez tenha sido o pior especial especial de Derren Brown até agora.

A proposta era pegar uma pessoa absolutamente comum, com todos os seus medos e sonhos desfeitos, e transformá-la em alguém capaz de feitos heróicos em um mês. Como ele faria isso? Manipulando a vida dessa pessoa por meio de eventos controlados que a fariam, passo a passo, ganhar a coragem necessária de se levantar em momentos de crise e fazer a diferença.

A idéia de que Brown é capaz de manipular a mente dos seus espectadores é parte integrante do “personagem” de Derren Brown. Se um mágico é um ator fazendo o papel de um mágico, esse é o papel de Brown. Um homem capaz de usar seus conhecimentos superiores (o que quer que isso signifique) para manipular a mente dos meros mortais que não sabem o que ele sabe.

O protagonista é um rapaz que tinha o sonho de ser policial, mas acabou como atendendente de telemarketing de uma companhia de seguros. Brown quer que ele encare a vida de frente, lute contra seus medos e comece a mudar de vida. Mas o rapaz, Matt, é um mentecapto. Vai na casa de um homem devolver sua carteira e, quando vê que não há ninguém lá, resolve entrar, abrir sua geladeira, ver sua TV. Ridículo. Depois, ele ajuda um motorista que estava para fazer a entrega de itens de uma festa. O motorista quer ser chef de cozinha e Matt, nosso herói estúpido, o convence a tentar. O homem vai embora e larga o furgão, com tudo que há dentro, nas mãos de Matt. O rapaz, em vez de ligar para a empresa e avisar o que aconteceu (dentro da realidade do programa, supostamente haveria uma pessoa em algum lugar esperando o que há naquele furgão), resolve dar uma festa pros vizinhos. Pelo jeito, heróis não precisam ser honestos, nem se preocupar com as consequências do que fazem. Como é que esse negócio foi ao ar?

A premissa do programa, associada ao perfil de Brown, poderia resultar em algo incrível, mas a implementação, num filme, já seria bizarra. Num reality show, soou falsa e sem sentido, piorando muito com a escolha de um idiota como matriz de toda a ação. Como eu disse, Brown brilha quando age como um cético. Quando mostrou que não existe formula mágica para nada e que tudo tem que ser o resultado de trabalho duro, mesmo que fosse a tentativa de ganhar na loteria.

Aqui, ele reduz todas as sua idéias a um conceito bobo e superficial de heroísmo sintetizado no ato de pilotar um avião (apesar da fobia de voar) e salvar 100 pessoas, a meta final do limitado Matt. Uma nação em crise precisa de gente que acredite no futuro e que esteja disposta a trabalhar duro e ir atrás de seus anseios. O programa de Brown, com um protagonista mentecapto e sem nenhum valor digno de nota, vende barato uma grande idéia e subestima a audiência, coisa que Brown sempre acertou ao evitar.

Charles Darwin (2006-2010)

Aniversário do Darwin from alexmaron on Vimeo.

No domingo, montamos uma festinha na pracinha onde o Darwin cresceu. Ali, conheci grande parte do circulo de amigos que tenho hoje fora do trabalho. Gente apaixonada, como eu e a Mônica, pelos seus cachorros.

Ontem, o Darwin morreu durante a cirurgia delicada em que retiraram um tumor alojado no peito, exatamente no lugar de onde foi amputada a sua pata dianteira direita. Foi uma cirurgia complexa e longa. No final, ele não resistiu.

Não posso dizer mais nada para ele agora. Felizmente, eu disse muitas vezes o quanto o amava. Eu o beijei e o aninhei. Eu passei noites em claro ao lado dele e fui passear no meio da madrugada, quando senti que ele precisava fazer xixi e não dava pra esperar. Talvez ele não entendesse o que significava “eu te amo”, mas tenho certeza de que ele sacava o que era aquele pacote completo de carinho.

Quando o nosso maltês morreu subitamente em abril, quando, no dia seguinte, descobrimos que o Darwin tinha câncer, eu senti aquela determinação ignorante de que, com tempo para agir, com a determinação de lutar, ele ia ser salvo. Quebrei a cara. A gente perdeu todas as brigas. Não tínhamos a menor chance. Nunca tivemos. Só quando acabou isso ficou claro.

Agora eu olho esses momentos no vídeo e sinto a agonia do passado perdido. Tento lembrar do que eu senti quando o carreguei na hora dos parabéns só três dias atrás. Me escapa. Me dói que escape. Ficaram as imagens e a minha tentativa de lembrar as sensações. Faz pouco tempo, que eu podia tê-lo nos braços e sentir sua respiração e as batidas do seu coração. Agora tenho os vídeos e as muitas fotos do meu ogrinho.

Não vou dourar a pílula. Ficou um vazio enorme, sim. And the rest… The rest is silence.

Me ensine mais uma coisa, Darwin

Meu drama não é maior do que o de ninguém. Aliás, para algumas pessoas, é coisa de uma drama queen. Mas é o drama que me cabe nesse momento, é a minha vida. Meu cachorro está morrendo. Um dia depois do outro. Eu percebo isso e, às vezes, acho que ele também.

Mas ele mantém a dignidade. Continua doce, continua atento, só ficou um pouco mais caprichoso na hora de comer e mais desanimado com qualquer coisa que não seja ir para a rua passear.

Ele brinca com o “irmão” recém chegado, o maltesinho Nano. É de uma delicadeza comovente. Principalmente se a gente se toca de que a maltesa (Sophia Loren) toda hora machuca o Nano nas brincadeiras, enquanto o Darwin jamais arrancou um grito que fosse. Chega a ser especialmente engraçado ver o maltês praticamente dentro da boca do labrador. Mas Darwin sempre foi assim mesmo, de uma doçura à toda prova.

Nos últimos meses, a cada derrota, cada vez que algo que tentamos falhou, eu fui ficando mais humilde. Fui lembrado da nossa impotência e, na fase de barganha, comecei a ter sentimentos horríveis em que relativizei o destino ingrato do meu cachorro. Podia ser pior, tentei acreditar.

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A Fnac falha com o cliente (eu) uma, duas, três… várias vezes :(

Como pode uma empresa falhar tão estupidamente com um cliente?

Em 2008, eu comprei um MacBook na Fnac de Pinheiros. Ao longo dos últimos anos, fiz dezenas de outras compras de valores menores. Várias vezes na casa das centenas de reais. Ano passado, comprei meu iPhone lá. Paguei R$ 900.

Algumas semanas atrás, notei que o botão do vibracall do meu telefone estava dando mau contato. Com preguiça de passar por um processo irritante de troca, fiquei bobamente torcendo pro problema se resolver sozinho. Piorou, claro. Como o iPhone ainda não tem assistência técnica no Brasil, qualquer defeito comprovado dentro da garantia de um ano significa uma troca de aparelho. Ridículo, mas é assim que funciona.

Fui até uma loja da Vivo. O funcionário estava pronto para trocar meu aparelho quando pegou a nota e viu que a compra tinha sido efetuada numa Fnac. “Vecê tem que trocar por lá”, avisou.

Lá fui eu até a loja. Lá e os funcionários, com roupinha preta da Apple, me avisam que eu tinha que fazer a troca na Vivo. Desconfiado, sem sair da loja, ligo para a Vivo. Depois de esperar dez minutos para ser atendido, caio com o milésimo atendente mal educado (uma especialidade da minha operadora, vai entender) que me informa que eu teria que resolver o problema com a Fnac. Ponto final. Mas, pense bem: já começou mal, tentando se desviar do cliente.

Ah, tem mais…

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