A dura vida dos heróis do mundo real

Quando eu tinha 13 anos (é 13, eu era bobo assim mesmo), imaginava como seria se eu lutasse contra o crime.

No mundo real, sem efeitos especiais, fios ou dublês, diferente de Homem-Aranha ou dos Vingadores, é mais ou menos assim:

Phoenix Jones Stops Assault from Ryan McNamee on Vimeo.

Vamos levar em conta que o vigilante em questão é um lutador desconhecido de MMA chamado Ben Fodor. O cara sai pela noite de Seattle fantasiado desse jeito e ainda leva um cameraman a tiracolo? Será que ele não queria aparecer um pouquinho? No caso dele, ser preso e ver a notícia se espalhar foi a melhor coisa que aconteceu para a carreira. Então, em vez de chamar esse vídeo de real, vou usar outro termo: realista.

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Jobs e Gates: Los Pirata

Ontem, em homenagem ao cara, eu revi Pirates of Silicon Valley, que conta a história de Steve Jobs e Bill Gates até aquele histórico anúncio em que Jobs afirma a uma multidão transtornada de Macmaníacos que a rivalidade entre Microsoft e Apple tinha chegado ao fim, debaixo de um investimento salvador de US$ 150 milhões de dólares. É a dramatização do momento abaixo, para ser mais exato.

O filme é de 1998 e foi feito a toque de caixa para o canal TNT. Eu fui para Los Angeles conhecer e entrevistar todo mundo, então é um daqueles filmes que sempre me traz recordações bacanas. E olhe que, pra dizer a verdade, está longe de ser grande coisa. O diretor erra a mão em certas escolhas, os atores, mesmo fazendo um bom trabalho, estão mal dirigidos e cometem excessos meio ridículos em alguns momentos, a maquiagem com barbinhas e perucas é patética.

Mas, cacimba, imagino Aron Sorkin escrevendo essa história. Uau. Seria incrível. Olhando no contexto da década que veio a seguir é muito mais impressionante: Gates (que teve um papel importante na salvação da Apple) se aposentou e virou um benfeitor multibilionário. Jobs, se tornou o CEO mais bem sucedido da história (como eu disse aqui antes, eclipsando o grande Jack Welch, wow), capaz de revolucionar ou pelo menos sacudir a telefonia, a indústria da música (e do entretenimento) e o mercado editorial, sem falar na própria indústria dos computadores pessoais.

Jobs legitimamente curtiu o trabalho de Noah Wyle nesse filme e o convidou para uma brincadeira na Mac World de 1999. Veja:

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Jobs (1955-2011) não era “só” um empresário

Desculpem meus muitos amigos que disseram isso hoje, mas afirmar que Steve Jobs foi “só” um empresário é de uma miopia sem par. A reação das pessoas ontem, espontânea, é só um sinal do impacto do que ele fez.

Ele não era meu amigo, nem meu irmão mais velho. Esses espaços estão felizmente bem ocupados por gente de verdade. Não raciocino em cima dessas bobagens.

Desde moleque eu só pude ler ou ver filmes e documentários sobre caras como Howard Hughes. Mas eu sou, fui, contemporâneo de Steve Jobs. E de gente fora de série como Bill Gates, Jeff Bezos, Larry Page, Serge Brin, Mark Zuckerberg, Evan Williams. Mas Jobs, até aqui, foi o maior realizador entre todos eles. Foi o cara que fundou e dirigiu a empresa que efetivamente revolucionou o meu mundo, a indústria da mídia de forma geral, por dentro e por fora. Reinventou indústrias, aparelhos, segmentos. O cara que fez Jack Welch, o homem que foi tido como o grande gestor do século 20, declarar sua admiração.

Jobs nunca se conformou com o que estava ali, ao seu alcance, e quis mais. E mais. Mais, mais, mais. Pro melhor e pro pior. Até mesmo na sobrevida de seu câncer, extrapolou todas as expectativas. Tinha todo o dinheiro do mundo a seu dispor. Vontade, determinação e recursos. Se alguém podia, de alguma forma, escapar. Se isso fosse possível. Jobs seria essa pessoa. Ao sucumbir à doença, ainda me ensinou uma lição extra sobre a finitude. Quando eu era menino, achava firmemente que um dia íamos vencer a morte. Ainda está longe e momento.

Eu não vou recitar, de novo, o discurso de Stanford. Nem repetir suas frases. Muito menos listar seus feitos um por um. Ou fracassos. Isso você encontra em outros lugares. Steve Jobs foi o cara que transformou meus anseios básicos da adolescência de ficção científica em realidade palpável.

Talvez seja dele a culpa da crise de identidade que eu vivo hoje (mais conhecida como… crise dos 40?). É um momento em que várias das grandes questões e idéias malucas e que pareciam irrealizáveis estão quicando e sendo resolvidas. E mais rapidamente do que eu esperava.

Então aí está. Será que Steve ajudou a me tornar obsoleto?

Enfim, tchau, Steve.

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“Minha” Londres e a “deles”

Olhei para o mapa montando no Google Maps pelo Guardian e imediatamente me ocorreu ir dar uma olhada num outro que eu costumo fazer em todas as cidades que eu visito e que eu chamo de “Minha >ponha cidade aqui<". Minha Nova York, Minha Amsterdam, Minha Roma, Minha... Londres. De todas elas, pelo que eu vivi lá, eu sentia Londres como a mais minha de todas. Foi um ano intenso vivido por lá e que me deixou com saudades das pessoas e dos lugares. Aí resolvi sobrepor a minha Londres a dos vândalos...

Destaquei um pedaço do mapa. Os lugares do centro que eu freqüentava, são as marcas azuladas. As alaranjadas, são os ataques. Até hoje, mesmo sabendo que eu moro na parte mais alta daqui de SP, sempre que chove, minha mãe me liga perguntando se eu não estou no meio da confusão. Pois ao que tudo indica. Se eu estivesse em Londres, ela teria tido bons motivos pra ligar preocupada…

Dito isso, fiquei impressionado com uma coisa nessa cobertura da parte do Guardian e da BBC, minhas fontes primárias de notícias sobre a Inglaterra. Falta de contexto. Os sites te enchem de fotos, vídeos, dos eventos e não conseguem te explicar direito quem está fazendo isso e por quê. Na cobertura do Guardian e da BBC os eventos não têm face, nêm motivo aparente. Estão acontecendo.

Só no Telegraph fui encontrar algum comentário, análise. Pro melhor e pro pior. É ali que vai ser discutido se a polícia não conseguiu conter os saques porque ficou com medo de soar racista ou que surgem as vozes afirmando que dado o desemprego e o descaso do governo, isso ia acontecer a qualquer momento. Ainda são análises óbvias, pouco profundas. Mas são uma tentativa importante. No Telegraph, estão ao lado dos mapas interativos, vídeos e fotos. Uma tenativa de iluminar faz bem.

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Editions da Aol, uma boa idéia atacada pelos bugs malditos

A era das revistas sociais começou no ano passado com o Flipboard no iPad. Funciona assim: você cadastra sua conta do Twitter e/ou do Facebook, o programa lê os twits e as atualizações de amigos na sua timeline do Facebook e vai além: fareja o que está atrás dos links trocados pelas pessoas e dá um preview. Isso tudo é organizado em “páginas” que podem ser viradas como se formassem uma revista, ou melhor, um almanaque dinâmico, dada a diversidade de assuntos. O que foi muito inteligente da parte do pessoal do Flipboard foi terem preserevado quem cria o conteúdo. Em geral, você lê um preview e, se quiser ler mais, clica e cai num browser que exibe a página original com, inclusive, a publicidade que paga as contas.

Desde então, surgiram muitos e muitos leitores de RSS, Twitter etc, propondo múltiplas formas de reorganizar o catatau de conteúdos que circulam pela internet tanto em feeds de marcas importantes de empresas de comunicação como Time inc., Conde Nast, Hearst, no mundo, e Editora Globo e Abril, falando do nosso quintal.

O outro grande salto foi dado pelo Zite. Em vez de simplesmente pedir que você aponte todos os feeds, eles é uma espécie de Pandora das notícias, porque passa a sugerir conteúdos em cima do que você anda lendo. Ele usa todo o contexto de sua timeline do Twitter, do Facebook e do Google Reader para construir um conhecimento das suas preferências. O resultado é, pra mim, superior ao que o Flipboard entrega. O Zite incomodou muito, recebeu cartas com ameaças jurídicas e teve que mexer nos formatos de visualização para continuar operando.

Não foi a primeira rusga entre uma empresa criadora de readers agregadores. Ano passado, o pessoal d Pulse teve sérios problemas com o New York Times irritado por ver seu feed oferecido abertamente no leitor. “Tira já”, eles ordenaram. Quer saber? Pior pra eles.

A última novidade é o Editions, da Aol. A proposta aqui é fazer uma espécie de Flipboard ou Zite com as fontes de conteúdo da Aol. Simples assim. Você só diz o que gosta de ler e a app monta uma revista com a oferta de conteúdo de todos os sites do portal. Por um lado, é o melhor dos mundos. Você não precisa pensar demais. O app faz isso por você e te entrega os conteúdos imediatamente.

Mas se você quiser ir além. Detalhar mais. Está com azar. Não pode. Se você quiser adicionar suas fontes. Não pode, porque o mundo está fechado na Aol. Se você quiser… Bem, se você quiser ler… Não pode. Porque vai cair. Tenha em mente que eu não sou o usuário médio. Eu sei os tipos de crashes que podem acontecer e tenho mais paciência do que a maioria das pessoas.

Quando uma app, qualquer app, dá crash (e elas vão dar. Todas, de todos os lados. Inclusive das da Apple) você deve sair e limpar ela da memória para zerar. Para isso, tem que tocar duas vezes no botão home (o pretinho com a bolinha branca), surgirão as apps “abertas” na memória no rodapé. Você vai tocar o ícone por alguns segundos, eles vão começar a tremer com uma bolinha vermelha no canto superior direito de cada um. Basta tocar ali para a app se desligar de verdade e zerar. Isso resolve 90% dos problemas com as apps. Se você aproveitar essa operação e além da app com defeito fechar todas as outras, vai evitar conflitos (raros) de memória e cobrir 94% dos problemas. Se você apagar e reinstalar, vai cobrir a possibilidade de algum arquivo corrompido na hora do download ou na primeira execução da app. O resto é bug grave que só pode ser resolvido com um update desesperado da app.

Se depois de tudo isso, a app ainda cai. Aí, amigo, você tem a Editions, da Aol. Uma boa idéia executada com pressa e quase arruinada pelos bugs. A app é linda, a montagem da revista diante dos seus olhos é genial. Mas os bugs arruinam tudo. As pessoas vão lá, testam, tentam e quando vêem que não funciona, voltam pro Zite, pro Flipboard, pro Pulse…

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Que diferença um ano pode fazer

Ano passado, nesse mesmo dia, eu simplesmente não tinha energia para fazer uma festa. Meu cachorrinho amado, que nem tinha feito quatro anos, estava indo embora um dia depois do outro tomado pelo câncer. Se cachorros podem ser importantes numa família completa, com crianças brincando de guerra de travesseiros na sala, imagine para um jovem casal sem filhos.

Ficamos devastados. Apenas 15 dias depois, perdi meu labrador lindo. Morreu depois de uma cirurgia na qual tentamos dar a ele alguns meses de vida digna antes de dizer o definitivo adeus.

Em um ano, a gente se cura das feridas. Eu tenho um grupo de amigos e uma família incríveis. Os desafios do trabalho chegam todos os dias. Ha muito que se fazer, crescer, melhorar. A vida segue cheia de novidades. E este ano, me sinto outra pessoa. As coisas melhoraram muito e o futuro é colorido, HD e 3D.

Mas é muito importante entender que as coisas vão oscilar. Que vão ficar duras de novo. E boas. E que a gente precisa ter calma. Quando tudo parece pronto pra explodir. Respirar fundo e acreditar que tem jeito, que há um caminho, algum caminho. E que as feridas, mesmo deixando cicatrizes, vão sarar.

Levanta pra cair de novo. Só não fique lá preguiçosamente jogado no chão.

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As melhores saias-justas do iPhone

Meu dia começou bem com essa seleção genial de saias-justas causadas pela autocorreção do teclado do iPhone.

Adoro a forma como certos gadgets e certas aplicações se integram em nossas vidas e viram fenômenos culturais. Outra diversão típica é inventar assinaturas malucas para as mensagens via celular. A minha atual é “Enviado do meu Tricorder”, uma piscadela pros trekkers e trekkies espalhados por aí.

Chegou via @crisdias, claro. Tem mais no site que reuniu as tiradas.

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