Para crescer, o caminho do e-reader é para baixo

21/06/10

Eu não espero nem quero um Kindle colorido e touchscreen, embora possa surgir um. Na minha opinião, a Amazon tinha que mirar em outro alvo: o e-reader de menos de US$ 100. Faço uma pesquisinha enquanto estou escrevendo isso e caio no post do Seth Rodin pedindo um Kindle de US$ 50 (ele vai mais longe do que isso, vale ler o texto dele, não vou ficar repetindo aqui). Ok, de qualquer modo, um Kindle mais barato é o que a indústria deveria buscar.

A Barnes and Noble oferece o Nook (seu “Kindle”) por US$ 149.99, só com wi-fi. O 3G custa US$ 199.99. É o sinal de que esse é o caminho para esse tipo de aparelho. Ser um facilitador para essa nova era. Se gabar de suas vantagens sobre as telads de LED, OLED e LCD e oferecer algo muito simples e muito barato. Colocar preço na lista de vantagens não é nada mal. E preço baixo abre inúmeras oportunidades de promoções malucas. Você compra dois livros e leva um e-reader junto, por exemplo.

E não faz sentido pagar US$ 250 em um negócio desses quando o iPad mais simples custa US$ 499. É maluquice pura. Baixar o preço do e-reader torna os e-books uma alternativa mais que prática, popular. Vai acelerar a inevitável mudança. Junte a isso todas as iniciativas de self-publishing de Apple, Google e Amazon e teremos um mercado editorial explosivo, cheio de oportunidades em 2011. Junto com a explosão criativa que os tablets vão acelerar, temos um horizonte de belíssima possibilidades no futuro próximo.

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O último gol de Pelé

18/06/10

Já que eu tomei vergonha e voltei a postar, vou colocar o link pro vídeo do Pelé aqui. Eu fiquei engasgado quando vi isso. Não vi Pelé jogar ao vivo, mas vi muitos vídeos e filmes sobre ele, que viveu uma era menos midiática. Parece que nosso esporte predileto é desmontar mitos e devalorizá-los. Tentamos fazer isso com o Ronaldo o tempo todo, por exemplo. O que esses fora-de-série fizeram está feito, virou história.

Se você não viu, separe cinco minutinhos para esse curta emocionante sobre o Rei. É muito, muito legal.

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Darwin: As pequenas vitórias diante das grandes derrotas

18/06/10

As últimas semanas têm sido de mais derrotas do que vitórias.

Duas sessões de quimioterapia enfraqueceram o Darwin e, embora tenham aparentemente evitado que aparecessem metástases, não funcionaram contra uma recidiva na pata direita, a mesma em que o dedo foi amputado.

Ele parou de comer, nos obrigando a ser criativos para mantê-lo nutrido: salsichas de frango, peru e o que fosse aparecendo, carne, frango, rações moles de vários sabores e papinha de neném forma algumas das estratégias.

Darwin foi ficando fraquinho e perdendo o interesse pelos passeios. Logo depois da segunda sessão de quimio, parou de usar a pata dianteira direita. A perna foi acometida de uma flebite e ficou ameaçada de amputação. Afinal tinha um novo tumor e um grave problema circulatório.

Na tentativa de salvar a perna, foi entupido de medicamentos e injeções, três sessões de compressas quentes e frias todos os dias. Nada parecia dar resultado. Ele foi perdendo as forças e começou a chorar de noite com dores. Tivemos que dopá-lo e começaram as crises de incontinência por causa das drogas. Ele começou a dormir com a gente na cama.

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Os líderes (e seguidores) fracassados de Lost

26/05/10

E acabou, acabou e acabou. Esperei passar no AXN para comentar. Afinal, era safadeza falar da série que só quem baixou viu (se bem que provavelmente mais gente viu por download do que pelo AXN, mas tudo bem).

Então, deixo a minha interpretação final, que vai caber em uma ou duas linhas: Lost é uma poderosa alegoria sobre os perigos de confiar cegamente em deuses e líderes. Religião, patriotismo, o que você quiser. São formas imperfeitas (e muitas vezes desonestas) de controle. Lost ilustra isso muito bem.

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Tchau, Lost (videoclipe bacana)

21/05/10

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24 Horas virou Desejo de Matar

12/05/10

A oitava temporada de 24 Horas estava anódina até a metade. De repente, a coisa disparou e ficou divertida de novo. Mas por uma razão curiosa… De um certo ponto em diante, Jack está completamente sozinho, apenas atrás de vingança pela perda de seu milésimo “amigo”. Isso rendeu episódios cheios de suspense e ação, o que é ótimo, mas colocou Jack Bauer numa situação curiosa: a de virar uma espécie de Paul Kersey, o personagem de Charles Bronson na série Desejo de Matar. Jack começa a soltar frases de efeito típicas de filminhos feitos direto para DVD.

Seriados têm uma coisa curiosa. Depois de um certo ponto, você está tão envolvido com o personagem que acaba indo com ele aonde ele for, só para ver o que vai acontecer. Em séries normais, há espaço para inovações, mudanças de formato, episódios musicais, mudos, preto e branco, em plano sequência, contados pelo vilão, pelos fiéis companheiros. 24 Horas nunca pode fazer nada disso aprisionado que ficou num formato que, em 2001, era inovador. Depois de tanto tempo, só sobrou Bauer… e Chloe. E, bem, o delicioso vilão, reciclado da melhor de todas as temporadas da série (falo melhor dele a seguir, depois do pulo. Se você está lendo no RSS, que não tem pulo, e não quer saber nada sobre o que vai acontecer, PARE AQUI)

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Meu labrador deixa meu coração apertado

10/05/10

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Vou tirar um elefante da sala. Ou pelo menos avisar que ele está lá.

Meu labrador lindo, o Darwin, teve um tumor maligno na pata, amputou um dedo duas semanas atrás e agora eu vivo um dia depois do outro a tensão de saber se ele vai ficar bom ou se vai começar aquela briga sofrida contra uma doença absolutamente imprevisível.

Isso tudo aconteceu em seguida à morte do meu outro cachorro, o Carl Sagan. Um negócio que arrasou completamente o clima na minha casa. Minha mulher entrou em depressão, eu ainda não sei direito o que sentir ao entrar em casa. O Darwin, bem, ele está claramente mais triste. Sempre teve outro cachorro por perto. Agora, usando o colar elizabetano (o “abajur”), com a pata doendo, fica sozinho por algumas poucas horas todos os dias, apesar de todos os nossos esforços. Tem se comportado heroicamente bem.

Mas então, o tumor é maligno. Foi extirpado, mas pode ter sido tarde demais. Pode ter se espalhado e a quimioterapia vai ser crucial nas chances do meu cachorro. No sábado, surgiu um calombinho. Hoje já está menor. Pode não ser nada. Estou contando as horas até a consulta com a veterinária-oncologista hoje no fim do dia. Cada coisa que surge é um susto. Mas ele não sabe de nada e, dizem os veterinários, isso é sua maior vantagem. Sem entender o que está acontecendo, não se abate. Continua querendo viver, correr atrás do osso, pular em cima do sofá. Continua querendo estar comigo o tempo todo, custe o que custar.

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Vídeo: a app de Época Digital

28/04/10

O vídeo feito pelo pessoal da colmeia apresenta a app de Época Digital e mostra um tiquinho do que vem em seguida. Trabalho duro nas próximas semanas.

Baixe na App Store.

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Época Digital: A primeira app pro iPad, a gente nunca esquece

28/04/10

Agora não é hora de falar muito, não. Vou postar um vídeo amanhã.

Mas a minha primeira app pro iPad está disponível na App Store. O “minha” nesse caso é modo de dizer. Na verdade é tudo o resultado de um grupo de gente que trabalha duro pra caramba: a turma do Nucleo Digital da Editora Globo, o pessoal da Lab360 e, claro, a turma da redação de Época, que faz o conteúdo.

A idéia era criar uma visualização diferenciada pro iPad e limpar a experiência de leitura para o tablet. Algo mais parecido com ter o site numa página mais limpa como… como uma revista.

Essa é só a versão 1.0. O que vem a seguir é ainda mais legal.

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Adeus: Carl Sagan, o maltês (2000-2010)

27/04/10

Meus cachorros me fizeram uma pessoa melhor. Tenho absoluta certeza disso como tenho certeza de poucas coisas nessa vida. Parece que foi ontem e eu acho que é por isso que dói tanto. Uma década que passou como um raio.

Foi no dia 22 de dezembro de 2000. Como eu disse, parece que foi no outro dia. Tínhamos ido ao cinema e a parada na Pet Shop foi completamente acidental. A Mônica cismou com ele naquela gaiolinha no fundo da loja. Saímos dali com a bolinha de pêlos que cabia na palma da minha mão. O cinema foi cancelado.

É engraçado. Compras de impulso como essa são a receita do desastre. O dono vai conhecer o cachorro e se arrepender da idéia estúpida de criá-lo a cada xixi, a cada cocô, cada choro ou latido. A Mônica nunca nem olhou para trás. Parecia que tinha pensado naquilo por meses e não por alguns segundos. Ela, como de costume, não hesitou muito na escolha do nome que todo mundo pensa que é idéia minha: Carl Sagan. Tudo idéia da Mônica.

Carl Sagan era rabugento, era genioso e mimado. Carl Sagan não sabia e nem queria saber de truques. Nunca sentou obedecendo um comando. Nunca pulou, deitou. Nada. A Mônica dizia que daria US$ 1 milhão para o treinador que ensinasse um truque ao Sagan. Para ela, ele era intreinável porque cheio de personalidade. Lindo, fofinho, todo mundo o cercava de carinhos e agrados. Ele nunca precisou mendigar nada, nunca se moldou a nós. Nós é que fazíamos tudo por ele. Dormiu em nossa cama desde sempre e atrapalhou, sim, nossa vida sexual em vários momentos. Era exatamente o plano dele…

Dormia com as costas coladinhas nas minhas. Não porque me adorava (embora ele me adorasse, sim), mas para saber direitinho onde eu estava e embarreirar minha aproximação da Mônica. Para ele, ela era dele e de mais ninguém. Simples assim. A gente, contrariando todos os conselhos de especialistas em comportamento canino, deixava ele pensar que era verdade. Nós éramos um casal sem filhos e ele era nosso neném.

Só se machucou gravemente uma vez quando, pequenininho, pulou da cama, caiu no chão e desmaiou. Lá fui eu correndo pro veterinário desesperado. Tinha sido só um susto. Ontem aconteceu minha segunda emergência com o Sagan em quase dez anos. Como eu ia saber onde aquilo ia dar?

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