Arquivos da categoria: Violência Urbana

Blog do Kombato

O Kombato é um conjunto de técnicas e práticas voltadas para segurança pessoal que inclui artes marciais, autodefesa e filosofia de segurança. O criador, Paulo Albuquerque, é meu amigo há uns bons 20 e poucos anos.

Agora, é óbvio que eu não concordo com tudo que o Paulo pensa e prega. Mas pra mim o que importa é saber que as motivações são nobres. O resto se discute caso a caso. E ficou mais fácil, porque ele está blogando regularmente sobre segurança, Justiça, violência etc. Assuntos levinhos. Coisa polêmica e que gera discussão longa em qualquer situação.

Eu vi outro filme

No G1: Fenômeno ‘Tropa de elite’ chega à moda e kit Bope custa R$ 230

Eu vi um filme cheio de crítica e ironia ao sistema apodrecido que torna impossível para um policial ser honesto e cumprir o seu dever de forma adequada. Um monte de gente enxergou uma apologia da tortura e do fascismo.

Entendi a narração do capitão Nascimento como uma espécie de eco ao ditadorzinho que existe dentro de nós. Enquanto o acompanhamos, nos vemos, em muitos momentos, concordando com ele e com a truculência e com a tortura e com várias idéias grosseiras, simplistas e violentas que ele segue. São pensamentos obscuros e assustadores.

Então, há uma forte discussão sobre o filme não conseguir dar sua mensagem de forma adequada e acabar não sendo entendido como deveria. Mas então, depois de ter visto Ônibus 174, como alguém poderia achar que Tropa é um filme que defende e apoia a truculência e o desrespeito à lei? Seria uma guinada radical, um abandono do diretor a todas as suas idéias e ideais.

E no meio disso tudo, as pessoas adoram o personagem. Eu queria acreditar que adoram o capitão porque ele, em essência, é um homem bom em circunstâncias impossíveis. Porque  ele quer fazer a coisa certa. Pelo menos a coisa que ele acha ser certa. Diz muito a respeito do Rio estár como está as pessoas idolatrarem o capitão Nascimento.

Ou eu devo ter visto outro filme…

O riquinho está certo

Você pode dizer que ele é rico, mimado, superficial e tudo mais que as pessoas gostam de falar quando querem desqualificar alguém. Mas o fato é que, em geral, Luciano Huck está coberto de razão.

” LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do “Jornal Nacional” de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.
Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.
Por quê? Por causa de um relógio.

(…)

Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase “infantis” para uma sociedade moderna e justa.
De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.
Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.”

Leia o resto lá.