Arquivos da categoria: Uncategorized

Minha segunda mãe se foi

Eu e a Tia Lourdes no aniversário de um ano da Marina
Eu e a Tia Lourdes no aniversário de um ano da Marina

Estou longe, muito longe. Semana passada, mandei um vídeo pra ela mostrando um pedacinho de Berkeley e pedindo pra ela, uma das pessoas mais rabugentas e teimosas que eu já conheci, que obedecesse os médicos e deixasse minha mãe cuidar dela.

Pois é. Sua rabugice era famosa. Mas nunca comigo. Nunca. Comigo era um amor imenso, uma doçura sem tamanho. Pra mim ela fazia comidas especiais, preparava um cafezinho. Ela beijava na bochecha, na testa, no rosto e arrematava com um selinho fofo.

Mamãe mostrou o vídeo pra ela e disse que ela ficava me mandando beijos pela tela do iPhone e dizendo que eu eatava lindo.

Olho de mãe é assim. Eu sempre fui lindo pra ela. Ela sempre foi linda pra mim. Beijo, tia.

Três Corações

Minha vida foi marcada por três mães.

A primeira, claro, mais óbvia, foi a minha. Mamãe. Mãezinha. Aquelas coisas. Não sei como teria sido a vida sem ela, nem quero imaginar. Só sei que teria sido muito, muito pior não ter pra onde voltar, nem sentir que havia alguém pensando em mim a todo momento. Olhando por mim, mesmo que de longe.

Com o passar das décadas, sua mãe vira um tesouro ainda mais precioso. Entre outras coisas porque, quando você vira adulto, se aproxima dela em vários pontos. Muitos filhos vão estudar mais que os pais, se sentir intelectualmente iguais ou mesmo superiores, e não vão entender uma coisa preciosa deles até estarem naquela mesma situação e forem eles os pais, algo que vai demorar décadas. Aquele momento em que você pensa por que diabos vai ouvir aquela pessoa que, no fim, está hoje no mesmo nível que você. O que ela sabe que você não saberia?

Confesso não ter realmente pensado muito sobre isso, mas um dia tive um sonho em que acho que consegui tocar de leve o entendimento dessa posição de amor puro que funciona como uma “lente” inigualável que só uma pessoa que te ama incondicionalmente vai usar. Ela vê o mundo de um jeito único. Como eu sou nerd, e velho, vou comparar com aquela visão da matrix. Lembra? Com aqueles numerinhos caindo? Só que, claro, elas não vêem números. Elas vêm outras coisas que vão condicionar sua segurança, sua saúde, sua felicidade, seu conforto. Esse é o mundo dos filhos visto pelas mães. Eu nunca vou ver isso. Mas pelo menos num sonho, pude imaginar. Por isso, sou um ouvinte do que as mães têm a dizer. Sempre.

A segunda foi minha tia. Minhas tias todas são lindas, fofas. Mas uma delas, por causa da relação de maternidade com a minha mãe, de quem ela cuidou, acabou ocupando um espaço de segunda mãe na minha vida. Tia Lourdes. Uma baita rabugenta com todo mundo. Menos comigo. Comigo sempre foi só doçura. Eu conheço uma dona Lourdes que poucas pessoas conhecem. A melhor de todas, claro. Capaz de um amor sem limites. Tia Lourdes é mãe da minha mãe, minha meio mãe e meio avó. Linda.

A terceira foi minha irmã mais nova. De novo, eu tenho outros irmãos. Uns mais próximos do que outros. São pessoas incríveis. Mas é difícil ser mais forte que o laço da irmã mais nova com quem você viveu, aquela que você carregou no colo e com quem se espremeu no berço (é, eu ainda cabia num, arriscando quebrar tudo, aos seis pra sete anos). Eu a vi se tornar mãe e, pra muitas pessoas, talvez ela tenha mudado muito, mas pra mim ela só solidificou tudo que eu sempre gostei nela e que estava meio espalhado, meio escondido. Virou uma mãe incrível. Mas vindo de quem veio, eu não podia esperar menos.

Com essas três mães lindas, eu vou falar diretamente. Para todas as mães do mundo, meus parabéns sinceros. Vocês são demais.

Os jogos e as ferramentas que mudam o mundo

Décadas atrás, jogos eram os de tabuleiro. Era relativamente fácil ter um e modificar suas regras, desenhas novas cartas e peças, escrever regras personalizadas (as regras da casa). Os video-games surgiram com a popularização da informática e foram se infiltrando em nossa cultura até se tornar uma forma de expressão artística poderosa. Agora, com a chegada do console indie, o Ouya, os jogos eletrônicos entram numa nova fase, cheia de possibilidades.

Leia mais na minha coluna no site da Galileu, A Explosão Criativa dos Jogos Independentes.

pinterest_screen

Pinterest: tenho mesmo que usar?

`

Eu tenho uma conta no Pinterest há bastante tempo. Mas usar que é bom, eu quase nunca usei. Digo, eu vou lá, olho o que foi “pinado” de vez em quando, mas simplesmente não consegui incorporar na minha rotina, na minha forma de navegar.

Só que a rede foi descoberta há algumas semanas pelo público e subitamente eu recebo todos os dias avisos de que fulano está me seguindo. E começa uma espécie de auto-pressão para que eu passe a usar o Pinterest, afinal “o que as pessoas que me seguem no Pinterest vão pensar de mim se eu não “pinar” nada de legal?”

Eu tenho sempre o hábito de experimentar coisas novas. Mas muitas vezes não passo da fase inicial de várias apps, sites e serviços por dois motivos:

1. Na fase inicial muitos serviços são simplesmente mal desenhados e não conseguem se provar úteis. Veja o caso do Path. Uma idéia legal que demorou mais de um ano para achar um caminho e, mesmo asim, não tem grande utilidade. Mas gerou uma app linda que quase ninguém realmente usa.

2. Não há muito espaço para mais e mais coisas no meu cotidiano. Só vai se incorporar o que for muito, muito genial, util.

Assim, alguns serviços eu vou acompanhando de perto para ver quando se tornam úteis. Parece que o momento do Pinterest chegou. Mas, escaldado que sou, vou ser cético e esperar que o negócio realmente decole e prove seu valor.

Me ensine mais uma coisa, Darwin

Meu drama não é maior do que o de ninguém. Aliás, para algumas pessoas, é coisa de uma drama queen. Mas é o drama que me cabe nesse momento, é a minha vida. Meu cachorro está morrendo. Um dia depois do outro. Eu percebo isso e, às vezes, acho que ele também.

Mas ele mantém a dignidade. Continua doce, continua atento, só ficou um pouco mais caprichoso na hora de comer e mais desanimado com qualquer coisa que não seja ir para a rua passear.

Ele brinca com o “irmão” recém chegado, o maltesinho Nano. É de uma delicadeza comovente. Principalmente se a gente se toca de que a maltesa (Sophia Loren) toda hora machuca o Nano nas brincadeiras, enquanto o Darwin jamais arrancou um grito que fosse. Chega a ser especialmente engraçado ver o maltês praticamente dentro da boca do labrador. Mas Darwin sempre foi assim mesmo, de uma doçura à toda prova.

Nos últimos meses, a cada derrota, cada vez que algo que tentamos falhou, eu fui ficando mais humilde. Fui lembrado da nossa impotência e, na fase de barganha, comecei a ter sentimentos horríveis em que relativizei o destino ingrato do meu cachorro. Podia ser pior, tentei acreditar.

Continue reading

Cartão de crédito no iPhone: O que os celulares querem, levam

Há uma longa lista de vítimas no caminho dos celulares. Pagers, agendas eletrônicas, palms, MP3 e depois media players, câmeras fotográficas, leitores de códigos de barras e agora os PDVs.

Entre outra centena de mudanças sociais, celulares transformaram profissionais liberais como encanadores e eletricistas em Empresas Móveis de um Homem Só. O limite do celular, por enquanto, é o tamanho da sua mão. Mas um celular poderia, com a tecnologia adequada (realidade aumentada) deixar de ficar na sua mão e se tornar um add on incorpóreo. Integrado num óculo, por exemplo, e usando realidade aumentada, a tela poderia ser de qualquer tamanho e as possibilidades ilimitadas.

Mas estamos em 2010. E mesmo hoje, essa maquininha já causa um estrago enorme. Entra em cena a Square. Em pouco tempo, os profissionais liberais dos quais falei mais atrás vão ser capazes de aceitar cartões de crédito ou débito com a adição de um genial pedaço de tecnologia, software bem bolado e uma estrutura logística e financeira bem desenhada. As possibilidades são enormes. É disrupção pura. Sai de baixo.

Os e-readers, tablets e a explosão criativa que virá

O mundo vai mudar de novo quando o sonhado, acalentado e-reader da Apple for anunciado no início do ano que vem.

Ô, mas o Maron tá sonhando. Nem de longe. Vários sinais indicam que o momento está muito perto de chegar. Na última quinta, a Apple mudou sutilmente uma regra em sua appstore e abriu a possibilidade de que uma app dada grátis para um cliente venda conteúdo internamente. Isso significa que agora eu posso te dar um e-reader com um contreúdo digrátis e, depois, vender mais conteúdo premium de dentro desse player. A Amazon correu para anunciar o Kindle internacional. E-readers são anunciados por todos os lados.

Quando esse negócio se concretizar, vai ser uma explosão criativa. Imagine todos os caras que fizeram fanzines que criaram histórias quadrinhos e que sempre esbarraram nas dificuldades básicas de impressão e distribuição. Eles se reinventaram em blogs e websites. Agora, vão ganhar uma plataforma linda, móvel e colorida. Uma touchscreen maior e com possibilidades interativas. Vai ser um arraso. E as empresas de mídia vão ganhar milhões de micro-concorrentes numa repetição ainda mais aguda da Cauda Longa. É uma evolução, esperada até, mas que tem capacidade disruptiva enorme.

Comece a economizar seus tostões que ano que vem será um ano excitante.