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Ah sim, Fringe

Eu vi quase duas semanas atrás e me esqueci de comentar. O motivo do esquecimento, obviamente, é a mornice do piloto. Fringe pode virar uma série legal. Pode mesmo. Tem potencial. Mas o piloto é medíocre, sem punch, sem ritmo. Todo piloto sonha ser o piloto de Lost. Soco no estômago. Estabelecendo premissas, deixando questões e gostinho de quero mais. Sensacional. Fringe não é nada disso, mesmo sendo cria do mesmo cérebro. No longo curso, pode ter episódios geniais, pode mandar muito bem. Mas o piloto é meia bomba. Simples assim.

Acabou, mas volta

Caminhos do Coração chega ao fim. É uma novela mal escrita, mal dirigida, com atuações horrorosas, efeitos pedestres, trama inexistente. Ainda assim, é um enorme sucesso. Desde que eu falei da novela da Record, no ano passado, é ó tópico mais visitado do meu humilde blog. Recebo todos os dias manifestações de ódio (a mim ou à novela, depende).

Eu sempre defendo a cultura pop e a inteligência do espectador. Mas neste caso, fiquei pregando sozinho. Para gostar de algo como Caminhos do Coração, é preciso exigir muito pouco, ter um padrão de qualidade muito baixo. A julgar pelo dialeto falado pelas pessoas que comentam no post original, estamos falando de gente semi-analfabeta, incapaz de articular as idéias mais elementares. Esse é o Brasil que assiste novelas em geral e Caminhos, em particular.

Muito preocupante.

Não precisa ser muito esperto pra notar que estamos falando de uma salada de cópias de tudo que se pode imaginar em termos de pulp: vampiros, mutantes, lobisomens surgem de todos os lados, sem motivo ou lógica. Não há nenhuma preocupação com uma linha narrativa. Tudo é pensado para chamar o espectador de imbecil e ele aceita. E eu nem vou perder mais tempo elaborando minhas impressões sobre esse desastre da dramaturgia. Vou ficar só nos adjetivos mesmo.

Até Caminhos do Coração 2, ou seja lá o nome maluco que eles deram para esse lixo.

Os nerds mandam!!

A sempre bacanérrima Fast Company fala dos criadores que descobriram que as séries nerds são um grande negócio. Ok. Não é exatamente isso. A reportagem afirma que programas de TV que vão além do conteúdo televisivo, mas com inteligência e pertinência tendem a ser mais duradouros e a ganhar mais dinheiro tanto nos produtos periféricos quanto na venda de DVDs.

Lost S04e11

SENSACIONAL!

É impressionante como a medida que Lost vai focando mais e mais, vai ficando melhor e melhor, um grupo enorme de amigos meus começa a abandonar o barco.

Não vá embora. A cada episódio Carlton Cuse, David Lindelof e sua turma mostram que sabem exatamente o que estão fazendo. Que tudo foi pensado e idealizado. Que o final será sensacional. Que Lost é foda. É a série que vai ser lembrada por décadas e que vai marcar uma geração.

Estamos começando a alcançar os criadores de Lost

A quarta temporada de Lost é boa, muito boa. Mas, suprema sacanagem, isso não é mais suficiente. Para gostar de Lost, eu preciso ser surpreendido sempre. Só que Lost perdeu a capacidade de exibir o inesperado. E eu não estou sozinho. Eu, junto com milhares de fãs, sabia tudo que ia acontecer esta temporada. Não houve uma única surpresa este ano. Ok. Uma. Sayid ter virado assassino profissional. De lá para cá, eu tenho antecipado tudo de importante que aconteceu. E eu não sou exatamente expert nisso…

Sinal de que a série perdeu mesmo a liderança. Mas continua boa.

Humor engraçado. Dã!

Meu primeiro contato com o Terça Insana foi por meio do DVD que eles lançaram uns três anos atrás. Todo mundo riu muito, menos eu. Achei as piadas óbvias, repetitivas, simplistas. Em contraste, fui ver o show do Clube da Comédia no domingo, no Bleecker, e ri muito, muito mesmo.

São estilos diferentes e, provavelmente, o stand up tem mais a ver comigo, hoje. Eu realmente adoro o gênero. Fui a vários comedy clubs nos Estados Unidos rir de uns caras que nunca vi e nem vou ver nunca mais. O triunfo dos anônimos.

O stand up não pode se dar ao luxo de ser auto-indulgente, porque a platéia não perdoa. E quer rir. Muito. O stand up é um tipo de comédia que limita consideravelmente os recursos do humorista, que se segura em timing, tom de voz e algum histrionismo. Não há lugar para figurinos, musiquinhas, nada. É o comediante e a platéia. Já vi shows constrangedores.

Mas há fenômenos engraçados. Marcela Leal, por exemplo, do Clube da Comédia. Não entendi o cartaz dela. Vi alguns vídeos, assisti à participação dela no Jô e depois vi sua performance ao vivo. Ela é simpática, bonita, mas não é engraçadíssima. Não é sem graça. É engraçadinha. Você dá um sorriso, mas não cai na gargalhada. Aliás, ela comete um erro irritante: conta a piada e ri, quase que te avisando que é a sua vez. Aí, meu amigo, você passa…

Danilo Gentili traz piadas ótimas, mas esbarra na voz e no jeito de falar, que incomodam um pouco. Oscar Filho é beeem engraçado também, embora exagere um pouco nas ceninhas. Mas eles conseguem fazer o que se espera de um humorista: levam o público às gargalhadas.

No Terça Insana, que, dizem, tem boas e más semanas, eu fiquei impressionado com a falta absoluta de graça. Fora um esquete com o motoboy (Marco Luque), um com um palestrante inspirado em Lair Ribeiro (Guilherme Uzeda) e outro com uma brasileira esnobe que mora em Miami (Agnes Zuliani), o resto era constrangedor. Os esquetes mais ridículos (no mau sentido) eram justamente os dos líderes do Terça Insana, Grace Gianoukas e Roberto Camargo. Este último faz um índio péssimo e um antropólogo francês chatérrimo.

Aí, vale falar do novo programa da Band, Custe o que Custar, que estreou na segunda debaixo de uma enorme expectativa minha. Afinal, comandando pelo Marcelo Tas, trazia os caras mais engraçados do Clube da Comédia, entre eles o Rafinha Bastos.

Espero que eles se acertem, mas o fato é que precisam comer muuuuito feijão com arroz ainda. Quando você resolve se inspirar no jeito Pânico de fazer segmentos engraçadinhos, em vez de copiar o Daily Show ou o Colbert Report, alguma coisa está muito errada. E olhe que eles importaram o formato de um programa argentino.

O que não pode é rolar é um assassinato como o que foi feito com “reportagem” da poluição na represa. A idéia é ótima, tem sacadas geniais do Rafinha, mas a edição é inacreditavelmente frouxa. Façam o programa ter meia hora, caramba. Fica mais enxuto e bem resolvido. Em vez disso, alongam o segmento além da conta e ficam inventando gags visuais com computação gráfica. E eu esperava tanto deles. Tudo bem, segunda, 22h15, eu volto pra conferir a evolução.

Humor tem que ser engraçado. Vamos combinar?