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Steven Seagal: Homem da Lei

E Steven Seagal não tem limites. Eu tive a paciência de assistir a dois episódios de Lawman, um reality show do A&E em que uma equipe acompanha Seagal trabalhando como policial em uma pequena cidade americana.

É, mais uma vez, constrangedor e funciona perfeitamente como uma comédia involuntária. Ele tenta soar zen, profundo, durão, mas tudo soa… bobo. Até porque ele posa de rei da cocada preta e nada de interessante acontece. Aí, tome o cara posando de mestre atirador e, depois, dando aula de Aiki-Do aos policiais.

Passarinho desafinado

Já tem alguns dias que isso está por aí, mas eu só ouvi hoje de manhã. Primeiro, eu pensei: “putz, pegaram a passagem de som da mulher, onde ela provavelmente podia estar até rouca e não dando a mínima e colocaram na internet como se ela estivesse completamente sem voz”. Coisas da internet, onde as camadas de star power são normalmente demolidas sem dó.

Mas no meio da audição você diz: “não há a menor chance de ela ser ruim desse jeito”. Tem que ser fake. No caso, como eu só vi isso hoje, ainda tive a sorte de já saber que, ao que parece, é fake mesmo. Uma mente sacana com um protools faz coisas incríveis! :)

Hoje (em dia) tudo é possível!

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A Eye-Camera, da Kodak

O dia começou bem!!

O pessoal do Google tem muito tempo nas mãos. Lança Cadie, um sistema inteligente que vai ajudá-los nos próximos meses a manter a dianteira como empresa mais inovadora do mundo. Bem, ainda está aprendendo

O Guardian, o jornal mais bacana do Reino Unido, anuncia que vai virar all twitter!! Great news!!! “Qualquer história pode ser contada em 140 characteres!!”, afirma alguém lá do Guardian cujo nome eu não lembro.

A Amazon anuncia cloud computing de verdade. Eles estão levando computadores pro alto e avante!!

O blog CrunchGear virou parte de uma linha de cereais da General Mills!!

A Kodak mostra sua sensacional Eye-Camera. Uau!! Que gadget incrível!

Conheça o novo empreendimento da The Economist: um parque de diversões.

O Gmail avisa que agora tem uma nova funcionalidade: auto-pilot. O sistema inteligente deles responde suas mensagens. O sensacional é que eles colocam como exemplo o clássico spam do príncipe nigeriano e como o auto-pilot responderia para você. Vou acionar imediatamente.

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É isso. Hoje tudo é possível!!

Muito mais novidades vão rolar ao longo do dia!

O bicho-papão vai te pegar!

A Inglaterra é um lugar curioso. Aqui eu realmente me sinto vigiado o tempo todo. Nunca vi tantas câmeras. Fui obrigado a me registrar na polícia, tudo gera uma identidade com uma foto. A gente pode argumentar as vantagens das câmeras como uma forma de “viagem no tempo” que ajuda a resolver um crime, por exemplo. Ou ainda pensar que as câmeras, mesmo não funcionando, desencorajam o crime. As pessoas se sentem vigiadas e fazem as coisas bonitinhas. De um jeito ou de outro, com as vantagens na mesa, continuo achando a coisa toda assustadora.

Mas a publicidade da TV Licence é uma espécie de quebra da falsa harmonia do argumento pró-Big Brother. É o momento em que o véu de normalidade e proteção cai por terra e eles revelam o espírito opressor.

A TV Licence é a taxa que todo mundo que tem uma TV é obrigado a pagar aqui no Reino Unido. Esse dinheiro é o que sustenta a BBC, um dos mais honestos, orgulhosos e sérios serviços jornalísticos do mundo. Sim. O jornalismo, o quarto poder, aquele que alimenta a democracia e a liberdade de expressão. Acho que a ironia é indiscutível. Veja mais um exemplo de como funciona a publicidade opressora da TV Licence nessa sequência que apresenta um anúncio num website.

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Eu já tinha falado disso antes, quando vi um cartaz no metrô. Não tenho TV em casa e, por isso, não pago a TV Licence. Um dia, a qualquer momento, um fiscal do governo, pode bater na minha porta para ver se eu tenho ou não um aparelho. É bizarro. Todos os meus amigos dizem que nunca viram nem ouviram falar de ninguém processado por conta de uma licença de TV. Ou seja, é o bicho-papão!!

Eu queria ter uma TV para jogar video-game, mas confesso que fico intimidado. E se um fiscal bate aqui e eu tenho que explicar que a TV não funciona para pegar sinal de canais de televisão? Eu posso ser processado e ter que pagar pelo menos £1000 em multa, fora custos com advogados. Você pode checar meu armário pra mim? Ah! E olha embaixo da cama, por favor. Obrigado.

É oficial: virei fã do gênio Garth Marenghi

Garth Marenghi é um gênio. Um autor de romances de terror que, nos anos 80, vendeu uma série para o Channel 4 chamada Dark Place. É o nome de um hospital (você iria num hospital com esse nome?) em que trabalha Dr. Rick Dagless, um médico completamente obcecado pelo oculto. A série foi arquivada nos anos 80 por ser considerada, segundo Marenghi, muito ousada e inovadora.

Alguns anos atrás, durante uma terrível crise de conteúdo, o Channel 4 resolveu ir buscar material do passado e teve a coragem de exibir a série. Como era uma reliquia perdida dos anos 80, eles tiveram a manha de adicionar comentários de MArenghi e seu agente e parceiro de crime, Dean Learner. Abriu a Caixa de Pandora…

Na série, escrita, dirigida e protagonizada pelo genial e multitalentoso Marenghi, uma porta para o inferno se abre no hospital e o Dr. Rick tem que lidar com os fenômenos estranhos… e com os efeitos absurdamente ruins, as interpretações toscas, a direção e edição inacreditáveis… que são propositais.

Dark PLace é uma série humorística genial que teve apenas seis episódios e virou cult na internet. EU achei o DVD por uma barganha e trouxe para casa. Bom, posso dizer que eu ri como se não houvesse amanhã. Os cenários são propositalmente terríveis, a edição de som é abaixo de qualquer crítica, as atuações são de chorar de tão ruins. Tudo milimetricamente calculado para ser terrível. E por isso mesmo, soa incrível.

Bom, você pode conferir o genial primeiro episódio aqui, em inglês.

E pode saber mais sobre a série na Wikipedia ou no site oficial do “gênio” Garth Marenghi

Quem te viu, quem não Tevê

Eu cobri TV paga ou aberta por quase uma década da minha vida. Então, podemos dizer que televisão era algo quase onipresente pra mim. Eu vivia com o aparelho ligado e mantive o videocassete (lembra dele?) pra poder gravar programas que passassem quando eu estava no trabalho. Tenho dois aparelhos parados na minha casa no Brasil.

Aí, veio a Época São Paulo e eu confesso que simplesmente parei de ver TV. Fiquei com um certo enjôo, sabe. Agora, aqui em Harrow, no campus da universidade, eu simplesmente estou hesitando quanto a comprar uma TV. Caramba, meu mestrado é em mídia. Como vou me isolar do mundo?

Acontece que eu vou ter que me acostumar. Aqui, você paga um imposto anual, a TV Licence. São 139 libras esterlinas por ano, dinheiro usado para bancar a TV deles. É coisa seríissima. Se eles te pegam de gracinha, cobram uma multa de 1000 libras fora custas de advogado.

Como eu estou chegando de outro país, o custo de ver TV seria essa graninha mais o que eu gastar numa TV. Vi uma de 15 polegadas por 129 libras. Então são 268 libras dentro do meu orçamento apertado em libras, com despesas fixas aqui e no Brasil.

Sinceramente, não está fazendo falta nenhuma. Meu notebook virou minha TV de vez. No Brasil, eu conectava na TV pra ver alguns seriados. Aqui, eu vejo DVDs ou os programas que eu baixo regularmente.

Então é isso. Bye bye TV. Não sinto nem falta de ti.

O fim (de The Shield) está próximo


Chiklis (que interpreta o Coisa em Quarteto Fantástico -ugh!) encarna Vick Mackey, o anti-herói de The Shield

Alguns anos atrás, numa viagem de trabalho a Los Angeles na qual o ponto alto foi a visita ao set de 24 Horas, eu comprei a caixa com a primeira temporada de The Shield. Tinha lido um artigo elogiando o programa e o preço estava tão bom que eu resolvi arriscar.

O protagonista é o detetive Vic Mackey, interpretado pelo formidável Michael Chiklis. Veja só, Michael tinha feito comédia antes. Ninguém acreditava que ele poderia interpretar um personagem tão denso e complicado. No primeiro episódio, Mackey, que deveria ser o policial-herói, mata um outro policial da corregedoria que o estava investigando. Esse evento marcante é o que vai perseguir o personagem e seus colegas policiais corruptos por toda a série. É o momento em que Mackey, definitivamente, de forma inapelável, vira um criminoso. Todo o bem que fizer depois, não compensa esse mal. Para tentar escapar de uma punição ele vai se afundando mais e mais.

Ao mesmo tempo, uma das grandes virtudes de The Shield é a complexidade, ambiguidade, profundidade dos personagens. Walter Goggins, que interpreta o odioso Shane Vandrel, é fantástico. Um ator incrível que dá vida a um dos caras mais insuportáveis que eu já vi na TV. Cada expressão, cada sorriso, cada hesitação têm um motivo para estar ali. É técnica misturada com intução. Um trabalho impressionante. É como se Shane existisse na vida real. Como se você pudesse cruzar com aquele desgraçado por aí.

Tem também o incrível Jay Karnes, o detetive Dutch Wagenback. É o mais exemplo perfeito do macho beta. É inteligente, sensível, brilhante. Se veste mal, não tem muita sorte com as mulheres e quando uma delas corresponde suas desajeitadas investidas, é completamente inábil. Jamais seria o protagonista, embora você goste tanto dele que deseje vê-lo estrelando uma série. É aquele cara que você adora, mas que vai ficar no pano de fundo. Vem aqui, brilha um pouco. Mas precisa voltar para trás para que o alfa, no caso Vic, brilhe intensamente.

E, claro, um seriado como esse é o resultado de um time de escritores inacreditavelmente bom. As tramas vao se sucedendo de forma orgânica, pequenos detalhes viram grandes, enormes problemas meses depois de terem acontecido. Fantasmas do passado ressurgem. É, de novo, como a vida real. Só que mais emocionante, mais turbinado e dramático.

Ano passado, eu fui para os Estados Unidos fazer entrevistas com os elencos de vários seriados e um deles era The Unit. Prazer enorme falar com Shawn Ryan, o criador de The Shield. EU, claro, dei um jeito de sair de The Unit e puxar assunto sobre uma das minhas séries prediletas. Ryan é um apaixonado por esse caráter épico dos bons seriados. Só ali você pode contar uma trama gigante que vai se espalhar por, no caso, sete anos. Dentro de algumas semanas, acaba o sétimo e último ano. Estou ansiosíssimo. Vou finalmente saber o destino de Vic, de Vandrell, de Dutch. Quem morre, quem vai preso, quem segue com sua vida. E vou ficar com muitas saudades de poder espiar a vida desses personagens sensacionais.

Bem-vindo de volta, Jack

O trailer do filme de 24 Horas que será exibido em novembro na TV americana promete um Jack Bauer em busca de redenção. Depois de fazer todo tipo de atrocidade em nome do presidente absurdo da vez, Jack agora se envolve em uma, hum, causa nobre e humanitária. Quando vier a temporada, será a vez dele ser julgado pelo que fez nas temporadas anteriores. Coisas como decapitar testemunhas, matar pai, amigo, colega de trabalho e terroristas que ameaçavam matar milhões e milhões de pessoas.

O fato é que a era Bush se foi está acabando e a maré mudou. Ou Jack se adapta ou não passa desse ano-dia 7.

É um processo natural. O que era cool, fica meio batido. No início, Bauer era um personagem interessante, o homem incorruptível, com caráter de aço. Depois, enquanto suas façanhas iam ficando mais absurdas, ele ia ficando engraçado, em vez de dramático. Agora, corre o risco de virar pastiche. Só vendo.

Os novos clássicos

A Entertainment Weekly é aquela revista que virou meio que uma referência do que uma pop-mag deve ser. É, claro, referência  mainstream. Mas não conheço nada melhor nesse segmento (ok, Rolling Stone, não chore).

Algumas semanas atrás, saiu uma daquelas capas deliciosas em que a revista olha para o último quarto de século e se mete a atualizar a lista de eternos clássicos com a produção mais recente.

Então, surgem videogames, seriados, filmes, livros e músicas contemporâneas chutando a porta do panteão da cultura popular. A lista, claro, traz um monte de absurdos, mas joga a luz sobre várias coisas legais que você ignora porque engole o que é clássico, definido por gerações anteriores. Eu sempre faço esse exercício de imaginar o que será clássico em 2050, e você?

Vai daí que a revista estava no meio da minha pilha de pendências, porque eu me mudei semanas atrás e ainda estou arrumando a casa. E só neste fim-de-semana eu consegui ler.  Devorei, claro.

Já que estamos falando de novos clássicos, outra capa show de bola é sobre o Batman, de duas semanas atrás. Eu vi o filme na semana passada e babei. As capas da inglesa Total Film e da EW ajudam da dar dimensão ao quanto o filme é sensacional. Aliás, as primeiras resenhas já dão uma idéia da qualidade do filme de Christopher Nolan. O Giron, da Época, definiu o filme pra mim: “Parece uma ópera!”.