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Os jogos e as ferramentas que mudam o mundo

Décadas atrás, jogos eram os de tabuleiro. Era relativamente fácil ter um e modificar suas regras, desenhas novas cartas e peças, escrever regras personalizadas (as regras da casa). Os video-games surgiram com a popularização da informática e foram se infiltrando em nossa cultura até se tornar uma forma de expressão artística poderosa. Agora, com a chegada do console indie, o Ouya, os jogos eletrônicos entram numa nova fase, cheia de possibilidades.

Leia mais na minha coluna no site da Galileu, A Explosão Criativa dos Jogos Independentes.

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Pinterest: tenho mesmo que usar?

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Eu tenho uma conta no Pinterest há bastante tempo. Mas usar que é bom, eu quase nunca usei. Digo, eu vou lá, olho o que foi “pinado” de vez em quando, mas simplesmente não consegui incorporar na minha rotina, na minha forma de navegar.

Só que a rede foi descoberta há algumas semanas pelo público e subitamente eu recebo todos os dias avisos de que fulano está me seguindo. E começa uma espécie de auto-pressão para que eu passe a usar o Pinterest, afinal “o que as pessoas que me seguem no Pinterest vão pensar de mim se eu não “pinar” nada de legal?”

Eu tenho sempre o hábito de experimentar coisas novas. Mas muitas vezes não passo da fase inicial de várias apps, sites e serviços por dois motivos:

1. Na fase inicial muitos serviços são simplesmente mal desenhados e não conseguem se provar úteis. Veja o caso do Path. Uma idéia legal que demorou mais de um ano para achar um caminho e, mesmo asim, não tem grande utilidade. Mas gerou uma app linda que quase ninguém realmente usa.

2. Não há muito espaço para mais e mais coisas no meu cotidiano. Só vai se incorporar o que for muito, muito genial, util.

Assim, alguns serviços eu vou acompanhando de perto para ver quando se tornam úteis. Parece que o momento do Pinterest chegou. Mas, escaldado que sou, vou ser cético e esperar que o negócio realmente decole e prove seu valor.

O jornal do futuro é mais ou menos assim

Há muita espuma e muita discussão sobre como os jornais vão sobreviver às intensas mudanças nos hábitos e gostos dos leitores por conta dos avanços tecnológicos.

Pouca gente sai da discussão à ação. Coloque aí o NYT, o Finacial Times e o Guardian. O último é justamente o menor dos três, mas, audacioso, vem crescendo e ganhando força. A Internet fez bem ao Guardian e o Guardian é bom demais justamente na Internet.

Essa campanha, genial, é só a ponta do iceberg. Se você quer saber mais sobre a abordagem do Guardian ao que eles chamam de Open Journalism, precisa acompanhar tudo na seção que ele construíram especialmente para discutir o tema.

Editions da Aol, uma boa idéia atacada pelos bugs malditos

A era das revistas sociais começou no ano passado com o Flipboard no iPad. Funciona assim: você cadastra sua conta do Twitter e/ou do Facebook, o programa lê os twits e as atualizações de amigos na sua timeline do Facebook e vai além: fareja o que está atrás dos links trocados pelas pessoas e dá um preview. Isso tudo é organizado em “páginas” que podem ser viradas como se formassem uma revista, ou melhor, um almanaque dinâmico, dada a diversidade de assuntos. O que foi muito inteligente da parte do pessoal do Flipboard foi terem preserevado quem cria o conteúdo. Em geral, você lê um preview e, se quiser ler mais, clica e cai num browser que exibe a página original com, inclusive, a publicidade que paga as contas.

Desde então, surgiram muitos e muitos leitores de RSS, Twitter etc, propondo múltiplas formas de reorganizar o catatau de conteúdos que circulam pela internet tanto em feeds de marcas importantes de empresas de comunicação como Time inc., Conde Nast, Hearst, no mundo, e Editora Globo e Abril, falando do nosso quintal.

O outro grande salto foi dado pelo Zite. Em vez de simplesmente pedir que você aponte todos os feeds, eles é uma espécie de Pandora das notícias, porque passa a sugerir conteúdos em cima do que você anda lendo. Ele usa todo o contexto de sua timeline do Twitter, do Facebook e do Google Reader para construir um conhecimento das suas preferências. O resultado é, pra mim, superior ao que o Flipboard entrega. O Zite incomodou muito, recebeu cartas com ameaças jurídicas e teve que mexer nos formatos de visualização para continuar operando.

Não foi a primeira rusga entre uma empresa criadora de readers agregadores. Ano passado, o pessoal d Pulse teve sérios problemas com o New York Times irritado por ver seu feed oferecido abertamente no leitor. “Tira já”, eles ordenaram. Quer saber? Pior pra eles.

A última novidade é o Editions, da Aol. A proposta aqui é fazer uma espécie de Flipboard ou Zite com as fontes de conteúdo da Aol. Simples assim. Você só diz o que gosta de ler e a app monta uma revista com a oferta de conteúdo de todos os sites do portal. Por um lado, é o melhor dos mundos. Você não precisa pensar demais. O app faz isso por você e te entrega os conteúdos imediatamente.

Mas se você quiser ir além. Detalhar mais. Está com azar. Não pode. Se você quiser adicionar suas fontes. Não pode, porque o mundo está fechado na Aol. Se você quiser… Bem, se você quiser ler… Não pode. Porque vai cair. Tenha em mente que eu não sou o usuário médio. Eu sei os tipos de crashes que podem acontecer e tenho mais paciência do que a maioria das pessoas.

Quando uma app, qualquer app, dá crash (e elas vão dar. Todas, de todos os lados. Inclusive das da Apple) você deve sair e limpar ela da memória para zerar. Para isso, tem que tocar duas vezes no botão home (o pretinho com a bolinha branca), surgirão as apps “abertas” na memória no rodapé. Você vai tocar o ícone por alguns segundos, eles vão começar a tremer com uma bolinha vermelha no canto superior direito de cada um. Basta tocar ali para a app se desligar de verdade e zerar. Isso resolve 90% dos problemas com as apps. Se você aproveitar essa operação e além da app com defeito fechar todas as outras, vai evitar conflitos (raros) de memória e cobrir 94% dos problemas. Se você apagar e reinstalar, vai cobrir a possibilidade de algum arquivo corrompido na hora do download ou na primeira execução da app. O resto é bug grave que só pode ser resolvido com um update desesperado da app.

Se depois de tudo isso, a app ainda cai. Aí, amigo, você tem a Editions, da Aol. Uma boa idéia executada com pressa e quase arruinada pelos bugs. A app é linda, a montagem da revista diante dos seus olhos é genial. Mas os bugs arruinam tudo. As pessoas vão lá, testam, tentam e quando vêem que não funciona, voltam pro Zite, pro Flipboard, pro Pulse…

O “jornal do futuro” não se parece com um jornal

A Folha se relançou como o “jornal do futuro”. Eu tenho aquele carinho meio cego pelo jornal. Ela tem um papel especial na virada que eu dei na minha vida lá no início dos anos 90. Então é com dor no coração que vejo minha velha casa meio perdidona nos novos tempos.

EU nunca consegui me conectar emocionalmente com o Estadão. Acho o jornal bem feito, tem várias coisas que eu gosto. Mas em SP sou folheiro de carteirinha. Mesmo nos momentos estranhos do jornal, como nos últimos anos. Cresci com O Globo no Rio (meu pai era um leitor assíduo e eu herdei o hábito. Hoje sinto falta se não leio o Globo regularmente) e passei a ler a Folha no início dos anos 90, quando começou a ficar mais fácil achá-la nas bancas cariocas do centro. Mas como trabalhei na Folha, fui trainee lá, tenho um carinho enorme.

Acho que foi por isso que a campanha do Jornal do Futuro me soou tão… triste. Porque não havia nada de realmente novo no jornal. Umas mudancinhas cosméticas muito tímidas aqui e ali e um slogan que prometia e não entregava.

Aí surge o Diário de São Paulo e me traz um negócio realmente surpreendente. Não tem um décimo do prestígio de Folha ou Estadão. Mas oferece uma experiência de leitura inesperada para um jornal diário no Brasil.

Vamos admitir que é muito mais fácil mudar um jornal que estava encurralado em sua irrelevância e não tinha muito a perder. Mas o fato é que grandes jornais são um emaranhado de cadernos. Não seria um enorme absurdo implementar mudanças mais radicais em um caderno e ir experimentando e preparando seus leitores para a mutação. Se você acha que isso é impossível e já começou a dizer “não dá”, “não é tão simples assim” e outras manobras defensivas, precisa urgentemente se reciclar. Não é que o século 21 começou ontem. Já se vai uma década. Não há mais desculpa para ficar repetindo o velho indefinidamente.

O jornal do futuro pra mim é o de amanhã. E para que ele chegue, a gente precisa fazer um bom jornal hoje. Ou em vez do seu jornal, vai ter um concorrente embrulhando peixe… amanhã.

Na era das comunidades onipresentes, solidão para quê?

Estava lendo um artigo do sempre ótimo Steven Johson na Time. Acompanho o blog do Jeff Jarvis há algum tempo e estava “lá” quando ele avisou ao mundo em sua conta do Twitter que estava com câncer de próstata. Depois, quando fez a cirurgia. E assim foi.

Algumas semanas atrás, um dos meus cachorros, o Carl Sagan, morreu. No dia seguinte, eu descobri que meu outro cachorro, o Charles Darwin, tinha câncer. Não era o meu câncer, mas era como se fosse. Comecei a twitar e blogar sobre isso.

E por quê?

Simples. Me fez sentir melhor. Me fez ver que eu realmente não estava passando por aquilo “sozinho” (eu não estava de qualquer modo, já que minha mulher, irmã, mãe acompanharam tudo. Mas estamos falando metaforicamente). Nas semanas seguintes, em vez de melhorar a coisa piorou. O tumor voltou à pata do Darwin e a situação clínica dele começou a piorar sensivelmente. Depois de uma luta insana, nos vimos diante da dura realidade de ter que amputar a patinha dele. Só que o Darwin estava fraco agora. Podia não voltar dessa.

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Para crescer, o caminho do e-reader é para baixo

Eu não espero nem quero um Kindle colorido e touchscreen, embora possa surgir um. Na minha opinião, a Amazon tinha que mirar em outro alvo: o e-reader de menos de US$ 100. Faço uma pesquisinha enquanto estou escrevendo isso e caio no post do Seth Rodin pedindo um Kindle de US$ 50 (ele vai mais longe do que isso, vale ler o texto dele, não vou ficar repetindo aqui). Ok, de qualquer modo, um Kindle mais barato é o que a indústria deveria buscar.

A Barnes and Noble oferece o Nook (seu “Kindle”) por US$ 149.99, só com wi-fi. O 3G custa US$ 199.99. É o sinal de que esse é o caminho para esse tipo de aparelho. Ser um facilitador para essa nova era. Se gabar de suas vantagens sobre as telads de LED, OLED e LCD e oferecer algo muito simples e muito barato. Colocar preço na lista de vantagens não é nada mal. E preço baixo abre inúmeras oportunidades de promoções malucas. Você compra dois livros e leva um e-reader junto, por exemplo.

E não faz sentido pagar US$ 250 em um negócio desses quando o iPad mais simples custa US$ 499. É maluquice pura. Baixar o preço do e-reader torna os e-books uma alternativa mais que prática, popular. Vai acelerar a inevitável mudança. Junte a isso todas as iniciativas de self-publishing de Apple, Google e Amazon e teremos um mercado editorial explosivo, cheio de oportunidades em 2011. Junto com a explosão criativa que os tablets vão acelerar, temos um horizonte de belíssima possibilidades no futuro próximo.