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24 Horas, O Último Dia

E o temido dia final chegou. A Fox informa que não vai renovar 24 Horas. Jack Bauer vai ter descanso… Pelo menos até o esperado filme para o cinema.

A oitava temporada não é ruim. Mas fica claro que os roteiristas meio que desistiram de dar murro em ponta de faca. Eles se entregaram e o que se viu foi uma sucessão de situações repetitivas.

A América mudou, a recessão veio com tudo. E Bauer vai se juntar ao pelotão de desempregados.

Buffy e Crepúsculo: Oportunismo é a alma do negócio

Quando eu digo que Buffy é um seriado genial, estou acostumado a receber aqueles olhares de desprezo e incredulidade. Já me acostumei a nem perder tempo. Ou você entende do que eu estou falando quando elogio a série ou não. O nome, a idéia que vem na superfície brincam justamente com os títulos bobos de pulps e filmes B. Por isso soam bobos. Algumas pessoas vão além dessa superfície. Outras se resumem a torcer o nariz. É mais feliz quem testou.

Como jornalista que viveu dez anos cobrindo TV e cultura (pop e nem tão pop assim), me acostumei a ver primeiro para falar depois. Tem um sofrimento nisso. Você vê muita porcaria. Muita mesmo.

Mas me desviei um pouco do assunto. Estou falando de Buffy e da leitura superficial que as pessoas fazem da piada (achando que é o conceito) porque estava lendo na Variety que querem fazer um filme de Buffy para aproveitar a onda de Twilight (Crepúsculo). Vampiros!!! Urru! Olhando pelo ângulo de negócios, a idéia é boa. Faz sentido aproveitar o momento para lançar mais produtos que vão interessar a esse consumidor.

Só que em vez de procurarem Joss Whedon, o cara que criou a personagem, a transformou num ícone e criou uma das séries mais bacanas das últimas décadas, não procuraram por ele (ainda). Buffy é um conceito tão sacana e tão irônico que sua primeira encarnação, num filme de 1992, com Kristy Swanson, Luke Perry, Hilary Swank e Donald Sutherland, foi um desastre. O script de Whedon foi tão terrivelmente mal intepretado pela direção que a idéia quase se perdeu completamente. O diretor pegou a piada, mas não sacou o que estava por trás.

Não por acaso, alguns anos depois Whedon reconstruiu o conceito do seu jeito na TV, uma mídia que dá mais ouvidos ao escritor e consegue se aproximar de suas idéias originais. Buffy terminou em 2003 na TV. Os DVDs ainda vendem bastante, há uma HQ ótima disponível nas lojas. A personagem está viva e até sua intérprete ainda é jovem e linda. Seriados de TV nunca foram tão respeitados e bem feitos. Então por que reinventar a roda, hein? Vai entender. Como o projeto ainda está na fase inicial, estou torcendo para que Whedon seja procurado e colocado no comando do projeto. Ia ser sensacional.

Jack Bauer voltou a ser o cara

Faz algumas semanas que eu to adiando, meio desconfiado, para dizer isso. O fato é que a sétima temporada de 24 Horas começou morninha, bacana, mas repetitiva e foi ficando boa, melhor, do caramba… No ponto em que está, estou esperando os episódios de novo e hoje eu fiquei nervoso como não ficava há muito tempo. Você vê a desgraça se aproximando, vê Jack indo pro saco e fica desesperado. Adorei. O oitavo ano já está no forno.

Mas no fim, a grande sacada foi não mexer em Jack Bauer. Foi colocá-lo diante de um cenário em que seus métodos e suas crenças são colocados em xeque. Mas ainda assim, ele faz aquilo em que acredita. A série prega menos, é mais ambígua e se fixa na ação de um herói que vê o mundo se desmontando ao seu redor e, ainda assim, contra todas as probabilidades, faz aquilo em que acredita, tomando decisões entre o ruim e o desastroso. O menor dos males. Jack é o cara. De novo.

BSG S04E20: Fim decepcionante

It all happened before. And it will all happen again.

É verdade. Aconteceu antes. Aconteceu de novo: capítulo final ruim, apressado, simplista, renegando o que fez a série ser tão boa. Decepção total pra mim.

O erro foi anunciado a cada episódio em que, em vez de avançar, a história andava em círculos. Por terem enrolado antes, correram como loucos no final.

Flopou. Fiquei muito decepcionado com a correria, com as pontas mal amarradas, com os efeitos digitais ruins, as soluções arrumadas de acordo com a conveniência dos escritores (ou preguiça deles de pensar em algo melhor).

Houve momentos em que você dava uma risada involuntária e outros em que você simplesmente ficava se perguntando por que aquele personagem fez isso ou aquilo?

Alguns exemplos (com spoilers…) depois da quebra…

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História Oral

A Entertainment Weekly (sempre ela) faz um registro das histórias por trás de dois clássicos da TV que estão perto do fim: ER e Battlestar Galactica. Você sabe, né? É história apenas contada pelas pessoas que viveram os acontecimentos. Vale cada caractere.

Muita gente acha que ER é só uma série que mostra o dia a dia de médicos. É compreensível que as pessoas pensem assim quando o programa entra na maturidade e não traz mais nenhuma novidade. Mas a estrutura, o elenco enorme, a câmera na mão, o ritmo foram absolutamente inovadores na época.

Battlestar Galactica… Nossa, eu já falei tanto dessa série aqui. É crítica política e social. Uma metáfora (bem literal, vamos admitir) de nossos tempos, uma série de aventura com grandes momentos marcados por intriga política e muita tensão. É a série de sci-fi da minha geração pelos melhores motivos possíveis. Ninguém vai lembrar de nenhuma discussão sobre máquinas, teleportes ou saltos no hiperespaço. Ninguém quer saber de um manual com o motor da espaçonave de combate. O que importa aqui é como as pessoas vivem, pelo que elas morrem e o que influencia o futuro da humanidade.

Dollhouse: cada vez melhor, mas ninguém vai saber…

Dollhouse, a nova série de Joss Whedon, o cara que criou Buffy e Firefly, vai começando a tomar forma a cada semana. E fica melhor a cada novo episódio. Mas ninguém vai saber disso, porque a audiência é baixa e a série periga ser cancelada a qualquer momento.

A premissa: uma organização tem uma série de “agentes” aparentemente voluntários que têm suas mentes programadas para serem qualquer pessoa. Em alguns casos, são amantes de miionários, em outros assassinos profissionais. Não há limite nem ética.

Como uma premissa dessas, você tem duas opções claras. Optar por contar a história de quem enfrenta esse grupo ou de quando algum desses operativos dá “defeito” (bom, eu consigo pensar em mais umas duas boas premissas, mas essas são as mais óbvias para uma série, vá lá).

Whedon optou por usar as duas idéias. No primeiro episódio, conhecemos Echo (Eliza Dushku), a nossa heroína. Que vai pulando de personalidade em personalidade, mas, claramente, começa a carregar algum resíduo inesperado.

Ao mesmo tempo, lá está o agente Paul Ballard (Tahmoh Penikett, o Helo de Galactica) investigando a tal organização e justamente atrás de Echo.

A terceira variável aqui é Alpha, um agente que por algum tipo de erro na sua programação se rebelou contra a Dollhouse e, depois de matar um monte de gente, fugiu. Não sem antes poupar somente Echo. Ele parece querer se vingar de seus ex-chefes, que tremem só de ouvir seu nome.

Bom, os primeiros episódios, tradicionalmente, são criados para estabelecer na cabeça do público qual é a premissa da série. Assim, vimos Echo mudando de personalidade o tempo todo e descobrimos contradições e limites da Dollhouse. Legal, legal. Mas o conceito, no fim, é complicado demais pra uma série de grande canal de TV.

O maior e enorme problema da série é que a protagonista não tem personalidade. Ainda. Como a gente não conhece a Echo de antes de sua personalidade ser apagada, não temos pelo que torcer. Como fã do trabalho de Whedon, eu tenho a capacidade de esperar pela recompensa emocional que eu sei que virá. Mas o espectador médio, que nunca ouviu falar desse cara, não vai ter a mesma paciência.

Porque o que está claro desde o primeiro episódio é que estamos vendo o renascimento de Echo. A cada episódio, uma nova nuance surge (e ELiza Dushku, coitada, não dá conta disso. Só o texto e a direção conseguem nos dar essas pistas). Ao mesmo tempo, fica claro que está se formando um grupo ao redor dela. O handler de Echo, Boyd Langton (Harry Lennix), começou meio que desprezando a menina, mas já está claramente envolvido e age como paizão em vários momentos. Ballard é o óbvio interesse romântico. Outros personagens que poderiam se juntar a ela numa nova situação fora da Dollhouse já estão orbitando. E, deliciosamente, ainda fica difícil imaginar quem serão os heróis e os vilões.

Mas, de novo, é um prazer de fã. Ver essas peças sendo colocadas no tabuleiro, perceber o que Joss Whedon está fazendo e os temas que ele prepara para discutir mais na frente é algo que está aparente para o fã, mas não para o espectador que apenas ligou a TV na sexta em busca de um programa interessante.

No Fox americana, a série faz par com Therminator: The Sarah Connor Chronicles nas noites de sexta-feira. Como Terminator está no meio da segunda temporada e perde espectadores a cada semana, o cancelamento é inevitável. Até por isso, Dollhouse pode ter uma segunda chance. A culpa pode acabar indo toda apara a pobre da Sarah Connor, quem sabe. Mas, olha, o futuro não está muito ensolarado não…

BSG S0418: faltam três horas

Olha. Mais uma semana, mais um episódio chaaaato de Battlestar Galactica. Eu dormi no de semana passada (e, claro, tive que ver de novo) e quase emborquei nesse também. Eu me importo com os personagens, quero saber o destino de todo mundo e coisa e tal. Mas com tão pouco tempo sobrando, acho uma decepção episódios tão lentos. E eu não estou falando de ação. Estou falando de tensão, de decisões difíceis, de conflito. Ah, saco.

O que me dá esperança é que as duas próximas semanas, as últimas, exibem um episódio em três partes. Uma na próxima sexta e duas na seguinte. Então, caramba, não é possível que nego enrole mais. O pau vai comer, as tramas vão se definir. E eu não vou ter tempo pra sono…