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Awake: Vidas paralelas

Eu posso imaginar nas próximas semanas as comparações com Lost, as questões sobre purgatório, coma, morte, vida e severina.

Não me importo.

Awake tem uma daquelas premissas que são difíceis de explicar, mas vistas no ambiente narrativo da série, são rápidas de entender. Essencialmente, um policial sofre um acidente com a esposa e o filho. Ele tenta restabelecer sua vida e seu trabalho, mas enfrenta um problema: ele e a esposa lidam com a morte do filho. Mas quando ele se deita ao lado dela e fecha os olhos, acorda numa outra vida em que foi ela que morreu e o filho que sobreviveu. E é o menino que tenta lidar com a perda da mãe.

Qual dois dois mundos é real? Se é que há um mundo real? Em cada um dos mundos, ele tem um parceiro diferente, um terapeuta diferente que reage de forma diversa a esses fatos. E, pior (ou melhor), as histórias das duas realidades se entrelaçam e forma que ele usa as informações de um mundo para resolver casos no outro.

Em séries, o mundo que você sugere é o que faz a diferença. Quanto mais rico e cheio de possibilidades for esse mundo que os autores criaram, mais potencial tem o seriado de gerar histórias fantásticas. Dá para perceber um enorme campo de temas e situações que deverão ser exploradas na série. O que acontece com a simetria dos mundos se o personagem passar um, dois dias sem dormir por conta de alguma situação limite? No mundo em que ele perdeu a esposa, haverá espaço para romance do protagonista? E se houver? Seria isso um adultério, já que ele está casado quando fecha os olhos e pula pro outro mundo?

Awake já é, pra mim, a série mais interessante do ano. Como eles vão fazer para sustentar esse conceito me intriga profundamente e já me deixa ansioso para ver como serão o segundo, o terceiro, o décimo episódios.

Glee é, ainda, o momento de sorrir na semana


Gwyneth quer ser cool em Glee

Segundo ano de seriado de sucesso é fogo. Depois de acertar e virar um hit, os criadores tentam adicionar novos elementos sem alienar o que conseguiram construir. A audiência quer mais do mesmo e… Sabe-se lá o que mais.

Glee, um seriado que mostra um grupo de outsiders da escola encontrando seu lugar no mundo através da manifestação artística (no caso, a música), quebrou uma série de dogmas da TV americana. É um seriado musical semanal exibido na TV aberta que traz, entre outros temas espinhosos, um personagem abertamente gay descobrindo o amor na adolescência. Como é muito bem feita (apesar de irregular nos números musicais e nas coreografias), vem ganhando algumas participações especiais de astros de cinema e TV que querem mostrar seu talento como cantores. Semana que vem Gwyneth Paltrow inicia uma participação especial em dois episódios.

A volta da série foi mais ou menos, para falar a verdade. Os escritores investiram em episódios temáticos em torno de um ou outro artista e isso fica velho rápido, além de confinar os personagens que PEDEM para seguir em frente com suas histórias.

Aí, veio o episódio em que o pai de Kurt, o menino gay da escola, sofre um colapso e entra em coma e a série começou a dar sinais de vida inteligente de novo. Esta semana, quando Kurt descobre seu primeiro amor verdadeiro, a série embicou para um rumo interessante. Os personagens retomaram as rédeas, sabe-se lá por quanto tempo.

Glee é genial quando mostra pessoas completamente diferentes se encontrando na música. As inimizades desaparecem quando os personagens estão cantando, a não ser que a música em questão seja sobre a inimizade do momento. O bad boy, o cadeirante, a cheerleader, a nerd se encontram, se completam, se entendem quando fazem arte juntos.

Mas a série é um produto de TV aberta, então tem lá seus limites. Há soluções irritantemente fáceis e lineares, como quando Kurt descobre que um valentão que o importuna é gay também. Tadinho, é um brutamontes gay e confuso, por isso pratica bullying. Solução fácil. Se o mundo fosse simples asssim.

Outra situação nonsense sai da treinadora do time de futebol (Murphy tentando subverter todo e qualquer chavão que surge na sua frente). Ela é masculinizada, não é bonita e os meninos partilham uma técnica para segurar a, digamos, empolgação nos amassos com as namoradas: para aguentarem o suplício de não poderem transar com as meninas, pensam na treinadora. Como ela é feia isso os ajuda a esfriar. Claro que a treinadora descobre tudo e se sente humilhada. E ganha um selinho de consolação do professor pseudo-Timberlake. Tudo se acerta de um jeito meio inconsistente.

Héteros convictos, se acalmem, mas acho que vocês precisam ser avisados que, antes de tudo, Glee é uma série gay feita para todo mundo. É uma espécie de visão colorida pasteurizada e caretinha em certos momentos, para tentar segurar a ira conservadora. Então toma muito cuidado na hora de mostrar sexo ou bebidas alco[olicas entre adolescentes. Seu criador, Ryan Murphy é gay assumidíssimo e daqueles que gostam de provocar. Fazia isso semanalmente em Nip-Tuck, até a série perder o rumo e ficar tão freak que beirava o insuportável. Reconhecendo seu tom de farsa e seu olhar gay, Glee brinca com estereótipos do mundo masculino o tempo todo.

Um dos seus principais alvos é o time de futebol da escola, que é a coisa mais esculhambada do mundo. Na série, tudo pode acontecer, mas é difícil imaginar um time que aceite um jovem como Kurt e, mais incrível, vença um jogo DANÇANDO uma coreografia inventada por ele. Engraçado, mas alegórico demais.

Em seguida, o menino cadeirante resolve jogar no time de futebol da escola. E é aceito!! E funciona. E eles vencem jogos com ele e por causa dele.

Glee é uma espécie de dimensão paralela colorida, musical e luminosa. Que continue maluquinha e inverossímil e que deixe seus personagens irem em frente. É boa normalmente, é melhor ainda quando solta a franga.

Stargate Universe voltou e decepcionou

Depois de um fim de temporada incrível. A volta foi decepção pura. Episódiozinho chato, soluções sem graça. Apenas uma tentativa desesperada dos escritores de consertar os plots e ajustar a série para uma nova realidade, com a entrada de novos personagens.

Pelo menos, a perspectiva dos humanos vivendo com um grupo de inimigos parece excitante.

Quem quer virar um vampiro?


Não é fácil manter esses corpinhos por toda a eternindade (e sim, eu sei que a Sookie não é vampira*)

Por duas semanas, todo nosso tempo livre foi dedicado a ver as três temporadas de True Blood. No meio dessa correria, tirei um daqueles cochilos delirantes e…

Você sabe, né? Vampiros ficam para sempre na forma que tinham quando foram transformados. Vai daí que, seu eu fosse avisado de que iria virar um vampiro, ia pedir um tempinho e correria alucinadamente para a academia. Iria lutar pra perder uns bons dez quilos, cortaria os cabelos direito, faria a barba. Poxa, todos os vampiros passam a eternidade sendo os gostosões, porque seria eu o vampiro gordinho e desgrenhado da turma?

Aí, pensei eu, isso dava um formato, digamos, matador, de reality show.

Imagine 10 pessoas em uma casa com as janelas sempre fechadas disputando a chance de virar vampiros. Elas passariam por diverrsas provas e deveriam perder peso, ficar mais bonitas e bem cuidadas para ser escolhidas por um vampirão. Isso mesmo, a cada semana, um monte de provas de resistência, inteligência, tomadas de peso tipo de Biggest Loser, aquele reality show para gordinhos.

Mas o momento mais esperado seria aquela hora em que o vampirão sedutor (e meio afeminado) ou a vampirona gostosa (e meio vagaba) escolheria a pessoa que iria ser desclassificada. Fiquei pensando em como resolver esse momento. No Aprendiz, o apresentador diz “Você está demitido!”, no americano, a frase é “you are fired!”.

Pois no nosso reality show (que se chamaria “Quer Ser um Vampiro?”), a vampirona faria aquele veredicto sacana: “Fulano, você não emagreceu o suficiente, vomitou quando bebeu sangue de galinha e não agüentou dormir uma noite em um caixão porque tem claustrofobia. Não pode ser um vampiro!”, e terminaria com um trocadilho safadinho em inglês: “You suck!”. A pessoa sairia dali com sua malinha e as portas se abririam para um belo dia ensolarado e luminoso.

Aí, naquelas traduções dos canais a cabo, rolaria aquela dublagem tosca e sem sincronia. Colocariam o vampiro olhando nos olhos do pobre desclassificado e dizendo: “Chuupaaa!”.

Pois é. Isso é que dá ver True Blood demais em pouco tempo. Pirei.

(*Nota importante do autor: a personagem da Anna Paquin em X-Men, Rogue, foi chamada de Vampira nas revistas brasileiras…)

Stargate Universe, de novo: fim de temporada

Eu devorei a primeira temporada de Stargate Universe em poucos dias. Sei lá, eu adoro seriados com naves espaciais. Adoro mais ainda essa premissa da nave perdida. Mas eu curto mesmo o tom realista. Sim, existem aqueles bafos da mitologia do Stargate, como as pedras “mágicas” que permitem conexão direta em tempo real mesmo a bilhões de anos luz. Mas o que é muito bom é a forma como eles estabelecem premissas absurdar e sabem muito bem usá-las para contar boas histórias.

Junte a isso um time de escritores que soube criar personagens tridimensionais, complexos, cheios de falhas de caráter. Parecem até gente de carne e osso.

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Stargate Universe

Eu vi o filme original de Stargate. Achei trash, mas a idéia era legal. Depois, vi o piloto e episódios pulados do seriado Stargate SG1. Era legal, mas nunca me fez grudar na fente da TV. Atlantis idem. Tudo legal, mas nada me prendeu de verdade.

Agora, fissurei em Stargate Universe. A premissa tem vários momentos deja vu de outras séries. Em Voyager, a primeira capitã de uma nave da federação consegue se perder no universo e lidera sua trupe na dura viagem de volta. Em Battlestar Galactica, nossos heróis passam vários episódios, após fugir dos cylons, tentando garantir comida, ar e água. Em Lost, nossos heróis caem numa ilha deserta e vão tentar desbravar o local e descobrir o que está por trás de seus mistérios.

Junte tudo isso e você tem pela frente Stargate Universe. Os personagens estão num planeta no qual foi descoberto um stargate diferente e um cientista tenta descobrir pra onde diabos aponta aquele portal que tem símbolos novos. A história começa quando Eli, um aluno do MIT que precisou abandonar a escola por falta de dinheiro, resolve um problema matemático complexo implantado pelos militares em um jogo de computador ao estilo World of Warcraft. Ele é convocado pelo governo para ajudar no esforço de decodificar o tal novo portal.

Eis que, durante os testes, o planeta distante no qual fica o portal sofre um ataque alienígena e o grupo de pessoas lotado ali, uma mistureba de civis, cientistas e militares, faz uma evacuação de emergência para o portal, para onde quer que ele esteja apontando. É quando caem numa nave milenar, toda arrebentada, perdida a bilhões de anos luz do planeta Terra.

A partir daí, eles precisam entender como a nave funciona e ao mesmo tempo achar uma forma de sobreviver aos cataclismas que vão caindo sobre suas cabeças: falta ar, comida, água, energia. Falta também a confiança interna do grupo e vinda dos líderes da missão, na Terra.

Sete episódios sem uma única cena de ação. Nada de tiroteios. Só os humanos interagindo e enfrentando diversos revezes. E tem funcionado muito bem. Oh, boy. Essa série promete.

Os líderes (e seguidores) fracassados de Lost

E acabou, acabou e acabou. Esperei passar no AXN para comentar. Afinal, era safadeza falar da série que só quem baixou viu (se bem que provavelmente mais gente viu por download do que pelo AXN, mas tudo bem).

Então, deixo a minha interpretação final, que vai caber em uma ou duas linhas: Lost é uma poderosa alegoria sobre os perigos de confiar cegamente em deuses e líderes. Religião, patriotismo, o que você quiser. São formas imperfeitas (e muitas vezes desonestas) de controle. Lost ilustra isso muito bem.

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24 Horas virou Desejo de Matar

A oitava temporada de 24 Horas estava anódina até a metade. De repente, a coisa disparou e ficou divertida de novo. Mas por uma razão curiosa… De um certo ponto em diante, Jack está completamente sozinho, apenas atrás de vingança pela perda de seu milésimo “amigo”. Isso rendeu episódios cheios de suspense e ação, o que é ótimo, mas colocou Jack Bauer numa situação curiosa: a de virar uma espécie de Paul Kersey, o personagem de Charles Bronson na série Desejo de Matar. Jack começa a soltar frases de efeito típicas de filminhos feitos direto para DVD.

Seriados têm uma coisa curiosa. Depois de um certo ponto, você está tão envolvido com o personagem que acaba indo com ele aonde ele for, só para ver o que vai acontecer. Em séries normais, há espaço para inovações, mudanças de formato, episódios musicais, mudos, preto e branco, em plano sequência, contados pelo vilão, pelos fiéis companheiros. 24 Horas nunca pode fazer nada disso aprisionado que ficou num formato que, em 2001, era inovador. Depois de tanto tempo, só sobrou Bauer… e Chloe. E, bem, o delicioso vilão, reciclado da melhor de todas as temporadas da série (falo melhor dele a seguir, depois do pulo. Se você está lendo no RSS, que não tem pulo, e não quer saber nada sobre o que vai acontecer, PARE AQUI)

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