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BSG S04E20: Fim decepcionante

It all happened before. And it will all happen again.

É verdade. Aconteceu antes. Aconteceu de novo: capítulo final ruim, apressado, simplista, renegando o que fez a série ser tão boa. Decepção total pra mim.

O erro foi anunciado a cada episódio em que, em vez de avançar, a história andava em círculos. Por terem enrolado antes, correram como loucos no final.

Flopou. Fiquei muito decepcionado com a correria, com as pontas mal amarradas, com os efeitos digitais ruins, as soluções arrumadas de acordo com a conveniência dos escritores (ou preguiça deles de pensar em algo melhor).

Houve momentos em que você dava uma risada involuntária e outros em que você simplesmente ficava se perguntando por que aquele personagem fez isso ou aquilo?

Alguns exemplos (com spoilers…) depois da quebra…

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Esqueceram de mim

Quando entrou na Marvel anos atrás, Joe Quesada parecia tão promissor. E realmente, sob seu comando, a empresa viveu uma verdadeira renascença, com ótimos escritores e desenhistas criando histórias bacanérrimas.

Mas, se há um personagem que é a marca da Marvel, é o Homem-Aranha. E o Aranha, coitado, sofreu nas mãos de Quesada.

Nos últimos anos, no desespero de mexer no personagem e fazer com ele algo novo, Quesada, por meio dos autores contratados, fez algumas enormes confusões. Vejamos exemplos:

1.  Peter descobre que seus poderes não vêm de um acidente atômico (ou genético, pela atualização de sua origem), mas sim de uma linhagem de homens-aranha que existem há muuuuuuitos anos.

2. Gwen Stacy, aquela namorada linda e sem sal que morreu nas mãos do Duende Verde, teve dois filhos (!) com Norman Orborn (!!), o Duende Verde. Os dois cresceram de forma acelerada e, em cinco anos, pareciam ter uns 20. Achavam que Peter Parker era seu pai e que teria matado sua mãe e… Ah, captou, né?

3. Peter e Mary Jane não se casaram e os, sei lá, últimos 20 anos da mitologia do personagem foram apagados por Mefisto, um demônio que não tem nada para fazer e fica brincando com a vida dos super-heróis sempre que um roteirista precisa de uma saída estapafúrdia para resolver uma idéia idiota qualquer

Veja só que todas as mudanças são retcons. Esse termo se refere a RETroativamente mudar a CONTinuidade de um personagem. Há formas e formas de fazer isso. Nos casos 1 e 2, os fatos presenciados por Peter não mudaram, mas havia situações ao redor deles desconhecidos do personagem e de nós que mudam completamente o presente. Assim, Peter continua mordido por uma aranha num experimento científico. Apenas ocorre que a Aranha tinha uma origem mágica (!?). Ou ainda, Gwen Stacy utilizou sua viagem à Europa não para descansar e curtir, mas para crescer seu barrigão e ter um casal de gêmeos (!?$@??$#!?!%%?!?!?!?!?!$#$#$@$@!$… whathef**ck!?!?!).

O caso 3 é bem mais complexo. Afinal, ele pega diversos eventos e diz que alguns deles não aconteceram, outros foram modificados yada yada yada. Uma zona total. Os editores estão dando entrevistas, o ex-escritor da série (J. Michael Straczinski) diz que estava cumprindo ordens do editorzão na hora de escrever essas excrescências e os leitores com um mínimo de senso crítico estão sacaneando de todos os jeitos que podem.

O que aconteceu em torno disso tudo foi que Quesada queria porque queria separar Peter e Mary Jane. Ele considera o casamento do Aranha um erro criativo enorme, porque o herói casado se afasta do leitorado mais jovem. Como eu não sou editor da revista do Aranha e não preciso me preocupar com a saúde da franquia, é muito fácil pra mim discutir os rumos criativos. Eu não preciso me preocupar com vendas nem com pesquisas. Só me importo com a qualidade das histórias. E nem durante a saga do clone fiquei tão irritado com os rumos criativos do Aranha.

Então, de novo, como eu não preciso me preocupar com vendas nem outros índices a respeito da revista do Aranha, posso dar minhas opiniões a respeito dos rumos criativos do personagem.

Pra mim, alegar que Peter casado o afasta dos leitores é ridículo. O personagem “vive” em múltiplas plataformas. Ele está em gibis para crianças com histórias mais simples, em revistas para um público mais jovem (ou nostálgico, em muitos casos) nas quais ainda é um adolescente e tem lá suas namoradas, em sua revista tradicional na qual é casado, nos filmes em que já tem seus 20 anos e ainda namora Mary Jane e nos desenhos onde a cada encarnação tem alguma nova particularidade. Ah sim! Há as tirinhas de jornal que eu não tenho a menor idéia de como estão…

Cada uma dessas plataformas pode ser vendida a um público diferente. Em cada uma delas, o personagem vive linhas temporais completamente diferentes.  Há quem leia tudo e quem só leia esta ou aquela versão. Pra mim, o título tradicional do personagem poderia ser aquele em que ele nunca pára de evoluir. Em que envelhece e vai investigando o que é ser um super-herói aos 20, aos 30, casado, divorciado, viúvo, gordo, magro etc. Ali, o Homem-Aranha deveria seguir sua vocação de ser o personagem que investiga essas metáforas da vida real sob a lente dos superpoderes e das responsabilidades.

Todos sabem que uma fatia enorme do leitorado dos quadrinhos envelheceu. Eu sou um deles. Para me manter interessado, a Marvel precisa de histórias que me mantenham envolvido com seus personagems. A cada reboot desses, ela afasta o Aranha de gente como eu. Talvez isso faça sentido. Talvez seja como as lojas que não têm roupas GG porque os donos dessas grifes não querem ver seus trajes sendo vestidos por gente gorda. Quem sabe essas mudanças sejam, no bottomline da Marvel, boas. Possivelmente, trazem novos leitores, aumentem as vendas. Quem sabe? (Bem… Vamos saber logo, quando os números de venda aparecerem)
Só sei que o Homem-Aanha foi meu herói de infância. Que eu adoro o personagem e o conceito por trás deles. Mas fui abandonado pelos seus autores. É uma pena. Ia ser o máximo se a Marvel criasse uma revista do Homem-Aranha pra mim.

Caminhos do Coração não tem rumo nem sentido

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Novela é ruim por definição. É corrida, mal dirigida, mal iluminada, com diálogos repetitivos e tudo mais. A gente diz que as novelas da Rede Globo são boas… Claro. Comparadas com as novelas de outros países, as da Globo são sensacionais.

Aí entra a Record com milhões de dólares dizendo que vai fazer e acontecer e… Cria Caminhos do Coração, uma novela incrivelmente, inapelavelmente ruim.

Eu cubro entretenimento e escrevi sobre TV aberta intensamente três anos, incluindo, claro, novelas. Então, tenho o hábito de ver pelo menos alguns capítulos. Tenho um hábito ainda pior… Ver TV ruim só por ver, só para comentar, para me impressionar com como é possível descer tão fundo.

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