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Quem come a câmera, e quem passa batido…

Olhe bem essas fotos que saem na GQ americana este mês, em um ensaio bacana de Terry Richardson. As imagens ilustram com perfeição uma máxima irrevogável do mundo artístico: certas pessoas simplesmente COMEM a câmera. São perseguidas por ela. São desejadas pelas lentes. Outras, por mais lindas, por mais perfeitos que sejam seus corpos, simplesmente se apagam.

Lea Michele é magrinha, sem grandes atrativos. Mas a câmera ama a moça. Diana Agron, linda de morrer, se apaga. Não tem presença nem personalidade.

A beleza real. Mesmo. De verdade. Juro.

O The Point é um site em que as pessoas criam campanhas, idéias, propostas e tentam juntar uma massa crítica capaz de tornar aquilo realidade. O nome do site vem do termo tipping point, que deu nome ao livro do Malcolm Gladwell.

Hoje, recebi uma newsletter dos caras me chamando atenção para essa campanha: Show Our Beauty: A Challenge to Women’s Magazines

Essa campanha é engraçada porque foca no Photoshop, mas se esquece que, embora poderoso, o programa de retoque de imagens é mais um recurso de pós-produção. Será que poderíamos fazer uma revista inteira sem alteração nos corpos femininos? Mas, se isso é tão importante, vamos excluir a maquiagem embelezadora! Vamos publicar imagens de pessoas sem batom, sem nenhum recurso clássico. Por que, se o negócio é a real beleza, por que não ir até o fim e ver no que dá?

No caso de uma revista como a Época São Paulo, isso não é um grande problema. Naturalmente, em vários momentos, a gente publica retratos de pessoas não maquiadas. A maior parte do tratamento de imagem serve para equilibrar cores, luz, regular tudo para que a imagem impressa na gráfica seja mais fiel ao que foi registrado pelo fotógrafo. Ou ainda, dentro do contexto de alguma reportagem, se comunique com algum conceito específico. Mas para as revistas femininas, isso é um dilema real. Como falar de beleza para mulheres abdicando dos retoques?

Olha, eu confesso que eu compraria pelo menos um exemplar dessa revista sem retoques para ver como ficou. Mas existe um não-jornalista que queira ler isso? Você compraria uma revista assim?