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Homem de Ferro é boa surpresa

Que surpresa agradável esse Homem de Ferro, hein! Fui ver esperando pouco e dei de cara com um filme redondo, todo encaixadinho, divertido, bem feito. Talvez por isso tudo, seja um filme sem assinatura. John Favreau, o diretor, faz tudo certinho. Até demais.

A grande virtude do filme está no elenco impecável. Roberto Downey Jr. é a alma. Diferente de Tobey Maguire em Homem-Aranha, que pode ser trocado sem grandes problemas, é difícil imaginar Homem de Ferro sem Downey Jr. Perfeito. Jeff Bridges é um vilão de primeira. Aparece pouco e bem. Os efeitos são impecáveis.

Homem-Aranha tinha uma das melhores cenas de beijo da história do cinema, HdF traz uma cena também muito legal. Quando Tony chama Pepper (Gwyneth Paltrow) para ajudá-lo a trocar seu gerador-coração, surge uma daquelas situações metafóricas em que o mocinho dá à mocinha o acesso irrestrito a uma parte dele que andava esquecida. É genial. Tony está num momento absolutamente frágil e chama a única pessoa no mundo na qual confia. O que se segue é Pepper tocando em seu peito, hesitante, meio que sem saber onde as coisas iam parar. É então que ela conserta o que estava com defeito. Naquele momento, Tony e Pepper estão destinados a ser um do outro. Coisa pro segundo filme.

Homem de Ferro é um personagem que os meninos curtem. Toca fundo na nossa fascinação por gadgets e engenhocas eletrônicas, máquinas velozes. E, sim, não saia do cinema antes do fim dos créditos. Tem uma cena incrível que os marvetes não podem perder.

Esqueceram de mim

Quando entrou na Marvel anos atrás, Joe Quesada parecia tão promissor. E realmente, sob seu comando, a empresa viveu uma verdadeira renascença, com ótimos escritores e desenhistas criando histórias bacanérrimas.

Mas, se há um personagem que é a marca da Marvel, é o Homem-Aranha. E o Aranha, coitado, sofreu nas mãos de Quesada.

Nos últimos anos, no desespero de mexer no personagem e fazer com ele algo novo, Quesada, por meio dos autores contratados, fez algumas enormes confusões. Vejamos exemplos:

1.  Peter descobre que seus poderes não vêm de um acidente atômico (ou genético, pela atualização de sua origem), mas sim de uma linhagem de homens-aranha que existem há muuuuuuitos anos.

2. Gwen Stacy, aquela namorada linda e sem sal que morreu nas mãos do Duende Verde, teve dois filhos (!) com Norman Orborn (!!), o Duende Verde. Os dois cresceram de forma acelerada e, em cinco anos, pareciam ter uns 20. Achavam que Peter Parker era seu pai e que teria matado sua mãe e… Ah, captou, né?

3. Peter e Mary Jane não se casaram e os, sei lá, últimos 20 anos da mitologia do personagem foram apagados por Mefisto, um demônio que não tem nada para fazer e fica brincando com a vida dos super-heróis sempre que um roteirista precisa de uma saída estapafúrdia para resolver uma idéia idiota qualquer

Veja só que todas as mudanças são retcons. Esse termo se refere a RETroativamente mudar a CONTinuidade de um personagem. Há formas e formas de fazer isso. Nos casos 1 e 2, os fatos presenciados por Peter não mudaram, mas havia situações ao redor deles desconhecidos do personagem e de nós que mudam completamente o presente. Assim, Peter continua mordido por uma aranha num experimento científico. Apenas ocorre que a Aranha tinha uma origem mágica (!?). Ou ainda, Gwen Stacy utilizou sua viagem à Europa não para descansar e curtir, mas para crescer seu barrigão e ter um casal de gêmeos (!?$@??$#!?!%%?!?!?!?!?!$#$#$@$@!$… whathef**ck!?!?!).

O caso 3 é bem mais complexo. Afinal, ele pega diversos eventos e diz que alguns deles não aconteceram, outros foram modificados yada yada yada. Uma zona total. Os editores estão dando entrevistas, o ex-escritor da série (J. Michael Straczinski) diz que estava cumprindo ordens do editorzão na hora de escrever essas excrescências e os leitores com um mínimo de senso crítico estão sacaneando de todos os jeitos que podem.

O que aconteceu em torno disso tudo foi que Quesada queria porque queria separar Peter e Mary Jane. Ele considera o casamento do Aranha um erro criativo enorme, porque o herói casado se afasta do leitorado mais jovem. Como eu não sou editor da revista do Aranha e não preciso me preocupar com a saúde da franquia, é muito fácil pra mim discutir os rumos criativos. Eu não preciso me preocupar com vendas nem com pesquisas. Só me importo com a qualidade das histórias. E nem durante a saga do clone fiquei tão irritado com os rumos criativos do Aranha.

Então, de novo, como eu não preciso me preocupar com vendas nem outros índices a respeito da revista do Aranha, posso dar minhas opiniões a respeito dos rumos criativos do personagem.

Pra mim, alegar que Peter casado o afasta dos leitores é ridículo. O personagem “vive” em múltiplas plataformas. Ele está em gibis para crianças com histórias mais simples, em revistas para um público mais jovem (ou nostálgico, em muitos casos) nas quais ainda é um adolescente e tem lá suas namoradas, em sua revista tradicional na qual é casado, nos filmes em que já tem seus 20 anos e ainda namora Mary Jane e nos desenhos onde a cada encarnação tem alguma nova particularidade. Ah sim! Há as tirinhas de jornal que eu não tenho a menor idéia de como estão…

Cada uma dessas plataformas pode ser vendida a um público diferente. Em cada uma delas, o personagem vive linhas temporais completamente diferentes.  Há quem leia tudo e quem só leia esta ou aquela versão. Pra mim, o título tradicional do personagem poderia ser aquele em que ele nunca pára de evoluir. Em que envelhece e vai investigando o que é ser um super-herói aos 20, aos 30, casado, divorciado, viúvo, gordo, magro etc. Ali, o Homem-Aranha deveria seguir sua vocação de ser o personagem que investiga essas metáforas da vida real sob a lente dos superpoderes e das responsabilidades.

Todos sabem que uma fatia enorme do leitorado dos quadrinhos envelheceu. Eu sou um deles. Para me manter interessado, a Marvel precisa de histórias que me mantenham envolvido com seus personagems. A cada reboot desses, ela afasta o Aranha de gente como eu. Talvez isso faça sentido. Talvez seja como as lojas que não têm roupas GG porque os donos dessas grifes não querem ver seus trajes sendo vestidos por gente gorda. Quem sabe essas mudanças sejam, no bottomline da Marvel, boas. Possivelmente, trazem novos leitores, aumentem as vendas. Quem sabe? (Bem… Vamos saber logo, quando os números de venda aparecerem)
Só sei que o Homem-Aanha foi meu herói de infância. Que eu adoro o personagem e o conceito por trás deles. Mas fui abandonado pelos seus autores. É uma pena. Ia ser o máximo se a Marvel criasse uma revista do Homem-Aranha pra mim.

Aranha se embriaga com a fama

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Homem-Aranha 3 traz um monte de vilões chatos, feios e bobos. Mas o grande malvadão do filme é o ego inflado do personagem-título. Estamos na era do You Tube, da fama instantânea, dos reality shows. Todos querem ser famosos, porque Peter Parker estaria imune a isso tudo? Ainda mais fazendo o que ele é capaz de fazer…
Com uma tema tão interessante, tinha tudo para ser o melhor filme de super-herói de todos os tempos. Mas Sam Raimi resolveu fazer tantas coisas ao mesmo tempo que acabou minando o que poderia ser um ótimo filme.

Há uma profusão alarmante de personagens e história simultâneas e eu tive essa sensação nítida quando assisti a uma prévia em Los Angeles no final de fevereiro. Mas ali, com apenas cenas reunidas sem muito critério, havia a necessidade de dar ao diretor o benefócio da dúvida. Quando eu vi o filme duas semanas atrás fiquei beeeem decepcionado com o resultado final.
Mas, considerando que o Homem-Aranha 3 é legal e divertido, o que está errado de verdade?

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Ela voltou

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Detalhe da capa do segundo número da série de Buffy

Quando eu soube que Joss Whedon escreveria uma série de revistas em quadrinhos contando o que seria uma virtual oitava temporada de Buffy – A Caça-Vampiros, fiquei insuportavelmente ansioso. O engraçado foi que, em algum momento, parei de procurar pelos gibis. Agora comprei os dois primeiros e posso dizer que são muito promissores.

Mas antes, uma observação importante. Apesar do que muita gente pensa, Buffy não é uma série trash. É um dos seriados mais elogiados da última década. Não ganhou Emmys, nem Globos de Ouro, porque seriados fantásticos raramente ganham esses tipos de prêmio. E porque uma série com um nome idiota e uma temática teen seria tão legal assim? Porque usou a roupagem do pop para metaforizar a entrada de qualquer adolescente na vida adulta. Em outros programas, os personagens são “zerados” a cada cinco ou seis anos para que um novo grupo de adolescentes surja na high school e viva tudo aquilo de novo, tentando se conectar com esse público. Ao ir atrás da metáfora em vez do literal, Buffy penetrou na adolescência icônica dos adultos e conquistou um público completamente diferente dos adoradores de bobagens adoráveis como The OC ou os primeiros anos de Barrados no Baile.

Com Angel, a história foi outra. Diferente de Buffy, Angel não tinha a mesma pegada. Era mais aventuresco, mais sobre os perigos da vida adulta, sobre as responsabilidades e sobre estar sozinho no mundo contando só com seus amigos. Menos icônico, mas longe de ser ruim.

A principal dificuldade de Joss Whedon será achar uma temática relevante. Encontrar algo que faça Buffy continuar ressonando com seu público e que vá além da simples curiosidade de fãs apaixonados que sentem saudades da heroína. Se achar esse tema, Buffy pode ir além dessa oitava temporada. Se não… Bem, terá sido ótimo vê-la novamente, mas acho que o melhor seria ter Buffy guardada na memória e cristalizada nas minhas adoradas coleções de DVDs.

As Garras Selvagens de Wolvie

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Nos anos 70 e 80, era uma mania ler as aventuras de Conan, que chegou a encontrar-se com o Homem-Aranha (ok, a guerreira Sonja usou o corpo de Mary Jane também, fazer o quê?). Eram revistas nas quais você acompanhava o bárbaro cimério viajando pelo mundo em diversas fases de sua vida. A revista-símbolo desta época é “A Espada Selvagem de Conan”, lançada pela Abril na década de 80.

O bárbaro dos anos 80, 90 e agora 2000 parece mesmo ser Wolverine. O cara aparece em um punhado de revistas, consegue estar nos Vingadores e nos X-Men ao mesmo tempo e ainda ganha uma nova série que, no estilo “Espada Selvagem”, segue suas aventuras em diversos momentos de sua vida. É a ânsia da Marvel de sugar o personagem mais um pouquinho e agora prometendo amarrar todas as pontas soltas deixadas por décadas. Então, se você adora o bárbaro mutante, mal pode esperar por “Wolverine: Origin”. Se vai ser boa é outra história…

Dizendo isso, me toco que faz tempo que esse site está tomado por impressões e comentários, eu vi um monte de filmes e me abstive de comentar, sei lá porque. As boas e velhas sugestões de filmes, livros e quadrinhos vão voltar porque eu estou com vontade de falar disso de novo. É simples assim.

Tintin gay?

Deu na “Veja”: Aventura homossexual de Tintin causa indignação na Bélgica

Peraí. E ele não era gay não? Eu sempre achei Tintin maneiro e coisa e tal. Mas o menino sempre me pareceu meio estranho.

Agora, que é um item de colecionador muito bacana, lá isso é.

E pensar que, se eu soubesse desenhar, eu teria feito uma revista erótica da Mary Jane, da Mulher-Maravilha, da Mulher Gato, da Mulher Hulk…

Quadrinhos não são coisa para criança. Mesmo.

Cresci lendo um monte de histórias em quadrinhos de todos os tipos e ouvindo que HQs eram coisa de criança. Como na época eu era criança, isso me incomodava muito e, afinal, de certa forma, era verdade, né?Mas a década de 90 criou uma distorção interessante nesse negócio. Com videogames, internet e todas as facilidades dos gadgets que qualquer moleque de classe média pode ter, não são mais as crianças que lêem HQs. São os adultos.

Surpreso?

Não devia estar. É simples. Quem lia revistas em quadrinhos quando era moleque, cresceu e continuou lendo, mas normalmente abandonou muitas das porcarias que lia naquele tempo. O resultado é um consumo menor e mais seletivo. Com isso, aliado a uma estratégia estúpida dos norte-americanos de parar de distribuir HQs em bancas e partis para lojas especializadas, o negócio ruiu. Nunca as revistas tradicionais foram tão pouco lidas quanto atualmente.

Um conhecido meu que edita uma das principais revistas de informação voltada ao público jovem analisa que os videogames tomaram o lugar dos quadrinhos no imaginário do jovem de hoje. Por que acompanhar as aventuras do aranha se, comprando um Playstation e o cartucho do jogo do personagem eu posso ser ele? Assim, as editoras de HQs norte-americanas se transformaram em produtoras e mantenedoras de franquias pensadas com o único objetivo de se tornar lancheiras, videogames, cadernos e brinquedos.

Como não entram mais tantos jovens nesse circuito como antes, o público não se renova o suficiente e tende apenas a diminuir. E diminuiu mesmo. O mercado encolheu tanto que revistas que costumavam ser campeões de vendagem, com até um milhão de exemplares vendidos em certos grandes eventos, hoje se esforçam para chegar às 100 mil cópias.

Sobraram os velhos como eu, que ainda apreciam ler histórias neste formato tão saboroso e tradicional. São velhos que têm o coração infantil ainda, é verdade, e tentam manter contato com esse romantismo lendo seus velhos heróis.

Mas, cá entre nós, algumas revistas estão tão ruins que até nós estamos abandonando esses nossos heróis. Então que fim levarão eles?