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Na EW: Capitão America

A idéia por trás de um idealista que luta pela liberdade é muito legal… E absolutamente inverossímil. Eu acredito mais nos poderes do Homem-Aranha do que na possibilidade da existência de uma pessoa íntegra como o Capitão.

Mas dito isso, guardo algumas histórias incríveis do personagem na memória. De repente, rola um filme legal. Digamos que ser dirigido por Joe Johnston não é lá muito promissor, mas é o que temos…

Wolverine não foi feito pra mim

Pronto. O filme estreou, né? Ufa, agora todo mundo pode conferir que foi feito pra garotos de 13, 14, 15 anos vá lá (ou pro garoto dessa idade que existe dentro de você, caso esteja a procura de uma saída romântica pra essa situação). Todos esses filmes de super-heróis são idealizados com escapismo puro (Watchmen tentou ir um pouco além e deu no que deu). Mas é que eu fico incomodado quando fazem um filme com um roteiro tão furado, em que os personagens só toma atitudes estúpidas, esperando que os espectadores não notem o quanto eles são imbecis. Ou seja, estão achando que você, jovem de 15 anos, é uma besta, estarão certos?

E, by the way, eu assisti as duas cópias. A do cinema e sem efeitos e coisa do gênero. Pelo menos a sem efeitos tem alguma curiosidade pra manter meu interesse. O filme finalizado acaba sendo mais constrangedor.

Heroes voltou. Continua ruim de dar pena.

Heroes nunca foi genial. Era divertido porque, afinal, fala de super-heróis. Mas misturava tosqueira mal resolvida com momentos bacanas. Sempre foi desigual, é isso. De-si-gu-al. Achei o termo.

A segunda temporada terminou mal. Uma bobajada enorme. O principal motivo dessa ruindade é a total falta de consideração dos escritores com a inteligência do espectador. Os personagens são burros. Agir com inteligência é exceção. Eles não usam os poderes de algum jeito bacana, só tomam as decisões erradas e só fazem burrada.

E sabe por quê?

Querido leitor. Eles fazem burrada o tempo todo porque a série é escrita tendo em mente somente  a grande história planejada pelos roteiristas. Se um personagem precisa fazer algo para avançar a séria na direção da tal trama grandiosa dos roteiristas, ele vai fazer. Mesmo que seja algo que contrarie toda a lógica sobre a qual tal personagem foi construído.

É isso que me faz achar Heroes uma série babaca. Essa sensação de que, toda vez que os escritores esbarram num problema lógico, alguém diz: “dane-se, é uma série de super-heróis. Não precisa de lógica”. Azar o do espectador.

Assim, o Peter Petrelli do futuro, em vez de conversar com seu irmão sobre não revelar ao mundo a existência dos heróis, algo que ele sabe que causará um apocalipse, resolve dar-lhe um tiro. Como assim? “Ah, é uma série de super-herois. Cale a boca e continue assistindo.” As inconsistências vão se empilhando. Nada faz sentido. Tudo, tudo poderia se resolver de formas muito simples. Mas ninguém, nunca, toma uma decisão certa.

Suresh, por exemplo. É o gênio mais burro do mundo. Ele é sagaz o suficiente para inventar um soro fodão em algumas horas, mas imbecil a ponto de testar nele mesmo, no meio das docas de Manhattan. Nada de ambiente controlado, de registros e anotações. Nada de testes em cobaias primeiro. O cara injeta nele mesmo um soro experimental completamente imprevisível. Pode tanto ganhar o poder de subir pelas paredes quanto o de virar um bomba nuclear. Ainda assim, testa completamente às cegas. ELe não está pressionado pelo tempo. Ninguém está morrendo. Não ele é só um perfeito imbecil de carteirinha gold. Não faz sentido. Nada faz nessa série ridícula. Uma afronta à inteligência de quem assiste. E, pior, eu volto pra ver mais! Eu me odeio. Yabu, me ajuda!!!

Batviral


(Foto de Rubens Carvalho/Folha Imagem)

Eu adoro virais. O conceito. Mas odeio virais, na aplicação, no sentido de que se aproveitam de uma certa inocência de quem vai embarcando em notícias fabricadas.

Alguém me perguntou se esses batsinais são virais. Não, né? São uma espécie de cartaz do filme adaptado a uma São Paulo pós-cidade limpa. E que cartaz.

Dá-lhe guerrilha. A estratégia de divulgação do Batman é genial.

O filme vai bater todos os recordes de bilheteria. Depois, vale falar melhor sobre essa indústria dos recordes e de como, até nisso, há um planejamento de guerrilha pra conseguir manchetes que vão ajudar a alimentar o sucesso do filme.

O melhor filme de super-herói de todos os tempos

Hoje Batman – O Cavaleiro das Trevas chega aos cinemas, depois de sei lá quantas pré-estréias para convidados, blogueiros, médicos, advogados, vendedores de pipoca, you name it.

Tem resenha demais por aí, então vou ser sucinto e enumerar o que eu achei que vale destacar:

1. A música. Ótima, tensa, onipresente. Ela está lá o tempo todo te arrepiando, criando uma atmosfera de pesadelo
2. O roteiro de estrutura meio fora do padrão. Quando você acha que sabe pra onde o filme está indo, vem uma bola de efeito e te joga em outra direção.
3. Heath Ledger merece cada segundo, byte, centímetro de destaque, mas o elenco todo é ótimo. Do goleiro ao ponta esquerda. Há um monte de atores legais em papéis grandes ou pequenos.
4. Campanha viral sem precedentes. Nesse ponto, a Warner foi genial. Entendeu o tipo de espectador e criou uma estratégia de divulgação que torna o filme onipresente. Só se fala em Batman. Se o filme flopasse (não vai), seria uma decepção completamente incompreensível.

Ah. Tem pontos fracos. São pontuais:

1. Achei legal a idéia de que o Batman distorce a voz, como parte de seu disfarce e para assustar os malfeitores. Hum, boa idéia quando ele apenas tem que dizer frases de efeitos que vão assustar vilões supersticiosos. Mas um desastre quando ele precisa se engajar em algum diálogo. Aí, meu filho, não tem jeito. Me dá vontade de rir.
2. Longo demais. Você sente que algo saiu do trilho lá por volta de 125 minutos de projeção. No entanto, depois, quando o filme se solidifica na sua cabeça, isso é menos incômodo.
3. Não me incomodo com coisas malucas como o Batman saindo misteriosamente de lugares onde sair misteriosamente seria impossível. Mas nesse filme há momentos, sempre com o Coringa no centro, que são furados demais. Como ele consegue explodir a delegacia estando dentro e sai ileso? Como diabos ele soube que as duas barcas teriam aquela divisão perfeita entre civis inocentes e presidiários? E pior: a logística de instalar explosivos ali…
4. O final tem diálogos horríveis e uma sequência com o Batman correndo dos policiais que parece tirada de um filme amador. Ai, ai…

Deve ter mais. Se eu lembrar, vou adicionando aqui. :)

Os novos clássicos

A Entertainment Weekly é aquela revista que virou meio que uma referência do que uma pop-mag deve ser. É, claro, referência  mainstream. Mas não conheço nada melhor nesse segmento (ok, Rolling Stone, não chore).

Algumas semanas atrás, saiu uma daquelas capas deliciosas em que a revista olha para o último quarto de século e se mete a atualizar a lista de eternos clássicos com a produção mais recente.

Então, surgem videogames, seriados, filmes, livros e músicas contemporâneas chutando a porta do panteão da cultura popular. A lista, claro, traz um monte de absurdos, mas joga a luz sobre várias coisas legais que você ignora porque engole o que é clássico, definido por gerações anteriores. Eu sempre faço esse exercício de imaginar o que será clássico em 2050, e você?

Vai daí que a revista estava no meio da minha pilha de pendências, porque eu me mudei semanas atrás e ainda estou arrumando a casa. E só neste fim-de-semana eu consegui ler.  Devorei, claro.

Já que estamos falando de novos clássicos, outra capa show de bola é sobre o Batman, de duas semanas atrás. Eu vi o filme na semana passada e babei. As capas da inglesa Total Film e da EW ajudam da dar dimensão ao quanto o filme é sensacional. Aliás, as primeiras resenhas já dão uma idéia da qualidade do filme de Christopher Nolan. O Giron, da Época, definiu o filme pra mim: “Parece uma ópera!”.