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Extra! Extra!

Esqueci de botar aqui o Metro de quinta-feira, com um facsímile do New Frontiersman, o tablóide que permeia a narrativa de Watchmen.

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Aliás, aconteceu uma daquelas coisas sensacionais no metrô. Eu saí do trem e olhei pra trás, para ver se não tinha deixado nada no banco. E vi cinco pessoas, uma do lado da outra, lendo o mesmo jornal com o mesmo anúncio do Watchmen aparecendo na última página. Saquei o celular correndo, acionei a câmera… e o trem saiu!! Que raiva! Era um daqueles flagrantes únicos. Completamente natural e real e eu não consegui.

De olho nos hômis!!

Aqui estou eu discutindo business plans, websites, conteúdos com gente do mundo todo. São chineses, libaneses, chineses, alemães, indianos, iranianos, chineses, sérvios, alemães, chineses, indianos, russos… Chineses.

Vai que estava mostrando um site criado para o público feminino e no topo está um banner promovendo a estréia de Watchmen. O filme. Você sabe qual é.

Aí, um dos meus colegas, que era chinês, olha pro banner e diz. “Viu? Isso é o tipo de coisas que as mulheres se interessam. Watch men (ficar de olhos nos homens).” Não. Não era uma piada. Não era uma maronada (piada interna, foi mal. Um dia eu explico). Eles não conhecem a HQ, o filme, nada do gênero (e não são obrigados a conhecer).

O ponto engraçado disso é que você se acostuma a estar cercado por gente que gosta do que você gosta e conhece o que você conhece. E se ver com pessoas que têm preferências completamente diferentes das suas é algo no mínimo curioso.

Então vocês sabem o que fazer agora, mulheres. Watch men!!

Bat-Mangá, mais uma de Chip Kidd

Inside The Batcave

Ele manda muito bem. Já perdi a conta das coisas legais que eu vi dele por aí. Em Bat-Manga, Kidd resgata as histórias do Batman produzidas no Japão nos anos 60. O livro é genial. Também dele, comprei no ano passado o sensacional Watching the Watchmen, em que Dave Gibbons conta os bastidores da criação dele e de Alan Moore nos anos 80.

Antes disso, me acabei em Chip Kidd: Book One, em que ele faz uma retrospectiva de suas criações mais bacanas.

Mais Watchmen

Peraí. Antes de tudo, veja o trailer.

Voltou? Então posso começar a falar. Obviamente, ainda falta muito, o filme não está pronto e ver cenas aos pedaços é uma armadilha. Mas o fato é que as três sequências que eu vi hoje de Watchmen me impresionaram bastante. Ao mesmo tempo, vi alguns defeitos preocupantes. Vou tentar sintetizar.

Bom, para começar, todo mundo se reuniu em um cinema no centro de Londres. Uma multidão de jornalistas provavelmente de toda a Europa que lotou um saguão enorme em que foi servido um café da manhã. Num canto, um monte de cupcakes com o indefectível smiley marcado de “sangue”.

O diretor Zack Snyder (com Dave Gibbons, o desenhista de Watchmen ao seu lado. Alan Moore, claro, ausente. Ele odeia as versões cinematográficas de seus quadrinhos) apresentou as cenas e comentou cada uma delas, encaixando no contexto. Ele começou pelo… início.

Cena 1:

O comediante está em casa vendo TV quando alguém invade o apartamento e o ataca. Segue uma cena de luta em que a dupla destrói o apartamento até o momento em que o personagem é jogado pela janela.

Funciona: Atualmente, ninguém filma cenas de luta como Snyder. Ele consegue mostrar cada golpe sem o estilo câmera tremida que alguns diretores adoram porque, afinal, “fights are messy” (“lutas são momentos bagunçados”). Com o controle perfeito do tempo de cada movimento, ele faz você segurar o fôlego e soltar na hora mais cinética do golpe. Ele desenvolveu esse estilo no histérico 300 e agora leva a um novo nível em Watchmen.

Faiô: A maquiagem é ruim. Não tem jeito. ELes querem que Jeffrey Dean Morgan pareça ter quase 60 anos e colocam uma maquiagem que não convence. Além disso, a cena de luta é longa demais. Eu não sou purista, não me incomodo com mudanças de narrativa, mas o fato é que no original, entrecortado como se fossem flashes que sugerem como foi que o Comediante morreu, ficou melhor. (atualizado: me ocorreu que umas manchas toscas que eu vi sejam marcas sobre as quais eles vão colocar a verdadeira cicatriz feiosa do Comediante. Mas mesmo assim, a maquiagem ficou falsa no geral)

O Comediante cai para a morte, sangue no chão (que é digital e, nesse preview, estava muito fake, só posso imaginar que o final vai ser melhor), o smiley cai também e começam os créditos de abertura. Esses sim, sen-sa-cio-nais. Ao som de The Times They Are A-Changin’, do Bob Dylan, começa uma montagem que vai nos mostrando o que aconteceu nas décadas anteriores. Não vou contar tudo, mas passa pela morte do Kennedy (adivinha quem assassina ele?), Ozzymandias cumprimentando o David Bowie na época do Ziggy Stardust, mostra o homem chegando à lua… filmado pelo Dr. Manhattan e vai nos levando aos anos oitenta, quando a ação do filme acontece. Tem mais, muito mais. É uma montagem riquíssima, cheia de detalhes de tirar o fôlego, vai ser vista, revista e comentada por um bom tempo.

Funciona: Tudo.
Faiô: Nada.

Cena 2: Caramba. Só vou resumir em: origem do Dr. Manhattan. Saca o clima desse capítulo? Então você pode imaginar a cena, porque o Snyder transferiu essa sensação. Ele está em Marte e repassa sua vida. O acidente, a aliança com o governo, o momento em que se apaixonou pela Silk Spectre, o castelo se montando em Marte… Está tudo, tudo lá. Em movimento e em cores. (Atualização: Como a sequência não está completa, não deu para ver se ele vai conseguir alcançar aquele ritmo perfeito da HQ, em que o personagem “salta” no tempo, mostrando que tudo está acontecendo agora para ele)

Funciona: Ô. Dr. Manhattan. Azul. Desmontando e remontando. Pulando no tempo. Sendo adorado pelos vitetcongues. Incrível (dá-lhe adjetivos. Objetividade zero, deu para notar?)
Faiô: Como assim?

Cena 3: Nite Owl tem simplesmente a Silk Spectre na cama e não consegue dar conta. Está com, errr…, problemas de ereção e, puxa, estamos a alguns anos da chegada do Viagra ao mercado. Então, para conseguir recuperar seu mojo (acredite, parte dessa explicação foi dada pelo próprio Snyder, arrancando gargalhadas do público) ele e a Silk Spectre resolvem ir resgatar o Rorschach da penitenciária. O que segue é uma sequência de luta naquele estilo Zack-Fu. Cinética, dramática, exagerada e muito legal. Eles encontram o Rorschach, que está se vingando de um desafeto…

Funciona: Zack-Fu sempre é legal. É dramático, é maior do que a vida. É uma cascata só. Silk Spectre é, fácil, a mulher mais gostosa do ano que vem. Aquele corpo, naquelas roupas, porrando um monte de caras é um negócio de louco.

Faiô: Rorschach é sempre fake e exagerado, com umas falas que soam forçadas. Outra coisa que me incomoda muito é o fato de que o Nite Owl não parece ter engordado, como aconteceu nos quadrinhos.

O resultado geral é promissor. Na única pergunta que eu consegui fazer durante a confereência, o Zack disse que o filme do cinema terá 2h30min mais ou menos e que o DVD contará com uma versão extendida de cerca de três horas e meia. Com direito aos desejados e esperados piratas de Contos do Cargueiro Negro e a um documentário sobre Hollis Mason, o primeiro Nite Owl, entre outras coisas bacanas que estão reservadas.

E, sim, ele mudou o final, mas não entrou em detalhes. Vamos ter que esperar pra ver o que vai rolar. Da minha parte, posso dizer que o final, pra mim, a criatura da quinta dimensão, sempre foi o lado bobo. Eu nunca gostei daquilo, que é meio que uma brincadeira do Moore com Além da Imaginação.

Bom, se eu lembrar de mais alguma coisa legal, conto depois.

Agora vou dormir que o dia foi cheio.