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Bons reflexos, hein!

Eu ia fazer, atrasado, claro, a piadinha sobre como o presidente Bush tem bons reflexos. Mas quando fui procurar o video no You Tube pra embutir aqui vi que todo mundo já falou disso.

Eu fico pensando na raiva do Iraquiano. O presidente foi lá e invadiu o país dele. Nem quando o cara está por baixo, quase saindo enxotado da Casa Branca, ele consegue o que seria um momento histórico para seu povo. Porque ia ser uma imagem histórica o vídeo do sapato gasto de um iraquiano pegando em cheio a cara de um presidente americano que ordenou a invasão do seu país usando justificativas falsas e infundadas. Mas ele errou. Ou melhor, Bush se esquivou. De mais uma.

Sacrifício único

O G1 conta que a fila para carregar bilhete único certas vezes demora mais do que a viagem do metrô. Mais um exemplo de sistema implantado do típico jeito meia-boca no qual nós brasileiros somos experts. O bilhete único é um caminho sem volta, então temos que tomar vergonha e implantar o negócio direito. Estações de recarga autiomática, recarga pela internet, recarga no banco eletrônico. Chega desses quiosques toscos nas estações e dessa única opção tapa-buraco de recarga na lotérica. Não tem desculpa. É incompetência pura.

Preciso dizer que aqui em Londres é muuuito diferente? Que a classe média usa o metrô em peso (o que no Brasil é diferente, e uma vergonha) e todo mundo tem seu cartãozinho, o Oystercard. No meu caso, eu entrei no website, preenchi um formullário, enviei uma foto minha por upload e recebi um cartão de estudante que me dá 30%. Caramba, a tecnologia e o knowhall estão todos disponíveis para nós. Não é nada fora do comum. Mas tem que querer mudar as coisas. Alguém quer?

Obama já governa

A piada dos programas humorísticos é que, se pudesse, Bush deixava a Casa Branca semana que vem. Nem tão fáci, claro. Mas Obama já é o presidente na cabeça das pessoas e Bush é só o cara que está lá, atrapalhando. ELe começou a governar com a simples e eficaz idéia do Change.gov, em que qualquer pessoa pode acompanhar os preparativos antes da posse, no dia 20 de janeiro. E faz até um pronunciamento nacional semanal. E essa parte é verdadeiramente genial. É só uma cabeça falante, numa sala, comentando algum acontecimento da semana e dando sua opinião, tornando públicas suas posturas a respeito de algum assunto importante. Essa semana, ele fala da reunião do G8+12 em Washington. Pede providências e avisa que, se o congresso não agira, ele vai tomar as rédeas no dia 20 de janeiro.

Esse governo Obama, se ele sobreviver à tradição dos americanos malucos de matarem seus presidentes, promete ser muito interessante.

Obama: o album da noite da vitória

Minha primeira idéia é rejeitar essas coisas, porque me parecem tãaao montadinhas. Mas a verdade é que a campanha de Obama foi feita dessa forma, funciona dessa forma e é assim o jogo. Assim como milhões de pessoas se expõem na internet, o candidato entrou no jogo. Claro que a diferença é que tudo é feito por profissionais de primeira linha. As fotos no Flckr são muito bem tiradas. Coisa fina mesmo. E, de um jeito ou de outro, são o retrato, posado ou não, dos bastidores de uma noite histórica.

O discurso


(Crédito: Shawn Thew, EPA)

EU sempre adorei ler discursos. Ainda no Rio, eu consegui um livro-CD com discursos históricos do congresso brasileiro que se perdeu. Azar o meu. Virei a noite para ver o discurso de Obama ao vivo (no G1, traduzido). Valeu a espera.

Mas os americanos têm uma habilidade que me impessiona de embutir entretenimento em tudo. De fazer o que poderia ser duro de engolir virar algo interessante e inspirador. E, bem, os grandes discursos sempre foram interessantes de se ver (ou ler) porque, afinal, o que os fez grandes foi justamente sua capacidade de capturar a atenção, os corações e as mentes. Os discursos de Obama, desde o início, foram inspiradores. Tem uma técnica clara ali. Ele usa personagens para ilustrar suas metáforas, ele conclama o povo para a mudança e sempre, sempre, faz o expectador sentir que está vivendo a história.

Parte do triunfo de Obama é ter conseguido convencer as pessoas de que elegê-lo é isso: fazer história. Simples assim. O que ele conseguiu fazer de forma única na minha geração foi entrar na cabeça das pessoas como uma espécie de agente irresistível da história. Ele parecia inevitável. O maior medo das pessoas não era ele não ganhar. Era ele gahar e não levar por alguma trapaça. Mais ou menos como em 2000.

Nunca subestime as palavras. QUando ditas de forma tão hábil por uma pessoa obstinada e muito capaz, a coisa vira uma verdadeira onda.

Algumas pessoas dizem que a festa acabou e que agora é a hora de governar. Como se isso não fosse um ato midiático. O que é impressionante nos americanos é que os fogos de artifício estão sempre presentes. Obama vai contar com essa habilidade de comunicação nos próximos anos para governar. Enquanto Bush era um pateta, ele sempre parece… presidencial. Enquanto Clinton parecia, em alguns momentos, engraçadinho demais, Obama parece estar acima do bem e do mal. Flutuar acima dos mortais comuns. Reagan era simpático, engraçado. Obama soa sério, pomposo.

Então, de certa forma, é uma volta aos mitos do passado. Antes, quando não tínhamos uma mídia onipresente, os líderes construíam sua imagem de forma hábil. COntrolavam a escassez e se faziam maiores do que realmente eram. Bush pareceu incapaz de fazer isso. Obama navega com absoluta confiança nesse mundo. Sabe, como poucos, usar o mundo midiático a seu favor e construir essa imagem de predestinado, de home que cavalga as forças históricas. Seus discursos sempre foram ótimos. O de ontem é impressionante e, se você não for tão cínico, vai até se emocionar.

“Serei seu presidente também”

Depois do discurso de McCain, foi a vez de Obama falar. Seu discurso seguiu o padrão inspirador, aspiratório de sempre. Yes we Can. Pegou um personagem e o usou como exemplo. No caso, uma senhora de 106 anos que votou. Obama fez um passeio pelos momentos históricos do século 20 e chegou ao atual: sua eleição.

Eu lembro que, dois anos atrás, eu achei bizarro um senador negro chamado Barack HUSSEIN Obama querer disputar a presidencia tendo que, antes, derrotar Hillary Clinton. Eu pensei: os americanos nunca vão eleger um negro com o que eles vão enxergar como “nome de terrorista”.

Michael Moore disse em seu site que a América se formou hoje. Aludindo à idéia que seu país de gente simples e inocente (ele adora dizer isso) finalmente foi capaz de olhar além de preconceitos de cor ou de etnia. Foram capazes de eleger um homem cujo nome do meio é Hussein justamente num momento em que o país mais perseguiu cidadãos do oriente médio e ter um “nome arábe” virou um problema enorme.

A vitória de Obama é um triunfo do quê? De uma estratégia brilhante de comunicação? De embalagem? Ou simplesmente de um político obstinado, inteligente, hábil e com o olho no zeitgeist? Eu não tenho a resposta final.

McCain faz discurso generoso

Bacana o discurso de John McCain. Generoso. Durante a campanha, pressionado pelos radicais do partido republicano, o senador honrado mudou e sempre pareceu pouco à vontade no papel de pseudo ultra-con de última hora. McCain chegou a pedir à platéia que não vaiasse o novo presidente e avisou que estava a disposição de Obama, que agora seria “seu” presidente. Em meus 36 anos, vi vários discursos de candidato derrotado. Esse foi, fácil, o mais elegante.

Felizmente, Sarah Palin, não falou. Ia dizer alguma besteira, claro. Nos pouparam disso, pelo menos.

Não vote!

Caramba. Muito bom.

Vi W, a cinebio do George W. Bush, dirigida pelo Oliver Stone. Sinceramente? FIcou no meio do caminho. Stone toma o maior cuidado para não demonizar o Bush filho, que ele retrata como um fanfarrão bem intencionado, mas incapaz. Achei a direção de atores equivocada. O Colin Powel do Jeffrey Wright parece mais interpretado por jogador de RPG ao vivo. De onde saiu aquela voz falsificada, meu filho?

A Condolezza Rice de Tandy Newton é uma pamonha que fica apenas fazendo caras e bocas e concordando com tudo. De repente, ela é mesmo uma pamonha. Mas no filme soa como esquete do TV Pirata de tão caricato. Aliás, me ajuda aí, quem foi que disse que a Tandy Newton é gostosa, minha gente? Eu vi Rockenrolla hoje e ela é a gostosa do filme. Hello! Não, não é.

Voltando da digressão, a maquiagem de Elizabeth Banks, que interpreta Laura Bush, é outro desastre. No fim do filme, ela está de camisola na cama ao lado do Bush e só ele envelheceu. Fora uma maquiagem muito tosca para fingir que ela ganhou algumas rugas, a pele do pescoço está lisinha, lisinha. Muita falta de cuidado em um filme feito às pressas.

O filme é fácil de assistir e, em algum ponto, depois da filosofada de botequim do Stone repetir que tudo se resume a birrinhas do Bushinho contra o papai Bushão, que sempre o subestimou (aliás, sensacional o momento em que Bushinho diz que foi “misunderestimated”), você se vê quase torcendo para que o final da história seja feliz. Que ele não leve o país ao colapso financeiro nem nada parecido. Não adianta, claro. Isso aí, povo americano. Don’t vote!

Propaganda Eleitoral… Milionária (!)

O vídeo milionário de Barack Obama fez história ontem. Ele colocou essa peça de quase meia hora no horário nobre de três grandes redes de TV e mais alguns canais menores. O vídeo é muito, muito bem feito, como era de se esperar. Obama é muito bom no relacionamento com a câmera e realmente conduz o show com habilidade. E, pra piorar, o “documentário” é interessante de se ver. É entretenimento. De um jeito ou de outro, é um marco.