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Nova casa para os cachorrinhos

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Meus cachorros são uma parte enorme da minha vida. Eu me preocupo com a alimentação, passo o fim-de-semana brincando com eles nos parques, compro presentinhos quando viajo, leio revistas e livros a respeito etc.

Nada mais normal do que dividir essa experiência com os milhões de brasileiros que adoram seus mascotes. Assim, a idéia é contas as nossas aventuras e falar das descobertas. Nesse processo, vou adorar a ajuda dos internautas. Nesse primeiro momento, me encarreguei de transferir para o site, que está sendo lançado hoje, os posts antigos do meu blog e do blog da Mônica. Ali, você vai ver o que falamos dos nossos bichanos nos últimos anos. É um prato cheio para quem gosta de pets fofinhos e cheios de personalidade.

Então, declaro inaugurado o www.melhoresamigos.com.br. Coloque nos seus favoritos.

Cadê meu biscoito?

Com quase um aninho, o Darwin protagoniza cenas engraçadas ou fofinhas todos os dias.

Na categoria fofurice, existe a obsessão dele por ganhar biscoitos a todo custo. Quando ele era pequeninho, eu dava biscoitos todas as vezes que ele fazia xixi (em canteirinhos gramados) e cocô (prontamente recolhido com sacos plásticos) na rua. Logo descobri que, quando não tinha mais xixi, mas ainda queria petiscos, ele fazia a posição do xixi e apostava que eu não ia ver. Eu notava e achava tão engraçado ele fazer aquilo que dava o biscoito assim mesmo.

Outra coisa que eu fiz umas poucas vezes foi dar biscoitos quando ele pulava em um banco da praça. Ele era pequenininho e isso era meio que uma façanha para ele. Pois ontem fui dar uma volta sem biscoitos e ele pulou no banco e ficou olhando pra mim exigindo o que era dele de direito.

A outra mania do safado é roubar coisas pra brincar de pique. Ele pega coleiras, bonés, sapatos e sai correndo, provocando você para que você vá atrás. Olha, é tentador, mas pelo bem de todos eu ignoro e vou na direção contrária. Ontem, ele roubou o chapéu bacana de um dos donos de cães da praça. Era 11 da noite, a praça estava enlameada e ele deu a volta completa. Entregou o chapéu todo sujo. Sorte minha que o dono é um amante dos amigos caninos.

Melhor do que o professor de educação física do qual o Darwin resolveu roubar um colchão. Ele foi educado e tudo, mas não gostou nada de receber o colchonete furadinho com os dentes do meu deliqüente canino.

Marley e Eu e eu

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Cena do filme The Last Home Run, do qual o labrador Marley (no destaque) participou

Eu resisti bravamente a ler Marley e Eu. Vi o livro nos Estados Unidos em 2005 e até recomendei a compra lá na editora, mas, pelo que eu sei, a Prestígio já tinha comprado os direitos de publicação no Brasil. Recebi um volume quando saiu a edição brasileira, mas estava horrorosa, com erros absurdos de tradução e adaptação. Só que eu ganhei um labrador no final do ano passado e desenterramos o livro. Começamos a lê-lo, eu e Mônica juntos, num daqueles momentos fofura. Só que eu viajei, o livro ficou com a Mônica que continuou lendo e eu nunca mais voltei. Parei naquele distante terceiro capítulo. Passei meses ouvindo as pessoas me perguntarem se eu li o livro e, finalmente, dei de cara com a minha mãe devorando um volume que emprestou de uma amiga.

Aí resolvi voltar e devorar o livro. Hoje terminei da maneira mais “dono de labrador” possível. Sozinho na sexta-feira, saí com o Darwin, parei para comer um temaki ali na Vila Madalena e fiquei lá lendo com ogrinho deitado nos meus pés. Chorei, claro.

Cheguei em casa e localizei no You Tube as cenas do filme do qual Marley participou. É uma produção desconhecida chamada The Last Home Run que nem existe disponível em DVD. Mas, como resistir? É o Marley no esplendor de sua maluquice dando o maior trabalho durante as cenas.

Sophia Loren está com tudo em cima

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Ela é linda, carinhosa, maluquinha, brincalhona, mijona e latidora. Teve um longo namoro com meu maltês, o Carl Sagan. Da relação deles saíram cinco rebentos lindíssimos que estão espalhados pelo mundo, com donos apaixonados. O nome dela é Sophia Loren, a cadela da minha sogra cadelinha que pertence à minha sogra.
E tem o nariz despigmentado mais lindo do mundo canino.

Adorável traidor

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O sofá conquistado com a fina flor da malandragem labradoriana. No canto esquerdo, embaixo, uma roidinha para aplacar o tédio. Reforma para o sofrido móvel em breve!!

Depois de meses de batalhas diárias, Darwin finalmente conquistou o sofá da sala. Cachorros são seres insidiosos!! Eu não deixava de jeito nenhum ele ficar ali, então o cachorro malandro só fazia isso quando eu não estava olhando. Era fácil saber por causa dos pelos pretos que ele deixava. Uma trabalheira pra tirar com uma escova eletrostática que comprei.

Mas por um bom tempo, ele pulava do móvel quando me via. Era uma visão engraçada aquele bicho enorme pulando e indo pro canto só de eu entrar na sala. Me senti poderoso. O rei do castelo. Mas o safado estava trabalhando nos bastidores, dando em cima da minha mulher. Quando eu não estava olhando, ele chegava de mansinho e deitava no colo da Mônica. Ela, uma frouxa de marca maior, cedia e cedia.

A vitória final aconteceu com a vinda do meu cunhado para passar uns dias aqui em casa. Ele adorou o Darwin e virou a segunda pessoa da casa a deixá-lo ficar no sofá.

Fizeram um motim! Fui passado para trás por um labrador malandro!!

Ontem, eu cheguei na sala e ele estava tranquilão dormindo no sofá. Eu ia expulsá-lo, juro. Mas cheguei perto e comecei a fazer carinho. Ele tinha passado mal durante o dia, vomitado a ração junto com umas pedras, areia e galhos que ele tinha comido na praça. Fiquei com pena e, ao mesmo tempo, fascinado pelo fato de que ele estava quietinho, quietinho. Um momento raro.

Olhei para a pelagem preta preta. As patonas com almofadas gigantes e ásperas de King-Kong (que eram lisinhas quando ele chegou, sete meses atrás) e as unhas mais quebradinhas, raspadas e toscas que eu já vi. Porcolino, sujismundo, flatulento e mal-educado. Só que ele tem aquele olhar cheio de bondade (truque de cachorro, claro) e aquele jeitão amistoso que conquista qualquer um. Foi quando eu entendi: tem um ogro no meu sofá. Shrek perde.

Quase um

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Ele é grande, desajeitado, brincalhão, carente, bagunceiro e muito, muito agitado. Hoje, completa dez meses. Falta pouco pro primeiro ano.

Houve várias semanas em que eu só conseguia pensar em como ia me livrar dele. Não. Nada num sentido “sopranístico”, claro. Mas nos termos de achar um lar em que as pessoas conseguissem dar conta dele. A gente é que não dava.

Mas ele se machucou uns meses atrás e ficou 20 dias tomando antibiótico de manhã e de noite. Eu ia lá e dava o comprimido pra ele. Ele tem uma cicatriz no focinho e outra no “supercílio” (entre aspas, sei lá como se chama isso em cachorro), porque está sempre se metendo em alguma enrascada e se machucando. Ele arrumou um corte no rabo e fez minha casa se parecer com o palco de uma chacina. É que, quando eu chegava em casa, ele fazia tanta festa que o rabo mais parecia uma hélice. O dito cujo batia na parede, sangrava e sujava tudo.

Só que basta olhar pra minha vida antes e depois do Darwin, e entender que eu preciso dele mais do que ele precisa de mim.

É verdade. Se ele for pra outra casa, me esquece em alguns meses e segue sua vida. Eu, se ficar sem ele, vou voltar a ser o recluso e sedentário que tenho sido desde que vim morar em SP. Sem ele, morro de infarto antes dos 40.

O Darwin me fez sair de casa. Me fez andar de bicicleta no parque. Há uma praça a duas quadras da minha casa. Eu fui lá pouquíssimas vezes antes do Darwin. A maior parte dos casos, foi para ler um livro sentado na grama. Agora eu vou lá praticamente todos os dias. Foi ali que ele conheceu o Pingo, a Brisa, a Paçoca, a Nina, o Patê, o Bone, o Capitão, o Salomão e mais um monte de cães bacanas. E por causa dele eu conheci um monte de donos bacanas com quem conversei pelo puro prazer de bater papo.

Nem tudo são flores. Darwin me acorda cedo demais, quer atenção demais e o Sagan, o maltês rabugento, não quer saber dele. Com toda a boa índole de um labrador, fica todo tristinho a cada chilique alucinado do Sagan, a cada rejeição do irmão mais velho. Minha área de serviço e minha cozinha viram mini-pântanos quando ele chega da rua, bebe água e sai andando com o líquido ainda escorrendo pelos cantos da boca. Ontem, por exemplo, eu fui dormir e descobri marcas de patas caninas no meu lençol. Eram as “patinhas” dianteiras do Darwin. Ele as apóia na cama quando vem pedir carinho. Mas ontem, foi porque ele resolveu roubar um brinquedo em cima da cama.

Meu sofá está com uns rasgos e eu só me atrevo a consertar ou comprar outro depois que este cachorro maluco fizer uns dois anos. A fiação do meu home-theater já sofreu danos (deixou de ser 5.1 e virou 2.1, ai ai), a casa vive cheia de pêlos pretos e, quando começa a sinfonia de Sagan e Darwin se desentendendo (o Sagan dá mordidinhas e latidos histéricos, o Darwin, sentido, apenas late numa mistura de tristeza e indignação), eu tenho vontade de jogar os dois pela janela. Pior ainda quando o Sagan resolve implicar com o Darwin no meio da madrugada. Que dureza.

Mas a gente olha pra eles e se diverte também. Porque a verdade é que, quando você vai ver, já ama esses bichanos. Já pensa neles quando está viajando e passa em pet shop pra comprar uma bolinha, um osso, um biscoito, o que seja. De repente, percebe que nem é mais tão incômodo ir dar uma volta de noite. Clareia a minha mente e me faz pensar.

Ontem, a Mônica, que foi a mais incomodada pelo Darwin na maior parte do tempo, olhou pra ele deitado na cozinha e disse pra mim: “quando esse labradorzão ficar adulto, vai ser o cachorro mais gostoso do mundo… Depois do Sagan, é claro”. Ela sempre dá um jeito de proteger o maltesinho.

A Vida de Darwin

Perto de fazer seis meses, Darwin aprendeu a abrir a porta.

Ele tinha ensaiado a tentativa algumas vezes, sem sucesso e ficou um tempo sem tentar por falta de necessidade mesmo. Mas como o maltês começou a comer menos, intimidado pela fome sem fim do labrador, tivemos que deixar Darwin na sala enquanto Sagan come na cozinha.

Só que o safado descobriu como entrar na cozinha sem ser convidado…