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Capítulo novo

O time de vôlei masculino do Brasil perdeu a final pros Estados Unidos. Eles foram melhores e pronto. Nos superaram ponto a ponto. E não foi a primeira vez. Tinham vencido a gente aqui, no Rio de Janeiro. Agora, nos derrotaram em Pequim.

No meio disso tudo, surgiu um jogador que se anuncia marcante: Bruno, o filho de Bernardinho. Uma coisa é vê-lo entrando num outro jogo, disputado que seja. Mas o fato é que, jogado na fogueira de uma final olímpica, ele teve muita personalidade. Arriscou, jogou, sacou, distribuiu. Gene pool total.

O fim. Sim, por favor

Quando o Brasil de Dunga ganhou a Copa América, um amigo jornalista especializado e apaixonado por esportes só conseguiu dizer uma coisa: “Essa vitória vai atrasar a gente anos na preparação para a próxima copa do mundo!”.

Meu amigo se referia ao retrocesso que Dunga significava. Com Parreira, o Brasil ao menos tinha um toque de bola primoroso. Burocrático, chato, mas perfeito. Com Dunga, nada se destaca. É tudo sem graça, sem objetividade, sem nada. Azar o nosso.

Sorte da Argentina, né? O jogo de hoje foi de chorar. Duro de assistir total. O time do Dunga simplesmente não chuta a gol. Pra piorar, quando fomos dominados, começamos a distribuir pancadas. Logo nós que sempre reclamamos dessa tosquice dos argentinos. Tenha dó.

Espero que esse seja o símbolo do fim da era Dunga.

Falando em estrutura psicológica…

Me parece claro que nossos ginastas, por melhores que cheguem a ser, não tiveram um trabalho adequado para lhes dar estrutura emocional. Resultado? Decepção na hora H, aquela que vale de verdade. Acho injusto submetê-los a todo tipo de treinamento horroroso (acredite, ginástica olímpica é um negócio do demo) sem lhes dar o arcabouço emocional. Quando chega aquele momento crucial, eles simplesmente desabam. Anos de sacrifício e… água.

O centésimo salvador

Depois da vitória do Cielo, o que mais me impressionou foi a gana de Phelps. Até aqui, ele tinha levado tudo fácil. Estava sobrando nas provas. Era como se tudo caísse do céu pra ele por conta de seu talento, da sua genética, do seu preparo milionário do que mais fosse.

Foi quando ele mostrou que tinha mais uma coisinha que todo mundo tinha esquecido que um atleta de primeiro nível precisa ter: garra, muita garra. Ele virou em sétimo lugar. Passou seis oponentes ali, na raça, dando tudo de si e bateu um centésimo antes no placa. Um centésimo. Aí, alguém teve a feliz idéia de fazer a comparação na TV: uma piscada de olhos leva 16 centésimos. Um centésimo.

Quando estava indo pra prova final dos 50 m, Cielo encontrou com Phelps. O americano olhou pra ele e disse: ganhei por um centésimo. Foi com isso na cabeça que Cielo foi nadar sua prova inesquecível.

Da mesma forma, quando vi Emanuel e Ricardo perdendo pros russos por 20 a 18 no segundo set do vôlei de praia masculino, confesso que disse que o jogo estava definido. Eu não acreditei que eles iam conseguir reverter. Os caras foram buscar o resultado com uma determinação incrível. Concetração total, atenção total e, imagino, absoluta confiança na própria capacidade de vencer.

Eu não tenho essa característica. Não sou pessimista, mas sou daqueles que sempre têm plano B pro caso de alguma coisa dar errado. Tem um filme chamado Gattaca, com Ethan Hawke, Jude Law e Uma Thurman, em que dois irmãos tinham a mania de disputar quem ganharia uma prova de nado no mar. O tema do filme era a suposta superioridade de quem teve seu dna engenhado contra as pessoas que nascem da forma convencional. No casos dos irmãos, um foi concebido da forma convencional. O outro foi engenhado. Eles se jogavam na água e nadavam até onde conseguissem. Depois, tinham que voltar. Um deles, o engenhado, quase se afoga. O outro, o normal, o salva. Na areia, depois de salvar a pele do irmão “superior”, ele explica que sempre nadou sem jamais se preocupar com a volta. Tem gente que é assim. Sabe que vai ganhar, sabe que vai conseguir. Não cria plano B, porque só tem uma coisa na cabeça: vencer.

Manhã Olímpica

Sábado. Folga. Tive minha primeira manhã Olímpica. No outro dia, minha tentativa de madrugada olímpica tinha acabado em uma derrota da nossa seleção de vôlei masculino para a Rússia. Ai, ai.

Mas hoje foi diferente. A seleção de futebol masculino ganhou de Camarões, depois a dupla masculina Ricardo e Emanuel suou para superar os russos (e aquele segundo set perdido que eles viraram de forma sensacional, hein?) e o vôlei masculino de quadra nem tomou conhecimento da Polônia. Enquanto isso, mesmo com cinco canais, o SporTV insistia em atrapalhar a minha experiência de ver o jogo de vôlei do Brasil colocando, durante um bom tempo, tudo numa tela dupla em que, numa janela exibia o jogo e, na outra, a luta de boxe do brasileiro Paulo Carvalho. Ele ganhou do ganês que tinha lá pela frente e agora está nas quartas de final. Vai pegar o cubano Yampier Hernandez. Boa sorte.

De extra, vi a final dos 100m rasos e fiquei impressionado. O vencedor, o jamaicano Usain Bolt, tirou o pé no final e, ainda assim, bateu um novo recorde mundial. Depois dessa, só posso ter certeza de que ele vai bater muitos outros. Está claramente se poupando para ir faturando paulatinamente a cada quebra de recorde.

Tudo iss depois da felicidade de ver, ontem, o Cielo ganhar o Ouro nos 50 metros. Legal demais. Nos blogs de ÉPoca sobre a Olimpíada, há duas coisas legais: uma entrevista com Cielo antes da prova, por conta do Brnze nos 100m, e uma galeria fantástica da prova dourada de ontem.

O primeiro ouro… ever

Tô com amigos em casa e alguém tem a feliz sacada de olhar o relógio e lembrar que estava na hora da prova do Cielo. A gente corre pra sala exatamente no momento em que os nadadores se posicionavam para a prova. Aí, o Cielo pula, nada como se fosse um torpedo e ganha fácil. Primeira medalha de ouro do Brasil nesta olimpíada. Primeira medalha de ouro olímpica da história da natação brasileira. Lindo!