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Michael Jackson morreu e o mundo (inteiro) fez seu tributo

Ontem, o mundo acompanhou em tempo real pela internet o destino de Michael Jackson. Eu ficava pulando de site em site pra ver se os grandes e mais respeitados confirmavam o que o TMZ já tinha publicado: Michael Jackson estava morto. Ponto final.

Incapazes de confirmar a história, CNN, New York Times, Guardian, Reuters e dezenas de outros sites respeitáveis tentavam checar as informações antes de dar o comunicado final. A CNN optou por colocar uma foto de Jacko dando tchau, sinal de que o pessoal provavelmente já sabia que o cantor estava morto, mas, por uma questão de princípios, estava esperando múltiplas confirmações de fontes para dar o comunicado oficial.

(Quando informaram, colocaram na conta do Los Angeles Times. O leitor desavisado pode até achar que é uma forma de tirar o corpo fora. Não necessariamente. É outra coisa. É dar crédito a quem informou e confirmou primeiro. É a velha mídia tentando incorporar certos hábitos dos novos tempos.)

Hoje, já começaram os perfis, obituários, edições especiais e toda a parafernália que cerca esse tipo de evento. É a velha mídia tentando faturar o que puder em tempo de vacas magras. Aliás, hoje, o dia seguinte a um evento como esse já parece uma eternidade pra quem acompanhou tudo em tempo real e leu um monte de coisas ou viu vídeos (tudo editado às pessas) nos sites e na TV à noite. A título de contraste, Farrah Fawcett, cuja morte foi anunciada por meses, por conta do câncer, acabou sendo ofuscada pelo fim de um popstar inesquecível.

As empresas jornalísticas sérias tentavam dar uma dimensão da importância do artista e exploravam vários ângulos, alguns impiedosos, sobre como um homem que ganhou tanto dinheiro chegara naquela situação. Afinal, Michael Jackson foi considerado uninsurable pelas grandes seguradoras. Estima-se que o prejuízo da AIG (a empresa que promoveu a volta de MJ) pode chegar a £300 milhões.

Agora, dá-lhe especulações sobre o quanto Jacko estava com a saúde comprometida, desesperado por algum dinheiro que o tirasse da situação financeira desastrosa e, por conta disso, aceitou uma “encomenda” que seria incapaz de entregar. Nos bastidores do showbiz, havia um enorme ceticismo a respeito das performances do cantor. Nas bolsas de apostas, especulava-se quantas apresentações seriam canceladas.

Não foi uma, nem duas. Todas.

Bom, hoje eu passei em frente ao Lyrics theatre, que apresenta o musical Thriller, com vários artistas interpretando sucessos da carreira de Michael Jackson. Ali, várias pessoas depositavam flores, colaram posters e prestavam uma homenagem ao ídolo. Em todo canto, tocava-se Michael Jackson. Nos sites de downloads (legais e ilegais) só dava você sabe quem. Nas lojas que vendiam os ingressos para os shows pelo triplo do preço original, ainda havia alguns cartazes toscos que os donos esqueceram de tirar das vitrines. É uma ressaca.

Eu vivi o auge de Michael Jackson nos anos 80. Não fui ao show no Brasil, mas ia ao daqui de Londres (presente de um amigo que vem me visitar). Quem sempre foi fãnzona de Michael Jackson mesmo é a Mônica, que chegou a ir de São Paulo ao Rio de carro ouvindo os maiores sucessos de Jacko no repeat do CD player.

O Twitter parou. O Google sentiu o baque. De vez em quando a gente é lembrado que, na era do Long Tail, dos microsucessos, ainda existem titãs midiáticos andando sobre a Terra. Jornalistas e blogueiros novidadeiros acabam esquecendo que artistas com muita estrada, apesar de parecerem não fazer mais barulho nenhum, formam públicos enormes que atravessam gerações e são capazes de criar ondas de choque impressionantes.

Eles são poucos. São mesmo uma raça em franca extinção. Ontem, um dos maiores, e dos últimos, se foi.

Gimmick

A música é linda. O clipe é um arraso (viu o making of?). Mas é gimmick, nada menos.

Mas o Radiohead não anda muito marketeiro, não?

Ok, ok. Os fãs vão dizer que eles são gênios brincando com as novas possibilidades tecnológicas. Mas, pro cético aqui, nada vem de graça nem surge do oxigênio do ar.

De qualquer modo, clipes não passam de comerciais glorificados. São uma forma de promover sua música e seu disco. So, what the hell?

E, afinal, como eu já disse, o resultado final é um arraso.

Segunda estrela à direita, direto até o amanhecer

E lá fui eu no último sábado levar o filho de uma amiga para ver Peter Pan, numa das últimas apresentações. Ganhei os ingressos e já imaginei que o menino ia pirar no espetáculo.

E, para uma criança, é muito bacana mesmo. Mas para qualquer adulto que tenha visto mais do que um espetáculo teatral de verdade, a coisa se complica. Os atores cantam muito mal e as músicas nunca empolgam, com exceção da dos meninos perdidos. São chatas demais. Em alguns momentos a direção erra ao não saber conduzir o olhar da criançada, que perde algumas cenas porque não sabe onde está a ação. É para isso que servem os holofotes, afinal.

Outra coisa irritante é aquele capitão gancho que nada faz além de copiar mal o Jack Sparrow de Johnny Depp. Fala sério, meu filho. Olha o abismo de talento e, ainda por cima, copiar assim, sem nenhum cuidado, pega mal e só. Mas, de novo, coloco na conta da direção. Pode até ser que a idéia seja do ator, mas a decisão final do que entra ou não sempre é do diretor. Bola fora.

A grande virtude estava mesmo nos cenários impressionantes e na grande estrela da peça: não era o Peter, mas o vôo. Tudo era desenhado em cima dos ótimos números de vôo. Tanto funciona, que o molequinho que estava com a gente saiu de lá encafifado com os “poderes” do herói da história.

Afinal, em uma das cenas, o Peter Pan voa por cima da platéia, agradecendo depois de conseguir salvar a vida de Sininho.

Sei lá. Meu acompanhante mirim, que é, afinal, para quem a peça se destina, deve ter dado nota dez. Mas o fato é que os melhores espetáculos infantis são mais bonzinhos com os adultos. Se bem que havia um senhor umas quatro fileiras atrás de mim que insistia em gritar Bravooo!! a cada entediante número musical. Como se estivéssemos vendo Hamlet com Lawrence Olivier. Vai entender.