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Rock in Rio com Playback (?)

A Hildegard Angel deve ter ficado desesperada ontem. Como o CrisDias apontou em seu weblog, a dita colunista notou que o som que ouvia lá no Rock in Rio não batia com as imagens que ela via no telão.
Claro que uma colunista social, preocupada com tantas festas e todo aquele champanhe, não tem que saber que aquilo acontece porque o som é mais lento do que a luz e quem vê o negócio de longe percebe a falta de sincronia. É uma coisa muito básica, mas quem sou eu para contradizer a moça, que ganha umas 20 vezes o que eu ganho, né?
Mas me desviei do assunto principal. O que eu ia dizer é que ou o Multishow estava tendo algum problema com a sincronia do som e da imagem por algum problema técnico lá qualquer ou todos os shows de ontem foram feitos com o mais descarado playback. Não digo 100%, mas diversas músicas de todos os shows estavam com uma cara de playback. Como eu estava em casa, abulastrado no meu sofá e zapeando, e dava de cara com algumas músicas somente, não posso garantir.
Mas que é muito estranho o som ter falta de sincronia em uma transmissão de TV, isso é. E levando em conta a qualidade, digamos, artística das atrações de ontem, deve ter rolado uma ou outra dublagenzinha que nenhum astro teen é de ferro.

“Os Saltimbancos” desperta o menino bobo que há em mim

Já faz muito tempo que eu tive o corpo de uma criança. Digo isso porque ainda me considero um crianção em um corpo de adulto a ponto de ouvir e me divertir com Os Saltimbancos que comprei essa semana na Fnac, aqui em SP.
Claro que há o desconto da nostalgia. Eu ouvi o LP tantas vezes na minha vitrolinha amarela que o disco arranhou. O efeito disso é tão engraçado que enquanto eu ouvia o CD chegava a lembrar dos pontos em que o disco estava arranhado, das frases repetidas, As músicas são muito legais, uma cortesia do Chico Buarque, e o conto do jumento, do cachorro, da galinha e da gata que se juntam contra os humanos que os oprimem é ainda mais interessante quando ouvido por um homem de 28 anos, porque ganha a leitura da luta de classes.
Quando eu era pequeno e ouvia “todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, todos nós no mesmo barco, não há nada a temer”, achava que era um daqueles contos bacanas de união entre amigos. Mas não é só isso. Fala de como pessoas oprimidas podem lutar por seus direitos básicos e vencer a classe que as oprime. No conto, os animais expulsam humanos de uma pousada na qual se instalam. Quando chegam lá, lêem uma placa no local que diz: “Exijo gravata e dados pessoais, proibido aos mendigos e aos animais”. Os animais, coitados, ficam chocados, mas o que é realmente a ironia do que está escrito é a proibição aos mendigos, os seres humanos esquecidos, escondidos, arrastados para debaixo do tapete.
Isso me fascina. A forma como um disco que ouvi quando era um meninho pode me surpreender quando o ouvi quase trintão. O disco custa só R$ 12 na Fnac, deve custar até menos em outros lugares. Compre para você ou para seu filho, tanto faz. O único porém na edição que está nas lojas é a falta de um encarte com as músicas e as falas de cada um, mas vale assim mesmo.