Arquivos da categoria: Música

Passarinho desafinado

Já tem alguns dias que isso está por aí, mas eu só ouvi hoje de manhã. Primeiro, eu pensei: “putz, pegaram a passagem de som da mulher, onde ela provavelmente podia estar até rouca e não dando a mínima e colocaram na internet como se ela estivesse completamente sem voz”. Coisas da internet, onde as camadas de star power são normalmente demolidas sem dó.

Mas no meio da audição você diz: “não há a menor chance de ela ser ruim desse jeito”. Tem que ser fake. No caso, como eu só vi isso hoje, ainda tive a sorte de já saber que, ao que parece, é fake mesmo. Uma mente sacana com um protools faz coisas incríveis! :)

O mais original

Tô lendo a última WIred aqui e eles trazem uma lista com os diretores de videoclipes mais inovadores e criativos.

Entre os citados, o que eu mais gosto é o Toe Jam. A música é de The BPA, ou Brighton Port Authority, grupinho formado por Fatboy Slim, David Byrne e Dizzee Rascal. O clipe é de Keith Scofield.

Foi citado na tal lista da Wired ao lado do Pork and Beans, do Weezer, do Be a Nigger Too, do Nas, At the Bottom of Everything, do Bright Eyes, Neon Bible, do Arcade Fire (veeelhinho, hein?), e Taste, do Animal Collective.

Tudo coisa boa demais. Mas, desde a primeira vez que vi, o clipe do BPA me fez exclamar aquele “caramba, de onde eles tiraram isso?”, que é uma delícia de dizer.

O melhor pior videoclipe do mundo

Me digam uma coisa. Como é que ninguém nunca me falou da existência desse Delfin Quishpe (com texto da Wikipedia com autenticidade questionada, aqui em espanhol)? Esse gênio do pop? Os vídeos no You Tube são incríveis.

A figura tem blog (com múltiplos vídeos de “hits”) e, hum, site oficial, onde avisa “Llamar con 1 semana de anticipacion, ya que Delfin esta muy ocupado amenizando bingos bailables” (tradução: “Ligar com uma semana de antecedência, porque Delfin está muito ocupado animando bingos dançantes”).

Meus amigos que adoram música e sempre me indicam as melhores coisas falharam desta vez. Menos o Denerval Junior, que me mandou a sensacional dica.

A noite desceu redonda

Skol Beats cheio, mas não lotado, e uma noite tranquila e divertida. O chopp estava gelado, a comida estava cara, mas não era impossível de pagar, o acesso foi tranquilo. Parecia evento no exterior, sério.

A noite já se anunciava divertida no ônibus que pegamos do estacionamento para o evento. Um frequentador um tanto animado (e deslocado no universo dos descolados clubbers) viu o crachá de imprensa do meu amigo (eu não me credenciei, estava apenas me divertindo com a esposa), sentou no banco atrás de nós e já começou perguntando se ele era da organização, na esperança de arrumar um amigo “otoridade”.

Diante da negativa do meu amigo, o jovem sem noção pulou em cima de três moças que entravam no ônibus, se achando o garanhão do lotação. Foi rechaçado, claro. O ônibus partiu e ele se pendurou na janela e começou a gritar: “Skol Bi-têeeeeeeeessss, Skol Bi-têeeeeessssss!!”. No que foi advertido pelo segurança: deveria ficar com a cabeça dentro da cabine. Foi pior. Passou a gritar nos nossos ouvidos.

Tudo bem, tudo bem. Ele continuava falando alto, narrando o trajeto do ônibus para todo mundo e convocando as meninas na calçada a irem, pro evento: “Vai pro Skol Bi-tês com nóis!!”. E continuava: “Skol Bi-têeeeeeeeessss, Skol Bi-têeeeeessssss!!”. Foi quando resolveu arriscar no inglês, bem alto: “Ai, laigue iú! Iú laigue meeeeeeee!”. Felizmente, chegamos e o suplício acabou. Veio a parte boa da noite.

Teve Laurent Garnier, que foi muito, muito legal, com a galera sendo regida e manipulada ao bel prazer do cara. Eu ia dizer que é um som pra você fechar os olhos e dançar, mas os vídeos estavam tão bacanas que valia viajar na música com o suporte das imagens se movendo nos telões.
Depois Chill Out (Uma sala onde a galera se jogava no chão ao som de música relaxante para recarregar as baterias) e uma longa espera até Simian Mobile Disco (no My Space), o que nos fez perder Miss Kittin. Os caras entraram com o dia nascendo, umas seis e pouco da manhã, e a coisa soou meio “Amanhecer Vermelho”.

É engraçadíssimo ver a galera amalucada e destruída que vai até o fim. A fauna é impressionante. Todo mundo bêbado e cansado, as roupas (nas mais estapafúrdias combinações) desgrenhadas e sujas. E veja bem. Eu adoro quando as pessoas se vestem com estilo, com decisões deliberadas de chocar e chamar atenção. Quando isso acontece, por mais maluca que seja a combinação, eu adoro. O que me impressiona é quando elas querem uma coisa e, por falta de noção e de desconfiômetro, conseguem outra. É a diferença entre estilo e completa falta de noção. E lá se vão cabelos descoloridos sabe-se lá como, botinhas com aqueles saltos grossões (algumas com talhos bizarros), roupas apertadas, caindo nos lugares errados e ressaltando o que jamais tinham sido desenhadas pra destacar. Nos homens, o triste destaque para o excesso de “cofrinhos” peludos. Me poupa aí, galera. Assim não dá!! Acertem o tamanho dessas calças, pô. Que visão do inferno.

Na multidão exausta do fim da manhã, minha mulher chegou a ganhar uma daquelas cantadas de bêbado desesperado na xepa. Sem ter o que dizer, mas ainda fascinado por ela, tudo que ele conseguiu fazer foi oferecer um pouco de seu chopp quente, apenas com uns três ou quatro dedos de bebida. Diante do olhar incrédulo dela, o homem olhou pros lados e, só então, pra cima (isso, ele era minúsculo, coitado) e me viu. Voltou a dançar como se nada tivesse acontecido e foi se afastando de nós.

Lembro daqueles papos da TV, principalmente nos anos 80 e 90, tentando vender os festivais de rock como eventos da paz. Era importante para convencer pais assustados a deixarem seus pimpolhos irem para lá. A realidade era sempre diferente. Uma mistura deliciosa e necessária de bebida, cantadas e, óbvio, drogas. Mas o fato é que, longe de querer enrolar, posso dizer que, o Skol Beats estava bem próximo disso. Estava cada um no seu mundo, e, em geral, todos na mais santa paz.

Red Hot e o funcionalismo

Ontem foi o último dia do Rock in Rio e minha terceira noite no festival. Antes dessa, eu fui ver o Oasis e o REM. O que ficou claro é que o Michael Stipe, do REM, entrou para fazer um show com alma e tanto os caras do Red Hot quanto os do Oasis fizeram suas apresentações em um espírito meio burocrático, no pior estereótipo do funcionário público que todos amam odiar e que não é necessariamente verdade.

Claro que não dá para comprara as atitudes, os irmãos Galagher são muito sebosinhos e mal educados, os caras do Red Hot são simpáticos, mas só. De inesquecível do show, que eu vi mal e tive que rever na TV, ficou a versão de “Californication”, com um solo diferente do que se ouve no disco, quase uma jam…

Depois o de sempre, ônibus muito cheios, muito perrengue e coisa e tal. Digo hoje o que eu sempre falo: foi meu último festival, é muita chateação, mas vou estar no RiR4, pode acreditar.