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Mágica: Quem se importa se ele rasgar esse card?

Um velho vídeo que achei no You Tube. Copperfield sabe como poucos pegar um truque clássico e dar-lhe novo sentido. Cartas cortadas e reconstruídas são um clássico da cartomagia. Mas quando você faz o truque com um card de beisebol que vale milhares de dólares, a coisa muda de figura e cada rasgo no papel é dolorido. O final é puro Copperfield. Uma mágica pequena torna-se grandiosa nas mãos do mestre.

Dan e Dave Buck em câmera lenta

Os irmãos Dan e Dave Buck são especialistas em mágica com cartas recheadas com muitos floreios e movimentos mirabolantes. Não são grandes mágicos, mas os truques que eles dominam são feitos de uma maneira completamente inacreditável. Em alguns casos, os movimentos são tão rápidos que parecem até mágica de verdade.

Eu fui numa palestra deles meses atras e fica claro porque eles não podem ser mágicos no sentido clássico: não têm ritmo de palco e são inexpressivos. Sabem somente brincar com as cartas. Mas o que eles fazem é fantástico mesmo.

Mágica intercontinental

Uma das coisas mais divertidas que eu fiz por aqui foi mandar pequenos vídeos para a minha sobrinha. Eu comprei alguns fantoches que serviam de amiguinhos do tio e fiz algumas mágicas para entretê-la. Foi uma tentativa de evitar que esse ano fora significasse um ano inteiro em que o “tio Alê” não existisse no desenvolvimento dela.

A gente é uma família pequena e bem unida. A Clarinha é, pra mim, como se fosse a Anna 2.0 (e é, né? com uma adição de código do CrisDias). Junte a isso o fato de que ainda não tenho filhos e pronto. Sou um tio coruja. Tenho fotinhas dela no computador e na parede do meu quarto. Fico deliciado com cada história que minha mãe e a Anna me contam. E, claro, estou animadíssimo com o fato de que minha irmã, o Cris e minha sobrinha agora moram pertinho do meu apartamento em SP. Isso muda completamente a dinâmica de morar em São Paulo e mal posso esperar para voltar em agosto.

O fato é que nossa última peripécia foi inventar uma mágica intercontinental. Eu comprei um copinho na Disney Store aqui em Londres e mandei para ela. Mas não sem antes fazer um vídeo em que Filó (a fantoche que é uma meia colorida) agarra o copo e desaparece debaixo de um paninho.

Daí a tia Mônica levou o copo e o fantoche para o Brasil e eu mandei o vídeo. O próximo passo é uma reunião de família toda dedicada a fazer a mágica acontecer. Filó e o copinho vão desaparecer aqui e aparecer imediatamente para a Clara lá em São Paulo. É bem verdade que minha sobrinha não entende que eu estou tãao distante. Mas ela sabe que, quando alguém está no monitor, é porque está viajando, está longe, como ela aprendeu por meses com o pai fazendo a ponte Rio-SP e conversando pelo monitor.

Agora, a desvantagem disso é óbvia, né? Eu não posso ver o momento da mágica acontecendo. E uma das coisas mais sensacionais de fazer mágica pra minha sobrinha é ver a carinha de surpresa que ela faz (é a graça em qualquer caso, mas com ela é mais gostoso). Então intimei Cris e Anna a filmarem a confusão toda acontecendo e mandarem pra mim. Cobrem deles, por favor.

Semana, hum, “mágica” em Londres

Outra semana, digamos, mágica. Fui ver o show do Derren Brown (com um blog bom, viu), Enigma, e fiquei impressionado com a forma como ele consegue impor um ritmo alucinante. Brown não gosta de ser classificado como mentalista, mas o fato é que o que ele faz, apesar dos “fogos de artifício”, é mentalismo com todos os ingredientes clássicos.

Hoje, sexta, fui a uma palestra do mágico Pavel Pomezny, totalmente velha guarda. Ele falou do ato de inventar uma ilusão e demonstrou alguns dos seus best sellers. Essas palestras, geralmente realizadas pelas duas lojas de mágica de Londres, International Magic e Davenport’s Magic, são uma chance ótima de conhecer de perto alguns profissionais de primeira linha e, quando dinheiro há, comprar ilusões a preços em conta. Pavel estava vendendo seus últimos ítens pela metade do preço.

Amanhã, tenho outra programada com John Bannon que promete ser muito bacana. Bannon tem uma série de DVDs sobre truques com cartas.

Vale fazer uma observação curiosa, se não cruel. Como as lojas de mágica são, em geral, ambientes velhos e maltratados. Os clientes são supervariados, de todas as idades. Mas as lojas são empoeiradas, desorganizadas. Os preços não são convidativos. Todos os truques que você encontra numa loja podem ser comprados mais baratos num website.

Mas não há o contato humano com os vendedores, certo? Bem, digamos que isso só acontece de verdade na International Magic. O rapaz que atende as pessoas na Davenport não tem traquejo de vendedor. A turma da International Magic é mais afetuosa. Quando eles vêem que o cliente é fiel, não dão desconto, mas oferecem pequenos presentes. Um maço de cartas aqui, um DVD ali. Eu nunca fiz compras grandes e não tive o prazer de ganhar brindes legais, mas já vi gente saindo de lá com muitos brindes. Na Davenport’s, o jogo é duríssimo. Pelo que eu entendi, é uma pena, já que a velha guarda é muito elogiada. Parece que o problema está na nova geração. Bizarro.

The Virts: Malabarismo com cartas

Mágica com cartas é um clássico. E florear nas mágicas com cartas é uma tradição no clássico. Mas nos últimos anos a coisa saiu do controle. O que algumas pessoas são capazes de fazer com um baralho começou a virar um negócio de outro mundo. Pense em como os Lords of Dogtown mudaram o jeito de se andar de skate. Isso vai acontecendo em várias artes, com as cartas não ia ser diferente. Não é mágica, é uma espécie de malabarismo com cartas que tem, sim, uma relação afetiva com cartomagia. Muitos mágicos, aliás, se irritam com floreios porque acham que são distrações que muitas vezes desequilibram as apresentações.

Semana passada, eu fui a uma palestra com Dynamo, um mágico irlandês que está começando a fazer bastante sucesso e que adora floreios, e o singapurense Kevin Ho, uma mistura de videomaker, mágico e virtuoso dos floreios com cartas. Ele lançou esse vídeo junto com seu grupo de floreadores malucos e é um negócio incrível.

Para acompanhar os caras, você pode conferir Visual Madness e The Virts.

Mágica com realidade aumentada

Vai ter gente querendo me bater por dizer isso, mas eu acho Marco Tempest um mágico meia boca em termos de habilidade que tem boas idéias em truques com tecnologia. E só. Ele manipula mal as cartas, você consegue ver movimentos espertinhos aqui e ali.

O que ele tem de melhor é um olhar sobre como usar esses objetos e tecnologias para criar truques surpreendentes, mas não necessariamente brilhantes. Esse com realidade aumentada eu achei interessante. Mas, de novo, como ele é um mágico meia boca, a coisa parece meio solta, com uma lógica meio estranha. E a desculpa vai ser que a performance é de teste e coisa e tal. Mas mesmos performances finais dele parecem feias meio nas coxas, sei lá. Falta alguma coisa nas ilusões dele que você não vê faltando nas performances de quem é do primeiro time de verdade.