O livro The Age of Spiritual Machines não é realmente uma novidade, mas é algo que merece ser lido pelas pessoas que estão fascinadas ou assustadas com tantas mudanças.
A idéia de Kurzweil (que, repito, não é tão nova, mas nunca foi tão bem explicada) é tão inebriante e tão assustadora que o chefão de tecnologia da Sun, um mané qualquer chamado Bill Joy, escreveu um artigo histórico para a Wired dizendo ter medo de que suas invenções (entre elas parte do desenvolvimento da linguagem Java) ajudem a ditar a extinção da raça humana.
Mas o interessante é que o livro de Kurzweil não diz que o mundo vai acabar. Ele diz que os humanos vão abandonar seus corpos biológicos e vão transferir suas mentes para computadores. Assim, diz ele, ganharão a eternidade.
Pior (ou melhor, depende do ponto de vista). Os humanos não seriam o fim da evolução, mas o meio pelo qual surgiria uma nova raça que seria a dos computadores inteligentes. Nós acompanharíamos esse caminho e iríamos nos digitalizar também. O próximo passo da evolução? X-Men perde.
Joy acha isso assustador. Você também?
Mas não é só isso que tira o sono do cientista da Sun. Ele leu um outro livro chamado Engines of Creation, de Eric Drexler, e ficou ainda mais aterrorizado. O tal livro fala das aplicações da nanotecnologia, uma das vedetes do próximo milênio (falo melhor desse livro em um dos meus próximos posts).
Nanotecnologia trabalha com máquinas feitas de átomos. Um exemplo: robôs poderiam ser injetados no corpo humano e combater uma doença. Um contra-exemplo: poderiam ser injetados para matar você.
Pior, como são feitos de átomos e são, em tese, capazes de montar moléculas não há limites para o que eles podem fazer. Quando e se a humanidade (se é que ainda vai se chamar assim) chegar ao estágio de dominação da mecânica quântica, será possível construir qualquer coisa em segundos. Usando nanorobôs, você poderia fazer uma mesa, com base no seu projeto. Eles montariam ela para você, EM MADEIRA.
Da mesma forma, seria possível fazer uma pessoa se desintegrar. Evaporar. Morrer em um segundo. Ou matá-la aos poucos com um monte de nanorobôs que simularim um vírus ou comem você por dentro. Escolha o pacote no supermercado…
Joy faz uma mea culpa por colaborar com a evolução tecnológica. Ele está com medo que toda essa tecnologia caia nas mãos das pessoas erradas e a humanidade fique ameaçada de extinção. Preocupação compreensível, não é? Mas apesar de tudo, o cara continua batendo cartão na Sun. Não parou com suas pesquisas. Será que ele estava mesmo convicto disso tudo ou era só gênero para ter seu artigo publicado pela Wired?
Só nos resta esperar…