Arquivos da categoria: Jornalismo

Não era para ser um mundo melhor?

Vou simplificar o que todo mundo quer complicar.

Quando o pessoal fala em blogs, em nova mídia e tudo que vem com ela, uma dos motivos de festa sempre foi o de que todo mundo ia ter voz num mundo em que a tal velha mídia não tinha mais a mesma credibilidade.

Aí, surgem os anúncios, os posts pagos e o pessoal corre atrás de centavos como o burrico tentando pegar a cenoura. Não dá, né, pessoal. Tem que ser diferente. É preciso lutar por algo melhor do que isso. Me deprime ver blogueiros bons, com textos ótimos, vendendo os temas de seus textos a quem pagar mais.

Podem espernear, podem reclamar, podem chamar quem torce o nariz de purista. O fato é que não foi com isso que a gente sonhou. Um mundo sem posts vendidos é bem melhor. Ou vocês vão continuar fingindo que não é?

E então? O que você faz quando pode fazer qualquer coisa? Os melhores blogs? Os mais inovadores? Com os melhores textos e idéias? Ou apenas aquilo que seus, hum, patrocindadores permitem?

Vamos em frente? O meio blog quer mais do que estamos entregando.

Contagem regressiva

Falta menos de um mês pro fechamento da nova revista, a Época São Paulo, que sai em maio. Na quarta, ela será lançada para o mercado publicitário, com pompa e circunstância. É muito excitante. Eu fico repassando todos os dias o que está sendo feito e pensando em como falta pouco, no quanto ainda temos que fazer. Estamos sendo ambiciosos em cada detalhe. Não se mede esforços. A rotina de trabalho é puxada, com todo mundo saindo por volta das 20h todos os dias e esperando que a coisa piore nas próximas semanas.

Por agora, há algumas perguntas essenciais:

1. você prefere que um guia gastronômico de São Paulo seja organizado por cozinha ou por área da cidade?

2. Quando você pensa em sair pra comer, prefere achar um bom restaurante mais próximo ou isso não é importante?

3. Você sempre está disposto a cruzar a cidade atrás de um bom prato?

Acredite. Isso está consumindo horas e horas de debates da nossa equipe.

Atrasado, mas sem perder a ternura

Essa polêmica entre a Veja e o John Lee Anderson, biógrafo do Che Guevara, com revistas como The New Yorker no currículo, é muito, muito interessante. Demorei para postar aqui por pura falta de tempo de coletar todos os links. Mas foi até bom, porque os desdobramentos foram até o dia 18 de novembro.

A revista publicou uma capa algumas semanas atrás tão alucinada e histérica que até eu que nunca fui fã de Che Guevara fiquei chocado. Aliás, a Veja simplesmente tomou por hábito chamar as pessoas de fedorentas e sujismundas, como se esse tipo de qualificação fosse discussão para a maior revista semanal do Brasil. O título da “reportagem” (assim, com aspas) é “Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa”. Aproveite para ver uma reportagem da mesma Veja feita dez anos atrás. Diz muito a respeito do que a revista se tornou.

Começa quando Pedro Doria  mostra a carta de Lee Anderson para Diogo Schelp, da Veja.

Em seguida, surgem a resposta de Schelp e os gritos histéricos de Reinaldo Azevedo.

Logo surge a tréplica de Lee Anderson, demolidora.

O comentário de Doria, logo em seguida, é irretocável.

Laissez faire, laissez aller, laissez passer

Uns dois anos atrás, eu me irritava solenement quando ia no site da Entertainment Weekly e o conteúdo estava fechado. Um dia, eles se tocaram do quanto isso era bobagem e abriram tudo. Felicidade total.

Ontem, segunda-feira, o New York Times fez o mesmo.

Por que, oras? Eles fizeram uma conta. O número de pessoas que chegava ao seu site por meio dos buscadores como Google e Yahoo era enorme. Só que, como eles batiam com a cara na barreira para quem não paga pelo acesso, acabavam desistindo e indo embora. O jornal viu que podia ganhar mais dinheiro ali com pageviews e cliques em anúncios do que estava conseguindo arrecadar com o acesso restrito assinado. Bingo. Abriu as portas de quase tudo, com exceção de alguns períodos específicos.

Quando eu, em qualquer discussão com colegas, falo que o negócio é abrir o conteúdo, ninguém me ouve. Será que agora vão me levar a sério? Ou a Wired, a EW, a Time e o New York Times, entre muitos outros, estão errados?

Blogueiro-propaganda?

Já que os blogueiros estão discutindo monetização intensamente, vale colocar um assunto na mesa. Como todo mundo ainda está pensando em como fazer isso de uma forma digna, honesta e que dê algum lucro que seja, os modelos ainda estão embaralhados, em construção. Então o espírito aqui é aberto, de debate mesmo. Nada de inferir, de acusar ninguém, porque isso seria ridículo e injusto.

Uma das coisas que está acontecendo muito é a transformação dos blogueiros em garotos propaganda de marcas e campanhas. As empresas lançam campanhas e os blogueiros, em troca de algum tipo de remuneração, falam delas em seus blogs. Em alguns casos, colocam um banner das empresas.

O blog é o blogueiro e vice-versa

Essa pra mim é a face mais fascinante (e intrigante) desse novo modelo. O blog é o blogueiro e o blogueiro é o blog. Então há uma clara fusão entre os dois e, em alguns casos, não fica claro se o blogueiro deve vender espaço de publicidade ou se deve fazer merchandising, por exemplo (ou os dois?). Quais são os limites e as práticas corretas nestes casos? Não sei ainda.

Na mídia tradicional, a boa prática é separar o espaço reservado para a publicidade. Essa separação precisa ser clara e os bons exemplos de como fazer isso estão no Adsense, no Submarino e Mercado Livre, apenas como exemplo. Eles oferecem anúncios em formatos bem diferenciados do visual básico do site. Assim, é possível colocar os anúncios sem confundir o leitor.

Igreja-Estado vira Cozinha-Escritório

Essa divisão radical entre o “departamento” comercial e a “redação” foi chamada pela mídia tradicional de separação entre Igreja e Estado. O departamento comercial não pode influenciar a redação. Apenas vende páginas de publicidade e evita que editores escolham pautas em função de interesses que não sejam o do leitor. Isso, claro, numa empresa séria.

A minha sensação é que o que hoje parece uma prática normal e válida pode comprometer a sonhada credibilidade de um pro-blogger. Os que querem construir sua imagem e acumular mais prestígio precisam se manter longe da postura “blogueiro-propaganda” e ficar no campo da separação entre igreja-estado. Mas, como estamos falando de blogs, eu chamaria de cozinha (onde ele fala do que quer e pensa) e escritório (onde ele resolve os anúncios).

O que é ser blogueiro-propaganda, afinal? É ganhar dinheiro para colocar badges de sites, por exemplo. Um badge não é um banner. Quando uma pessoa o vê, precisa saber quando aquele badge é uma curtição ou indicação do blogueiro e quando aquilo é uma propaganda do site que o badge representa. Esse tipo de escolha confunde o leitor. É como usar roupas da Nike sem dizer que está sendo pago pela empresa para usá-las em público. Atores fazem isso direto. Mas atores não são blogueiros, que vivem de seu prestígio e de sua credibilidade. É por isso que jornalista sério não pode fazer publicidade

Se o pro-blogger quer se diferenciar dos miguxos, por exemplo, será que é certo entrar em promoções-corrente do tipo clique aqui que eu ganho isso ou aquilo? De novo, confunde o leitor.

Aqui no site, eu já fiz algumas experiências de colocar banners aqui do lado. Sempre que faço isso, tento deixar claro que é publicidade. Acertei em alguns casos e errei em outros. Estou aprendendo como todo mundo.

De novo, para que fique bem claro, a idéia aqui é meio que discutir algo que tenho visto em vários blogs. Não quero atacar quem tenha feito isso. Acho que é normal, estamos todos descobrindo os limites e algumas práticas estão no terreno cinza mesmo.

O que importa é saber o que você acha disso. Diga lá.

Copiar e colar e consertar… ou não?

Já se vão, deixa eu ver, 30 dias desde que o Estado de São Paulo publicou uma notícia falsa (será que tirou? Será que corrigiu?) em seu site, conta o Alex Primo.

Até agora, nada de  retratação, embora o Terra tenha sido, digamos, mais ágil.

info_falsa_estadinho-1.jpg

Todo jornalista sabe que, para errar, basta começar a escrever. Nossa profissão vive uma luta diária contra o erro e, para isso, foram estabelecidos vários padrões básicos de checagem e de qualidade que os bons órgãos de imprensa sabem que precisam seguir. Quando criou a campanha e estabeleceu a piada do macaco que copia e cola, o Estadão comprou uma briga inglória contra um tipo novo de leitor e mostrou que, ao seguir os conselhos da empresa digital mais conservadora que existe, estava indo na direção errada. O debate soa como uma medida de marketing e só. É pouco. E então? Será que o jornalão corrige o rumo?

Quem fez o que e quando?

Cesar Maia anunciou que as camisetas estavam sendo vendidas ou colocou à venda? É mesmo parte de um plano diabólico do prefeito do Rio para sacanear um presidente ególatra e mimado?
A história está mal explicada. O fato é que o site Camisetas Online vai ganhar uma boa grana vendendo essa linha

A história já estava levantando vôo nos blogs.

Bola fora dos sites que anunciaram a história. Ninguém dá um trecho da newsletter nem consegue dar um link óbvio para o site do Camisetas Online. Ridículo.

Jornalistas Cidadãos, uni-vos!

A parte 3 da série O Jornalista É Você

Eu pensei em usar o termo “não-jornalistas”, mas soa forte e sai do tom do momento em que estou tentando incluir as pessoas. Quando eu falo “não-jornalista”, quero dizer que uma pessoa que não fez um curso formal de jornalismo também pode reportar notícias. Só que eu gosto mais do temo jornalista cidadão. Não é perfeito, mas é mais bonitinho. Enquanto não surge algo melhor, vou usando. Fica com uma certa cara de associação de moradores ou, pior, faz parecer que o jornalista regular não é cidadão. As palavras são mesmo cheias de truques…