Arquivos da categoria: Jogos

Os jogos e as ferramentas que mudam o mundo

Décadas atrás, jogos eram os de tabuleiro. Era relativamente fácil ter um e modificar suas regras, desenhas novas cartas e peças, escrever regras personalizadas (as regras da casa). Os video-games surgiram com a popularização da informática e foram se infiltrando em nossa cultura até se tornar uma forma de expressão artística poderosa. Agora, com a chegada do console indie, o Ouya, os jogos eletrônicos entram numa nova fase, cheia de possibilidades.

Leia mais na minha coluna no site da Galileu, A Explosão Criativa dos Jogos Independentes.

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Ameaça zumbi em um shopping britânico

Os zumbis se aproximam do ponto máximo de fadiga. Mas tudo bem, como eu adoro zumbis há décadas, eles nunca vão deixar de ser os monstros do meu coração. Ainda mais diante da possibilidade de ir a Reading, uma cidade próxima de Londres, e enfrentar três horas de horror dentro de um shopping abandonado e tomado por comedores de cérebros. Isso sim é diversão!!

Some rights reserved to Mikko Saari

Diga-me o que jogas

Some rights reserved to Mikko Saari

Grandes jogos dizem muito sobre o desenvolvimento e sofisticação de um grupo social. Jogar é ser capaz de entender processos, procurar padrões e, a partir daí, planejar e modificar suas estratégias para enfrentar certas situações. Imagine só: por que será que os alemães são tão bons com jogos? Por que adoram tanto o assunto?

Por que será que os RPGs (role-playing games), o jogo-software por excelência, se desenvolveram de forma tão poderosa nos Estados Unidos, enquanto tantas inovações estavam sendo feitas no terreno de software? RPGs eram a manifestação máxima da inventividade daquelas pessoas naquele tempo. Sua imaginação era tão fértil e sem limites que foi preciso criar um jogo sem nenhuma amarra.

E esses jogos deram origem a classes profundamente sofisticadas de videogames, duas gerações depois.

Enfim, meu ponto, minha defesa da necessidade de darmos mais importancia a jogar muito jogos melhores tem a ver com o tipo de pessoa que sai de uma sessão de um bom jogo. Você aprende a identificar problemas, desenvolver estratégias, errar e corrigir seus erros muito rápido. Você se torna, no limite, um profissional mais preparado pros desafios.

Penso nisso em relação a todos os tipos de jogos, de tabuleiro a videogames. Mas estou falando aqui de forma mais específica dos jogos de tabuleiro. Os charmosos dinossauros analógicos do mundo do entretenimento.

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Games: Uncharted e Heavy Rain

Minha sala ficou lotada e eu tive que decidir. Abrir mão do meu Wii, do XBox 360 ou do meu PS3. Não fazia sentido ter três máquinas. O Wii se foi. Mas o XBox e o PS3 estão me mantendo ocupado no pouco tempo que eu tenho para jogar.

Minhas últimas experiências no PS3 foram bem interessantes. Veja só:

Uncharted – Drake’s Fortune e Uncharted 2 – Among Thieves
A aventura tem um novo nome: Nathan Drake. Um caçador de tesouros que, apesar de parecer um espertalhão, não pára de exercitar heroísmo, nobreza e um curioso hábito de rir diante do perigo. Uncharted junta resolução de quebra-cabeças, plataformas e tiro em terceira pessoa. As animações e os gráficos são incríveis no primeiro jogo e fora de série no segundo.
Mas o que há de mais impressionante é a brilhante combinação de jogabilidade com um roteiro bem encadeado. Não falo nem de verossimilhança. Falo de uma capacidade de manter a história andando, mesmo que com um furo aqui e outro ali.

O segundo jogo pega tudo que foi realizado no primeiro e melhora. A escala é épica, o elenco de personagens se expande e a ameaça é muito maior. Adiciona ainda um bem sacado sistema de multiplayer. Deve ser um dos melhores video-games que eu curti nos últimos anos. Difícil mesmo de largar. É como realmente estar no meio de um filme de ação, cheio de resgates heróicos, explosões, tiroteiros absurdos e até romance.


Heavy Rain
Heavy Rain quer provocar a imersão do jogador num filme de mistério que copia descaradamente M. Night Shyamalan. Acontece que, bem, o Shyamalan vai mal, muito mal em sua carreira. Então, se o modo de jogar é menos que brilhante, a história é simplesmente inconsistente. A revelação da identidade do assassino é sem sentido e soa forçadíssima.

O gameplay abandona os comandos usuais e investe na tentativa de reproduzir o senso de urgência e a dificuldade de certas situações. Vira mais um obstáculo em vez de ajudar. Abrir um geladeira com um clique ou com um movimento diferente do joystick não passam de metáforas. Só isso.

Os criadores chamam Heavy Rain de  aventura interativa. Se deram ao trabalho de oferecer uma produto que abdica de mundos apocalipticos, super-heróis, street fighters, só para variar. Mas deviam ter caprichado mais na história, que deixa a desejar.

O visual é, sim, incrível. As animações são bacanas e a música cumpre seu papel magistralmente. Mas o jogo, tão ambicioso, é desonesto ao fingir que te dá certas opções que não existem. Ao rejogar vários capítulos, ficou claro os truques sujos dos game designers. Se você faz A, uma coisa acontece. Se fizer B, ela acontece também em vários casos. Me senti um fantoche e parecia que o console estava se divertindo mais do que eu.

Akoha Alex Akoha

Rá. Eu tinha que usar esse trocadilho. Como meu nome não é Lola (ainda bem, já imaginou eu me chamando Lola?) vamos ficar com Alex mesmo.

Mas o ponto é que eu executei minha primeira missão do Akoha ontem: Invite Someone to Drink. Fui na festa de aniversário da Manoella, a mulher do Will Prestes, e no meio da noite me ofereci para pagar um drink para ele. O Will ficou desconfiado, achando que era alguma peça que eu estava pregando até que eu mostrei a carta do Akoha pra ele.

Cheguei em casa e, na hora de registrar que executei a missão, eu posso contar por escrito como foi a coisa toda. Aí eu dou o e-mail de quem participou, posso fazer um videozinho e colocar a missão no mapa. Da mesma forma, a pessoa pode registrar a carta que recebeu no site e contar o seu lado da história. Assim, vai ser possível saber por onde andou minha carta de Akoha. É possível que ela Akoha pelo mundo! (ok, eu mereço um soco agora, eu sei Dois trocadilhos toscos no mesmo texto)

Mas achei a idéia muito legal. Hoje vou executar mais uma missão, pelo menos.

Projeto nerd de mestrado: Play Factor

Meu projeto de mestrado é sobre media. E é sobre jogos. Mas não é sobre jogos, video-games, de tabuleiro ou coisa que o valha. Eu tinha que complicar as coisas ao ponto que eu sinto que um dos meus professores não entendeu a idéia até hoje. Mas que culpa tem ele?

Deixa eu ver se eu consigo explicar minha idéia em poucas palavras.

1. Praticamente qualquer sistema de eventos pode ser representado na forma de processos e transformado num jogo. É assim que você tem um classico do tabuleiro como Banco Imobiliário e algo como Spore, simulando, err…, uma forma digital de criacionismo.

2. Temos também duas gerações inteiras que foram formadas com interfaces para tudo: bancos, escola, notícias, escolha a sua. Todas essas interfaces foram influenciadas profundamente pelos jogos eletrônicos.

3. Se eu posso dissecar processos. Posso desmontá-los e representá-los graficamente. Ao fazer isso, posso olhar para esses processos e entendê-los como um jogo que pode ter um ou vários objetivos, competitivos ou colaborativos. Em alguns casos, há uma objetivo que define vitória. Em outros, o objetivo é a sensação de diversão pura. Entender que jogo é esse, que regras estão sendo usadas é algo crucial.

4. Ao remontar tudo, o próximo passo é naturalmente redesenhar os processos e torná-los mais lúdicos e interessantes. Chamar o leitor (a audiência) para dançar, desafiá-lo(la), seja lá como você quiser definir. É isso que vai fazê-lo voltar.

Tem mais, mas pra um posto introdutório. A gente faz isso faz tempo, mas por outros caminhos e sem processos mais estuturados que nos ajudem a fazer a coisa funcionar direito. Quando eu sair do outro lado do meu trabalho de mestrado, espero estar com alguns desses processos alinhavados de forma clara. O nome desse conceito que eu estou desenvolvendo é Play Factor e eu já coloquei um blog em inglês para me auxiliar no desenvolvimento do meu trabalho. Assim, se você quiser acompanhar e opinar, seja bem vindo.

Contando meu karma

akoha_cards

O Cris me mostrou um conceito fascinante de jogo no outro dia e entrei sem pensar duas vezes na fase de testes. Akoha.

Funciona assim: você compra um maço de cartas e cada uma vem com uma “missão”. Todas essas missões envolvem você sair de casa e fazer alguma coisa, interagir com gente de verdade. Pagar um café, um drink, dar um chocolate, doar uma hora de trabalho social. Quando você faz isso, dá a carta para a pessoa, que, intrigada, vai até o site e a registra. Quando ela faz isso, os pontos da carta vão para você (viram seu karma).

O conceito é brilhante em tantos níveis. Vejamos. Você compra cartas, ou seja, eles criaram um modelo de cobrança que faz sentido, porque você recebe um objeto físico pelo seu dinheiro. O jogo virou um bom motivo pra você encontrar seus amigos ou mesmo conhecer um(a) estranho(a) na rua. E não é só, ao fazer isso, você está ajudando os caras a ganharem novos clientes. A pessoa vai chegar em casa, entrar no site e ficar intrigada com aquilo. Não tenho a menor idéia sobre a taxa de conversão dessas pessoas em jogadores. Mas se elas usarem o cartão já vai ser muito legal. As possibilidades são excitantes.