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O milagre, o iphone e o Twitter

Já faz algum tempo que, a cada evento absurdo, as novas tecnologias brilham. Hoje, quando o avião pousou no rio Hudson, um dos homens que foi ajudar no resgate fez uma photo com seu iphone e twittou.

Muito legal. Isso, claro, é uma repetição do que vem acontecendo em todo o mundo em Gaza, na Índia, Espanha, na Inglaterra mesmo. Antes, as pessoas esperavam saber das coisas por um jornalista. Agora, esperar pra quê? Seja você mesmo a primeira pessoa a dar a notícia.

Os jornalistas vão, mais e mais, se especializando em outra coisa que eles já faziam, mas que era uma parte de seu trabalho, a curadoria. Ajudamos você a saber alguma coisa baseado em nossa conhecimento. Mas, ainda assim, você não precisa ser jornalista pra fazer isso… Então, dá-lhe reinvenção.

Mas vamos falar de outra coisa, um momento. Sobre o fato de que um avião levantou vôo, deu defeito e todo mundo sobreviveu a um pouso forçado arriscadíssimo. Isso é incrível. Eu não tenho notícia de nada parecido em toda a minha vida. Alguém sabe qual é a chance em milhões, de isso acontecer? O cara pousou no Rio e, contrariando todas as estatísticas, salvou todo mundo. Pra mim, aquele monte de equipamentos de segurança, aquela rotina de mostrar salva-vidas, porta de emergência, eram só uma forma de me convencer de que eu estava protegido e me ajudar a acreditar que entrar numa máquina voadora de sei lá quantas toneladas era algo viável. Pois o fato é que o cara fez o pouso, as pessoas foram regatadas e ele, basicamente, entrou para a história da aviação. Anote o nome aí: Chelsey B. “Sully” Sullenberger.

A morte dos jornais, de novo e de novo

Não é nenhuma surpresa que os jornais como os conhecemos estão morrendo. Esse artigo da Atlantic diz que o NYT poderia acabar em maio de 2009 (Não vai, não vai, tem outras opções antes de quebrar, calma). A Wired, por sua vez, oferece cinco idéias do que o Google poderia fazer para ajudar. Por que o Google? Bem, porque muita gente atribui ao Google, junto ao Craigslist, parte da culpa pelo fracasso dos jornais no século 21. É meio ridículo culpar empresas por inovação, mas o pessoal está desesperado…

Mas este ano vamos ver jornais abandonando dias menos lucrativos, deixando de ser diários e focando em outro tipo de relação com os leitores. E nisso, vai ficar difícil dizer a diferença entre jornais e revistas semanais. Segura que lá vem confusão.

Filme interativo


Introduction to Interactive Film from latefragment on Vimeo.

Devia ter mais coisas assim, afinal o DVD sempre permitiu que isso fosse feito. Acho que com o Blu-Ray e coma própria massa crítica de uma sociedade cada vez mais acostumada a essas coisas a coisa pode pegar. Ainda vou ver o DVD e posso falar melhor depois, mas o que o site mostra é bem promissor.

Claro que, no fim, é só uma forma de contar a história. Se o conteúdo não for muito legal, de que adianta? Então, além de criar tramas interativas, é preciso criar boas tramas interativas, pessoal. Vamos lá!

Amigos virtuais reais

Anna Pickard, do Guardian, fala de como algumas pessoas ainda acham que amizades feitas online são sinal de fracasso social. É, de novo, uma daquelas coisas que me dão sono. As pessoas parecem não colocar nada em perspectiva e apenas ceder aos seus impulsos mais impensados na hora de fazer um julgamento. É a mania de julgar as coisas sem fazer comparações e sem tentar entender as vantagens e desvantagens reais. E, claro, apenas colocar suas preferências (e medos) pessoais na mesa.

Curto ou longo? Isso importa?

Twitter ou blog? Curto ou longo? Eu tenho visto várias pessoas argumentarem a favor do twitter com a justificativa de que dá menos trabalho, é mais curto e coisa e tal.

Isso é uma questão legítima? Jura? O que me impede de blogar textos curtos? Nada.

Não é essa a questão, né? O que me parece genial no Twitter é essa sensação de conversa, de sala de chat virtual 24 horas, não linear, atemporal. Aí, o limite de 140 toques virou uma espécie de play factor, de limite que te desafia e te faz ser mais sucinto. Te obriga a quebrar seu pensamento em pedacinhos quando necessário. Eu tenho o hábito de, nos instant messengers da vida, ir teclando, dando enter e teclando mais e dando enter. Assim, eu mantenho uma velocidade maior na conversa, embora tudo fique mais fragmentado.

Dizer que o Twitter é mais fácil porque é mais curto me parece uma simplificação grosseira. É diferente de blogar, embora tenha pontos de contato. Da mesma forma que limitar o blog a “diário” é uma bobagem atroz. É confundir meio com gênero, ferramenta com o produto do trabalho dela, lápis com texto. Se o blog ameaça morrer como principal canal de comunicação pessoal isso tem mais a ver com a invasão do profissionalismo do que qualquer outra coisa. Em algum ponto, a coisa fica tão séria que as pessoas se intimidam. Uma pena.

O Twitter é um outro bicho, com outras possibilidades deliciosas. Mais uma das ferramentas que foi criada antes de se saber a utilidade e que quem descobriu o que fazer com ela foi o usuário.

Filme coletivo + bem-vindo N96

A Nokia contratou Spike Lee para dar um trato em milhares de videos enviados por usuários de seus celulares no mundo todo. O resultado é… interessante. Não pagaria para ver, mas achei legal.

Depois de gastar meu N95 pretinho e heróico. Mudei pra um N96, num desses planos cheios de brindes. Dei meu aparelho velho de guerra e recebei um novinho em folha. O N96 é uma versão melhorada, com o dobro de memório (16gb contra os oito do black) e uma entrada para cartão de memória. O flash é melhor e ainda conta com uma luzinha para ajudar a gravar vídeos com pouca luz. Ah, o anel ao redor da câmera vira um pezinho para você colocar o celular numa mesa e poder assistir a um vídeo (bobagem meio inútil). Outra coisa que eu notei foi que o GPS alinha bem mais rápido.

O Cris se deu ao trabalho de achar uma lista com as diferenças entre as duas máquinas na Wikipedia. Até aqui, o N96 parece realmente um passo à frente, uma enorme melhoria sobre o já ótimo N95 Black. Mas não tem touch screen. Imperdoável. Se tivesse, deixava o iphone para trás. Se. Como não tem, fica aquele negócio de decidir o que você quer. Meio que uma decisão emocional mesmo. EMbora eu adore meu macbook, não fiquei seduzido pelo celular da Apple. Nem sei por que.

iamnews quer ser o futuro no presente (atualizado)

Nir Ofir teve um sonho. Ou melhor, estava escrevendo um livro de ficção científica sobre um mundo no qual todos colaboravam numa grande rede de informações, a Iamnews (algo como “eu sou notícia”). Aí ele se tocou que toda a tecnologia estava de pé e que isso não precisava ser ficção científica. O futuro chegou, meu chapa.

Claro que a coisa toda é mais complexa do que os modelos de jornalismo cidadão que JÁ EXISTEM. Ele bolou um modelo de negócio, pôs de pé um business plan e fundou a empresa Iamnews.com. Quer fornecer notícias, ganhar dinheiro com publicidade e dividir os lucros com os colaboradores. Se acertar, pode virar uma plataforma de publicação poderosa (O TechCrunch fala detalhadamente da apresentação).

Está em busca de investidores. Um monte de gente achou a idéia legal, dentre as várias expostas no TechCrunch50. Será que vai pegar?

A força da multidão (atualizado)

Spore foi lançado com uma campanha mundial. É um jogo esperado e intensamente elogiado pela crítica especializada. Mas, tem sempre um más. A Eletronic Arts optou por lançar o jogo com um DRM que limita o número de instalações e obriga você a validar o jogo via internet na hora de iniciar cada sessão.

Resultado: uma avalanche de protestos. Na Amazon, a maior loja online do mundo, isso fez com que as 99 resenhas elogiosas, dando quatro ou cinco estrelas ao jogo, desaparecessem esmagadas por 2.014 dando uma ou duas estrelas e reclamando do DRM. É um voto de protesto que nada tem a ver com a qualidade do jogo. Mas que, certamente, influenciou milhares de pessoas que chegavam na Amazon meio na dúvida sobre a compra.

Não sei ainda se o movimento foi coordenado. Se houve um chamado às armas. Mas o fato é que há um protesto armado. A Eletronic Arts, que enfrente problemas financeiros, que se cuide. A fúria dos clientes é algo difícil de aplacar…

Atualização: Por incrível que pareça, as resenhas negativas desapareceram por algumas horas do servidor da Amazon, como reporta o Ars Technica. Mas já voltaram. A direção da empresa diz que tudo aconteceu por conta de um problema técnico.