Arquivos da categoria: História

Jobs e Gates: Los Pirata

Ontem, em homenagem ao cara, eu revi Pirates of Silicon Valley, que conta a história de Steve Jobs e Bill Gates até aquele histórico anúncio em que Jobs afirma a uma multidão transtornada de Macmaníacos que a rivalidade entre Microsoft e Apple tinha chegado ao fim, debaixo de um investimento salvador de US$ 150 milhões de dólares. É a dramatização do momento abaixo, para ser mais exato.

O filme é de 1998 e foi feito a toque de caixa para o canal TNT. Eu fui para Los Angeles conhecer e entrevistar todo mundo, então é um daqueles filmes que sempre me traz recordações bacanas. E olhe que, pra dizer a verdade, está longe de ser grande coisa. O diretor erra a mão em certas escolhas, os atores, mesmo fazendo um bom trabalho, estão mal dirigidos e cometem excessos meio ridículos em alguns momentos, a maquiagem com barbinhas e perucas é patética.

Mas, cacimba, imagino Aron Sorkin escrevendo essa história. Uau. Seria incrível. Olhando no contexto da década que veio a seguir é muito mais impressionante: Gates (que teve um papel importante na salvação da Apple) se aposentou e virou um benfeitor multibilionário. Jobs, se tornou o CEO mais bem sucedido da história (como eu disse aqui antes, eclipsando o grande Jack Welch, wow), capaz de revolucionar ou pelo menos sacudir a telefonia, a indústria da música (e do entretenimento) e o mercado editorial, sem falar na própria indústria dos computadores pessoais.

Jobs legitimamente curtiu o trabalho de Noah Wyle nesse filme e o convidou para uma brincadeira na Mac World de 1999. Veja:

Maus, I Will Survive e a sorte dos sobreviventes do holocausto

Não achei engraçado nem desrespeitoso, como tenho certeza que muita gente vai dizer que é. Achei… Curioso.

De tudo que eu vi e li sobre o Holocausto acho que o que mais me tocou foi Maus, álbum do Art Spiegelman que me demoliu emocionalmente. O pai do protagonista conta toda sua saga de sobrevivência às atrocidades do regime nazista. No final, não lembro se é ele que fala sobre como as pessoas olham o valorizam como um lutador que sobreviveu por que se negou a morrer ou porque era especial.

Não. Diz o personagem. Sobreviveu porque teve sorte. Outras pessoas tiveram garra, tiveram fibra, foram inteligentes e simplesmente morreram ao acaso, ao bel prazer de algum louco homicida.

Querer muito viver não era o suficiente. Sobreviver ao terror nazista, à insanidade daquele regime era, na enorme maioria das vezes, obra do acaso. Esse bem-humorado “I Will Survive” no vídeo acima soa então como uma bobagem, mesmo que a gente tente achar alguma interpretação edificante na letra da música. O clipe é até bem intencionado, até quer ser engraçado, mas para mim erra o alvo.

Atualização: O Leandro avisa nos comentários que é justamente esse comentário que eu citei, da sorte pura, que surge num outro vídeo relacionado: http://www.youtube.com/watch?v=DpfID7pLe7M

Deu em todos os lugares: A IBM, direta ou indiretamente, colaborou com o nazismo

Essa entra para a lista dos fatos que estavam debaixo do nariz de todo mundo e todos ignoravam. Claro que eu e você não sabíamos, até porque nunca nos interessamos em saber, que a IBM tinha uma subsidiária na Alemanha nazista.

Ainda pior, as máquinas de calcular, aqueles computadores eletromecânicos que a empresa produzia, foram usados para organizar o extermínio de milhões de pessoas.

Certamente um absurdo. Uma daquelas distorções mais escrotas, mais degradantes do capitalismo é essa mania de que, desde que você pague, vale tudo. Para a multinacional norte-americana, o dinheiro do nazismo era tão bom quanto o de qualquer outro regime, totalitário ou não. Lá foi a IBM ganhar alguns milhões (de dólares) e ajudar a matar mais alguns milhões (de pessoas). Uma vergonha.

Mas cabem algumas observaçõees por conta dessa gritaria histórica que vem por aí.

Tem um monte de empresas grandes atuando junto a governos totalitários e assassinos em todo o mundo neste momento. Antes de embarcar na falácia e na propaganda, porque ninguém se preocupa com isso? Daqui a quantos anos vamos ver uma reportagem semelhante comentando que a empresa X investiu, sei lá, em Timor Leste?

Sei que você pode dizer que o que importa, nesse caso, é o que foi feito com eles. Mas não é simples assim. Por que os questionamentos têm que ser pautados pelo que sai no Fantástico? Será que a causa disso é a gritaria que os judeus fazem, legitimamente, diga-se de passagem, que cria essa celeuma somente sobre o que acontece com eles? Eu acho que, em parte, sim.

Que a denúncia é grave, que é um pesadelo de relaçõees públicas tudo bem. Mas eu não aguento mais ver essa propaganda descarada para reparar o que foi feito aos judeus e somente a eles. Há um monte de gente sendo morta e explorada em tantos lugares, inclusive aqui, e ninguém se choca, ninguém se preocupa.

Até mesmo na própria Segunda Guerra, não foram só os judeus que foram mortos. O trabalho de imagem foi tão bem feito que parece que a guerra se resumiu a isso: matar judeus. Vá aos livros de história e descubra que não foi bem assim.

Não podemos fingir que não aconteceu. Que não foi bárbaro. Que não foi uma estupidez. Mas achar que os caras que estão trucidando gente no Oriente Médio há mais de 50 anos são sempre os mocinhos é inocência demais.

Se a IBM realmente colaborou com o holocausto que seja punida. Legalmente ou pelos seus clientes, que não vão comprar mais máquinas de uma empresa que ajudou a matar milhões. Lembre-se que para muitos judeus, essas pessoas que morreram eram seus avós, pais e irmãos. Que pague uma indenização bilionária (preço pequeno diante da estupidez). Mas essa histeria é de amargar.

E, que fique claro, essa página não é anti-sionista nem por um segundo.