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Nunca mais a primeira vez

(Ou por que ninguém tem o direito de desrespeitar a obsessão alheia por não saber o que virá)

original

Eu não gosto de spoilers, as revelações sobre o que vai acontecer em obras de ficção, sejam livros, filmes, peças teatrais, quadrinhos ou seriados.

Já revelei coisas por acidente, mas tento respeitar as pessoas que não assistiram tal obra. E aqui vai o motivo muito cristalino:

Só existe uma chance de ser surpreendido pela primeira vez.

A única pessoa que tem o direito de abrir mão desse direito é você. Ninguém mais. É a sua vida.

Não interessa que essa e aquela pessoa achem uma bobagem. Não me venham com o papo de que Hamlet ou Romeu e Julieta são incríveis mesmo você sabendo tudo sobre eles. Não é essa a questão. Estamos falando aqui da mais pura de todas as experiências: experimentar Romeu e Julieta pela primeira vez. Sem. Saber. O. Final.

A partir daí, todas as outras vezes vão te oferecer outros insights e sensações. E a única que nenhum deles vai te oferecer novamente? O frescor da primeira vez. Nunca mais.

Jobs e Gates: Los Pirata

Ontem, em homenagem ao cara, eu revi Pirates of Silicon Valley, que conta a história de Steve Jobs e Bill Gates até aquele histórico anúncio em que Jobs afirma a uma multidão transtornada de Macmaníacos que a rivalidade entre Microsoft e Apple tinha chegado ao fim, debaixo de um investimento salvador de US$ 150 milhões de dólares. É a dramatização do momento abaixo, para ser mais exato.

O filme é de 1998 e foi feito a toque de caixa para o canal TNT. Eu fui para Los Angeles conhecer e entrevistar todo mundo, então é um daqueles filmes que sempre me traz recordações bacanas. E olhe que, pra dizer a verdade, está longe de ser grande coisa. O diretor erra a mão em certas escolhas, os atores, mesmo fazendo um bom trabalho, estão mal dirigidos e cometem excessos meio ridículos em alguns momentos, a maquiagem com barbinhas e perucas é patética.

Mas, cacimba, imagino Aron Sorkin escrevendo essa história. Uau. Seria incrível. Olhando no contexto da década que veio a seguir é muito mais impressionante: Gates (que teve um papel importante na salvação da Apple) se aposentou e virou um benfeitor multibilionário. Jobs, se tornou o CEO mais bem sucedido da história (como eu disse aqui antes, eclipsando o grande Jack Welch, wow), capaz de revolucionar ou pelo menos sacudir a telefonia, a indústria da música (e do entretenimento) e o mercado editorial, sem falar na própria indústria dos computadores pessoais.

Jobs legitimamente curtiu o trabalho de Noah Wyle nesse filme e o convidou para uma brincadeira na Mac World de 1999. Veja: