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Para crescer, o caminho do e-reader é para baixo

Eu não espero nem quero um Kindle colorido e touchscreen, embora possa surgir um. Na minha opinião, a Amazon tinha que mirar em outro alvo: o e-reader de menos de US$ 100. Faço uma pesquisinha enquanto estou escrevendo isso e caio no post do Seth Rodin pedindo um Kindle de US$ 50 (ele vai mais longe do que isso, vale ler o texto dele, não vou ficar repetindo aqui). Ok, de qualquer modo, um Kindle mais barato é o que a indústria deveria buscar.

A Barnes and Noble oferece o Nook (seu “Kindle”) por US$ 149.99, só com wi-fi. O 3G custa US$ 199.99. É o sinal de que esse é o caminho para esse tipo de aparelho. Ser um facilitador para essa nova era. Se gabar de suas vantagens sobre as telads de LED, OLED e LCD e oferecer algo muito simples e muito barato. Colocar preço na lista de vantagens não é nada mal. E preço baixo abre inúmeras oportunidades de promoções malucas. Você compra dois livros e leva um e-reader junto, por exemplo.

E não faz sentido pagar US$ 250 em um negócio desses quando o iPad mais simples custa US$ 499. É maluquice pura. Baixar o preço do e-reader torna os e-books uma alternativa mais que prática, popular. Vai acelerar a inevitável mudança. Junte a isso todas as iniciativas de self-publishing de Apple, Google e Amazon e teremos um mercado editorial explosivo, cheio de oportunidades em 2011. Junto com a explosão criativa que os tablets vão acelerar, temos um horizonte de belíssima possibilidades no futuro próximo.

23 e eu e você (atualizado)

A esposa de um dos bilionários do Google criou uma nova empresa chamada 23 and Me.

O serviço: você passa um cotonete na boca, manda para eles e recebe seu perfil genético, com informações que incluem a chance de você desenvolver câncer ou ter um infarto.

Parece legal, né?

Mas basta pensar um pouquinho que a coisa começa a ficar assustadora. Digamos que você usa esse serviço e descobre que pode ter câncer aos 50. Veja bem: pode. Não VAI ter câncer. PODE ter câncer. Digamos que, de alguma forma, essa informação se torna pública e cai na mão ou do seu empregador ou do seu plano de saúde. O que eles fariam?

Isso é só uma pequena parte dos problemas que esses avanços podem trazer se não forem discutidos e legislados de forma correta. Eu digo “problemas” porque nós sempre sabemos muito bem os benefícios desses avanços. Poder fazer exames profiláticos periódicos para evitar um câncer possível é algo desejável e que vai salvar milhares de vidas.

Ma, considerando que sempre há gente fazendo lobby a favor das corporações, não é difícil passar uma lei em que as empresas tenham o direito de saber se seus empregados PODEM ficar doentes ou não. Afinal, essa é uma informação legítima, diriam eles. Logo, logo, vamos estar fazendo testes genéticos junto com exames de admissão em empresas ou na hora de entrar num novo seguro saúde. As consequências… Bem, basta imaginar.

De vez em quando, eu realmente me pergunto se quero que certos avanços aconteçam…

Atualização: A Wired fala da 23 and Me

O Site do Visionário

Este é o site de Ray Kurzweil. O cara é um visionário. A especialidade dele é fazer sistemas de inteligência artificial. Sua tese é de que em alguns anos os computadores terão uma capacidade superior a do nosso cérebro. Depois serão capazes de pensar e logo ficarão mais inteligentes do que nós.

O site fala de tudo isso e ainda tem uma apresentadora que é um sisteminha simples de inteligência virtual capaz de responder suas perguntas a respeito das idéias do cientista. Para saber mais sobre ele você só precisa ler um livro, o definitivo: “The Age of Spiritual Machines”, infelizmente, por enquanto só existe em inglês.

Foi Kurzweil quem motivou Bill Joy a escrever o histórico artigo da “Wired” no qual confessa ter medo do futuro e de estar contribuindo para o fim da humanidade, já que as tecnologias do futuro são tão poderosas que poderiam destruir a humanidade.

Para Kurzweil a evolução se movimenta de forma exponencial e o formato biológico do ser humano não é capaz de manter as taxas evolutivas necessárias. Por isso,enquanto nós achávamos que estávamos no meio de uma lenta evolução para o próximo estágio, seguíamos apenas projetando pacientemente o tal próximo passo na escala: os computadores.

Eles vão herdar a Terra na opinião do inventor americano. Eles são o futuro. A raça humana vai se perpetuar digitalizando seus cérebros para computadores e vivendo eternamente. Claro que essa é uma visão otimista dele. Digo otimista porque a técnica pemitiria à mente humana se eternizar. Para muita gente, esse futuro é um inferno. Um futuro sem plantas, sem animais, sem seres biológicos ou com muito pouco disso tudo.

Para mim, é um futuro tão bom quanto qualquer outro. A raça humana vem provando a cada ano precisar menos da força de seus músculos e usar mais a capacidade de seus cérebros. Nossa percepção do mundo é apenas isso, a percepção. Se criarmos realidades virtuais que comportem nossa necessidade de ter um mundo primitivo, ou um hipermoderno, o problema está resolvido.

Na opinião de Kurzweil a resistência a esse mundo diferente, a essas pessoas sem corpo biológico vivendo em realidades virtuais irá diminuindo a cada geração. Eu concordo com ele. Nossa resistência a essas coisas já diminuiu muito e vai diminuir mais. Espero ver isso tudo acontecer.

Escola de Clones

Antes podia se chamar ficção científica. Hoje, é apenas uma sitcom.
Produtores norte-americanos preparam para a MTV dos Estados Unidos um seriado humorístico que conta a história de uma escola encarregada de educar os clones de diversas personalidades históricas, como Abraham Lincoln, Elvis Presley e Marilyn Monroe (esta última não muito pela personalidade, né?).

Como eles crescem em tempo real e são o resultado de um projeto do governo, precisam receber uma educação condizente com a idéia de leva-los ao ápice de seus potenciais.

Você pode achar a idéia uma besteira. Eu acho genial. Se não se resumir a enfileirar piadinhas infames e levar a frente, mesmo com humor, a discussão de temas filosóficos sérios, como a pressão de dar sequência ao legado dos indivíduos originais, pode ser um clássico moderno.

Por que essa preocupação? É que, na minha opinião humilde, uma série como essa pode ter uma função quase educativa de trazer o tema para a discussão. Não importa mais saber se um clone tem alma ou não. Eles existem, provavelmente já há clones de humanos em algum lugar nesse mundo, nesse momento.

Em outra novidade, já nasceram, oficialmente, bebês geneticamente modificados, nos quais foram implantados genes de uma terceira pessoa, além dos pais.

É hora de começar a pensar em como vai ser um mundo com clones.
Não é mais ficção científica. Veja só, virou até motivo de piada.

O hype da era digital – Parte 1

Recebi alguns e-mails sobre os posts anteriores a respeito de realidade virtual (que passo a denominar RV de agora em diante) e vale fazer algumas observações pertinentes.O que é uma RV? Bom podemos dizer que é um ambiente que não existe em nosso mundo físico, de átomos, mas sim em um mundo lógico.

As pessoas costumam associar alguns conceitos a tecnologia e um deles é a RV. Mas isso é um erro crasso.

Desde que o ser humano começou a contar histórias, surgiu a realidade virtual. Sim, qual é a surpresa? Ao criar uma história e situá-la em um mundo fictício qualquer, estamos criando uma realidade virtual. Pela definição, um mundo que não existe fisicamente, mas existe em termos lógicos.

Assim, todos os livros são uma realidade virtual. Todas novelas de rádio, todos os filmes. São realidades ficcionais, ou não, isso não importa, que não existem em nosso mundo. Claro que você pode alegar que os mundos virtuais de um filme existem como cenários, mas é procurar cabelo em ovo, mesmo porque os cenários não são nada perto da ilusão que criam no filme.

Podemos citar os sonhos também. Eles são a RV mais perfeita que conhecemos até aqui. O Eduardo Rocha me contou como seu pai sonha, dormindo e acordado, com um passado distante. Há pessoas que dizem poder controlar seus sonhos e ser capazes de criar cenários e situações ali. São os sonhos lúcidos.

Quando eu tinha lá os meus 14 anos, descobri um livro chamado enrola e desenrola. Ali tinha uma história contada para parecer que era você o protagonista e havia diversas opções que você ia escolhendo a cada página. Dali, você pulava para outras páginas de forma não linear.

É um passo à frente. Opção.

É preciso que você entenda antes de tudo que um livro é uma máquina. Uma revista, um jornal, também. São máquinas que usam como motor para funcionar habilidades que, presumivelmente, nossos corpos e nossas mentes possuem. São máquinas completadas por nós.

Um carro também. O fato de ele ter um motor torna isso mais claro. Mas não é diferente. Não funciona sem que alguém o dirija. Em algum tempo, computadores deverão dirigir carros, mas isso é outra história.

Saindo da digressão…

Anos depois de conhecer o enrola e desenrola, eu conheci o RPG. Pela milésima vez, a sigla vem de roleplaying game, é um jogo no qual você cria um personagem e uma outra pessoa cria uma série de situações e pergunta para você o que seu personagem faria se estivesse ali. Parece complicado, mas não é. E funciona que é uma beleza.

Surgiu em 1970 e alguma coisa e eu só o descobri no final da década de oitenta com um grupo de heróicos amigos. Onde eu quero chegar é que até aí, nesses tipos de diversão, não havia computador na equação, sacou?

O computador entra na história para turbinar as coisas. Alguns anos depois de eu começar a jogar RPG, surgiram jogos de computador como Wolfenstein e Doom. Até ali, quando eu falava em RV as pessoas diziam que eu estava viajando. Mas eles nada mais são do que o primeiro passo nessa direção.

A meta de RV é criar o que os sonhos lúcidos prometem. Um mundo virtual sob seu controle. Ali, você poderia ser mais rápido do que um trem, e poderia saltar mais alto que um prédio. Ali, poderei ter a mulher que quiser, na cama que escolherei.

A mulher que quiser (ou o homem, depende do sexo ou da preferência sexual) os seres humanos já imaginam há séculos com a masturbação. Uma modalidade de RV bem interativa, se é que você me entende. Saltar prédios, correr muito rápido, são coisas que os videogames trazem para a classe média moderna. Aliás fazer coisas impossíveis é bem possível em sonhos. Mas é difícil controlá-los. E feitos impossíveis são comuns em RPGs, não vou esquecer.

As pessoas querem mais. Elas querem sentir as coisas como se fosse tudo verdade. Elas querem ter o controle e querem ter as sensaçòes. E isso, o século 21 promete atingir com o uso de computadores. A única atuação dessas maquininhas é no papel de tornar esse sonho milenar realidade.

O que foi mudando ao longo dos séculos foi o nosso grau de interação com os mundos virtuais. Antes, nós só podíamos acompanhar o que estava acontecendo sem que nada pudéssemos fazer. éramos Cassandras.

Lembro de um episódio do desenho da Betty Boop que eu vi quando era criança. O cachorrinho dela se apaixonava por uma cachorrinha. Ela nào dava bola para ele até que caia em um rio ele a salvava.

Eu fiquei com ódio da personagem. De como ela só foi capaz de amá-lo por gratidão. Pedi ao meu irmão Fernando que me ajudasse a mudar o final do desenho.

Nando é onze anos mais velho do que eu, que tinha uns sete anos na época. Sem computadores para ajudar, ele montou uma maquete tosca com algumas folhas de papel ofício, caneta colorida e cola. Fez o cachorrinho, a cadelinha, o rio e uma cachoeira.

Tudo pronto, encenou o que acontecera no desenho, só que, em minha versão, o cachorrinho a deixava morrer afogada. Desculpem pela minha crueldade juvenil.

Meu mano, que controlava também aquela RV, fez o cachorro ficar triste. Me disse que ele precisava dela. Que gostava dela e que às vezes a gente precisa lutar quando quer alguém. Refizemos a simulação de novo, só que nada de rio. Em minha versão, ele e ela se apaixonavam antes, sem que ela precisasse se afogar em um rio para entender que ele a amava.

Desculpem, outra digressão.

Voltando, ao longo dos anos, esses mundos virtuais foram invadindo os nossos sentidos e agora estamos chegando à última fronteira. Dos capacetes, passaremos a enganar nossos sentidos. Assim como muitas vezes não sabemos que estamos sonhando, não vamos conseguir distinguir a RV da realidade.

E o mundo físico e o lógico vão se fundir. Quem viver, verá.

Ainda no espírito: o século 21 será A Era das Máquinas Espirituais?

O livro The Age of Spiritual Machines não é realmente uma novidade, mas é algo que merece ser lido pelas pessoas que estão fascinadas ou assustadas com tantas mudanças.

A idéia de Kurzweil (que, repito, não é tão nova, mas nunca foi tão bem explicada) é tão inebriante e tão assustadora que o chefão de tecnologia da Sun, um mané qualquer chamado Bill Joy, escreveu um artigo histórico para a Wired dizendo ter medo de que suas invenções (entre elas parte do desenvolvimento da linguagem Java) ajudem a ditar a extinção da raça humana.

Mas o interessante é que o livro de Kurzweil não diz que o mundo vai acabar. Ele diz que os humanos vão abandonar seus corpos biológicos e vão transferir suas mentes para computadores. Assim, diz ele, ganharão a eternidade.

Pior (ou melhor, depende do ponto de vista). Os humanos não seriam o fim da evolução, mas o meio pelo qual surgiria uma nova raça que seria a dos computadores inteligentes. Nós acompanharíamos esse caminho e iríamos nos digitalizar também. O próximo passo da evolução? X-Men perde.

Joy acha isso assustador. Você também?

Mas não é só isso que tira o sono do cientista da Sun. Ele leu um outro livro chamado Engines of Creation, de Eric Drexler, e ficou ainda mais aterrorizado. O tal livro fala das aplicações da nanotecnologia, uma das vedetes do próximo milênio (falo melhor desse livro em um dos meus próximos posts).

Nanotecnologia trabalha com máquinas feitas de átomos. Um exemplo: robôs poderiam ser injetados no corpo humano e combater uma doença. Um contra-exemplo: poderiam ser injetados para matar você.

Pior, como são feitos de átomos e são, em tese, capazes de montar moléculas não há limites para o que eles podem fazer. Quando e se a humanidade (se é que ainda vai se chamar assim) chegar ao estágio de dominação da mecânica quântica, será possível construir qualquer coisa em segundos. Usando nanorobôs, você poderia fazer uma mesa, com base no seu projeto. Eles montariam ela para você, EM MADEIRA.

Da mesma forma, seria possível fazer uma pessoa se desintegrar. Evaporar. Morrer em um segundo. Ou matá-la aos poucos com um monte de nanorobôs que simularim um vírus ou comem você por dentro. Escolha o pacote no supermercado…

Joy faz uma mea culpa por colaborar com a evolução tecnológica. Ele está com medo que toda essa tecnologia caia nas mãos das pessoas erradas e a humanidade fique ameaçada de extinção. Preocupação compreensível, não é? Mas apesar de tudo, o cara continua batendo cartão na Sun. Não parou com suas pesquisas. Será que ele estava mesmo convicto disso tudo ou era só gênero para ter seu artigo publicado pela Wired?

Só nos resta esperar…