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Meu companheiro de viagem

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Quando eu vim para a Inglaterra, uma das coisas que eu realmente verifiquei se era possível foi a possibilidade de trazer o Darwin, meu labrador, comigo. Digo, fiz uma verificação de garantia, porque sabia há algum tempo que as restrições inglesas para a entrada de animais na Ilha são severas. Seu cachorro precisa ficar seis meses em quarentena.

Seis meses.

Se ele vier da Europa e não do Brasil, são “só” três meses em quarentena num esquema mais simples, sendo observado por um veterinário e ficando em casa mesmo, na França, por exemplo. Mas o que importa é que, como eu ia ficar um ano, não fazia sentido submeter o Darwin a algo desse tipo. Assim, vim sozinho mesmo.

Muita gente acha que os animais vão ser uma dor de cabeça, mas pra mim cuidar dele sempre foi legal. Não é uma rotina simples e, no Brasil, eu tenho uma ajuda enorme da Luci, nossa assessora para assuntos domésticos aleatórios. Na Inglaterra, funcionaria como uma terapia ocupacional e um motivo para me manter em movimento. Eu sempre gosto de dizer que o Darwin me fez querer ser ativo de novo. Ter um amigo que está sempre pronto para correr e brincar contigo é um negócio sensacional.

Mas o fato é que ele ficou no Brasil e eu vim sozinho. Aí, comecei a obsessão. Comprei um labrador preto de pelúcia (!). Uma caixinha de Playmobil que tinha uma bonequinha de veterinária e um lab preto com caixa de viagem, comedores e um ossinho, estátuetas com labradores pretos e um maltês (eu acho que as estátuas são westies, mas eu digo que são malteses e quem vai me contestar?).

Agora, saio por Portugal com a Mônica e resolvi que, de alguma forma, ia levar o Darwin com a gente. Peguei aquele labrador preto de plástico da caixinha de Playmobil e decidi que ia fotografar suas aventuras conosco. Criei um set público no Flickr para guardar essas imagens. DIvirta-se.

É engraçado como isso é uma volta a forma como eu sempre brincava com as coisas quando era pequeno. Playmobil é um brinquedo pronto em que tudo vem na caixinha e você associa os múltiplos kits. Eu não era pobre, mas também estava muito, muito longe de ser rico e ter todos os brinquedos legais. Eu tinha uma ou outra caixinha com bonequinhos Playmobil, mas meus amigos mais sortudos tinha navez espaciais, casas, carros. Bom, eu brincava com eles, mas na maior parte do tempo, meus bonecos viajavam em naves espaciais feitas com caixas de sapato e ovo e eu criava uniformes e cenários com papelão, cola, tesoura e caneta colorida. Esse pequeno labrador de plástico não foi concebido para isso. Mas quando você vir as fotos, vai pensar que nunca viu um labrador de plástico tão à vontade…