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Londres parou

Ontem aconteceu aqui na Inglaterra a maior nevasca dos últimos 18 anos. Imagine um evento como esse num dorm onde vários dos moradores são de países que nunca viram neve? Foi uma festa já na madrugada de domingo para segunda. As pessoas saíam de noite para brincar enquanto o mundo era pintado de branco. Eu, claro, me esbaldei com meus colegas de classe.

Na segunda, a Gande Londres parou. Os ônibus simplesmente não saíram, várias pessoas ficaram na rua, no frio esperando em vão e acabaram desistindo de ir trabalhar. Os trens pararam, os vôos foram cancelados, as escolas fecharam. Estima-se que o país perdeu £1 bilhão só por ter parado ontem.

Sinceramente? EU esperava que os ingleses fossem enfrentar a nevasca com mais classe e organização. Não foi pos acaso que viraram piada. Os estrangeiros de outros países europeus que moram aqui acharam engraçado tanto barulho “por causa de um pouco de neve”. Os jornais criticaram o completo despreparo da infraestrutura para lidar com uma tempestade que tinha sido prevista com dias de antecedência pela meteorologia. Não é que não neva nunca aqui. Todo ano neva um pouquinho. Mas não como ontem. Ainda assim, não é desculpa para um país se dobrar tão fácil.

No final da tarde, fiquei sem luz só no meu quarto. Um fusivel queimou. Depois de mais de uma hora, trocaram. Duas horas depois, meu setor inteiro ficou sem luz. E aquecimento. E água quente. Estava marcando três graus negativos lá fora. Na BBC, um londonense irritado reclamava: estamos parecendo um país de terceiro mundo!!

Também não é assim, claro. Vamos dar um desconto para o fato de que, se eu esperava mais, os brits esperavam mais ainda de si próprios. Mas eu me decepcionei, sim.

Magicoterapia

É engraçado se ver longe de todo mundo, numa situação que não se parece com nada que eu vivi até agora. Eu comecei a trabalhar regularmente com 17, emendei na faculdade, depois no trabalho (que comecei antes de concluir a faculdade e acabou me atrasando na formatura) em que fui emendando uma coisa na outra e agora estou fazendo o mestrado aqui em Londres. Pela primeira vez em não sei quantos anos, não estou trabalhando regularmente. Tenho um monte de leituras pra fazer, trabalhos que me mantém ocupado e tudo mais. Mas é claro que me sobra algum tempo livre.

E nisso, retomei algumas paixões que abandonei sabe-se lá por que. Comprei uma caixa de Lego e gasto algumas horas por semana montando modelos. Uma delícia. Estou retomando algumas leituras de quadrinhos que parei em 2007, quando minha vida ficou tão complicada e confusa com mudanças de emprego, casa e tudo mais. Assim, estou concluindo a leitura de Y – The Last Man, que é genial.

E, ah, mágica. Sempre adorei. Quando era molequinho, fiquei meses namorando um kit de mágicas chamado Stelco Magie, que vinha com uma cartola e tudo. Mais velho, devorei alguns livros e em algum momento nos meus 20 anos, simplesmente abandonei completamente o assunto. Nem tanto… Quando estava na Folha de São Paulo, fui eu o repórter que desmascarou o Mister M, sabia? Fiz uma pesquisa mala, liguei pra todo mundo, achei uma revista com uma foto dele e fui, também, o primeiro a entrevistá-lo. Hoje parece bobagem, mas quando o assunto estourou lá nos EUA e aqui no Brasil, a coisa foi grande.

Quando fui a Las Vegas, em 2005, vi um show fantástico de David Copperfield que terminava com essa ilusão incrível.

Em 2006 comprei uns truques e me interessei de novo pelo assunto. Em 2007, fui acompanhar um truque do Chris Angel (que eu acho um mala sem alça) em Nova York, a convite do canal que exibe o programa dele no Brasil. No mesmo ano, vi um kit bacana numa loja nos Estados Unidos e comprei. Trazia uns truques legais. Comprei também um livro chamado Hiding the Elephant, que contava a história da era de ouro do Ilusionismo, que se desenrolou principalmente aqui em Londres. Mas veio a mudança, umas caixas foram pra um depósito por engano e só voltei a tocar nessas coisas em junho, quando tudo foi colocado no apartamento novo. Aí, em setembro, vim pra cá e… esqueci o kit e o livro.

E daí? Aqui tem umas lojas muito melhores do que as brasileiras, uns sebos com livros por preços ridículos e, afinal, existe a internet. Mergulhei no assunto como uma forma de relaxar de management, marketing, operations… Virou minha nova obsessão. Sei lá, uma coisa divertida pra eu levar daqui. Sem distrações, eu posso ficar teinando o uso do baralho, das moedas. Vira uma higiene mental.

Entre as coisas que eu aprendi a fazer estão truques simples como o da moeda na garrafa e esse aqui que é beeem legal:

Ontem, fui fazer o truque com algumas cervejas nas idéias e errei um passo. Paguei mico, claro. Bárbara e Hiro, gente boa que são, nem me sacanearam. Hoje, meus amigos indianos acharam o máximo. Fazer mágica virou uma terapia, um experimento social.

Oito anos

Hoje este blog faz oito anos. Eu abri a conta no Blogger num distante setembro de 2000, mas só arrumei e ajeitei o blog em janeiro de 2001. Como aconteceu com várias pessoas, o blog substituiu um hábito que eu estabeleci quando fui morar em São Paulo, no final de 1997: mandar um mesmo e-mail para vários amigos contando o que estava acontecendo na minha vida. Com o blog, o diálogo se expandiu e conheci várias pessoas bacanas e muito interessantes. E olhe que o blog foi uma coisa meio stealth por bastante tempo.

O fato é que tenho orgulho do que se construiu aqui. De vez em quando, releio algumas coisas e me surpreendo com minhas idéias de cinco, seis… oito anos atrás. Como eu mudei. Nesse espaço de tempo, trabalhei no maior jornal do país, ajudei a desenhar uma revista, a NET TV, comandei a criação de outras duas, Época São Paulo e MONET, editei o 300 Filmes, participei da criação de livros de gastronomia para a MONET e dei o pontapé inicial no 10+, que o meu amigo querido Denerval Ferraro Jr. escreveu. Entrevistei alguns dos maiores astros, produtores e diretores de cinema e TV. O maltesinho Sagan surgiu um pouco antes da “abertura” do Blog, mas o labrador preto Darwin foi intensamente festejado aqui. Fui deportado dos Estados Unidos! Minhas revista ganhou prêmio de capa lindona. Lancei outros blogs, podcast. Casei, me mudei. Me mudei de novo. Agora, o blog acompanha minha vida em outro país. Em setembro, vai documentar o que muda na minha vida quando eu voltar ao Brasil.

Adoro ter esse espaço. Obrigado por compartilhá-lo comigo.

Atualizado: Brasileiro tranquilo

Eu tenho um Adidas Gazelle verde e amarelo que está velhinho e com a sola furada. É um furo imperceptível, mas o suficiente pra incomodar em dias de chuva londrina Mas adoro aquele tênis. Procurei e não achei um igual. Até que achei um Gola beeem satisfatório:

Ando orgulhoso pelas ruas. :)

Update: Nem. Esse tênis é superfrágil e começou a descosturar rapidinho. O da minha irmã, com o mesmo material, sofreu do mesmo mal. Os outros modelos são OK, mas não compre os Gola de nilon.

Já estou voltando

O mês voou. Vim para cá, curti minha família, meus cachorros e não fiz muitas coisas. Eu só queria curtir a casa e fazer nada de especial. Nesse meio tempo, li dois livros inteiros, avancei vários capítulos em mais três que estou lendo simultaneamente, devorei filmes, seriados, gibis. Joguei War e outros jogos de tabuleiro, vi meu labrador quase se afogar numa piscina (how humiliating, Darwin!).

Agora, na última semana, estou com raiva dessa letargia que tomou conta de mim. Por que eu fiquei assim? Será algum tipo de depressão? Agora vou ficar nove meses do outro lado do mundo longe das pessoas que eu mais gosto na face da Terra. Quando chegar em Londres, na segunda, vai estar dando 5 graus negativos.

Não me entenda mal. Não é nenhum drama. Sou uma pessoa de muita sorte. Tenho um trabalho fantástico, família maravilhosa, o curso é bacana, os amigos do curso também são muito simpáticos. Em Londres eu tenho o Hiro, a Baxt, a Nica. Não estou abandonado no mundo. Não passo grandes necessidades e dificuldades. Mas eu sabia o efeito que esse mês ia ter na minha moral. Ficou mais difícil voltar, porque é muito bom estar aqui. E, por mais bacana que seja Londres, a grande, linda, estupenda Londres, ficar aqui é uma delícia também. Aqui tenho os amigos e as coisas pequenas. Aqui eu compro pipoca de canjica na esquina. Acordo e vou tomar café com misto-quente. Aqui é minha casa.

Resta torcer para que metade, não, um terço dos amigos que prometeram ir me visitar, cumpram essa promessa. Vai tornar a minha vida mais legal, posso garantir.

2008 e 2009

2008 foi…

O ano em que eu virei minha vida de cabeça para baixo. Comprei um novo apartamento. Ganhei uma bolsa prestigiosa, tirei licença no emprego e fui morar em outro país. Ajudei a criar uma nova revista que é um enorme sucesso.

O ano em que vi o final de The Shield, em que me reapaixonei por Lost e em que não vi 24 Horas (aquele filme meia-boca não conta). Me dediquei a devorar seriados ingleses legais como The Prisoner, Spaced e Dark Place. Em que reencontrei o cinema, minha velha paixão, que ficou meio em segundo plano com tanta coisa acontecendo. Foi o ano em que os blockbusters ficaram mais espertos e resolveram trazer temas mais palpitantes, como tráfico de armas (Iron Man), consumismo exacerbado (Wall-E) ou mesmo do que é feito o heroísmo em um mundo caótico e complicado (Batman – O Cavaleiro das Trevas).

Em que joguei muito Wii, inclusive o sensacional Wii Fit. Descobri, muito tardiamente, o Nintendo DS (maldita hora em que me deixei seduzir pelo PSP…). Descobri o Little Big Planet e comecei a respirar fundo na decisão de comprar um PS3.

Li poucos quadrinhos e devorei muitos livros sobre tendências econômicas e sociais. Tudo isso está influenciando enormemente meu mestrado, claro.

E no finalzinho, curti muito minha família e, especialmente, minha sobrinha linda.

2009 será…

Difícil. Será sim.

Muitos meses sozinho, muito trabalho, muita leitura, entrevistas e pesquisa, pesquisa, pesquisa.

Dinheiro curto, porque estou em licença, vivendo de bolsa e economias.

Saudades. Mas estou com as promessas de que vou receber visitas. E, realmente, torço para que todo mundo que disse que vai a Londres me visitar, cumpra o prometido.

O primeiro e o segundo semestre serão como água e vinho. Em setembro, volto ao Brasil e terei muito trabalho pela frente. E muita saudade pra matar. Estou começando o ano com muita ansiedade. E você?

Férias

De volta ao Brasil para um mês de esbórnia (nem tanto, com todos os trabalhos que eu tenho pela frente, mas o que importa é a intenção) já tomei meu primeiro porrezinho regado a caipiroska, linguiça com molho de maracujá e caldinho de feijão. Até torresminho, que eu não sou fã, eu comi.

Que “comida” boa…

O primeiro ensaio

Terça-feira é o deadline pro primeiro trabalho, um ensaio de cerca de 15 mil toques, ou 2500 palavras. Todos estão apavorados, sem dormir, correndo pra todo lado. Eu também, claro. Sei que é menos complicado do que parece, mas é sempre muito trabalhoso. Mesmo sendo um texto relativamente curto, exige uma tonelada de pesquisa. Você é julgado pelo mix de fontes básicas das primeiras semanas (palestras, livros e artigos em que tivemos uma boa noção de ferramentas de administração) e de novas informações que traga para a pesquisa. O artigo tem que ser entregue até terça, 17h, por um sistema de upload do texto. Depois disso, o sistema faz uma espécie de busca para evitar plagiarismo.

Essas primeiras semanas são, primordialmente, uma espécie de nivelamento. Eu sou um jornalista de mídia impressa e encontro aqui gente de rádio, TV, filme, livros, internet, games e ainda designers, atores ou administradores que estão procurando focar em mídia. Todo mundo sai dessa primeira parte entendendo um pouco de business models, value chains, resources and capabilities etc. Aí, esses conhecimentos vão servir para o duro trabalho de desenvolvimento do projeto de pesquisa, uma dissertação enorme que tem que ser entregue no final de agosto do ano que vem. Parece muito tempo, mas não é. Diante do que eu estou planejando fazer, o tempo vai ser muito, muito curto.

A principal dificuldade, pra mim, não é a pesquisa, é o referenciamento. Num artigo jornalístico, você faz também uma tonelada de pesquisa, mas não precisa ficar dizendo de onde tirou cada coisa. Assume-se que não é sua genialidade que gerou aquilo, que você tirou aquelas informações de algum lugar. Aliás, digamos que, se jornalistas tivessem que referenciar todos os seus artigos aconteceriam duas coisas: casos como o da fraude do New York Times (do jornalista que criava reportagens como peças de ficção) nunca aconteceriam, e os jornais teriam que ser mensais.

Brincadeira com fundo de verdade, claro. Se jornalistas mostrassem suas referências, nem que fosse num sistema interno do jornal, suas reportagens teriam mais credibilidade e o leitor teria a garantia de que está lendo algo que realmente foi pesquisado e apurado com retidão. O que acontece é que os grandes órgãos constróem reputação e o leitor acredita no que está sendo dito com base nessa crença de que “seu” jornal (ou revista, ou canal de rádio e de tv) tem um compromisso com a verdade.

Bom, parei aqui pra dar uma desanuviada e estou tão enrolado que acabei escrevendo sobre o que estou fazendo. Oh, dia! :)

Tira a ferrugem

Quase todo dia, eu acordo, vou pra academia que fica a, sério, tres minutos do meu apartamento e faço pelo menos 30 a 40 minutos de esteira. Uma promessa que eu fiz pra mim foi me cuidar, comer vegetais todos os dias e não me deixar cair na dieta de “solteiro” solitário: macarrão instantâneo, comida congelada…

Assim, tenho orgulho de dizer que tenho feito carne moída, arroz, bife. Que tenho cozinhado brocolis e couve-flor, cenoura, abobrinha, pepino e vagenm. Me esforço para comer isso todos os dias. Mas é difícil resistir à batatinhas fritas sabor sal e vinagre. Eu descobri isso numa viagem anterior e me apaixonei. Mas acho que a fissura começa a passar.

Bom, o caso é que, com isso tudo, ainda não tinha jogado futebol. Hoje dei de cara com umas figuras se juntando no gramado aqui do lado da minha casa. Do lado mesmo, tipo dois minutos me arrastando no chão (kidding…). Cada um com uma camisa de time ou seleção. Virei um menino de novo e corri pro quarto pra colocar minha camisa da seleção brasileira. Mas, ops, estava frio demais. Coloquei ela por baixo da camisa quentinha e fui na direção do gramado pensando em como ia pedir pra jogar. Nem precisei. Eu me aproximei e os caras foram supersimpáticos. Me chamaram pra jogar imediatamente e eu estou simplesmente destroçado. Dói tudo. E amanhã, vai ser pior.

Eu estava há muuuuito tempo sem jogar futebol. Então foi uma experiência engraçada. Você quer fazer uma coisa, seu cérebro sabe o que é, mas seu corpo não responde. Além disso, eu tenho 36 anos e a molecada era toda na casa dos 22 a 26 anos. Já viu, né? Mas o prognóstico é animador. Enquanto eu tive fôlego (nos primeiros 10 minutos, shame on me!) eu até que me saí bem. Mas depois, eu me arrastava e chegava atrasado em tudo. Se a gente tiver a sorte de conseguir jogar toda semana, vou começar a me sentir normal já já. Isso, claro, com a ajuda da esteira diária. Futebol uma vez por semana não adianta nada pra forma física.