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Ronaldo, o fim e o marketing

Ontem foi dia de assistir ao anúncio oficial do fim da carreira de Ronaldo, o Fenômeno. Eu vi a carreira dele do início ao fim. Vibrei em 2002 quando ele voltou de uma contusão gravíssima e dominou a Copa. O vejo como uma espécie de super-herói. Mas, cá entre nós, essa obsessão dele por movimentos calculados é enervante.

Sim, porque apesar do jeito meio informal do anúncio de ontem, havia um monte de ações cuidadosamente calculadas. Ronaldo é um cara inteligente que sabe usar a mídia. E usou. Veja, por exemplo, o esforço de exibir-se com os filhos, incluindo o menino (fofinho, diga-se de passagem) cuja paternidade que ele acaba de reconhecer. Ou o ato de usar a palavra fracasso aos prantos para se desculpar com a torcida do Corinthians pela derrota na Libertadores. Ou ainda, a Twitcam no notebook que estava em cima da sua mesa.

Existe o discurso e as entrelinhas do discurso. Uma coisa que fica clara é que, apesar de declarar que não guarda mágoas, Ronaldo fez questão de dar uma justificativa para o fato de estar acima do peso: hipotireoidismo e meio que repreendeu os jornalistas que dele fizeram chacota. Pena que, ao longo da tarde, alguns médicos tenham afirmado que ele podia tomar medicações para o distúrbio normalmente. Arrisco dizer que os reais motivos dos problemas físicos graves de Ronaldo só vão surgir em alguma obra reveladora (a versão do livro de memórias daqui uns dez anos) no estilo do que fez Pete Sampras em seu livro.

Mas por agora, foi um anúncio calculado cuidadosamente para tentar deixar de Ronaldo a imagem de bom pai, fiel aos amigos e amante da torcida corinthiana. Muito importante para os negócios.

Casillas, os heróis das Copas e o final feliz

O esporte volta e meia nos oferece histórias que, se contadas assim, fora de contexto, ninguém acreditaria. O último grande conto de superação que eu vi acontecer foi o de Ronaldo. Um jogador que foi dado como acabado e, em 2002, deu a volta por cima de forma inacreditável. Ganhou a Copa, depois de ter sido citado como o responsável pelo fracasso inexplicável de 1998. Naquela vitória incrível saiu como uma espécie de super-herói pra mim.

Nesta Copa, Casillas protagonizou seu conto mítico. Quando a Espanha perdeu para a Suíça no primeiro jogo, chegou a ser criticado pela imprensa esportiva de seu país porque sua namorada, a repórter de TV Sara Carbonero, o teria distraído. A bela Sara cobriu os jogos da Espanha de dentro do campo e estava atrás do gol de Casillas.

Pois ontem protagonizou momentos sensacionais. Primeiro em campo, fazendo defesas incríveis que salvaram seu time, tornando possível vencer a Copa com o magro 1 a 0. Depois, ao chorar emocionado quando Iniesta fez o gol da vitória do seu time. Por fim, ergueu a taça e deu a Volta Olímpica (ou tentou, já que houve uma invasão patética do campo). Diante das câmeras, foi entrevistado por Sara, com tinha acontecido em outros jogos.

Aconteceu uma daquelas situações que, se contadas por aí, você diria que é cascata. Ou, mesmo num filme, a gente diria, “po que finalzinho bobo de filme amerticano”.

Aconteceu isso aqui ó:

O que veio depois? Fade out. The End

Ronaldo “traíra”?

Engraçado esse mundo. Ronaldo, o fenômeno, passou meses se recuperando no Brasil e treinando com jogadores do Flamengo. Essa proximidade fez uma parte da torcida se mobilizar para supostamente trazer o jogador para o time no caso de uma eventual recuperação.

Acontece que negócio é negócio. Mesmo que seja uma incógnita, Ronaldo precisa procurar para si uma situação que seja vantajosa, lucrativa. Precisa estar num time que lhe dê estrutura e visibilidade. Não sei se esse time é o Corinthias, mas ROnaldo parece achar que sim. Negócio fechado, resolvido. Bola para frente.

Ah, não. Torcedor é um ser tinhoso. Agora os mesmos caras que declaravam amor eterno ao jogador, estão com ódio dele e o julgam um traidor. Prometem marcá-lo, torcer contra, secar, tudo que você pode imaginar. No nível da pura implicância, é compreensível, claro. Uma infantilidade de torcedor. Fazer o quê? So espero que a coisa não avance para algo pior. Há torcedores e torcedores. Alguns são verdadeiros bárbaros.

Quer saber? Fiquei decepcionado que, ao voltar a jogar, ele não tenha ficado no Flamengo. Não sei se o time teria como ficar com ele, como pagar-lhe um salário decente e lhe dar estrutura. Mas fiquei com uma sensação estranha de que num negócio que envolve tanta emoção essas decisões sejam tão pragmáticas. E, no fim, acho que o jogador administrou mal a situação. Nem sei se ele vai jogar bem. Mesmo antes da contusão estava claro que Ronaldo não estava jogando direito fazia tempo. Torço para que ele tenha um final de carreira digno. Mas eu queria que fosse no Flamengo, claro.

Ganhou quem mereceu. E quem não ganhou, merecia também

Hamilton mereceu ganhar. E se Massa tivesse sido o campeão, teria sido merecidamente também.

Simples. Os dois estavam em condições de vencer. Logo, qualquer dos dois merecia.

Então me enche o saco ver essas bobagens de que o Timo Glock entregou o jogo. Como assim? Quem assiste corrida de F1 sabe a diferença enorme de dirigibilidade entre carros com pneus de chuva e os que estão com os convencionais.

Eu vi a corrida da sala comunal do Hall of Residence, sem ter que aturar o Galvão Bueno e foi um prazer. Nada de patriotadas, de comentários idiotas, de tentativas de mostrar o quanto o locutor entende do assunto porque cobre F1 há quase 20 anos, sei lá. Ao meu lado, os ingleses roíam as unhas e ficaram meio intrigados porque eu estava feliz quando parecia que o Massa tinha vencido e não fiquei irritado quando o Hamilton foi declarado vencedor. Estava, mesmo, tranquilo. Acho Hamilton fantástico, a melhor coisa que apareceu na última década. E finalmente temos um piloto brasileiro de primeira linha novamente. Competitivo, inteligente, vencedor de verdade. “Rubinho” Barrichello não dá. Ele é tão medíocre que quase acabou com a popularidade da F1 no Brasil. É meio constrangedor ver que o Massa, com o mesmo carro do Rubens (não, nunca é o mesmo, claro. O desenvolvimento muda o carro regularmente. Mas ele tinha a mesma estrutura), faz muito mais. É um verdadeiro competidor.

Com Barrichello, era aquela coisa de pontinho aqui. Chegar entre os cinco, seis primeiros ali. Pra mim, já é uma delícia ver um piloto que quer ganhar corridas. É para isso que a gente assiste à F1, afinal.

Tira a ferrugem

Quase todo dia, eu acordo, vou pra academia que fica a, sério, tres minutos do meu apartamento e faço pelo menos 30 a 40 minutos de esteira. Uma promessa que eu fiz pra mim foi me cuidar, comer vegetais todos os dias e não me deixar cair na dieta de “solteiro” solitário: macarrão instantâneo, comida congelada…

Assim, tenho orgulho de dizer que tenho feito carne moída, arroz, bife. Que tenho cozinhado brocolis e couve-flor, cenoura, abobrinha, pepino e vagenm. Me esforço para comer isso todos os dias. Mas é difícil resistir à batatinhas fritas sabor sal e vinagre. Eu descobri isso numa viagem anterior e me apaixonei. Mas acho que a fissura começa a passar.

Bom, o caso é que, com isso tudo, ainda não tinha jogado futebol. Hoje dei de cara com umas figuras se juntando no gramado aqui do lado da minha casa. Do lado mesmo, tipo dois minutos me arrastando no chão (kidding…). Cada um com uma camisa de time ou seleção. Virei um menino de novo e corri pro quarto pra colocar minha camisa da seleção brasileira. Mas, ops, estava frio demais. Coloquei ela por baixo da camisa quentinha e fui na direção do gramado pensando em como ia pedir pra jogar. Nem precisei. Eu me aproximei e os caras foram supersimpáticos. Me chamaram pra jogar imediatamente e eu estou simplesmente destroçado. Dói tudo. E amanhã, vai ser pior.

Eu estava há muuuuito tempo sem jogar futebol. Então foi uma experiência engraçada. Você quer fazer uma coisa, seu cérebro sabe o que é, mas seu corpo não responde. Além disso, eu tenho 36 anos e a molecada era toda na casa dos 22 a 26 anos. Já viu, né? Mas o prognóstico é animador. Enquanto eu tive fôlego (nos primeiros 10 minutos, shame on me!) eu até que me saí bem. Mas depois, eu me arrastava e chegava atrasado em tudo. Se a gente tiver a sorte de conseguir jogar toda semana, vou começar a me sentir normal já já. Isso, claro, com a ajuda da esteira diária. Futebol uma vez por semana não adianta nada pra forma física.

Capítulo novo

O time de vôlei masculino do Brasil perdeu a final pros Estados Unidos. Eles foram melhores e pronto. Nos superaram ponto a ponto. E não foi a primeira vez. Tinham vencido a gente aqui, no Rio de Janeiro. Agora, nos derrotaram em Pequim.

No meio disso tudo, surgiu um jogador que se anuncia marcante: Bruno, o filho de Bernardinho. Uma coisa é vê-lo entrando num outro jogo, disputado que seja. Mas o fato é que, jogado na fogueira de uma final olímpica, ele teve muita personalidade. Arriscou, jogou, sacou, distribuiu. Gene pool total.