Arquivos da categoria: Eles foral lá e fizeram!

the_artist_divulg

O Artista é tão legal que me fez até querer escrever aqui de novo


(Jean DuJardin e Bérénice Bejo, em O Artista)

Meu último post foi escrito no dia 12 de outubro. Muito tempo atrás. A maior pausa desse blog até agora.

Mas aí… Aí eu deixo para ver The Artist algumas horas antes do Oscar e me dá, depois de tanto tempo, vontade de escrever de novo. Porque The Artist tem a ver com tudo que estamos vivendo. Tem a ver com minha, sei lá, crise dos 40. Tem a ver comigo e, provavelmente, tem a ver com você.

The Artist é um filme mudo em preto e branco e eu lembro de ler numa Entertainment Weekly de algumas semanas atrás o depoimento de uma atriz dizendo que não daria o Oscar a um filme como esse porque não representa a Hollywood de hoje. Ai, ai.

Como assim? The Artist é algo que representa com perfeição o que vivemos hoje. Porque fazer o filme assim, mudo (ou quase) em preto e branco, é uma escolha puramente artística, estética, narrativa. Uma escolha que outros artistas, em outros tempos, não tiveram. Antes da cor, do som, do cinemascope, dos efeitos especiais, da computação gráfica, do som Dolby, THX o que for. Antes da captação e projeção digital e do 3D de filmes como Hugo Cabret e Avatar. Cada projeto e cada tempo têm suas dificuldades e desafios. Mas há algo fascinante em fazer as escolhas certas quando você tem tudo nas mãos.

Quase qualquer pessoa hoje tem acesso a um lápis ou a um computador. Mas são poucas as pessoas capazes de escrever algo que seja incrível. Milhões têm máquinas fotográficas, mas quantos podem tirar fotos realmente fantásticas? O mesmo com filmadoras, e violões e guitarras e tudo, tudo mais. As ferramentas são só parte da equação. O grande equalizador, no fim, é o talento.

E talento é algo sobre o qual dá sempre vontade de escrever.

Adote uma… linha de código

miro_babyline

Estou aqui virando a noite fazendo a apresentação de um business plan e chegam vários e-mails do Brasil o tempo todo. É que, com o fuso horário de quatro horas, o pessoal tá dando aquela navegada final antes de deitar e, pra mim, são quatro da matina. Dureza, fio.

Mas vai daí que chegam duas mensagens. Numa, me oferecem labradores pra adoção. Lindos, fofinhos. Eu olho, penso em como faria para dar conta do Darwin, do Sagan e deles e já desisto. É loucura, penso. Passo pro e-mail seguinte e é um outro pedido de adoção. Só que mais incomum.

Os criadores do Miró, uma espécie de itunes com bit torrent open source e gratuito, estão precisando de dinheiro para seguir com o desenvolvimento do programa e tiveram uma idéia tão maluca que pode até dar certo: você adota uma linha de código do programa (são mais de 46 mil) e vira um patrocinador do desenvolvimento. São US$ 4 por mês por tempo indeterminado. O cara propõe que você pague de coração pelo desenvolvimento da ferramenta.

Muito legal, muito engraçado. Mas vamos à frieza dos números. US$ 4 por mês dá US$ 48 por ano. Não é pouco. Uma assinatura pro do Flickr custa US$ 14 por ano. Sinceramente, eu acho que a idéia foi boa, o preço é que é maluco. Mas vamos ver se cola…

Nosso Jaime Camarão!!

Marcio Napoli gosta de fazer filmes de ação cheios de efeitos especiais: Exterminador 4 (!) e Céus de Fuligem.

Os diálogos são fracos, as interpretações não são sensacionais, os roteiros são a bobagem pretensiosa de sempre e mesmo os efeitos deixam a desejar (façam menos e façam melhor, rapazes).

Mas, ei!, ele e seus amigos foram lá e fizeram.

Como no meio da coisa toda há algumas cenas muito bem sacadas, vejo qualidades no meio dos erros. E, poxa, erros são fundamentais, desde que o Napoli esteja atento e consiga enxergá-los sem a auto-indulgência que é uma marca de muitos artistas, principalmente brasileiros.

Vá lá e confira. Vai que você gosta mais do que eu?