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Grampeando os marcianos

A Folha de hoje publica reportagem sobre como o SNI, o órgão de, hum, inteligência e espionagem da ditadura, resolveu espionar… tcharam… ETs!

A reportagem está na área exclusiva para assinantes do jornal, mas seu autor, Fernando Rodrigues, a reproduz em seu blog pessoal e aproveita para fazer seus comentários.

É interessante saber, nos documentos citados na reportagem, que o governo militar gastou tempo e energia com isso. Aliás, investigar avistamento de OVNIs é algo que eu acho até legítimo, no sentido de que, afinal, é um objeto voador não identificado. É preciso saber o que aquele tal objeto para efeitos práticos e de segurança. O mais engraçado é ver os resultados pífios e a, digamos, baixa qualidade dos dados coletados.

Os desenhos, que deveriam ser esquemas illustrativos, dão bem o tom nada técnico, nada profissional, das pesquisas e investigações. Parecem desenhos que eu fazia quando tinha dez anos e imaginava ETs e criaturas da oitava dimensão. A idéia de que houve uma investigação não me choca em nada. Se havia relatos de fatos estranhos acontecendo, era importante investigar. Sabe lá o que poderia ser e o trabalho de um investigação é esse: esclarecer fatos. Quem sabe por trás dos relatos não existiam um novo incidente do Césio 137, por exemplo?

E, olhe, o governo não quer divulgar nada sobre a, hum, “investigação”, do, ooh, ET de Varginha. Só fico imaginando qual o grande segredo por trás? Alguma coisa séria ou só vergonha dos resultados pífios de uma investigação enviesada, desorganizada?

É meio deprimente ver que os agentes mandados, como de costume, eram despreparados para ter uma abordagem científica. Algo como tirar fotos decentes, filmar, gravar entrevistas detalhadas e bem estruturadas ou ainda ser capazes de produzir documentos mais precisos e esclarecedores. A sensação que dá, lendo a papelada, é de um monte de amadores, um exército de Brancaleone, espalhados pela cidade de Colares. No fim, não explicaram nada e, até hoje, ninguém sabe o que diabos aconteceu lá 30 anos atrás.

Suzana Vieira, na Veja

A entrevista da Suzana Vieira para Veja é impressionante. Bola dentro total. É sincera, direta, sem medo. A entrevistadora faz todas as perguntas que quer e a entrevistada encara tudo de frente.

Um trechinho:

A senhora se dizia muito feliz. Essas descobertas apagaram as boas lembranças?

Posso ser ingênua, mas não sou burra. Uma traição de sete meses é uma covardia com uma pessoa famosa. Fui obrigada a ler um artigo de uma revista que me chamava de ridícula. Dizia que eu devia arrumar garotos apenas para transar, e não me casar com eles. Estou cheia de ouvir que velha tem de arrumar garotão só para transar. O que é isso? Se o cara trai, é ele o errado, não nós. Aliás, idade não existe para mim. Em primeiro lugar, sou uma estrela brasileira, como a Fernanda Montenegro e o Pelé. Não se pergunta em que ponto nós três deixamos de ser estrelas por causa da idade. Não somos sessentões, somos estrelas: Marília Gabriela, Elba Ramalho, todo mundo que chegou lá… Em segundo lugar, minha vida não é pautada por encontrar homem. Sempre gostarei de alguém, sempre beijarei e transarei. A gente tem o direito de amar quem quiser. Quem é que não gosta de homem bonito? Homem velho tem ex-mulher que vai encher a paciência e filho que vai chatear. Envelhecer deve ser horrível, mas, como não envelheço, estou ótima.

Recessão: a histeria e a antecipação

Volto a um assunto que eu já visitei aqui antes. O da “era da antecipação”. COm tanta mídia, tudo é escrutinado antes de acontecer. Todo mundo faz previsões e previsões com a justificativa de que tudo já aconteceu antes de alguma forma e sempre há como comparar.

É assim com Copa do Mundo, Olimpíada, campeonato de futebol, filme, livro, campanha política. Um monte de gente antecipa, especula e, quando a coisa acontece, invariavelmente é uma decepção.

Bom, o novo alvo disso foi a Supermegarrecessão. O ano acabou e ainda estamos vivos e o mundo ainda não acabou. Vamos enfrentar meses duros, os governos terão que ralar para reacender suas economias e tudo mais, mas o fato é que os prognósticos sempre foram mais negros do que a realidade.

Na Inglaterra, a coisa ficou preta, com muita gente imediatamente desempregada ou perdendo anos de economias tragadas pelos bancos islandeses. Nos EUA, a mesma coisa. O NYT faz uma análise da crise alguns meses depois e mostra algumas das falácias. Claro que corremos outro risco. Além de exagerar nas análises antes do fato acontecer, agora consideramos passado algo que aconteceu alguns meses atrás. É muito cedo ainda. Mas vale o esforço.

Afinal, o que ele tem?

Steve Jobs, o CEO da Apple, avisou que tem, sim, um problema de saúde. Mas, sempre arisco, não quis dizer direito o que é exatamente o seu problema. Vai daí que os jornalistas foram procurar quem esclarecesse essa história. O que é beeem complicado eticamente. Afinal, fazer anamnese em carta nunca foi uma idéia exatamente promissora. Mas quem se dispôs a falar para a Wired e para a Time desconfia de que Jobs anda escondendo problemas possivelmente mais graves…

Ninguém quer ver?

Cara, não é possível.

Isso só pode ser um estratagema viral de quem promove o filme. Sei lá. Alguma pessoa de uma empresa de marketing viral espertinha cria um endereço de e-mail falso e manda uma carta pra associação de cegos dizendo que o filme é um absurdo. Inventa uns argumentos malucos e a pessoa que gerencia a associação cai na asneira de, incrível, espere, espere… Protestar contra Ensaio Sobre a Cegueira!!!

É uma idéia idiota demais.

Nesse momento, mil piadas politicamente incorretas vêm à minha cabeça. Mas eu vou me controlar, claro. Só sei que, depois de não ler o livro, eles não vão ver o filme. De jeito nenhum.