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Archos: Update

Depois de toda a reclamação sobre o Archos, eu tive o saco de mandar meu aparelho pelo correio para o tal conserto. Gastei £10 libras de postagem e seguro e respirei fundo. Eles mandaram uma mensagem com um código que eu usaria para “rastrear” o progresso do conserto.

Uma, duas, três semanas depois, o aparelho voltou com o mesmo defeito, apesar do tracking indicar que eles tinham constatado a falha e que iriam reparar. Mentira. Eles simplesmente não consertaram. Agora não dava mais tempo de correr atrás de nenhum tipo de solução. Vim embora com um aparelho capenga, tendo que carrgar um adaptador.

Archos, de novo, só pro caso de você não ter entendido ainda: ADEUS.

Adeus, Archos. Foi bom enquanto durou

Como é que um produto que era tão bom se deixou piorar a ponto de se tornar irritante?

Em 2004, eu comprei um Archos AV420. Vinha com 20 giga, tocava todos os formatos relevantes de vídeo, tinha microfone, era resistente e a bateria podia ser trocada, aumentando a autonomia. Era a máquina perfeita para aquele momento. Eu comprei e usei feliz até ela morrer no meio do ano passado.

Cheguei aqui em Londres e comprei um aparelho novo, o Archos 5. Tela sensível ao toque, wi-fi e outras coisinhas bacanas. Mas comprado o aparelho, começam as comparações.

Antes, os Archos eram superiores aos ipods em quase tudo. O design era meio tosquinho, mas tudo funcionava muito bem. Aí, em vez de copiar o que os iPods têm de bom, o que a Archos fez? Só foi atrás do que eu sempre achei serem as práticas podres da empresa.

Ipods não trocam bateria, não vêm com um carregador decente e te obrigam a gastar dinheiro pra qualquer coisa que vc queira. Agora, a Archos seguiu essas regras à risca. Só que, como não era assim antes, ficou claro que eles estavam se aproveitando das práticas ruins do concorrente pra piorar em vez de melhorar.

Então, depois de comprar o Archos, eu precisei de uma base para poder recarregá-lo. Por sorte, eu fiz uma pesquisa profunda e descobri que eles tinham uma bateria externa que aumentava a autonomia da máquina (que não troca bateria, como eu já disse). Uma gambiarra feiosa, mas útil. Só que estava escondido, claro. Conheço uma pessoa que comprou a base comum, só um pouco mais barata, sem saber que podia ter a especial. Marketing ruim. Mas os franceses são assim mesmo, fazer o quê?

Pra completar, enquanto meu outro aparelho durou anos sem apresentar NENHUM defeito, a entrada do meu headphone começou a dar mau contato com apenas alguns meses de uso. Chegou o momento de contactar o serviço de atendimento e… Entrar em desespero. O atendimento é complicadíssimo e eu sou obrigado a mandar meu aparelho pelo correio pro outro lado do país. Recebo um monte de instruções grosseiras e mal escritas.

Sinceramente? Eu volto ao Brasil em algumas semanas. Não vai dar pra consertar mais e eu só não vou ficar com uma máquina defeituosa porque achei um jeito de resolver o problema com um adaptador. Não foram eles que me ajudaram, fui eu que dei um jeito no problema. Mas foi o suficiente para que eu me prometesse nunca mais comprar um Archos. Foi o último. Agora, só iPod mesmo ou o que surgir de novo e interessante por aí.

Eu quero apareceeeer

To olhando a home da Globo.com e dou de cara com um vídeo sobre presentes indesejados. O vídeo começa com algumas histórias engraçadas e folclóricas, como a do tio que dava o mesmo presente todos os anos. Aí, chega um momento (aos 2min19seg) em que uma moça mostra o presente que ela não gostou e ainda dz que é brega. Bom, vamos imaginar que ela ganhou esse presente de alguém que ela odeia muito. Porque fora desse contexto é uma enorme, gigantesca falta de educação o que ela fez. Expor um presente em rede nacional e avisar que odiou aquilo só pode ser coisa de quem quer muito aparecer…

A qualidade da experiência no Submarino… láaa no fundo

O Submarino é uma daquelas vergonhas nacionais. É ruim, mal desenhado, os preços não são grande coisa, a entrega costuma falhar e atrasar. Mas vamos pensar mais especificamente na interface horrorosa. Eles tiveram, o que?, quase uma década para acertar esse site dos infernos. Anos e anos depois, o sistema é canhestro. Qual a desculpa? Na pior das hipóteses, façam uma cópia tosca do sistema da Amazon que já tem uma década.

O site da Amazon é tão bom, mas tão bom, que eu usei intensivamente na pesquisa da bibliografia inicial do meu mestrado. Você faz uma pesquisa de um livro, ele entrega vários no mesmo tema, sugere o que as pessoas que compraram aquele livro estão pesquisando, oferece dicas de novos livros. Se você monta uma wishlist, ele rastreia seus gostos e te oferece dicas interessantes do que você poderia se interessar.

Essas funcionalidades agora começam a aparecer na mal desenhada página do Submarino. E conseguem oferecer informações relevantes? Por que me sugerir livros de auto-ajuda quando eu nunca comprei nada do gênero? De onde eles tiraram que eu quero ler Aparecida Liberato e saber mais sobre numerologia?

Mas como você acha essas sensacionais dicas? Bem, clique em “Confira Sua Página Personalizada”. Aí entra uma outra página com dicas supostamente baseadas nas suas compras e pesquisas anteriores. Ali, no meio das opções, na barra da esquerda, você acha a sua lista de desejos. Tudo que na Amazon leva um, dois cliques, leva quatro no Submarino. Nem copiando eles acertam?

Resenhas deliciosas na Amazon

Eu falei aqui, alguns meses atrás, das resenhas destrutivas na Amazon a respeito do jogo Spore. Pois esses dias, com muito atraso, descobri as sensacionais resenhas da Bic Cristal na Amazon britânica. São simplesmente sensacionais. Tem um cara que reclama que uma caneta Bic furou seu olho. Outra é de um “sequestrador” que afirma que resolveu, por conta dos métodos de identificação via teste de DNA, parar de mandar cartas escritas com sangue para pedir resgate.

“Being a career criminal, extortionist, and blackmailer, i take great pride in the threatening letters I dispatch to my victims and their immediate family. For years I have used my own blood, because it’s always handy. Recently however, advances in DNA profiling have meant that I’ve had to consider other mediums as an alternative writing material.”

Uma mais brilhante e espirituosa do que a outra.

Aí, basta puxar o fio e vão surgindo as resenhas como esta da… Bíblia:

“This book doesn’t work. I’ve tried the “praying” method to get a new Porsche 996 delivered but to no avail. There’s nothing in the instructions about not wanting German sports cars but I tried praying for less ambitious things. I gave up when it didn’t even get me a Big Mac. In the early part there’s a bit about people crossing the desert and being sustained by manna from heaven, so you’d think that it would be able to manage at least a hamburger. “

Do leite integral toscano:

“With Tuscan, you feel the love of every dairyperson involved — from the somewhat sad and deranged farmhand shovelling steaming cowpies to the bored union milk maiden dreaming of leaving this soul crushing life behind for a job waiting tables for obnoxious American tourists in Siena. But not too fast — sip gently, slowly, or one is in danger of not only missing the subtleties of the milk’s texture and its terroir, but — if chilled too long — also of giving oneself a blinding ice cream headache. Nay, savor the goodness that only dairymen and dairywomen working at the apex of their craft can deliver. Tuscan is best drunk young — no, no, don’t cellar this gem — I guarantee you’ll be sorry if you do. I recommend pairing with freshly baked macadamia nut scones. Milk Expectorator gives this one a 92. “

De quem é a culpa?

(Vídeo dica do CrisDias)

Se o Brasil é um país capitalista, com um mercado livre, é certo proibir certo tipo de propaganda? Bom, eu volto sempre ao tal contrato social. Há que se ter regras para decidir o que é ético e o que quebra princípios básicos. Então, propaganda de cigarros era mesmo uma aberração. Ou será que não? Afinal, temos propaganda do Mac Donalds, cujos produtos causam hipertensão e apenas contribuem para a epidemia (ou pandemia?) de obesidade. Temos propaganda de cerveja, não é mesmo? Temos propaganda de remédios, que, se usados de forma irresponsável, podem fazer mal. Bom, mas remédios e comida têm outra função: curar e alimentar. Cigarros, noves fora o prazer que proporcionam, apenas fazem mal. Há que se ter uma lógica a permear essas decisões. Há que se ter um princípio justo. E há que se ter, é claro, discussão.

Eu não sei se o princípio desse documentário está certo. Mas, putz, isso me preocupa e eu sou, pelo menos em princípio, favorável ao estabelecimento de regras para a veiculação de publicidade desse tipo. Acho ridículo proibir simplesmente, porque brinquedos são o que são, brinquedos. Não têm função destrutiva. E os fabricantes têm o direito de avisar ao público, por meio de publicidade, que estão vendendo este ou aquele produto. É um princípio básico e inalienável do livre mercado. É tão simples que muitas pessoas esquecem.

Só acho que os próprios publicitários deveriam se mexer e estabelecer seus princípios. O que acontece em geral é que o governo geralmente se mexe quando o abuso passa muito dos limites. E o que estamos vendo é um problema duplo: pais que se omitem e deixam a TV cuidar dos filhos e uma publicidade predatória. Então, só atacar o problema regulando a publicidade não vai resolver nada. Mas fazer alguma coisa, é melhor do que ficar assistindo. Esse princípio básico de agir a despeito de não ser a solução perfeita é o que norteia diversas campanhas. O argumento a favor da omissão só serve aos publicitários, que continuam fazendo a festa. A pressão de uma legislação é exatamente o dispositivo social que causa as mudanças. Não que funcione sempre, mas é alguma coisa.