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Ninguém quer ver?

Cara, não é possível.

Isso só pode ser um estratagema viral de quem promove o filme. Sei lá. Alguma pessoa de uma empresa de marketing viral espertinha cria um endereço de e-mail falso e manda uma carta pra associação de cegos dizendo que o filme é um absurdo. Inventa uns argumentos malucos e a pessoa que gerencia a associação cai na asneira de, incrível, espere, espere… Protestar contra Ensaio Sobre a Cegueira!!!

É uma idéia idiota demais.

Nesse momento, mil piadas politicamente incorretas vêm à minha cabeça. Mas eu vou me controlar, claro. Só sei que, depois de não ler o livro, eles não vão ver o filme. De jeito nenhum.

Control + Z

Quem trabalha regularmente com computadores, seja no word, no excell, no open office, no powerpoint, sabe muito bem para que serve control + Z. É o UNDO, desfazer, voltar. Save game. Morri. Volto e tento de novo, um pouquinho diferente, pra ver se consigo desta vez. Talvez seja uma das maiores conquistas do mundo digital. Undo. Errei, porra. De novo!

É quase um superpoder e nossa sociedade atual está apaixonada pelos superpoderes, talvez porque eles estão cada vez mais possíveis.

Quem melhor entendeu isso foi Steven Johnson no sensacional Cultura da Interface (Jorge Zahar). Ele não toca em todos esses tópicos aqui, mas fala de como viver com as interfaces digitais muda nosso modo de pensar e de entender o mundo. Escrever hoje é muito diferente de como era 20, 30 anos atrás. Eu, que tenho 35 anos, comecei escrevendo em uma máquina de escrever olivetti do meu pai (caramba, como eu queria achar essa máquina só pra ter de lembrança…). Depois, usei um TK95, um CP400, um MSX da Gradiente e entrei no mundo dos PCs e dos Macs. Nunca mais toquei numa máquina de escrever, embora a gente pague tributo a elas todos os dias ao usar os teclados dos computadores, não vamos esquecer.

No outro dia, eu estava trocando mensagens no MSN com outras três pessoas ao mesmo tempo. Estávamos tendo uma conversa intensa sobre um monte de tópicos no meio da redação sem que ninguém mais pudesse nos ouvir ou saber do que estávamos falando. É uma forma de telepatia de texto. o grande Arthur Clarke dizia que a tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia. Pense em celulares, palms, computadores, pense nos trajes capazes de resistir ao impacto de uma bala. Nos carros, nas supermotos, nos pequenos aviões etc. Quanto mais portátil, mais invisível, mais a coisa se parece com magia.

No meio disso tudo, gadgets portáteis viraram minha obsessão. Ter um celular com GPS, com o google o tempo todo funcionando, já me tirou e enrascadas (e estourou minhas contas telefonicas). Quando eu era moleque, tive brigas de abalar a amizado por me perder de amigos em shopping centers ou grandes eventos. Hoje isso é impensável. Todo mundo está a um telefonema, um contato eletro-telepático, de distância.

Mas em várias instâncias de nossas vidas a digitalização e o control + Z não chegaram. Nós ainda podemos morrer e, se dissermos uma bobagem na hora errada, é beeem difícil consertar. Um dia, com a gravação de backups periódicos, uma pessoa poderá, perfeitamente, voltar da morte com a perda de algumas horas ou dias de sua memória. Os embriões de tecnologia estão todos aí. Isso tudo vai acontecer mais cedo ou mais tarde.

A parte mais difícil é a de consertar as besteiras que dissemos, que fizemos para as pessoas. Acho difícil que eu possa comprar na Fnac ou nas Lojas Americanas um “apagador de bobagens ditas no calor da discussão”. Não que isso seja impossível de criar. Só acho que é coisa que a gente vai achar somente na Santa Ifigênia do futuro. Será uma tecnologia pirata, possível, mas irregular.

Que eu considero bobagem. Por que? Porque num futuro em que tudo pode ser refeito, repensado, redimensionado. Num futuro em que podemos voltar atrás nos nossos erros, porque não ficaríamos mais permissivos com essas falhas? Se a interface pode influenciar nossas mentes, por que não mudaríamos nosso jeito de ser para algo mais compreensivo com as falhas alheias? Ok, falei besteira. Peço desculpas. Me excedi. A compreensão do cérebro para chegar a essas tecnologias vai, naturalmente, revelando o quanto somos passionais e passíveis de erros. Sabendo disso tudo, conhecendo nossas limitações, nossos desequlíbrios químicos. Fica mais fácil entender o outro. E é mais fácil usar o control + Z. Aquele interno, que depende só da nossa boa vontade.

P.S.: Você nem pode imaginar por que eu comecei a pensar nisso tudo… Li no Omelete que o Flash clássico, Barry Allen, está de volta aos quadrinhos da DC. Para os mais puristas, é um absurdo total. Esse personagem foi uma das poucas mortes “definitivas” da história dos quadrinhos (foi morto em 1985, na Crise). Mas o Flash viaja no tempo e em dimensões paralelas. O que eu sempre achei estranho foi o personagem não voltar. Eu, hein…

O fato é que os quadrinhos lidam com essas idéias intensivamente e têm um termo para isso: ret con. É quando eles recontam alguma história do passado e reescrevem a realidade para se adequar a alguma novidade. Um dos exemplos típicos para o grande público foi quando, em Homem-Aranha 3, enfiaram o Homem de Areia no dia da morte do tio Ben, que nós tínhamos visto no primeiro filme. Ret con ruim.

Mal amada descontrol

Eu já falei com vários amigos sobre minha tese de que a profissão de atriz destrói a sanidade das mulheres. Elas passam dos trinta completamente desequilibradas emocionalmente. Como eu cobri TV por anos, incluindo programas feitos no exterior, descobri que isso é um fenômeno internacional.

Não é machismo. Por algum motivo que eu não sei qual é, o efeito nos homens é diferente. Talvez seja o fato de que a indústria é machista e exerce uma enorme pressão sobre essas mulheres. Um dia, elas quebram…

A mulher traída desse vídeo do You Tube é atriz. Só tendo isso em mente para entender como é que uma pessoa pode ser capaz de:

1. ter um olhar tão maluquete
2. pagar um mico tão horroroso
3. em vários momentos não falar coisa com coisa

A imbecilidade

Eu olho nos seus olhos e te conto meu maior drama. O evento que me assombra todas as noites, que me faz acordar suado. O evento que eu revivo em pesadelos, que eu fantasio sempre o que seria da minha vida se aquilo não tivesse acontecido, se eu tivesse feito diferente, se, se, se…

Guilherme Fiuza, jornalista-blogueiro contou em seu blog o drama que viveu em 1990, quando seu filho morreu ao cair do oitavo andar. Ele revelou isso justamente para jogar alguma luz sobre a estupidez, a imbecilidade de pessoas que acham que conceitos básicos da civilização, como o princípio da presunção da inocência até prova em contrário, são absurdos. A investigação sobre a morte de Isabella está longe do fim. Há muito chão a se cobrir antes que o pai e a madrasta sejam considerados culpados ou inocentes, se é que serão indiciados. É só a mais pura ignorância condená-los sem conhecimento de causa, dos fatos, com base apenas em um delegado que gosta de aparecer e em uma imprensa sensacionalista e irresponsável.

Mas diante de tudo, diante do relato duro de Fiuza, há quem tenha tido a cara de pau de mandar comentários como “foi mal, mas você foi negligente com seu filho”. Não vou nem entrar em mais detalhes. É preciso ter um QI muito baixo para, diante dos fatos, fazer um comentário como esse. Além de ser inadequado falar algo assim, simplesmente porque é, a pessoa ainda diz isso sem saber nada sobre o fato. Fiuza não diz em que condições seu filho morreu. Ainda assim, um imbecil, um ignorante, um sei lá o quê, consegue fazer um comentário desses. Eu fico pensando se pessoas assim diriam isso na lata, olho no olho. Ou se, talvez, isso seja mais um subproduto da anonimidade dos fóruns dos blogs e websites.

E esse tipo de pessoa insuportável, ignorante, ignóbil ainda faz uma obsevação de que a suposição de inocência salvo prova seria uma bobagem, porque apenas ajuda criminosos a escaparem. Nessas horas, eu só consigo pensar que preciso ir morar numa bolha, numa ilha deserta, num lugar no qual não precise viver no mesmo planeta que gente assim. Nem respirar o mesmo ar.

Eva Longoria e sua fita comprometedora

Depois da mania das sex tapes (dizem que há uma bombástica da Britney Spears, como se ela pudesse ir mais fundo), Eva Longoria resolveu dar uma de descolada e brincar com a história. Fez uma s ex tape sem sex para consumo mundial, como uma espécie de piada. Só que não é. Não é uma sex tape, é um viral criado por ela e que vai ser visto em milhares de casas do mundo (com minha ajuda, agora).

Os artistas-celebridades não aprendem mesmo. Ou são só cínicos e caras de pau. Como é que reclamam de alguma coisa quando alimentam a máquina com algo assim?

Não sei se você já deu uma lida nas chamadas das capas de revistas de fofoca. Principalmente nos Estados Unidos e aqui na Inglaterra, onde estou passando uns dias a trabalho, elas tratam os acontecimentos das vidas dos artistas como se fossem fatos de uma novela. É como se o mundo das celebridades fosse uma imensa “Paraíso Tropical” ou “Duas Caras” da qual participam David Beckham, Victoria, Brad Pitt, Angelina Jolie. A cada semana, suas tramas avançam com um novo acontecimento dramático. Foi por isso que Pitt e Angelina foram para a África ter seu filho. Sabendo que os paparazzos os seguiriam e que não teriam como escapar, levaram todos para um lugar distante e que viraria um cenário a ser descoberto, na intenção de aumentar o conhecimento das pessoas a respeito da África. Ontem, liberaram as fotos que os paparazzos, sempre eles, tiraram de Diana minutos antes dela morrer. As imagens falam sozinhas.

Eva Longoria criou mais uma peça ou uma cena dessa trama. Está se sentindo muito esperta. Mas é impressionante a forma como essas coisas se viram contra eles. Afinal, os paparazzos têm pouca coisa a perder.

Tem boi na linha…

The Pudding, anote esse nome. Um site no qual os caras deixam você fazer uma ligação grátis, via VOIP, para qualquer telefone desde que você aceite a idéia de que um robô vai ouvir o que você diz e criar anúncios, com base nessas palavras-chave, que vão surgir no seu navegador enquanto você fala. É um adsense sonoro.

Você acha que uma ligação grátis vale isso? Prefere pagar pela sua privacidade? Isso é paranóia de dinossauro?

Escreve-se sobre tudo

É engraçado o mundo dos blogs. É cheio de idiossincrasias às vezes incompreensíveis.

Veja, por exemplo, essa mensagem que eu mandei para alguns blogueiros da antiga que eu julgo relevantes:

Amigos e amigas

Peço desculpas pela intromissão. O motivo da mensagem é o início de um novo blog, o www.melhoresamigos.com.br

A idéia é usar o universo de um dono apaixonado de dois cachorros para explorar todo o mundo ao redor do estilo de vida de quem tem mascotes. Então, nos próximos meses, pretendo falar dos brinquedos, das rações, dos veterinários, dos locais onde você pode passear com seu bichano, da legislação e tudo mais que for surgindo. E, claro, quero ir além dos cachorros e falar dos mascotes diferentes, dos gatos, dos peixes, dos passarinhos etc.

A tom é emocional, sim, porque é assim que a coisa funciona em nosso relacionamento com os bichinhos. Mas quero mesmo ir fundo nesse universo e trazer muita informação.

Agradeço recomendações e críticas. Avisem aos amigos e me ajudem a transformar o Melhores Amigos em uma comunidade equilibrada e bem-humorada de amantes de mascotes em todas as suas formas.

( )s

Alexandre Maron

Como você pode ver, como qualquer pessoa pode ver, é uma mensagem que avisa aos colegas mais chegados sobre o lançamento do site e os convida a conhecê-lo, comentá-lo, criticá-lo etc.

Acontece que, ao mandar a mensagem, julgando que todos ali se conheciam, eu cometi um deslize: em vez de colocar os destinatários em um campo de “carbon copy”, coloquei todo mundo no campo “to”. Assim, qualquer um via o endereço dos outros. É um deslize mesmo. Tenho que respeitar o desejo individual de manter a privacidade alheia.

No entanto, como estamos no mundo dos blogs, no qual as pessoas precisam falar sobre alguma coisa, qualquer coisa deparei com esse texto no site de um dos destinatários, o Caio Cesar. Digo o nome e reproduzo o texto sob o risco de dar cartaz a quem não quer, mas vá lá:

Chato é o que aconteceu comigo outro dia…

Recebi uma mensagem não solicitada com todos os endereços dos destinatários à mostra. Alguém respondeu esta mensagem com um texto voltado só para o remetente original, mas fez isso com cópia (também aberta) para todos os outros destinatários da lista, a partir de seu endereço de e-mail profissional. Ao ver a tal resposta (obrigado GMail), percebi que a pessoa que a enviou (um “proeminente blogueiro”) trabalha numa agência de marketing viral. E a mensagem era um elogio à iniciativa…

Algumas conclusões que podem ser tiradas a partir deste infortúnio:

  1. Continuo desafiado a entender o que define um “proeminente blogueiro”;
  2. Outra coisa que desafia minha compreensão é o fato de pessoas que usam a internet há mais de sete minutos e que, aparentemente, têm QI superior a -3 enviam mensagens para grandes grupos de destinatários com todos os endereços à mostra;
  3. Talvez, tanto o remetente original da mensagem quanto o glorioso destinatário que respondeu para um grande grupo quiseram fazer propagandinha indireta (talvez isso seja marketing viral para eles, vai saber…). Sobre isso, uma coisa é certa: desse jeito, não funciona.

Considerando que eu conhecia o Caio Cesar pessoalmente, já lhe dei carona aqui em São Paulo (com todo o prazer) e até fui entrevistado, junto com o Cris, para uma aula dele, fiquei imensamente surpreso com a reação desproporcional. Ele podia ter me mandado uma mensagem reclamando do meu deslize legítimo, mas, em vez disso, resolveu blogar sobre o assunto me chamando de spammer e de inoculador de campanha e marketing viral(!).

Como o Caio Cesar estava na minha lista de blogs visitados regularmente, naturalmente eu leria o texto mais cedo ou mais tarde. Ou seja, é como se, em uma sala, ele fosse para uma rodinha de amigos e, mesmo sabendo que eu estou ouvindo e que a carapuça me serviria, contasse a história e me provocasse (e também ao meu amigo que elogiou o blog que eu criei). Veja bem, não estou chamando ele de covarde. Não entenda errado. Ele não está se escondendo de jeito nenhum. O comentário é público. Mas não é menos deselegante por isso.
Sim. Peço desculpas pelo meu erro. Mas, em contrapartida, esse post do Caio Cesar foi de uma grossura ímpar.

De resto, o e-mail é claro. Era uma mensagem avisando meus conhecidos do fato de que estou colocando no ar um novo site. A paranóia das pessoas quanto a spams está chegando a um nível tão grande que elas começam a chamar qualquer coisa de “mensagem não-solicitada”. Eu conheço todos os envolvidos, troco e-mail, comentários e tudo mais. Daqui a pouco, vou mandar um parabéns e receber esse tipo de reação despropositada. “Não quero receber parabéns!!!”

É ÓBVIO quer eu queria promover o novo site, como a mensagem deixa muito claro. Que diabos!! É o meu site, falando dos meus cachorros queridos. Fiquei abismado quando ainda tiveram o topete de me, errr…, acusar de fazer marketing viral (!). Faça-me o favor! A única coisa virulenta aqui é a reação desproporcional do Caio Cesar. Uma pena.

Eu Não Quero Falar com Você

Em um post mais embaixo, eu falei sobre como os israelenses estão triturando palestinos e isso irritou muita gente. Uma moça me chamou de anti-semita, outro rapaz falou que genocídio quem pratica são os palestinos que explodem bombas e matam pessoas nas ruas de Israel.

Mais importante do que as opiniões contràrias às minhas, é a forma como as pessoas não conseguem mais entender nem ouvir as opiniões alheias. É um emburrecimento preocupante.

Paulo me diz que minhas opiniões são radicais, que eu, indiretamente sou um assassino, porque eu disse que os israelenses estão matando palestinos indiscriminadamente. Me disse também que eu sou radical. Renata me chamou de ignorante e nem insinuou, tentou me ofender inferindo que eu não sei nada de história.

Não há debate, tudo se reduz a inferências a meu respeito e não em relação às minhas opiniões. Tem alguma coisa errada aí.

O problema de muitas pessoas está nelas se cercarem somente de gente que concorda com elas. Elas desaprendem a debater, desaprendem a ouvir os outros. E não sabem mais argumentar.

Em vez de debater com você eu me preocupo em te dizer que você é feio, chato e bobo. Eu chamo você de burro. Te desqualifico para ganhar a discussão. É ainda pior que a técnica de ter melhores argumentos mesmo estando errado e ganhar uma discussão sem estar com a razão. Pelo menos ali há alguma inteligência envolvida. Aqui não.