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Eu quero apareceeeer

To olhando a home da Globo.com e dou de cara com um vídeo sobre presentes indesejados. O vídeo começa com algumas histórias engraçadas e folclóricas, como a do tio que dava o mesmo presente todos os anos. Aí, chega um momento (aos 2min19seg) em que uma moça mostra o presente que ela não gostou e ainda dz que é brega. Bom, vamos imaginar que ela ganhou esse presente de alguém que ela odeia muito. Porque fora desse contexto é uma enorme, gigantesca falta de educação o que ela fez. Expor um presente em rede nacional e avisar que odiou aquilo só pode ser coisa de quem quer muito aparecer…

Ronaldo “traíra”?

Engraçado esse mundo. Ronaldo, o fenômeno, passou meses se recuperando no Brasil e treinando com jogadores do Flamengo. Essa proximidade fez uma parte da torcida se mobilizar para supostamente trazer o jogador para o time no caso de uma eventual recuperação.

Acontece que negócio é negócio. Mesmo que seja uma incógnita, Ronaldo precisa procurar para si uma situação que seja vantajosa, lucrativa. Precisa estar num time que lhe dê estrutura e visibilidade. Não sei se esse time é o Corinthias, mas ROnaldo parece achar que sim. Negócio fechado, resolvido. Bola para frente.

Ah, não. Torcedor é um ser tinhoso. Agora os mesmos caras que declaravam amor eterno ao jogador, estão com ódio dele e o julgam um traidor. Prometem marcá-lo, torcer contra, secar, tudo que você pode imaginar. No nível da pura implicância, é compreensível, claro. Uma infantilidade de torcedor. Fazer o quê? So espero que a coisa não avance para algo pior. Há torcedores e torcedores. Alguns são verdadeiros bárbaros.

Quer saber? Fiquei decepcionado que, ao voltar a jogar, ele não tenha ficado no Flamengo. Não sei se o time teria como ficar com ele, como pagar-lhe um salário decente e lhe dar estrutura. Mas fiquei com uma sensação estranha de que num negócio que envolve tanta emoção essas decisões sejam tão pragmáticas. E, no fim, acho que o jogador administrou mal a situação. Nem sei se ele vai jogar bem. Mesmo antes da contusão estava claro que Ronaldo não estava jogando direito fazia tempo. Torço para que ele tenha um final de carreira digno. Mas eu queria que fosse no Flamengo, claro.

Resenhas deliciosas na Amazon

Eu falei aqui, alguns meses atrás, das resenhas destrutivas na Amazon a respeito do jogo Spore. Pois esses dias, com muito atraso, descobri as sensacionais resenhas da Bic Cristal na Amazon britânica. São simplesmente sensacionais. Tem um cara que reclama que uma caneta Bic furou seu olho. Outra é de um “sequestrador” que afirma que resolveu, por conta dos métodos de identificação via teste de DNA, parar de mandar cartas escritas com sangue para pedir resgate.

“Being a career criminal, extortionist, and blackmailer, i take great pride in the threatening letters I dispatch to my victims and their immediate family. For years I have used my own blood, because it’s always handy. Recently however, advances in DNA profiling have meant that I’ve had to consider other mediums as an alternative writing material.”

Uma mais brilhante e espirituosa do que a outra.

Aí, basta puxar o fio e vão surgindo as resenhas como esta da… Bíblia:

“This book doesn’t work. I’ve tried the “praying” method to get a new Porsche 996 delivered but to no avail. There’s nothing in the instructions about not wanting German sports cars but I tried praying for less ambitious things. I gave up when it didn’t even get me a Big Mac. In the early part there’s a bit about people crossing the desert and being sustained by manna from heaven, so you’d think that it would be able to manage at least a hamburger. “

Do leite integral toscano:

“With Tuscan, you feel the love of every dairyperson involved — from the somewhat sad and deranged farmhand shovelling steaming cowpies to the bored union milk maiden dreaming of leaving this soul crushing life behind for a job waiting tables for obnoxious American tourists in Siena. But not too fast — sip gently, slowly, or one is in danger of not only missing the subtleties of the milk’s texture and its terroir, but — if chilled too long — also of giving oneself a blinding ice cream headache. Nay, savor the goodness that only dairymen and dairywomen working at the apex of their craft can deliver. Tuscan is best drunk young — no, no, don’t cellar this gem — I guarantee you’ll be sorry if you do. I recommend pairing with freshly baked macadamia nut scones. Milk Expectorator gives this one a 92. “

De quem é a culpa?

(Vídeo dica do CrisDias)

Se o Brasil é um país capitalista, com um mercado livre, é certo proibir certo tipo de propaganda? Bom, eu volto sempre ao tal contrato social. Há que se ter regras para decidir o que é ético e o que quebra princípios básicos. Então, propaganda de cigarros era mesmo uma aberração. Ou será que não? Afinal, temos propaganda do Mac Donalds, cujos produtos causam hipertensão e apenas contribuem para a epidemia (ou pandemia?) de obesidade. Temos propaganda de cerveja, não é mesmo? Temos propaganda de remédios, que, se usados de forma irresponsável, podem fazer mal. Bom, mas remédios e comida têm outra função: curar e alimentar. Cigarros, noves fora o prazer que proporcionam, apenas fazem mal. Há que se ter uma lógica a permear essas decisões. Há que se ter um princípio justo. E há que se ter, é claro, discussão.

Eu não sei se o princípio desse documentário está certo. Mas, putz, isso me preocupa e eu sou, pelo menos em princípio, favorável ao estabelecimento de regras para a veiculação de publicidade desse tipo. Acho ridículo proibir simplesmente, porque brinquedos são o que são, brinquedos. Não têm função destrutiva. E os fabricantes têm o direito de avisar ao público, por meio de publicidade, que estão vendendo este ou aquele produto. É um princípio básico e inalienável do livre mercado. É tão simples que muitas pessoas esquecem.

Só acho que os próprios publicitários deveriam se mexer e estabelecer seus princípios. O que acontece em geral é que o governo geralmente se mexe quando o abuso passa muito dos limites. E o que estamos vendo é um problema duplo: pais que se omitem e deixam a TV cuidar dos filhos e uma publicidade predatória. Então, só atacar o problema regulando a publicidade não vai resolver nada. Mas fazer alguma coisa, é melhor do que ficar assistindo. Esse princípio básico de agir a despeito de não ser a solução perfeita é o que norteia diversas campanhas. O argumento a favor da omissão só serve aos publicitários, que continuam fazendo a festa. A pressão de uma legislação é exatamente o dispositivo social que causa as mudanças. Não que funcione sempre, mas é alguma coisa.

As certezas de cada um

Já se vão alguns dias da publicação do texto sobre o estupro da empregada. Vou deixar assim, pra simplificar.

Daí que muita gente boa achou um absurdo as pessoas acharem que o texto é verdadeiro quando, dizem essas pessoas que eu leio regularmente e que respeito pra caramba, é tão claramente falso. Para esses blogueiros, o texto tem vários sinais que indicam ser ficção.

Pois eu, que coloquei em questão a veracidade do texto alguns posts atrás, discordo completamente. Não acho possível hoje, diante de tudo que se vê e lê, dos absurdos verdadeiros que eu vejo as pessoas cometerem publicamente, saber onde começa a verdade e termina a ficção. Num mundo em que pessoas fazem cada vez mais coisas imbecis diante de câmeras em busca de popularidade ou audiência (inclusive mentir, claro) não vejo como ter certeza de alguma coisa. Prefiro adotar o saudável hábito de, diante do fato, sempre achar que pode ser mentira. Ou não. Afinal, daqui do meu quarto, é difícil saber o contexto de tudo.

Ademais, não foi só burrice ou inaptidão para leitura que fez milhares de pessoas terem acreditado que aquilo era verdade. O texto confundiu as pessoas, porque sua apresentação é… Confusa. Quero dizer, era. Agora vem com advertências da Trip e do autor. Se fosse tão desnecessário assim, para que avisar? Não sei. Talvez seja meu cacoete de jornalista. Mas as coisas têm que ser claras. Se não forem, viram pegadinhas.

Minha Londres

Cheguei aqui faz pouco mais de uma semana. Ainda não atualizei meu mapa com tudo o que eu ando vendo por aqui. Mas planejo fazer isso nos próximos dias. É divertido e me ajuda a encontrar de novo os lugares pelos quais passei. A casa desse mapa, daqui em diante, vai ser numa página só dele chamada Minha Londres.


Exibir mapa ampliado

Uma coisa engraçada. Eu comprei um Moleskine de NY algum tempo atrás. Fiz algumas anotações e parei. Nunca mais toquei no bichinho. Fiquei cheio de culpa. Quando estava vindo pra cá, pensei em comprar um Moleskine de Londres. Peguei, fui até o caixa da livraria. Na última hora, desisti. Sinto muito, Moleskine querido. Adoro produtos físicos. Adoro livros e papel. Sou low tech nessas coisas, até. Mas nesse esquema, posso compartilhar tudo com meus amigos. É mais gostoso.

Isso é estupro?

Eu já vi de tudo nessa vida. Mas uma pessoa confessar um abuso como esse assim? Alguém sabe me responder se o que essa pessoa praticou é estupro mesmo ou tem algum outro nome? Cynthia Semíramis, socorro!

Tem gente que simplesmente não enxerga os próprios absurdos. Para completar, o texto é pedestre, cheio de babaquices como “A idéia de que você ‘dava’ não saiu da minha cabeça, e você começou a estrelar obsessivamente todas as minhas punhetas.” Que coisa fina!!

Ou “Você não queria, mas por força da nossa insistência acabou cedendo. Sinto ódio do Brasil quando penso que você provavelmente tivesse medo de perder o emprego.” Oh, sim, claro.

QUem sabe é uma forma de viral. Você escreve um coisa anormal, aberrante. Aí, as pessoas vão linkar, como eu estou linkando. Pimba! Audiência.

Vai entender.

Se for mentira. Ele é só um babaca. Se for verdade, é um criminoso!! Que legal!

(Via Mr. Matias)