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Escola de Clones

Antes podia se chamar ficção científica. Hoje, é apenas uma sitcom.
Produtores norte-americanos preparam para a MTV dos Estados Unidos um seriado humorístico que conta a história de uma escola encarregada de educar os clones de diversas personalidades históricas, como Abraham Lincoln, Elvis Presley e Marilyn Monroe (esta última não muito pela personalidade, né?).

Como eles crescem em tempo real e são o resultado de um projeto do governo, precisam receber uma educação condizente com a idéia de leva-los ao ápice de seus potenciais.

Você pode achar a idéia uma besteira. Eu acho genial. Se não se resumir a enfileirar piadinhas infames e levar a frente, mesmo com humor, a discussão de temas filosóficos sérios, como a pressão de dar sequência ao legado dos indivíduos originais, pode ser um clássico moderno.

Por que essa preocupação? É que, na minha opinião humilde, uma série como essa pode ter uma função quase educativa de trazer o tema para a discussão. Não importa mais saber se um clone tem alma ou não. Eles existem, provavelmente já há clones de humanos em algum lugar nesse mundo, nesse momento.

Em outra novidade, já nasceram, oficialmente, bebês geneticamente modificados, nos quais foram implantados genes de uma terceira pessoa, além dos pais.

É hora de começar a pensar em como vai ser um mundo com clones.
Não é mais ficção científica. Veja só, virou até motivo de piada.

Por onde anda Neal Adams?

Fora alguns sortudos que tiveram a chance de conhecer a lenda pessoalmente (o mestre de Kombato Paulo Albuquerque, fã de quadrinhos da antiga, até tirou foto com o cara) Neal Adams, o homem, o mito, a lenda das histórias em quadrinhos, andou longe das HQs na última década.

Nesse tempo, ele fez storyboards, ilustrações para publicidade e coisas do tipo.

E acalenta um projeto pessoal digno de um dom Quixote. Escreveu e ilustrou um romance gráfico no qual dois amigos, em um papo em uma mesa de bar, discutem diversas teorias científicas e tentam, além de contestá-las, revê-las sob uma nova luz. Em resumo, ele torce as leis da física para dizer que o planeta Terra está crescendo. Por uma série de conclusães advindas dessa constatação ele afirma que a matéria do universo é infinita e que ele nunca vai parar de se expandir e de ganhar mais matéria.

Como o cara é meu ídolo, vou comprar a tal revista que, ele promete, virá acompanhada de um vídeo que explica sua teoria revolucionária.

Quem quiser saber mais do que isso, tem (eu disse TEM) que ler a edição atual da “Wired”. Uma matéria destrincha as idéias do cara e ainda traz umas fotos da figura bem bacanas. Só estará disponível no site da revista no mês que vem, dêem uma olhada AQUI.

O hype da era digital – Parte 1

Recebi alguns e-mails sobre os posts anteriores a respeito de realidade virtual (que passo a denominar RV de agora em diante) e vale fazer algumas observações pertinentes.O que é uma RV? Bom podemos dizer que é um ambiente que não existe em nosso mundo físico, de átomos, mas sim em um mundo lógico.

As pessoas costumam associar alguns conceitos a tecnologia e um deles é a RV. Mas isso é um erro crasso.

Desde que o ser humano começou a contar histórias, surgiu a realidade virtual. Sim, qual é a surpresa? Ao criar uma história e situá-la em um mundo fictício qualquer, estamos criando uma realidade virtual. Pela definição, um mundo que não existe fisicamente, mas existe em termos lógicos.

Assim, todos os livros são uma realidade virtual. Todas novelas de rádio, todos os filmes. São realidades ficcionais, ou não, isso não importa, que não existem em nosso mundo. Claro que você pode alegar que os mundos virtuais de um filme existem como cenários, mas é procurar cabelo em ovo, mesmo porque os cenários não são nada perto da ilusão que criam no filme.

Podemos citar os sonhos também. Eles são a RV mais perfeita que conhecemos até aqui. O Eduardo Rocha me contou como seu pai sonha, dormindo e acordado, com um passado distante. Há pessoas que dizem poder controlar seus sonhos e ser capazes de criar cenários e situações ali. São os sonhos lúcidos.

Quando eu tinha lá os meus 14 anos, descobri um livro chamado enrola e desenrola. Ali tinha uma história contada para parecer que era você o protagonista e havia diversas opções que você ia escolhendo a cada página. Dali, você pulava para outras páginas de forma não linear.

É um passo à frente. Opção.

É preciso que você entenda antes de tudo que um livro é uma máquina. Uma revista, um jornal, também. São máquinas que usam como motor para funcionar habilidades que, presumivelmente, nossos corpos e nossas mentes possuem. São máquinas completadas por nós.

Um carro também. O fato de ele ter um motor torna isso mais claro. Mas não é diferente. Não funciona sem que alguém o dirija. Em algum tempo, computadores deverão dirigir carros, mas isso é outra história.

Saindo da digressão…

Anos depois de conhecer o enrola e desenrola, eu conheci o RPG. Pela milésima vez, a sigla vem de roleplaying game, é um jogo no qual você cria um personagem e uma outra pessoa cria uma série de situações e pergunta para você o que seu personagem faria se estivesse ali. Parece complicado, mas não é. E funciona que é uma beleza.

Surgiu em 1970 e alguma coisa e eu só o descobri no final da década de oitenta com um grupo de heróicos amigos. Onde eu quero chegar é que até aí, nesses tipos de diversão, não havia computador na equação, sacou?

O computador entra na história para turbinar as coisas. Alguns anos depois de eu começar a jogar RPG, surgiram jogos de computador como Wolfenstein e Doom. Até ali, quando eu falava em RV as pessoas diziam que eu estava viajando. Mas eles nada mais são do que o primeiro passo nessa direção.

A meta de RV é criar o que os sonhos lúcidos prometem. Um mundo virtual sob seu controle. Ali, você poderia ser mais rápido do que um trem, e poderia saltar mais alto que um prédio. Ali, poderei ter a mulher que quiser, na cama que escolherei.

A mulher que quiser (ou o homem, depende do sexo ou da preferência sexual) os seres humanos já imaginam há séculos com a masturbação. Uma modalidade de RV bem interativa, se é que você me entende. Saltar prédios, correr muito rápido, são coisas que os videogames trazem para a classe média moderna. Aliás fazer coisas impossíveis é bem possível em sonhos. Mas é difícil controlá-los. E feitos impossíveis são comuns em RPGs, não vou esquecer.

As pessoas querem mais. Elas querem sentir as coisas como se fosse tudo verdade. Elas querem ter o controle e querem ter as sensaçòes. E isso, o século 21 promete atingir com o uso de computadores. A única atuação dessas maquininhas é no papel de tornar esse sonho milenar realidade.

O que foi mudando ao longo dos séculos foi o nosso grau de interação com os mundos virtuais. Antes, nós só podíamos acompanhar o que estava acontecendo sem que nada pudéssemos fazer. éramos Cassandras.

Lembro de um episódio do desenho da Betty Boop que eu vi quando era criança. O cachorrinho dela se apaixonava por uma cachorrinha. Ela nào dava bola para ele até que caia em um rio ele a salvava.

Eu fiquei com ódio da personagem. De como ela só foi capaz de amá-lo por gratidão. Pedi ao meu irmão Fernando que me ajudasse a mudar o final do desenho.

Nando é onze anos mais velho do que eu, que tinha uns sete anos na época. Sem computadores para ajudar, ele montou uma maquete tosca com algumas folhas de papel ofício, caneta colorida e cola. Fez o cachorrinho, a cadelinha, o rio e uma cachoeira.

Tudo pronto, encenou o que acontecera no desenho, só que, em minha versão, o cachorrinho a deixava morrer afogada. Desculpem pela minha crueldade juvenil.

Meu mano, que controlava também aquela RV, fez o cachorro ficar triste. Me disse que ele precisava dela. Que gostava dela e que às vezes a gente precisa lutar quando quer alguém. Refizemos a simulação de novo, só que nada de rio. Em minha versão, ele e ela se apaixonavam antes, sem que ela precisasse se afogar em um rio para entender que ele a amava.

Desculpem, outra digressão.

Voltando, ao longo dos anos, esses mundos virtuais foram invadindo os nossos sentidos e agora estamos chegando à última fronteira. Dos capacetes, passaremos a enganar nossos sentidos. Assim como muitas vezes não sabemos que estamos sonhando, não vamos conseguir distinguir a RV da realidade.

E o mundo físico e o lógico vão se fundir. Quem viver, verá.

Cientistas brigam sobre número de genes dos humanos

Essa busca pela decodificação do genoma é fogo. Como todo mundo acha que a tecnologia será o eldorado do século 21, um monte de respeitáveis senhores de avental arregaçou as mangas e resolveu brigar pelos seus milhões.

Tem o Craig Venter, da Celera Genomics, Francis Collins, da Human Genome Project, e um monte de companhias menores brigando por uma migalha que seja dos bilhões que, estima-se, o setor vai movimentar nos próximos anos.

Assim, como há diversas novas empresas na área de biotecnologia e genômica (manipulação de genes), elas estão brigando para aparecer nos jornais com alguma frase de efeito. É um jogo mesquinho. Veja bem, quando todo mundo da “comunidade científica” começa a falar mal do projeto da Celera Genomics, por exemplo, espera-se que suas ações despenquem.

Esse efeito curioso é uma das grandes discussões atuais da bioética. Levar a ciência para um campo empresarial pode ser fatal para o desenvolvimento. Sim, porque no mundo do sobe e desce das cotações da bolsa, mais importante do que estar cientificamente certo é parecer cientificamente certo.

Para quem está imerso em uma economia neoliberal, entender por que isso é ruim é muito difícil. Mas eu vou começar pelas universidades. Uma das grandes idiotices do nosso governo foi adotar a idéia de formar para o mercado. Isso é o mesmo que matar o nosso futuro. Quando criamos um curso para suprir necessidades de mercado, estamos cortando e inibindo a criatividade inerente à atividade acadêmica. Acreditem, as pessoas gostam de dizer que a faculdade é cheia de caras que só ficam ali, naquele ambiente protegido, sem precisar se preocupar com mais nada. É uma grande besteira.

Embora existam os sangue-sugas (existem em qualquer lugar, afinal) o sistema cuida de criar conhecimento. Essa é a principal função de uma universidade. É de lá, da academia, que saem as grandes idéias, os grandes pensadores. O ambiente efervescente estimula. Mas uma universidade voltada para criar robôs teleguiados prontos para o mercado, só isso, não dá. É muito pouco. Se você quer só um emprego, faça um curso profissionalizante. Tem um monte por aí.

O grande efeito dessa pesquisa apenas atrás dos interesses comerciais é que num mundo como esse, ninguém perde tempo procurando a cura de uma doença que mate poucas pessoas. Na lógica comercial, os caras pensam que não há retorno em pesquisar e desenvolver uma droga que “só vai salvar umas 100 vidas por ano”. Como assim? E seu for eu ou você, e se for seu irmão ou seu(sua) namorado(a)? O detalhe bizarro é que milhares de descobertas saíram de pesquisas feitas para desenvolvimento de outros produtos. Pesquisar é importante porque cria novas possibilidades, novas perguntas. Pesquisar para o mercado limita tudo.

Assim, voltamos ao assunto inicial. Os caras estão brigando para definir quantos genes temos no corpo. São 35 mil, 75 mil, 90 mil ou 150 mil? A cada declaração jocosa de um, o outro é colocado em questão, uma piadinha tenta desmerecer seu projeto. O que é preciso ter em mente é que o mapa não basta, vamos precisar de mais alguns bons anos de pesquisas para saber o que fazer com esse esquema.

A história e a física quântica

Era uma vez um escritor de ficção científica chamado Isaac Asimov (1920-1992). Com sua imaginação irresistível, ele inspirou gerações de futuros cientistas e criou, dentro de uma de suas obras mais respeitadas, Fundação, uma teoria chamada psico-história.Segundo o autor, é impossível prever o que um homem fará, mas é possível traçar os rumos da humanidade, ou seja, de grandes grupos de seres humanos.

Pois quem achava que as idéias do bom e velho Asimov eram balela de escritor de romances baratos, precisa ler a matéria de capa do suplemento Mais da Folha de S.Paulo deste domingo (28/01/01). O título é O Padrão Invisível e fala das teorias descritas no livro Ubiquity (Ubiqüidade). É escrito pelo autor do livro, Mark Buchanan, que é PHD em física teórica.

Buchanan mostra como os padrões aparentemente aleatórios da história podem ser explicados à luz da física quântica. Melhor que isso, seu texto é claro e preciso, ou seja, você vai entender o que ele quer dizer.

Como o artigo é dele (foi traduzido de um material produzido para o jornal inglês The Independent) e o moço precisa encher a própria bola, em nenhum momento é citado o fato de que a idéia já existia na ficção científica ou que é mais uma das aplicações matemáticas que surgiram nas últimas décadas à luz das descobertas da matemática do caos.

Dentro do mesmo caderno, está um artigo de Per Bak, outro físico, que fala de como Buchanan apenas juntou em seu livro as idéias que estão borbulhando já há algum tempo no meio científico. Não tira o mérito dele, que conseguiu traduzir tudo de um jeito que mantém o interesse e faz você sentir, no fim, que aprendeu uma coisa nova e interessante. E ainda rende umas boas discussões calibradas por sua bebida alcoólica preferida.

Sequenciaram o código genético do arroz

É isso aí. Nos próximos anos, vamos ver os jornais avisando que sequenciaram mais alguma coisa. Será o feijão, a vaca, a batata, o frango etc. Como eu já disse em notas mais embaixo, vão clonar um ser humano nos próximos 12 meses e cientistas da Grã-Bretanha foram autorizados a fazer clonagem humana com fins de pesquisa. É o século 21, com medo ou não, iremos todos ter que nos adaptar às loucas mudanças que vêm por aí.
Você acha isso bom ou ruim? Por quê?

Mais sobre a clonagem de seres humanos

Grã-Bretanha aprova clonagem de embriões humanos para pesquisa
A corrida começou. Qual será o primeiro laboratório a gerar um clone humano legalmente reconhecido? Sim, porque a essa altura do campeonato alguém já deve ter feito isso e ninguém foi comunicado até o momento porque a coisa toda ainda é ilegal.

Mas, como eu disse, AINDA é ilegal. Em alguns anos, diversos países, de olho nos possíveis lucros gerados por essa tecnologia, vão começar a liberar a técnica. O século 21 não será parecido com nada que você já viu, ouviu ou imaginou. Prepare-se.

Um ser humano será clonado nos próximos 12 meses, diz a “Wired”

Veja o site da revista “Wired” AQUI
Bom, em tese isso é possível desde que foi feito com a ovelha Dolly em 1997, já que biologicamente o processo não é mais complicado conosco do que seria com o dito animal.
Antes de ler a matéria (que, sim, você devia ler), veja “O Sexto Dia”, com o Arnold Schwarzenegger, e “Gattaca”, com Ethan Hawke. São filmes completamente diferentes que tocam no assunto com alguns bons pontos abordados.
A clonagem levanta questões religiosas, políticas, sociais importantes. Em “Sexto Dia”, por exemplo, a tecnologia é vista como neutra, mas os vilões fazem um uso egoísta dela. Em “Gattaca” a idéia de engenharia genética como uma ferramenta de determinismo científico é combatida por um personagem que, mesmo tendo um suposto defeito congênito, é capaz de burlar o sistema e realizar o seu sonho.
A discussão número um é quanto a alma. Tem ou não tem? O que me leva a perguntar se nós, que não somos clones, temos alma. Temos ou não temos, hein?
A segunda é sobre a individualidade. Uma cópia genética não é você, é outro ser feito com a mesma forma que você, um irmão gêmeo ainda mais parecido. Ela está em outro lugar, em outro tempo, e tem experiências completamente diferentes das suas. Alguma coisa nesse ser sairá diferente.
Tem ainda a terceira, a quarta… a milésima questões, isso não acaba.
Se quiser seguir essa discussão escreva para alexmaron@yahoo.com, ok?