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A coluna no site da Galileu

Como eu disse mais atrás. Voltei de um mestrado e deixei de lado o velho ofício de escrever. Uma das resoluções de 2013 era voltar para ser feliz. Aqui estou.

Até aqui, minha principal atividade foi escrever uma coluna semanal no site da Galileu.  Ali, falo de como a cultura pop infuencia e é ifluenciada. O mote é: O POP de impacto e o impacto do pop.

Na semana passada, escrevi sobre a iTunização da política. O momento em que, vivendo em um mundo em que tudo começa a ser por demanda, as pessoas resolvem que suas plataformas polícias também devem ser personalizadas e param de simplesmente aderir ao que partidos organizados propões em bloco.

Nas semanas anteriores, escrevi sobre:

Transmídia – Em A tecnologia e as novas possibilidades narrativasDefiance é um jogo ou um seriado? Os dois.

Realidade Aumentada – Em Vendo o mundo como o Homem de Ferro

Narrativas Pessoais – Em A vida como narrativa: um filme, uma série, uma timeline? (que tem um pouco de transmídia também, mas com outro foco)

Leia e comente. :-)

É Gripe Suína. S-u-í-n-a.

Que H1N1 que nada. Chamar essa gripe de H1N1 é só uma tentativa de fingir que não surgiu nos currais onde milhares de porcos ficam confinados, servindo de tudo de ensaio para fazer um vírus se recombinar e evoluir em tempo recorde.

Tivemos a gripe aviária e agora a suína. Não vamos enfeitar o bolo por favor. O problema é enorme e é maior do que os modos de produção da indústria alimentícia.

Humm… Considerando que eles são parte da engrenagem que só falta nos amarrar e enfiar nacos de comida na nossa boca para garantir o crescimento da produção ano a ano, não posso fingir que acredito 100% no que eu acabei de falar. Talvez eles sejam grandes demais mesmo. E estamos ferrados.

Feliz aniversário!

Hoje é o aniversário de 200 anos de Charles Darwin. Num momento em que a ignorância tenta se espalhar conquistando corações e mentes com idéias obscurantistas (design, hum, inteligente, ai, ai, ai), é bom comemorar o fato de que tivemos um cientista capaz de enxergar algo tão relevante como a teoria da Evolução.

Meu cachorro querido, do qual estou morrendo de saudades, se chama Charles Darwin. E mais não preciso dizer.

Deixo o UOL, a Folha (com muita coisa legal: Darwin nas Mãos de Deus, Darwin e a escravidão), o New York Times, o Guardian e o Times falarem por mim.

Bem-vindo a Gattaca

No meio do noticiário, uma notícia histórica: Nasce menina britânica selecionada para não carregar gene ‘cancerígeno’

Essa é uma aplicação genial da engenharia genética. Claro que temos pela frente mil dilemas. No DVD de Gattaca, o filme de 1998 em que um jovem tenta realizar seus sonhos numa sociedade que discrimina quem não tem os gens certos, há uma sequência que foi cortada do filme mostrando as pessoas que poderiam não ter nascido se as técnicas de discriminação genética estivessem em vigor em seu tempo: de Lincoln a Einstein.

Claro que não é tão simples assim. Se há como, por exemplo, corrigir o problema inibindo a predisposição genética, por que não usar essa possibilidade? Mas, como sempre, é preciso ter práticas definidas e discutidas. É bom ler além do discurso triunfalista de quem tem interesse em ganhar milhões com essas técnicas.

Ao mesmo tempo, alguém sempre vai dizer que a dislexia de Einstein o fez grande. O que é uma discussão inútil e infantil. Afinal, a gente sempre poderia pensar que, sem dislexia, Einstein poderia ter sido ainda maior… Ou não. Quem vai saber?

Totó!!! Levanta-te!

No G1: Célula-tronco adulta faz cão paraplégico voltar a ficar de pé

Vão chiar. Vão espernear. Vão reclamar. Mas em algum momento a racionalidade (e o dinheiro, por que não?) vão vencer essa parada. As pesquisas vão tomar velocidade e vamos revolucionar o tratamento de doenças que, hoje, são incuráveis.

E, só por agora, e pelo valor dessa pesquisa, não vou discutir as condições dos testes com cobaias.

Control + Z

Quem trabalha regularmente com computadores, seja no word, no excell, no open office, no powerpoint, sabe muito bem para que serve control + Z. É o UNDO, desfazer, voltar. Save game. Morri. Volto e tento de novo, um pouquinho diferente, pra ver se consigo desta vez. Talvez seja uma das maiores conquistas do mundo digital. Undo. Errei, porra. De novo!

É quase um superpoder e nossa sociedade atual está apaixonada pelos superpoderes, talvez porque eles estão cada vez mais possíveis.

Quem melhor entendeu isso foi Steven Johnson no sensacional Cultura da Interface (Jorge Zahar). Ele não toca em todos esses tópicos aqui, mas fala de como viver com as interfaces digitais muda nosso modo de pensar e de entender o mundo. Escrever hoje é muito diferente de como era 20, 30 anos atrás. Eu, que tenho 35 anos, comecei escrevendo em uma máquina de escrever olivetti do meu pai (caramba, como eu queria achar essa máquina só pra ter de lembrança…). Depois, usei um TK95, um CP400, um MSX da Gradiente e entrei no mundo dos PCs e dos Macs. Nunca mais toquei numa máquina de escrever, embora a gente pague tributo a elas todos os dias ao usar os teclados dos computadores, não vamos esquecer.

No outro dia, eu estava trocando mensagens no MSN com outras três pessoas ao mesmo tempo. Estávamos tendo uma conversa intensa sobre um monte de tópicos no meio da redação sem que ninguém mais pudesse nos ouvir ou saber do que estávamos falando. É uma forma de telepatia de texto. o grande Arthur Clarke dizia que a tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia. Pense em celulares, palms, computadores, pense nos trajes capazes de resistir ao impacto de uma bala. Nos carros, nas supermotos, nos pequenos aviões etc. Quanto mais portátil, mais invisível, mais a coisa se parece com magia.

No meio disso tudo, gadgets portáteis viraram minha obsessão. Ter um celular com GPS, com o google o tempo todo funcionando, já me tirou e enrascadas (e estourou minhas contas telefonicas). Quando eu era moleque, tive brigas de abalar a amizado por me perder de amigos em shopping centers ou grandes eventos. Hoje isso é impensável. Todo mundo está a um telefonema, um contato eletro-telepático, de distância.

Mas em várias instâncias de nossas vidas a digitalização e o control + Z não chegaram. Nós ainda podemos morrer e, se dissermos uma bobagem na hora errada, é beeem difícil consertar. Um dia, com a gravação de backups periódicos, uma pessoa poderá, perfeitamente, voltar da morte com a perda de algumas horas ou dias de sua memória. Os embriões de tecnologia estão todos aí. Isso tudo vai acontecer mais cedo ou mais tarde.

A parte mais difícil é a de consertar as besteiras que dissemos, que fizemos para as pessoas. Acho difícil que eu possa comprar na Fnac ou nas Lojas Americanas um “apagador de bobagens ditas no calor da discussão”. Não que isso seja impossível de criar. Só acho que é coisa que a gente vai achar somente na Santa Ifigênia do futuro. Será uma tecnologia pirata, possível, mas irregular.

Que eu considero bobagem. Por que? Porque num futuro em que tudo pode ser refeito, repensado, redimensionado. Num futuro em que podemos voltar atrás nos nossos erros, porque não ficaríamos mais permissivos com essas falhas? Se a interface pode influenciar nossas mentes, por que não mudaríamos nosso jeito de ser para algo mais compreensivo com as falhas alheias? Ok, falei besteira. Peço desculpas. Me excedi. A compreensão do cérebro para chegar a essas tecnologias vai, naturalmente, revelando o quanto somos passionais e passíveis de erros. Sabendo disso tudo, conhecendo nossas limitações, nossos desequlíbrios químicos. Fica mais fácil entender o outro. E é mais fácil usar o control + Z. Aquele interno, que depende só da nossa boa vontade.

P.S.: Você nem pode imaginar por que eu comecei a pensar nisso tudo… Li no Omelete que o Flash clássico, Barry Allen, está de volta aos quadrinhos da DC. Para os mais puristas, é um absurdo total. Esse personagem foi uma das poucas mortes “definitivas” da história dos quadrinhos (foi morto em 1985, na Crise). Mas o Flash viaja no tempo e em dimensões paralelas. O que eu sempre achei estranho foi o personagem não voltar. Eu, hein…

O fato é que os quadrinhos lidam com essas idéias intensivamente e têm um termo para isso: ret con. É quando eles recontam alguma história do passado e reescrevem a realidade para se adequar a alguma novidade. Um dos exemplos típicos para o grande público foi quando, em Homem-Aranha 3, enfiaram o Homem de Areia no dia da morte do tio Ben, que nós tínhamos visto no primeiro filme. Ret con ruim.

23 e eu e você (atualizado)

A esposa de um dos bilionários do Google criou uma nova empresa chamada 23 and Me.

O serviço: você passa um cotonete na boca, manda para eles e recebe seu perfil genético, com informações que incluem a chance de você desenvolver câncer ou ter um infarto.

Parece legal, né?

Mas basta pensar um pouquinho que a coisa começa a ficar assustadora. Digamos que você usa esse serviço e descobre que pode ter câncer aos 50. Veja bem: pode. Não VAI ter câncer. PODE ter câncer. Digamos que, de alguma forma, essa informação se torna pública e cai na mão ou do seu empregador ou do seu plano de saúde. O que eles fariam?

Isso é só uma pequena parte dos problemas que esses avanços podem trazer se não forem discutidos e legislados de forma correta. Eu digo “problemas” porque nós sempre sabemos muito bem os benefícios desses avanços. Poder fazer exames profiláticos periódicos para evitar um câncer possível é algo desejável e que vai salvar milhares de vidas.

Ma, considerando que sempre há gente fazendo lobby a favor das corporações, não é difícil passar uma lei em que as empresas tenham o direito de saber se seus empregados PODEM ficar doentes ou não. Afinal, essa é uma informação legítima, diriam eles. Logo, logo, vamos estar fazendo testes genéticos junto com exames de admissão em empresas ou na hora de entrar num novo seguro saúde. As consequências… Bem, basta imaginar.

De vez em quando, eu realmente me pergunto se quero que certos avanços aconteçam…

Atualização: A Wired fala da 23 and Me