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De quem é a culpa?

(Vídeo dica do CrisDias)

Se o Brasil é um país capitalista, com um mercado livre, é certo proibir certo tipo de propaganda? Bom, eu volto sempre ao tal contrato social. Há que se ter regras para decidir o que é ético e o que quebra princípios básicos. Então, propaganda de cigarros era mesmo uma aberração. Ou será que não? Afinal, temos propaganda do Mac Donalds, cujos produtos causam hipertensão e apenas contribuem para a epidemia (ou pandemia?) de obesidade. Temos propaganda de cerveja, não é mesmo? Temos propaganda de remédios, que, se usados de forma irresponsável, podem fazer mal. Bom, mas remédios e comida têm outra função: curar e alimentar. Cigarros, noves fora o prazer que proporcionam, apenas fazem mal. Há que se ter uma lógica a permear essas decisões. Há que se ter um princípio justo. E há que se ter, é claro, discussão.

Eu não sei se o princípio desse documentário está certo. Mas, putz, isso me preocupa e eu sou, pelo menos em princípio, favorável ao estabelecimento de regras para a veiculação de publicidade desse tipo. Acho ridículo proibir simplesmente, porque brinquedos são o que são, brinquedos. Não têm função destrutiva. E os fabricantes têm o direito de avisar ao público, por meio de publicidade, que estão vendendo este ou aquele produto. É um princípio básico e inalienável do livre mercado. É tão simples que muitas pessoas esquecem.

Só acho que os próprios publicitários deveriam se mexer e estabelecer seus princípios. O que acontece em geral é que o governo geralmente se mexe quando o abuso passa muito dos limites. E o que estamos vendo é um problema duplo: pais que se omitem e deixam a TV cuidar dos filhos e uma publicidade predatória. Então, só atacar o problema regulando a publicidade não vai resolver nada. Mas fazer alguma coisa, é melhor do que ficar assistindo. Esse princípio básico de agir a despeito de não ser a solução perfeita é o que norteia diversas campanhas. O argumento a favor da omissão só serve aos publicitários, que continuam fazendo a festa. A pressão de uma legislação é exatamente o dispositivo social que causa as mudanças. Não que funcione sempre, mas é alguma coisa.

Eu Não Quero Falar com Você

Em um post mais embaixo, eu falei sobre como os israelenses estão triturando palestinos e isso irritou muita gente. Uma moça me chamou de anti-semita, outro rapaz falou que genocídio quem pratica são os palestinos que explodem bombas e matam pessoas nas ruas de Israel.

Mais importante do que as opiniões contràrias às minhas, é a forma como as pessoas não conseguem mais entender nem ouvir as opiniões alheias. É um emburrecimento preocupante.

Paulo me diz que minhas opiniões são radicais, que eu, indiretamente sou um assassino, porque eu disse que os israelenses estão matando palestinos indiscriminadamente. Me disse também que eu sou radical. Renata me chamou de ignorante e nem insinuou, tentou me ofender inferindo que eu não sei nada de história.

Não há debate, tudo se reduz a inferências a meu respeito e não em relação às minhas opiniões. Tem alguma coisa errada aí.

O problema de muitas pessoas está nelas se cercarem somente de gente que concorda com elas. Elas desaprendem a debater, desaprendem a ouvir os outros. E não sabem mais argumentar.

Em vez de debater com você eu me preocupo em te dizer que você é feio, chato e bobo. Eu chamo você de burro. Te desqualifico para ganhar a discussão. É ainda pior que a técnica de ter melhores argumentos mesmo estando errado e ganhar uma discussão sem estar com a razão. Pelo menos ali há alguma inteligência envolvida. Aqui não.

Escola de Clones

Antes podia se chamar ficção científica. Hoje, é apenas uma sitcom.
Produtores norte-americanos preparam para a MTV dos Estados Unidos um seriado humorístico que conta a história de uma escola encarregada de educar os clones de diversas personalidades históricas, como Abraham Lincoln, Elvis Presley e Marilyn Monroe (esta última não muito pela personalidade, né?).

Como eles crescem em tempo real e são o resultado de um projeto do governo, precisam receber uma educação condizente com a idéia de leva-los ao ápice de seus potenciais.

Você pode achar a idéia uma besteira. Eu acho genial. Se não se resumir a enfileirar piadinhas infames e levar a frente, mesmo com humor, a discussão de temas filosóficos sérios, como a pressão de dar sequência ao legado dos indivíduos originais, pode ser um clássico moderno.

Por que essa preocupação? É que, na minha opinião humilde, uma série como essa pode ter uma função quase educativa de trazer o tema para a discussão. Não importa mais saber se um clone tem alma ou não. Eles existem, provavelmente já há clones de humanos em algum lugar nesse mundo, nesse momento.

Em outra novidade, já nasceram, oficialmente, bebês geneticamente modificados, nos quais foram implantados genes de uma terceira pessoa, além dos pais.

É hora de começar a pensar em como vai ser um mundo com clones.
Não é mais ficção científica. Veja só, virou até motivo de piada.