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Ronaldo, o fim e o marketing

Ontem foi dia de assistir ao anúncio oficial do fim da carreira de Ronaldo, o Fenômeno. Eu vi a carreira dele do início ao fim. Vibrei em 2002 quando ele voltou de uma contusão gravíssima e dominou a Copa. O vejo como uma espécie de super-herói. Mas, cá entre nós, essa obsessão dele por movimentos calculados é enervante.

Sim, porque apesar do jeito meio informal do anúncio de ontem, havia um monte de ações cuidadosamente calculadas. Ronaldo é um cara inteligente que sabe usar a mídia. E usou. Veja, por exemplo, o esforço de exibir-se com os filhos, incluindo o menino (fofinho, diga-se de passagem) cuja paternidade que ele acaba de reconhecer. Ou o ato de usar a palavra fracasso aos prantos para se desculpar com a torcida do Corinthians pela derrota na Libertadores. Ou ainda, a Twitcam no notebook que estava em cima da sua mesa.

Existe o discurso e as entrelinhas do discurso. Uma coisa que fica clara é que, apesar de declarar que não guarda mágoas, Ronaldo fez questão de dar uma justificativa para o fato de estar acima do peso: hipotireoidismo e meio que repreendeu os jornalistas que dele fizeram chacota. Pena que, ao longo da tarde, alguns médicos tenham afirmado que ele podia tomar medicações para o distúrbio normalmente. Arrisco dizer que os reais motivos dos problemas físicos graves de Ronaldo só vão surgir em alguma obra reveladora (a versão do livro de memórias daqui uns dez anos) no estilo do que fez Pete Sampras em seu livro.

Mas por agora, foi um anúncio calculado cuidadosamente para tentar deixar de Ronaldo a imagem de bom pai, fiel aos amigos e amante da torcida corinthiana. Muito importante para os negócios.

Os arapongas do tablóide inglês

O assunto do momento aqui na Inglaterra é o esquema de grampos montados pelo pessoal do tablóide News of the World. Arapongas, grampos, cala-bocas milionários e muita corrupção temperam essa trama.

Não, peraí. É mais complexo. Eles contrataram detetives particulares que montaram os grampos em várias pessoas famosas: atores, músicos, políticos e esportistas. Mais de 3000 VIPs (!!!). Além de grampos, investigavam contas gastos e outras informações pessoais que não tinham nada que saber.

Mas fica pior. Quando alguns casos foram descobertos, os executivos do NotW simplesmente pagaram fortunas em acordos extra-judiciais pras pessoas ficarem caladas.

Mais, mais. O jornal pertence ao Rupert Murdoch. O magnata das comunicações, dono da Fox e do Wall Street Journal. Então surgem suspeitas de que Murdoch poderia usar essas informações de forma duvidosa.

A coisa não pára de feder. Um dos ex-editores do NotW é assessor do líder do partido conservador, David Cameron. Vários dos casos aconteceram quando ele dirigia o jornal. Cameron se recusa, por enquanto, a demiti-lo.

Pois é. Diante da concorrência acirrada no mundo dos tablóides que cobrem a vida de celebridadas, a saída deles foi… doping. Será que tem mais gente usando essas táticas sujas por aí?

Michael Jackson morreu e o mundo (inteiro) fez seu tributo

Ontem, o mundo acompanhou em tempo real pela internet o destino de Michael Jackson. Eu ficava pulando de site em site pra ver se os grandes e mais respeitados confirmavam o que o TMZ já tinha publicado: Michael Jackson estava morto. Ponto final.

Incapazes de confirmar a história, CNN, New York Times, Guardian, Reuters e dezenas de outros sites respeitáveis tentavam checar as informações antes de dar o comunicado final. A CNN optou por colocar uma foto de Jacko dando tchau, sinal de que o pessoal provavelmente já sabia que o cantor estava morto, mas, por uma questão de princípios, estava esperando múltiplas confirmações de fontes para dar o comunicado oficial.

(Quando informaram, colocaram na conta do Los Angeles Times. O leitor desavisado pode até achar que é uma forma de tirar o corpo fora. Não necessariamente. É outra coisa. É dar crédito a quem informou e confirmou primeiro. É a velha mídia tentando incorporar certos hábitos dos novos tempos.)

Hoje, já começaram os perfis, obituários, edições especiais e toda a parafernália que cerca esse tipo de evento. É a velha mídia tentando faturar o que puder em tempo de vacas magras. Aliás, hoje, o dia seguinte a um evento como esse já parece uma eternidade pra quem acompanhou tudo em tempo real e leu um monte de coisas ou viu vídeos (tudo editado às pessas) nos sites e na TV à noite. A título de contraste, Farrah Fawcett, cuja morte foi anunciada por meses, por conta do câncer, acabou sendo ofuscada pelo fim de um popstar inesquecível.

As empresas jornalísticas sérias tentavam dar uma dimensão da importância do artista e exploravam vários ângulos, alguns impiedosos, sobre como um homem que ganhou tanto dinheiro chegara naquela situação. Afinal, Michael Jackson foi considerado uninsurable pelas grandes seguradoras. Estima-se que o prejuízo da AIG (a empresa que promoveu a volta de MJ) pode chegar a £300 milhões.

Agora, dá-lhe especulações sobre o quanto Jacko estava com a saúde comprometida, desesperado por algum dinheiro que o tirasse da situação financeira desastrosa e, por conta disso, aceitou uma “encomenda” que seria incapaz de entregar. Nos bastidores do showbiz, havia um enorme ceticismo a respeito das performances do cantor. Nas bolsas de apostas, especulava-se quantas apresentações seriam canceladas.

Não foi uma, nem duas. Todas.

Bom, hoje eu passei em frente ao Lyrics theatre, que apresenta o musical Thriller, com vários artistas interpretando sucessos da carreira de Michael Jackson. Ali, várias pessoas depositavam flores, colaram posters e prestavam uma homenagem ao ídolo. Em todo canto, tocava-se Michael Jackson. Nos sites de downloads (legais e ilegais) só dava você sabe quem. Nas lojas que vendiam os ingressos para os shows pelo triplo do preço original, ainda havia alguns cartazes toscos que os donos esqueceram de tirar das vitrines. É uma ressaca.

Eu vivi o auge de Michael Jackson nos anos 80. Não fui ao show no Brasil, mas ia ao daqui de Londres (presente de um amigo que vem me visitar). Quem sempre foi fãnzona de Michael Jackson mesmo é a Mônica, que chegou a ir de São Paulo ao Rio de carro ouvindo os maiores sucessos de Jacko no repeat do CD player.

O Twitter parou. O Google sentiu o baque. De vez em quando a gente é lembrado que, na era do Long Tail, dos microsucessos, ainda existem titãs midiáticos andando sobre a Terra. Jornalistas e blogueiros novidadeiros acabam esquecendo que artistas com muita estrada, apesar de parecerem não fazer mais barulho nenhum, formam públicos enormes que atravessam gerações e são capazes de criar ondas de choque impressionantes.

Eles são poucos. São mesmo uma raça em franca extinção. Ontem, um dos maiores, e dos últimos, se foi.

Fritura

O Friars Club é um clube privado de Nova York onde rola, todo ano, o roast de uma personalidade. E o que é um roast? É um evento em que amigos e fãs se empenham em sacanear o homenageado de todas as formas, possíveis, contando todo tipo de piada absurda. Na verdade, é uma homenagem tida como uma enorme honra. E o evento, justamente pare ser sem censura (no sentico de que qualquer piada é válida), é fechado à imprensa. Nada de fotos nem gravações.

Este ano, foi a vez de Matt Lawer. Ele é desconhecido por aqui, mas vale saber que é o cara que “nocauteou” Tom Cruise com aquela famosa entrevista sobre cientologia e a psiquiatria. Junto com o mico no sofá da Oprah, parece ter danificado seriamente a carreira de Cruise, até então uma espécie de midas.

A Entertainment Weekly apresenta um sensacional relato do roast de Lawer, que contou com Cruise fazendo mil piadas e depois sendo sacaneado. De alguma forma, parece que tudo que ele faz para ser visto como cool, para recuperar o mojo, se volta contra ele. Incluindo a participação especial em Trovão Tropical, o filme bacana, mas irregular, de Ben Stiller.

O contraste entre Cruise, Redford e Streep

A revista estava em cima da minha mesa esperando pra ser lida há quase duas semanas e só hoje eu parei para dar uma olhada na conversa de Tom Cruise, Robert Redford e Meryl Streep com o crítico de Time Richard Corliss, sobre o filme Leões e Cordeiros. O que se segue é um contraste avassalador entre a superficialidade e os clichês vazios que vocifera Tom Cruise e as palavras de Streep e Redford.

Logo no início, Meryl Streep fala de como os jornalistas americanos só sabem perguntar para eles como foi trabalhar como fulano ou cicrano enquanto os estrangeiros perguntam sobre suas idéias e opiniões, sobre o significado de tal filme.  E não é que, quando Cruise começa a falar, minutos depois, tudo que ele consegue dizer é… como foi trabalhar com os dois ícones. Ai!

Dê uma conferida no site oficial da Time, com direito a áudio do bate-papo.

Piada inadvertida

Winona Ryder tenta de novo virar alguma coisa além de uma piada. Mas o filme, pelo menos essa cena exibida fora de contexto, parece ser uma porcaria. Sinceramente, fiquei imaginando se, em vez de um drama, não é mais um Corra que a Polícia Vem Aí ou Todo Mundo em Pânico. Parece uma cena fake, criada para ser engraçada. Eu hein…

Eva Longoria e sua fita comprometedora

Depois da mania das sex tapes (dizem que há uma bombástica da Britney Spears, como se ela pudesse ir mais fundo), Eva Longoria resolveu dar uma de descolada e brincar com a história. Fez uma s ex tape sem sex para consumo mundial, como uma espécie de piada. Só que não é. Não é uma sex tape, é um viral criado por ela e que vai ser visto em milhares de casas do mundo (com minha ajuda, agora).

Os artistas-celebridades não aprendem mesmo. Ou são só cínicos e caras de pau. Como é que reclamam de alguma coisa quando alimentam a máquina com algo assim?

Não sei se você já deu uma lida nas chamadas das capas de revistas de fofoca. Principalmente nos Estados Unidos e aqui na Inglaterra, onde estou passando uns dias a trabalho, elas tratam os acontecimentos das vidas dos artistas como se fossem fatos de uma novela. É como se o mundo das celebridades fosse uma imensa “Paraíso Tropical” ou “Duas Caras” da qual participam David Beckham, Victoria, Brad Pitt, Angelina Jolie. A cada semana, suas tramas avançam com um novo acontecimento dramático. Foi por isso que Pitt e Angelina foram para a África ter seu filho. Sabendo que os paparazzos os seguiriam e que não teriam como escapar, levaram todos para um lugar distante e que viraria um cenário a ser descoberto, na intenção de aumentar o conhecimento das pessoas a respeito da África. Ontem, liberaram as fotos que os paparazzos, sempre eles, tiraram de Diana minutos antes dela morrer. As imagens falam sozinhas.

Eva Longoria criou mais uma peça ou uma cena dessa trama. Está se sentindo muito esperta. Mas é impressionante a forma como essas coisas se viram contra eles. Afinal, os paparazzos têm pouca coisa a perder.