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Carta para a Clarinha – 9 Anos!

Sobrinha linda

Nove anos atrás, eu era uma pessoa muito diferente. Ok. Não tãao diferente assim. Mas havia algo especialmente diferente em mim: eu não queria ser pai.

Não é que seu tio não quisesse ser pai de jeito nenhum. Eu não tinha a vontade de ser pai. De criar e educar uma criança e entrega-la para o mundo. Mas isso tudo mudou quando eu me toquei que, em 28 de julho de 2006, você existia.

Eu só vi suas fotos pela internet um dia depois do seu nascimento, porque estava numa viagem de trabalho. Mas, se eu podia amar imediatamente um bebê que eu via numa foto, que eu nem conhecia ainda, estava claro que havia em mim espaço para um amor novo e incondicional. Eu não sabia que isso era possível até você existir.

Nos anos seguintes, sua mãe me explorou. Procurei fantasia de ursinho carinhoso pelas lojas de Nova York, bati pé procurando exatamente o carrinho de bebê dobrável com a estampa que sua mãe queria e carreguei aquele trambolho em viagem internacional, descobri a seção de produtos para bebê da Target e do Walmart para trazer pequenezas que sua mãe pedia sempre.

E sofri nos primeiros anos porque só podia te ver de vez em quando. Então, quando eu fui morar fora, resolvi voltar antes para curtir seu terceiro aniversário, o primeiro aqui em São Paulo, quando seus pais se mudaram. Isso faz seis anos.

A cada coisinha sua que eu ia descobrindo, eu te amava mais. A cada nova tirada, observação, frase engraçada eu ia descobrindo um amor sem limites e imaginava fascinado o que você ia se tornar. E você é tão linda e inteligente que, de vez em quando, eu esqueço que você é só uma menininha. Que só hoje está chegando aos nove anos.

E nesses nove anos, eu saí de tio desinteressado em ter um filho para tio que sonhava ter alguém para ser amigo da prima Clara. Porque ver você cuidando e amando sua irmã mais nova é muito, muito legal. E é claro que, quando eu vejo isso, lembro imediatamente de como eu cuidei da sua mãe. E acredite, ela deu um trabalhão. Então prepare-se que, se você acha que a Marina dá trabalho, você ainda não viu nada.

Aprendi que, por você e pela sua irmã, todo mico é válido. Todas aquelas coisas que nós, tios hipsters, geeks e senhores de si não fariam por ninguém, eu faço por vocês. E, não se engane, eu me lancei sim na missão impossível de me tornar o tio mais legal do mundo. Um dia eu chego lá. Um tio capaz de brincar de qualquer coisa, de carregar no cangote (ai, você está ficando grande demais pra mim), levar ao cinema, carregar pelo mundo e dar os melhores presentes. Não os mais caros. Os mais legais.

Você me faz sorrir, me enche de orgulho e de admiração. Vou precisar de muitas cartas e muitos anos pra dizer uma fração do que você significa pra mim.

Então, hoje, ficamos só nisso. Feliz aniversário, Clarinha. Estou indo comer bolo daqui a pouco.

Carta para a Marina – 2 anos

As sobrinhas não param e ficam embaçadas na foto
As sobrinhas não param e ficam embaçadas na foto

Marininha, Marizoca, delicinha

Deixe eu começar dizendo OBRIGADO.

Os últimos dois anos foram dos mais difíceis da minha vida. Eu tive uma depressão horrível, minha vida virou de cabeça pra baixo, perdi gente que amo demais e até um pedaço da minha capacidade de sentir.

No meio disso tudo, eu só consegui realmente curtir o amor, a ternura, o carinho, sorrir de verdade e aquecer o peito quando eu estava olhando para você (e para sua irmã, mas ela merece uma outra carta separada).

Lembro muito bem da primeira vez que vi você. E do amor puro, sincero, intenso que senti. Antes disso, só sua irmã tinha conseguido tirar isso de mim. Com a “Caia”, percebi que havia um pai potencial aqui dentro. Sua irmã me fez pensar na idéia. Você me fez ter certeza de que, dada a oportunidade, eu seria capaz. Mesmo que eu eventualmente não seja pai, pelo menos sei que tenho esse amor potencial. E, bem, se for o caso, não acho nada mal poder dar ele todinho pras minhas sobrinhas lindas.

Porque o que me aconteceu foi que eu esqueci o que eram esses sentimentos. Eu mergulhei fundo. Virei um robozinho vivendo um dia depois do outro. Deixei de sonhar.

Mas como não sonhar quando sua sobrinha diz o primeiro “aê”? Quando ela te recebe com um abraço gostoso e seus bracinhos mal conseguem dar conta da sua perna? Como dizer não quando você vem, olha pra mim e diz “aê popoca”? Algum compromisso vai ter que esperar um punhado de milho estourar.

Impossível não me derreter quando eu vejo você e sua irmã juntas. No momento em que ela, cheia de orgulho, mostra um novo “truque” seu. Ou quando ela te propõe alguma coisa e você, animadíssima, diz “mamuuuu”. Eu sou a “Caia” e você é a sua mãe. Que bom poder reviver as coisas assim.

Esses primeiros anos são exatamente os que eu perdi da sua irmã. Há esse lado também. Eu queria ter curtido a “Caia” assim. Não deu. Estou curtindo agora de outro jeito. Minhas costas bem sabem disso. E carregar você e ela ao mesmo tempo… Aproveitem agora enquanto eu dou conta.

Vou te contar uma história. Uns povos criaram umas línguas bem velhas e em algum momento, a humanidade não sabia mais como entender essas línguas. Aí, vários anos atrás uns cientistas acharam uma pedra que tinha uns símbolos anotados que ajudaram a entender de novo essas línguas muito, muito antigas e perdidas. O nome desta pedra é Rosetta.

Você e a “Caia” são a pedra de Rosetta dos meus sentimentos. Tem coisas que eu tinha perdido a referência. Eu não sabia mais direito o que eram. Pois ao sentir com vocês, eu resgatei e lembrei do que tinha esquecido. E voltei a ter esperança em mim. Por isso que algumas pessoas dizem que não estão ensinando às crianças. Estão aprendendo.

Eu te amo por muitas coisas e uma delas é, sim, por me ensinar.

Te adoro tanto e tanto.

Até o ano que vem.

Tio Aê

(Não acredito que já se vão dois anos. Essa é, então, nossa segunda cartinha. Mais uma que você vai ler um dia, quando puder entender o que está aqui)

Carta para a Marina

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Minha linda, pequenina, fofinha, Marizoca.

Você ainda não pode ler isso. Ainda pouco sabe o que a gente diz. Mas um dia você vai poder entender o que eu estou escrevendo e espero te arrancar um sorriso. Mais um. Desses que eu gosto tanto de ver.

Olhar para você me acalma, Marininha. E hoje, nesse momento em que te escrevo, poucas coisas me acalmam. Mas vai melhorar. E eu só acho que vai melhorar porque olho pra você. E esse momento, o de olhar pro seu rostinho, é de esperança no futuro. Porque um futuro com você e com a sua irmã só pode ser melhor. E se não for, me dá vontade de lutar para que seja. Porque tem que ser melhor. Entende?

Seu sorriso me aquece o coração. E, tenho que confessar, poucas coisas hoje me aquecem o coração. É o momento. Vai passar.

Tem outra coisa que eu sinto quando olho para você. Vontade de envelhecer. Essa vontade eu nunca tive (não que faça alguma diferença querer ou não). Mas é que, para ver você e sua irmã crescerem, virarem tudo que vocês podem ser, eu preciso envelhecer. E se esse é o preço. Puxa, paciência.

Esta é a primeira de muitas cartas, ou e-mails, ou mensagens, ou posts do Facebook ou de qualquer outro meio que for inventado. Você só vai conseguir ler isso mais tarde, quando for alfabetizada. Só vai entender mesmo… Um dia. Quando você olhar para sua filha ou sua sobrinha amada e sentir o que eu estou sentindo. Quando seu coração se aquecer como o meu.

Aí você vai entender porque eu escrevo uma cartinha tão simples com lágrimas nos olhos. Não é tristeza não. É felicidade. É porque eu sei que é só o começo.

É o primeiro parabéns. De muitos anos de vida.

Te amo

Tio Alê

Não era para ser um mundo melhor?

Vou simplificar o que todo mundo quer complicar.

Quando o pessoal fala em blogs, em nova mídia e tudo que vem com ela, uma dos motivos de festa sempre foi o de que todo mundo ia ter voz num mundo em que a tal velha mídia não tinha mais a mesma credibilidade.

Aí, surgem os anúncios, os posts pagos e o pessoal corre atrás de centavos como o burrico tentando pegar a cenoura. Não dá, né, pessoal. Tem que ser diferente. É preciso lutar por algo melhor do que isso. Me deprime ver blogueiros bons, com textos ótimos, vendendo os temas de seus textos a quem pagar mais.

Podem espernear, podem reclamar, podem chamar quem torce o nariz de purista. O fato é que não foi com isso que a gente sonhou. Um mundo sem posts vendidos é bem melhor. Ou vocês vão continuar fingindo que não é?

E então? O que você faz quando pode fazer qualquer coisa? Os melhores blogs? Os mais inovadores? Com os melhores textos e idéias? Ou apenas aquilo que seus, hum, patrocindadores permitem?

Vamos em frente? O meio blog quer mais do que estamos entregando.