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A imbecilidade

Eu olho nos seus olhos e te conto meu maior drama. O evento que me assombra todas as noites, que me faz acordar suado. O evento que eu revivo em pesadelos, que eu fantasio sempre o que seria da minha vida se aquilo não tivesse acontecido, se eu tivesse feito diferente, se, se, se…

Guilherme Fiuza, jornalista-blogueiro contou em seu blog o drama que viveu em 1990, quando seu filho morreu ao cair do oitavo andar. Ele revelou isso justamente para jogar alguma luz sobre a estupidez, a imbecilidade de pessoas que acham que conceitos básicos da civilização, como o princípio da presunção da inocência até prova em contrário, são absurdos. A investigação sobre a morte de Isabella está longe do fim. Há muito chão a se cobrir antes que o pai e a madrasta sejam considerados culpados ou inocentes, se é que serão indiciados. É só a mais pura ignorância condená-los sem conhecimento de causa, dos fatos, com base apenas em um delegado que gosta de aparecer e em uma imprensa sensacionalista e irresponsável.

Mas diante de tudo, diante do relato duro de Fiuza, há quem tenha tido a cara de pau de mandar comentários como “foi mal, mas você foi negligente com seu filho”. Não vou nem entrar em mais detalhes. É preciso ter um QI muito baixo para, diante dos fatos, fazer um comentário como esse. Além de ser inadequado falar algo assim, simplesmente porque é, a pessoa ainda diz isso sem saber nada sobre o fato. Fiuza não diz em que condições seu filho morreu. Ainda assim, um imbecil, um ignorante, um sei lá o quê, consegue fazer um comentário desses. Eu fico pensando se pessoas assim diriam isso na lata, olho no olho. Ou se, talvez, isso seja mais um subproduto da anonimidade dos fóruns dos blogs e websites.

E esse tipo de pessoa insuportável, ignorante, ignóbil ainda faz uma obsevação de que a suposição de inocência salvo prova seria uma bobagem, porque apenas ajuda criminosos a escaparem. Nessas horas, eu só consigo pensar que preciso ir morar numa bolha, numa ilha deserta, num lugar no qual não precise viver no mesmo planeta que gente assim. Nem respirar o mesmo ar.

Videoblogando de qualquer lugar

Comprei meu N95 no ano passado de olho na idéia de blogar de qualquer lugar. Mandar uma foto ou um vídeo e documentar algum acontecimento na hora, sem pensar muito. Estou no processo de acertar a plataforma tecnológica que integre tudo num blog, mas já estou com meio caminho andado. O N95 já traz algumas ferramentas interessantes (como o genial Lifeblog, uma ferramenta que coloca o seu uso do celular em perspectiva cronológica), mas me impressionei com a simplicidade do Shozu. Eu gravo um vídeo e o Shozu se encarrega de mandar tudo pro You Tube, por exemplo. A mesma coisa com o Flickr (por algum motivo, a ferramenta que veio no N95 parou de funcionar. Não entendi por quê…) e com diversos outros sites. Agora falta transformar isso numa massa de informação que faça sentido visualmente. Que conte uma história. Estou trabalhando nisso neste momento. Contando que são 4h da madrugada de domingo para segunda, dia 24 de março. Oh, melhor olhar o vídeo (com o perdão da cara de cansado e da voz rouca).

Não era para ser um mundo melhor?

Vou simplificar o que todo mundo quer complicar.

Quando o pessoal fala em blogs, em nova mídia e tudo que vem com ela, uma dos motivos de festa sempre foi o de que todo mundo ia ter voz num mundo em que a tal velha mídia não tinha mais a mesma credibilidade.

Aí, surgem os anúncios, os posts pagos e o pessoal corre atrás de centavos como o burrico tentando pegar a cenoura. Não dá, né, pessoal. Tem que ser diferente. É preciso lutar por algo melhor do que isso. Me deprime ver blogueiros bons, com textos ótimos, vendendo os temas de seus textos a quem pagar mais.

Podem espernear, podem reclamar, podem chamar quem torce o nariz de purista. O fato é que não foi com isso que a gente sonhou. Um mundo sem posts vendidos é bem melhor. Ou vocês vão continuar fingindo que não é?

E então? O que você faz quando pode fazer qualquer coisa? Os melhores blogs? Os mais inovadores? Com os melhores textos e idéias? Ou apenas aquilo que seus, hum, patrocindadores permitem?

Vamos em frente? O meio blog quer mais do que estamos entregando.