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A história da blogosfera brasileira, em três minutos

Esse slide show se propõe a contar a história da blogosfera brasileira. Um dos talentos do Edney sempre foi essa capacidade de criar conteúdos que são de interesse dos blogueiros. Foi assim em seu blog com os testes, os tutoriais e tudo mais. Pois aqui está mais um.

Em geral faz um bom trabalho. Eu gostaria de saber se a audiência do portal do Estadão caiu mesmo depois daquele evento funesto. Há como provar isso com dados confiáveis? Será que alguém tem alguma emenda a fazer? Eu não sou expert em história da blogosfera.

As inovações que surgem da necessidade

O Urblog é uma experiência nova. Usa ferramentas velhas, idéias que sempre estiveram por aí, mas iluminadas por uma nova lógica. É reportagem pura. É resultado da curiosidade da repórter, que sai pela rua sem pauta definida e fica atenta ao que está acontecendo.

Sua meta é produzir vídeos, fotos, textos que retratem histórias da cidade. Duas semanas depois de entrar no ar, está sendo interessantíssimo ver (e ouvir) como a Juliana Vilas está encarando esse desafio.

Uma das primeira inovações flagrantes do formato é decorrente da ausência de edição direta. Sem esse recurso (já que está na rua, sem notebook), a Ju resolveu o problema gravando vídeos mais curtos e os colocando em sequência. O resultado é uma edição que acontece na cabeça do espectador, emoldurada pela quebra dos vídeos, pelos requadros, pela sequência da colocação na página do blog.

Acompanhe o blog. Mais inovações virão por aí. 😉

Editorial x Comercial

Eu já falei disso antes, mas sempre vale voltar ao assunto.

Uma das coisas que mais me impressionou no mundo dos blogs (em todos esses anos nessa indústria vital) foi a forma como muitos blogueiros trocaram os chapéus sem pestanejar. O que tornou os blogs fascinantes foi a forma como pessoas que não eram jornalistas nem comunicadores de formação passaram a ter a capacidade de projetar sua voz para o mundo sem precisar conhecer ninguém nem fazer parte da grande mídia. Só que, passado esse estágio inicial, o que se seguiu foi a necessidade dessas pessoas de continuarem fazendo isso e ganhar dinheiro no processo.

Estamos no meio dessa fase. Se iniciou uma corrida do ouro e, como em toda corrida do ouro, a coisa está ficando feia, porque disputada. Como não há modelos e, ao mesmo tempo, como existe uma tentativa de negação do que é estabelecido, a coisa ameaça sair do controle. Muitos blogs simplesmente passaram a vender sua integridade por qualquer trocado, assumindo que isso é normal. E não é.

Já conversei com várias pessoas que acham que as revistas e os jornais publicam reportagens pagas. Não, pessoal, não publicam. Pelo menos não os jornais e revistas sérios, de editoras idôneas, que prezam seus nomes. Publicidade e editorial são entidades separadas. E essa separação é imprescindível para preservar a integridade do editorial. Se alguma coisa está num espaço editorial, precisa ter saído do faro, da criatividade, da antena ligada de quem produziu aquele conteúdo. Precisa estar sintonizado com o assunto sobre o qual aquele veículo fala.

A separação entre publicidade e conteúdo editorial tem que ser clara. Nada de enrolação, nada de confundir o leitor em busca de um clique. Fazer isso é errado. É nosso dever, e dos publicitários de plantão, imaginar formas honestas de explorar a audiência conseguida pelos websites e pelos blogs. Tudo mais que não siga as regras básicas da boa separação entre conteúdo editorial e publicidade é enganação pura por uns trocados a mais.

Pensei muito antes de falar sobre isso de novo, porque é um assunto delicado. Alguns amigos meus podem ficar chateados comigo só porque eu estou tocando nesse tópico. Podem se sentir ofendidos e tudo. Mas nas últimas semanas eu contei umas cinco ou seis iniciativas que eu considero extremamente daninhas para a blogosfera que eu vi nascer e crescer nos últimos anos.

Fiquei fascinado em ver tantos escritores fantásticos surgindo. Tanta gente talentosa. E agora vejo que a falta de modelos está corroendo o que foi conquistado e ameaçando essa geração.

Hesitei em voltar a esse assunto e, subitamente, me toquei que, justo por ser motivo de hesitação, era hora de falar nisso de novo. Se há o constrangimento, o questionamento, é porque a necessidade surgiu. A blogosfera brasileira de primeira linha, esse grupo de pessoas talentosas que abocanhou uma audiência enorme com base em seu talento, em seu faro, em sua qualidade, precisa acordar para o que está sendo feito. Eu sou só um espectador privilegiado. Só posso observar e imaginar o que aconteceria se fosse diferente.

By the way: dada a repercussão dessa história, vale declarar que esse post não tem nada a ver com a não-polêmica dos “blogs de aluguel”. O buraco é muuuuito mais embaixo, pessoal.