Arquivos da categoria: Acredite se quiser…

A dura vida dos heróis do mundo real

Quando eu tinha 13 anos (é 13, eu era bobo assim mesmo), imaginava como seria se eu lutasse contra o crime.

No mundo real, sem efeitos especiais, fios ou dublês, diferente de Homem-Aranha ou dos Vingadores, é mais ou menos assim:

Phoenix Jones Stops Assault from Ryan McNamee on Vimeo.

Vamos levar em conta que o vigilante em questão é um lutador desconhecido de MMA chamado Ben Fodor. O cara sai pela noite de Seattle fantasiado desse jeito e ainda leva um cameraman a tiracolo? Será que ele não queria aparecer um pouquinho? No caso dele, ser preso e ver a notícia se espalhar foi a melhor coisa que aconteceu para a carreira. Então, em vez de chamar esse vídeo de real, vou usar outro termo: realista.

“Minha” Londres e a “deles”

Olhei para o mapa montando no Google Maps pelo Guardian e imediatamente me ocorreu ir dar uma olhada num outro que eu costumo fazer em todas as cidades que eu visito e que eu chamo de “Minha >ponha cidade aqui<". Minha Nova York, Minha Amsterdam, Minha Roma, Minha... Londres. De todas elas, pelo que eu vivi lá, eu sentia Londres como a mais minha de todas. Foi um ano intenso vivido por lá e que me deixou com saudades das pessoas e dos lugares. Aí resolvi sobrepor a minha Londres a dos vândalos...

Destaquei um pedaço do mapa. Os lugares do centro que eu freqüentava, são as marcas azuladas. As alaranjadas, são os ataques. Até hoje, mesmo sabendo que eu moro na parte mais alta daqui de SP, sempre que chove, minha mãe me liga perguntando se eu não estou no meio da confusão. Pois ao que tudo indica. Se eu estivesse em Londres, ela teria tido bons motivos pra ligar preocupada…

Dito isso, fiquei impressionado com uma coisa nessa cobertura da parte do Guardian e da BBC, minhas fontes primárias de notícias sobre a Inglaterra. Falta de contexto. Os sites te enchem de fotos, vídeos, dos eventos e não conseguem te explicar direito quem está fazendo isso e por quê. Na cobertura do Guardian e da BBC os eventos não têm face, nêm motivo aparente. Estão acontecendo.

Só no Telegraph fui encontrar algum comentário, análise. Pro melhor e pro pior. É ali que vai ser discutido se a polícia não conseguiu conter os saques porque ficou com medo de soar racista ou que surgem as vozes afirmando que dado o desemprego e o descaso do governo, isso ia acontecer a qualquer momento. Ainda são análises óbvias, pouco profundas. Mas são uma tentativa importante. No Telegraph, estão ao lado dos mapas interativos, vídeos e fotos. Uma tenativa de iluminar faz bem.

As melhores saias-justas do iPhone

Meu dia começou bem com essa seleção genial de saias-justas causadas pela autocorreção do teclado do iPhone.

Adoro a forma como certos gadgets e certas aplicações se integram em nossas vidas e viram fenômenos culturais. Outra diversão típica é inventar assinaturas malucas para as mensagens via celular. A minha atual é “Enviado do meu Tricorder”, uma piscadela pros trekkers e trekkies espalhados por aí.

Chegou via @crisdias, claro. Tem mais no site que reuniu as tiradas.

Ronaldo, o fim e o marketing

Ontem foi dia de assistir ao anúncio oficial do fim da carreira de Ronaldo, o Fenômeno. Eu vi a carreira dele do início ao fim. Vibrei em 2002 quando ele voltou de uma contusão gravíssima e dominou a Copa. O vejo como uma espécie de super-herói. Mas, cá entre nós, essa obsessão dele por movimentos calculados é enervante.

Sim, porque apesar do jeito meio informal do anúncio de ontem, havia um monte de ações cuidadosamente calculadas. Ronaldo é um cara inteligente que sabe usar a mídia. E usou. Veja, por exemplo, o esforço de exibir-se com os filhos, incluindo o menino (fofinho, diga-se de passagem) cuja paternidade que ele acaba de reconhecer. Ou o ato de usar a palavra fracasso aos prantos para se desculpar com a torcida do Corinthians pela derrota na Libertadores. Ou ainda, a Twitcam no notebook que estava em cima da sua mesa.

Existe o discurso e as entrelinhas do discurso. Uma coisa que fica clara é que, apesar de declarar que não guarda mágoas, Ronaldo fez questão de dar uma justificativa para o fato de estar acima do peso: hipotireoidismo e meio que repreendeu os jornalistas que dele fizeram chacota. Pena que, ao longo da tarde, alguns médicos tenham afirmado que ele podia tomar medicações para o distúrbio normalmente. Arrisco dizer que os reais motivos dos problemas físicos graves de Ronaldo só vão surgir em alguma obra reveladora (a versão do livro de memórias daqui uns dez anos) no estilo do que fez Pete Sampras em seu livro.

Mas por agora, foi um anúncio calculado cuidadosamente para tentar deixar de Ronaldo a imagem de bom pai, fiel aos amigos e amante da torcida corinthiana. Muito importante para os negócios.

Me engana que eu desgosto

É desolador ver Weslian Roriz (PSC) falando. Não só por ela, mas pelo cenário que ela, indiretamente, revela.

Uma coisa é não ter o domínio da habilidade de falar para a câmera. Alguns bons políticos não eram bons oradores, principalmente teleoradores.

Também não é só pelas promessas vazias, desprovidas de substância e reflexão. NAs frases que andam em círculos porque a candidata parece não ter idéias.

É que ao olhar para Weslian Roriz, você vê que a grande diferença entre ela e a maioria dos candidatos é o treino. Suas promessas são tão fictícias quanto a de outros que falam melhor e dominam a narrativa da TV. Ela só não sabe enrolar tão bem quanto eles. Sua inabilidade absoluta a expõe, mas expõe também a falta de qualidade em outras praças, não só no DF.

É constrangedor, mas periga desviar nossa atenção para os outros Weslians mais espertinhos que estão nos cercando e nos governando. Os otários, incultos e despreparados são eles ou nós?

Quem quer virar um vampiro?


Não é fácil manter esses corpinhos por toda a eternindade (e sim, eu sei que a Sookie não é vampira*)

Por duas semanas, todo nosso tempo livre foi dedicado a ver as três temporadas de True Blood. No meio dessa correria, tirei um daqueles cochilos delirantes e…

Você sabe, né? Vampiros ficam para sempre na forma que tinham quando foram transformados. Vai daí que, seu eu fosse avisado de que iria virar um vampiro, ia pedir um tempinho e correria alucinadamente para a academia. Iria lutar pra perder uns bons dez quilos, cortaria os cabelos direito, faria a barba. Poxa, todos os vampiros passam a eternidade sendo os gostosões, porque seria eu o vampiro gordinho e desgrenhado da turma?

Aí, pensei eu, isso dava um formato, digamos, matador, de reality show.

Imagine 10 pessoas em uma casa com as janelas sempre fechadas disputando a chance de virar vampiros. Elas passariam por diverrsas provas e deveriam perder peso, ficar mais bonitas e bem cuidadas para ser escolhidas por um vampirão. Isso mesmo, a cada semana, um monte de provas de resistência, inteligência, tomadas de peso tipo de Biggest Loser, aquele reality show para gordinhos.

Mas o momento mais esperado seria aquela hora em que o vampirão sedutor (e meio afeminado) ou a vampirona gostosa (e meio vagaba) escolheria a pessoa que iria ser desclassificada. Fiquei pensando em como resolver esse momento. No Aprendiz, o apresentador diz “Você está demitido!”, no americano, a frase é “you are fired!”.

Pois no nosso reality show (que se chamaria “Quer Ser um Vampiro?”), a vampirona faria aquele veredicto sacana: “Fulano, você não emagreceu o suficiente, vomitou quando bebeu sangue de galinha e não agüentou dormir uma noite em um caixão porque tem claustrofobia. Não pode ser um vampiro!”, e terminaria com um trocadilho safadinho em inglês: “You suck!”. A pessoa sairia dali com sua malinha e as portas se abririam para um belo dia ensolarado e luminoso.

Aí, naquelas traduções dos canais a cabo, rolaria aquela dublagem tosca e sem sincronia. Colocariam o vampiro olhando nos olhos do pobre desclassificado e dizendo: “Chuupaaa!”.

Pois é. Isso é que dá ver True Blood demais em pouco tempo. Pirei.

(*Nota importante do autor: a personagem da Anna Paquin em X-Men, Rogue, foi chamada de Vampira nas revistas brasileiras…)

Um mentecapto que virou um falso herói

Derren Brown é um mágico britânico que ficou famoso ao produzir programas de TV que giram em torno de técnicas centenárias e mentalismo com os twists das novas tecnologias e buzzwords da ciência.

Ele continua sendo um mágico, um mentiroso profissional. Mas faz isso com uma habilidade admirável. NO entanto, alguém que trabalha primordialmente com a surpresa, com a idéia de pegar sua platéia despreparada, vai tendo mais e mais problemas para se superar a cada especial de TV. NO início, ele capturou a imaginação dos ingleses ao mostrar pessoas sendo dominadas por supostas técnicas de hipnotismo e programação neurolinguística.

Usando a bandeira do ceticismo, ele fez alguns especiais memoráveis sobre poderes extra-sensoriais (o fantástico Messiah) e sobre o mito da sorte (The System). Algumas idéias eram exageradas demais e o resultado ficava aquém do esperado, como quando ele resolve fazer uma séance ou a da roleta russa.

No ano passado, ele fez quatro especiais com resultados também irregulares. No primeiro, prometia acertar os números da loteria. No último, acertar o resultado de uma roleta em um cassino de verdade. “Acertou” os números, mas falhou feio na roleta.

Esta semana, resolveu sair do terreno do ceticismo, deixar de lado a mágica e brincar com algo muito caro a uma nação em profunda crise econômica e de autoestima, como a Inglaterra. O que faz de uma pessoa comum um herói? Talvez tenha sido o pior especial especial de Derren Brown até agora.

A proposta era pegar uma pessoa absolutamente comum, com todos os seus medos e sonhos desfeitos, e transformá-la em alguém capaz de feitos heróicos em um mês. Como ele faria isso? Manipulando a vida dessa pessoa por meio de eventos controlados que a fariam, passo a passo, ganhar a coragem necessária de se levantar em momentos de crise e fazer a diferença.

A idéia de que Brown é capaz de manipular a mente dos seus espectadores é parte integrante do “personagem” de Derren Brown. Se um mágico é um ator fazendo o papel de um mágico, esse é o papel de Brown. Um homem capaz de usar seus conhecimentos superiores (o que quer que isso signifique) para manipular a mente dos meros mortais que não sabem o que ele sabe.

O protagonista é um rapaz que tinha o sonho de ser policial, mas acabou como atendendente de telemarketing de uma companhia de seguros. Brown quer que ele encare a vida de frente, lute contra seus medos e comece a mudar de vida. Mas o rapaz, Matt, é um mentecapto. Vai na casa de um homem devolver sua carteira e, quando vê que não há ninguém lá, resolve entrar, abrir sua geladeira, ver sua TV. Ridículo. Depois, ele ajuda um motorista que estava para fazer a entrega de itens de uma festa. O motorista quer ser chef de cozinha e Matt, nosso herói estúpido, o convence a tentar. O homem vai embora e larga o furgão, com tudo que há dentro, nas mãos de Matt. O rapaz, em vez de ligar para a empresa e avisar o que aconteceu (dentro da realidade do programa, supostamente haveria uma pessoa em algum lugar esperando o que há naquele furgão), resolve dar uma festa pros vizinhos. Pelo jeito, heróis não precisam ser honestos, nem se preocupar com as consequências do que fazem. Como é que esse negócio foi ao ar?

A premissa do programa, associada ao perfil de Brown, poderia resultar em algo incrível, mas a implementação, num filme, já seria bizarra. Num reality show, soou falsa e sem sentido, piorando muito com a escolha de um idiota como matriz de toda a ação. Como eu disse, Brown brilha quando age como um cético. Quando mostrou que não existe formula mágica para nada e que tudo tem que ser o resultado de trabalho duro, mesmo que fosse a tentativa de ganhar na loteria.

Aqui, ele reduz todas as sua idéias a um conceito bobo e superficial de heroísmo sintetizado no ato de pilotar um avião (apesar da fobia de voar) e salvar 100 pessoas, a meta final do limitado Matt. Uma nação em crise precisa de gente que acredite no futuro e que esteja disposta a trabalhar duro e ir atrás de seus anseios. O programa de Brown, com um protagonista mentecapto e sem nenhum valor digno de nota, vende barato uma grande idéia e subestima a audiência, coisa que Brown sempre acertou ao evitar.

A Fnac falha com o cliente (eu) uma, duas, três… várias vezes :(

Como pode uma empresa falhar tão estupidamente com um cliente?

Em 2008, eu comprei um MacBook na Fnac de Pinheiros. Ao longo dos últimos anos, fiz dezenas de outras compras de valores menores. Várias vezes na casa das centenas de reais. Ano passado, comprei meu iPhone lá. Paguei R$ 900.

Algumas semanas atrás, notei que o botão do vibracall do meu telefone estava dando mau contato. Com preguiça de passar por um processo irritante de troca, fiquei bobamente torcendo pro problema se resolver sozinho. Piorou, claro. Como o iPhone ainda não tem assistência técnica no Brasil, qualquer defeito comprovado dentro da garantia de um ano significa uma troca de aparelho. Ridículo, mas é assim que funciona.

Fui até uma loja da Vivo. O funcionário estava pronto para trocar meu aparelho quando pegou a nota e viu que a compra tinha sido efetuada numa Fnac. “Vecê tem que trocar por lá”, avisou.

Lá fui eu até a loja. Lá e os funcionários, com roupinha preta da Apple, me avisam que eu tinha que fazer a troca na Vivo. Desconfiado, sem sair da loja, ligo para a Vivo. Depois de esperar dez minutos para ser atendido, caio com o milésimo atendente mal educado (uma especialidade da minha operadora, vai entender) que me informa que eu teria que resolver o problema com a Fnac. Ponto final. Mas, pense bem: já começou mal, tentando se desviar do cliente.

Ah, tem mais…

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O atropelamento que revelou o strike moral

O caso do atropelamento do filho da atriz Cissa Guimarães é exemplar de tudo que está errado na nossa sociedade. É uma tentação explicar os fracassos do Rio por aqui, mas não é justo. O problema é geral. Esse caso poderia se repetir em qualquer canto do país. É um strike moral em todos os níveis. Um fracasso para todos nós.

Primeiro, jovens sem limites atropelam uma pessoa e, tendo a opção de socorrer, fogem. Um absurdo total.

Depois que fazem a besteira, pedem ajuda aos pais, claro. Esses, em vez de dar o exemplo e explicarem que eles precisam enfrentar as consequências de seus atos, acobertam o crime.

Entra a polícia carioca. Essa maravilha. Toda vez que damos de cara com um caso rumoroso descobrimos que, embora a corporação não esteja toda contaminada pela corrupção (como insiste em afirmar o Governador do Rio), ela está curiosamente bem distribuída, de modo a estar presente em várias situações de destaque. Basta puxar um fio e ela aparece. Muito hábeis os corruptos, impressionante.

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