Três Corações

Minha vida foi marcada por três mães.

A primeira, claro, mais óbvia, foi a minha. Mamãe. Mãezinha. Aquelas coisas. Não sei como teria sido a vida sem ela, nem quero imaginar. Só sei que teria sido muito, muito pior não ter pra onde voltar, nem sentir que havia alguém pensando em mim a todo momento. Olhando por mim, mesmo que de longe.

Com o passar das décadas, sua mãe vira um tesouro ainda mais precioso. Entre outras coisas porque, quando você vira adulto, se aproxima dela em vários pontos. Muitos filhos vão estudar mais que os pais, se sentir intelectualmente iguais ou mesmo superiores, e não vão entender uma coisa preciosa deles até estarem naquela mesma situação e forem eles os pais, algo que vai demorar décadas. Aquele momento em que você pensa por que diabos vai ouvir aquela pessoa que, no fim, está hoje no mesmo nível que você. O que ela sabe que você não saberia?

Confesso não ter realmente pensado muito sobre isso, mas um dia tive um sonho em que acho que consegui tocar de leve o entendimento dessa posição de amor puro que funciona como uma “lente” inigualável que só uma pessoa que te ama incondicionalmente vai usar. Ela vê o mundo de um jeito único. Como eu sou nerd, e velho, vou comparar com aquela visão da matrix. Lembra? Com aqueles numerinhos caindo? Só que, claro, elas não vêem números. Elas vêm outras coisas que vão condicionar sua segurança, sua saúde, sua felicidade, seu conforto. Esse é o mundo dos filhos visto pelas mães. Eu nunca vou ver isso. Mas pelo menos num sonho, pude imaginar. Por isso, sou um ouvinte do que as mães têm a dizer. Sempre.

A segunda foi minha tia. Minhas tias todas são lindas, fofas. Mas uma delas, por causa da relação de maternidade com a minha mãe, de quem ela cuidou, acabou ocupando um espaço de segunda mãe na minha vida. Tia Lourdes. Uma baita rabugenta com todo mundo. Menos comigo. Comigo sempre foi só doçura. Eu conheço uma dona Lourdes que poucas pessoas conhecem. A melhor de todas, claro. Capaz de um amor sem limites. Tia Lourdes é mãe da minha mãe, minha meio mãe e meio avó. Linda.

A terceira foi minha irmã mais nova. De novo, eu tenho outros irmãos. Uns mais próximos do que outros. São pessoas incríveis. Mas é difícil ser mais forte que o laço da irmã mais nova com quem você viveu, aquela que você carregou no colo e com quem se espremeu no berço (é, eu ainda cabia num, arriscando quebrar tudo, aos seis pra sete anos). Eu a vi se tornar mãe e, pra muitas pessoas, talvez ela tenha mudado muito, mas pra mim ela só solidificou tudo que eu sempre gostei nela e que estava meio espalhado, meio escondido. Virou uma mãe incrível. Mas vindo de quem veio, eu não podia esperar menos.

Com essas três mães lindas, eu vou falar diretamente. Para todas as mães do mundo, meus parabéns sinceros. Vocês são demais.

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